Equilibrium
1 Equilibrium
Certo dia, ela abriu a janela
Era o Brasil-Central de ponta-cabeça
Quanto barulho, quanto ódio e intriga
Resolveu ir até a capela.
Lá era puro sofrimento e contemplação
Viu senhores e senhoras
Evocando todos os santos
E chorou, escondendo-se com a mão.
Onde os jovens estavam, ela não sabia
Talvez nos trabalhos e faculdades
Nas frivolidades
Decidiu que meditar era o que queria.
Aos poucos foi se assumindo
Descobriu que as mais belas coisas
Eram também as mais simples
Como pássaros e flores que iam se abrindo.
Certa vez, foi vítima de crueldade
Reclamou ao Universo
“Por que eu? O que fiz para merecer isso?”
O Universo lhe enviou então um lindo bem-te-vi
E ela compreendeu o tamanho de sua vaidade.
Pensou em fugir
Não aceitava qualquer tipo de sofrimento
Mas os bem-te-vis sempre voltavam
E lhe faziam sorrir
Entregou-se lutando
Percebeu a dualidade do mundo
Agora sabia pelo que esperar
E esperava cantando.
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