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1 Prólogo/ My name is...
Notas iniciais
Sentada em frente a mesa daquele que chamavam de cientista chefe, muitos estariam nervosos pelo repentino chamado, se perguntando o que poderiam ter feito de errado. No entanto, a pequena humanoide chamada de “02” estava calma, aguardando a chegada do seu principal criador. De acordo com seus cálculos, o chefe apenas perguntaria sobre seus testes recentes e lhe informaria sobre quando, de fato, estaria completa.
Não fazia muito tempo de sua criação, e para uma Vocaloid certamente nova, 02 era impressionante. A maioria dos teste feitos tinham cem por cento de êxito, além de ser uma humanoide bastante inteligente. Poderia resolver contas matemáticas complexas, tinha um amplo conhecimento geral, alguns diziam que 02 poderia ter sido declarada como pronta a tempos.
Porém, havia um teste que esta sempre falhava. E a própria humanoide não fazia ideia do porque. Não importava o quanto se esforçava, parecia que o resultado era sempre o mesmo. Já havia ouvido alguns outros cientistas cochicharem o por que de não esquecerem aquele teste, mas o cientista chefe já havia deixado bem claro que, apesar de tudo, aquele era um teste essencial.
02 não costumava questionar seus criadores, mas já se pegou pensando o por que aquele teste era tão importante.
Foi tirada de seus pensamentos quando o homem na faixa dos quarenta anos adentrou a sala, arrumando seu jaleco branco e sentando em frente a sua mesa.
— Bom dia, 02. – O homem falou organizando alguns papeis jogados na mesa.
— Bom dia, senhor. – A humanoide falou formalmente.
— Como tem sido sua manhã? – Perguntou ainda ocupado com os papeis.
— Bem... – A vocaloid desviou seus olhos azuis para o teto. — Acordei no horário programado, às seis da manhã, e comecei a realizar meus testes. No total, foram quinze realizados em menos de três horas. Suponho que a definição da minha manhã seria “cheia” ou “produtiva”. – Finalizou a pequena.
— Por favor, não me responda como se estivéssemos em um teste. – O homem tinha um sorriso no rosto, mas a vocaloid não conseguia entender ao certo o que ele queria dizer.
— Sinto muito. – Abaixou a cabeça. – Deve ter se tornado um costume. Concertarei isso.
O homem suspirou com a resposta da humanoide, levantando-se de sua cadeira e caminhando até uma janela presente. Colocou as mãos nos bolsos do jaleco enquanto apreciava a paisagem de uma avenida movimentada e tecnológica, sobretudo o céu azul daquela manhã.
— 02, você sabe que eu nunca menti para você sobre os dados da sua conclusão, certo? – Perguntou não desviando o olhar da janela.
— Sei disso, senhor. Eu devo estar pronta em breve, assim como me informou. – A humanoide respondeu, ainda sentada, olhando para seu criador.
— Sabe, tem algo que eu deixei passar... – O cientista fez uma breve pausa. – Para mim, parecia que esse “em breve” estava longe demais.
— Onde quer chegar, senhor? – Perguntou não entendendo onde aquela conversa levaria.
— Talvez tenha sido culpa minha. – O homem tirou uma das mãos do jaleco e a apoiou na janela. – Você passou tempo demais dentro desse lugar, 02. O que eu queria criar para ti não pode ser produzido em laboratório. – O cientista parecia falar tanto para a pequena de cabelos loiros quanto para si mesmo.
— Apenas vocaloids completos são permitidos serem liberados da instalação. – A humanoide falou, mesmo não entendendo ao certo o motivo daquela conversa.
— Exato, mas não seria possível te completar caso você não saísse antes. – O cientista se virou para ela. – Os testes em que você falha... Como poderia acertar se você nunca aprendeu sobre isso?
— Aulas teorias e instruções foram-me passados, senhor. – Informou ao seu criador que apenas riu.
— Nós podemos teorizar sobre quase tudo nesse mundo, 02. Mas a verdadeira experiência é o que nos faz ter total noção. – O homem sorriu para a vocaloid. – Você não entende isso agora, mas o motivo de sua criação gira em torno disso.
—... É frustrante saber que o motivo da minha criação gira em torno de algo que eu sequer entendo. – A humanoide olhou para suas mãos como se procurasse a resposta.
— Não se preocupe. – O cientista acariciou os cabelos loiros, quase paternalmente. – É minha responsabilidade terminar esse projeto, não vou desistir de você Rin.
— Rin? – A vocaloid perguntou, olhando para seu criador.
— Esse era o nome que estava pensando dar a você na sua conclusão. – O cientista revelou.
— Meu nome...?
— Eu conversei com minha equipe e decidimos que o melhor a se fazer é matricula-la em uma escola não muito distante deste prédio. – O homem começou. – Você viverá como uma garota de quatorze anos e se relacionará como diferentes pessoas.
— De acordo com meus dados, a escola a qual se refere é um estabelecimento destinado ao ensino coletivo... Não já fui ensinada tudo nesta instalação? – A pequena perguntou.
— Talvez você já saiba tudo que os professores te ensinem, mas lá você aprenderá mais do que isso. Ou é isso que esperamos. – O cientista falou, tentando ocultar o nervosismo.
— Irei me esforçar. – A vocaloid se mostrou determinada.
— Ótimo. Antes de ser dispensada, lembre-se que pode se identificar agora como Kagamine Rin para as pessoas fora deste laboratório. – Seu criador a informou.
— Certo, senhor. Irei me lembrar disso.
Após esse dialogo, a humanoide foi para sua própria sala que também poderia ser denominada de quarto. Não havia muitas coisas ali, apenas uma escrivaninha não muito usada com uma cadeira, uma cama a qual usava para descansar enquanto recarregava com o auxilio de seus fones de ouvido e alguns cabos disponíveis, uma estante com alguns livros avançados e um espelho pendurado na parede.
Caminhou um pouco pelo local e parou em frente ao espelho. Não tinha muito o costume de se observar com aquele objeto, então estranhou a própria atitude. Encarou seu rosto, analisando seus olhos, cabelo, nariz e boca. Sua voz tremeu um pouco, antes de começar.
— Meu nome é... Rin. Eu sou Kagamine Rin.
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