Equalize
3 As felicidades da gravidez
Cap. III – As felicidades da gravidez...
Kennedy apresentou a Olivier um colega obstetra e a primeira consulta ocorreu naquele dia mesmo. A Armstrong estava de quatorze semanas o que fez com que tudo tivesse que acontecer num período curto de tempo, afinal, ela precisava de uma pilha de exames rotineiros a toda gestante. Nada grave fora encontrado, o médico só recomendou uma alimentação mais rica em ácido fólico, ferro e cálcio. E devido aos seus trinta e cinco anos, suas consultas seriam de quinze em quinze dias, ou seja, teria de ir ao médico nos próximos cinco meses mais do que fora a vida inteira.- A senhorita vai poder continuar a fazer exercícios, eu até recomendo, mas com uma intensidade muito inferior. Um bom professor pode preparar para você uma série especial que poderá executar em casa mesmo.- E sobre o sal na comida? Alguma razão especial, Lewies? – indagou a loira –- Não, apenas uma prevenção, a maior parte das grávidas tem elevação de pressão conforme segue a gestação e depois dos trinta a porcentagem cresce consideravelmente. - Qualquer gravidez a partir dos trinta e um já é de risco?- Não estamos falando de gravidez de risco, miss Armstrong, mas sim de uma gestação com mais cuidado do que se você tivesse vinte ou vinte e cinco. – o médico se ajeitou na cadeira de couro – Tem que entender que para a natureza o ser humano não passa de mais um animal com um ciclo de vida: nascer, crescer, desenvolver, reproduzir e morrer. E para as mulheres, como são vocês que geram o feto, a situação é diferente, todo corpo de vocês muda para que isso aconteça e a partir dos trinta anos o corpo feminino entra em declínio. E cada ano após vai tornando o corpo feminino menos preparado para gerar.- E por isso tenho que vir a cada quinze dias? – disse com certo desprezo –- o médico riu – Kennedy comentou que não gosta muito de hospitais e médicos, mas garanto que boa parte das consultas será apenas para aferir pressão, pesar, conversarmos sobre como seu corpo está reagindo.- E que pessoa sã gosta de hospitais? Eu não conheço nenhuma, pelo menos. - Vi em sua ficha que é militar, já tirou sua licença? Eu já atendi algumas mulheres militares e parece que vocês têm uma licença muito superior a de outros empregos.- Oitenta e cinco por cento do contingente militar é masculino, por isso, um ano de licença não faz realmente diferença para as tropas, sem contar que doze por cento trabalham como arquivistas, secretárias e enfermeiras. Claramente que essa só tiram a licença perto do parto, mas os três por cento em atividade militar podem tirar logo no inicio devido ao risco e tem direito a uma extensão de mais seis meses.- Compreendo, faz muito sentido. – o médico escreveu algumas coisas em um bloco – Aqui estão as vitaminas que pode comprar, apesar de recomendar que tente conseguir seus nutrientes pela alimentação.- Vou fazer o possível. Obrigada e até daqui quinze dias. – Olivier ofereceu a mão – - Foi um prazer conhecê-la, miss Armstrong, e não se preocupe com nada. As pessoas vão falar muita coisa sobre ser perigoso, que não pode fazer isso ou aquilo, mas a maior parte é balela. Qualquer dúvida pode ligar tanto para mim quanto para o Kennedy que é o seu médico.- Tudo bem.***Miles caminhava pelas ruas da Nova Ishival recebendo os cumprimentos dos passantes, a farda militar não era mais símbolo de repressão. Quando estava quase chegando ao posto militar, encontrou Scar que fez um aceno. Ele estava entre os novos líderes e era uma pessoa muito mais sociável.- Yo Miles. – o moreno estendeu a mão – - Yo Scar, o que faz aqui? Queria falar comigo?- Estava falando com alguns agricultores sobre a cultivação dupla e te vi caminhando no mundo da lua. Algum problema?- Não, tudo está correndo muito bem, sabe disso. – os dois caminhavam lado a lado –- Fiquei sabendo que está prestes a receber uma promoção... Pretende ficar por aqui? Serão algumas décadas até que a região Leste se recomponha, um bom lugar para se fazer carreira.O Major riu.- Parece que todo mundo ouviu alguma coisa a esse respeito, mas eu não sei de nada. Mas mesmo se for verdade, não pretendo ficar, volto para o Norte assim que a missão acabar.- Eu conheço o Norte e sei que não é lugar mais aconchegante, principalmente as montanhas de Briggs. Sem contar que são tempos, relativamente, calmos por lá. - Sou um soldado de Briggs, meu lugar é lá. Aqui me sinto fora de habitat. Agora foi a vez de Scar rir.- Eu diria que tem mais do que apego ao lugar onde começou sua carreira, algo talvez do sexo feminino, mas isso não é da minha conta. Não quero ser indiscreto.- Não, não... Eu apenas gosto do Norte e também tem cinco anos que estou aqui, acho pouco provável. - Me desculpe, Miles, mas estamos em uma comunidade pequena e as notícias correm. E nenhuma notícia sobre você correu, ou seja, você já tem alguém fora daqui. Realmente, não é da minha conta... Não quero te constranger, ou nada do tipo. - Eu não sei do que está falando, só estou um pouco preocupado com a minha filha, ela veio com a conversa de me apresentar um amigo.
- Tudo bem, eu acredito, tomara que não seja nada realmente grave. – o Ishivaliano virou o corpo – Tenho que resolver algumas coisas, até mais.O Major entrou no prédio militar e foi para a sala onde estava trabalhando atualmente. Não acreditava que estivesse tão evidente seu estado amoroso. Ele podia muito bem ser apenas um homem muito reservado. As pessoas tinham que prestar mais atenção em suas próprias vidas.Equalize........Equalize........Equalize.......Equalize.......Equalize.......EqualizeOlivier estava sentada na mesa de jantar que atualmente estava sendo usada como mesa de trabalho. Mesmo não estando em Briggs, haviam muitos relatórios para fazer e assinar, sem contar o tempo que passava ao telefone resolvendo problemas. Isso era bom, se fosse passar o próximo ano e meio completamente parada provavelmente teria uma sincope.Nancy estava sempre olhando-a de rabo de olho, a criada não era boba, a conhecia há mais de vinte anos. Sabia que existia um motivo muito grande para sua patroa estar trabalhando em casa, o problema não era falta de confiança na mulher e sim saber exatamente o que ouviria. Sabia muito bem que o correto seria contar a Miles imediatamente e depois comunicar a família, no entanto, aquilo era o politicamente correto e não o que ela como dona de sua vida achava o certo.Depois de alguns telefonemas, confirmou o boato da promoção de Miles, depois de cinco anos de um excelente trabalho de mediador entre Ametris e Ishival ele seria condecorado com duas novas patentes. O major passaria a coronel, mas se ele saísse antes de ser oficial, havia a chance de quem assumisse o posto pegar a promoção e a Armstrong sabia que era muito merecido aquilo.Não podia jogar essa notícia no colo dele assim, não queria que ele voltasse às pressas perdendo algo tão importante. Não era como se estivesse escondendo aquele filho dele, afinal, ele estando lá ou ali ela continuaria grávida e a criança filha dele. O que ele perderia nesses próximos meses? Alguns enjôos, algumas tonturas, muito sono, um humor pior do que de costume e ela parecendo uma bola. Ou seja, nada relevante.Quando ele voltasse, contaria o acontecido e tinha certeza de que o moreno entenderia e concordaria com sua atitude. Mas para esconder dele, teria de esconder de todos, o que incluía sua família que sequer sonhava que ela tinha um relacionamento.E pensando em sua família, essa gravidez seria de certa forma a solução de um problema. Desde que os bens foram passados para seu nome, começou um incessante cobrança para que além de casar, ela tivesse um filho. Não pensava em casar, não gostava muito desse termo, um relacionamento estável de duas pessoas conscientes era infinitamente melhor... Mas isso não vinha ao caso, o importante era que agora ela como herdeira principal teria um filho para quem deixar tudo.Um filho... Era tão estranho pensar que tinha uma vida sendo gerada dentro de si, logo em uma mulher que jamais teve nenhum pensamento ou vontade para isso. A Armstrong soltou a caneta e estralou os dedos. Iria fazer um chá de hortelã e ouvir um pouco de música, já tinha feito o necessário, era só esperar o mensageiro que pedira para levar os papéis.Assim que colocou os pés na cozinha a criada disse que faria o chá e que era para Olivier ir para sala sentar e relaxar. A loira apenas meneou com a cabeça e foi para o aposento onde ligou a vitrola deixando rolar Mozart. Sentou-se no sofá grande com as pernas esticadas e uma almofada apoiando as costas, fazia bastante tempo que não fazia algo assim.- Senhorita Olivier. – Nancy depositou a bandeja no colo da moça – Chá sem açúcar como gosta e alguns brioches, mais alguma coisa?- Não, se quiser pode ir embora.- Tudo bem, senhorita... Mas....- Mas? – a loura ergueu a sobrancelha direita –- Eu não sei o que está acontecendo para estar em casa, mas seja o que for não vai poder esconder por muito mais e espero não ser nada grave.- Não se preocupe, não é nada grave. “Só inesperado.” – completou em pensamento –***Mais um lindo dia que amanheceu no Norte de Ametris, ou talvez isso fosse uma suposição leviana, do ponto de vista de alguém que estava sentada no chão do banheiro de mármore colocando tudo o que ingeriu nas últimas vidas que viveu. Não passava das nove da manhã do dia quinze de dezembro e nos últimos dias aquela andava sendo uma cena corriqueira, aqueles enjôos matinais estavam matando-a.Nunca tinha se sentindo tão mal na vida, o simples ato de abrir os olhos fazia com que suas vísceras se contorcessem, fazendo-a sentir o corpo mole e nenhuma vontade de levantar e quando o fazia, o bolo alimentar subia pelo sistema digestivo obrigando a mulher a se refugiar no banheiro por horas.Pois depois de vomitar não conseguia sair, ficava ali sentada no chão de mármore branco sobre o tapete esperando aquele mal estar passar o mais rápido possível. Depois entrava na banheira com água bem quentinha e com algum sal de banho neutro, afinal, não queria causar nenhuma outra crise que a levasse a abraçar o vaso.Afundou-se na água quente e fechava os olhos, já sentia uma leve barriga que ainda daria para esconder com roupas mais folgadas. Sabia que ouviria um sermão da criada assim que a mesma descobrisse. Mas não se importava muito com isso, no fim das contas, era uma mulher adulta e dona de seu nariz, mas evitar aborrecimentos era sempre bom.Ouviu uma leve batida na porta e a voz da criada, ela deveria ter trazido seu café... Ugh! Só de imaginar comida sentia aquela vontade de vomitar voltar, não queria nem ver o cheiro daquilo. Homens não sabem da sorte que têm por não engravidar, aquele primeiro momento não era nada bonito ou romântico, apenas incômodo.- O café está pronto, senhorita, sairei para buscar alguns legumes para o almoço.- Certo, Nancy e aproveite e traga as coisas que estão na lista do meu criado mudo.- Pode deixar e não demore, ou seu café ficará frio. - Yare, yare...***Olivier vestiu um suéter roxo de gola alta e jeans, prendeu os cabelos e caminhou até a mesa com o café posto. Não chegou a tocar em nada, ver toda aquela comida a deixava muito enjoada, nem seu adorável café escapava. Apenas sentou-se e abriu o jornal. Gostava de ficar informada sobre tudo, economia, política, ações, cotidiano, tempo... Fazia com facilidade as palavras cruzadas, lia a crônica e ia para área mundo.Por fim, acabou mordiscando o melão que estava cortado em forma de delicadas bolinhas, seu gosto suave impediu o vômito, mas não incentivou-a a se alimentar como deveria. Nancy voltou do mercado e parou na sala.- Não comeu? Nem o café? Algo errado senhorita?- Não, apenas falta de fome e comi sim, uns pedaços de melão. – disse sem tirar os olhos do jornal – O Mustang se casa na sexta, parece que ele está mesmo se preparando para se tornar Marechal.- A senhorita recebeu o convite há quinze dias. Sua mala já está preparada, as passagens de ida e volta compradas e marcadas e não me esqueci do vestido longo que já enviei para a mansão da Central para que não amassasse. - Eu tenho que ir, não? A Hawkeye me ligou há uns três meses e pediu minha presença. - Senhorita Hawkeye é uma boa moça, lembro-me dela com senhorita Gracia e Kaike-san. - Eu também gosto dela, caso contrário não me daria ao trabalho de me deslocar até a Central por causa do casamento daquele bundão. Quantos dias ficarei lá?- Apenas três, tentei dois, mas é final de ano e passagens até mesmo de primeira classe escassearam. Viajará com muito conforto, miss, mas não sozinha. Terá a companhia de mais uma ou duas pessoas.- Ótimo. Pode tirar os seis dias que ficarei fora de folga. – Olivier se levantou – Não vou comer mais, pode tirar a mesa.- A senhorita anda comendo muito pouco esses dias, algo errado com a comida? Estou ficando preocupada.- Tudo está ótimo, apenas não tenho muita fome e agradeceria se para o almoço fizesse algo bem leve, mas nada insosso. Vou trabalhar um pouco.Nancy olhou para sua patroa indo para o quarto de hospedes onde havia uma escrivaninha e olhou para as compras, não era boba, já tinha certeza do que se passava ali. Todos aqueles enjôos matinais – Olivier não podia esconder o som de seu vômito – muita fome intercalada com não conseguir comer, aquelas vitaminas e licença... Conhecia aquela mulher a tempo demais para se quer duvidar da paternidade daquela criança que a patroa achava que escondia, mas tinha certeza de que o pai se quer imaginava ou ele estaria ali já a muito tempo.
Equalize........Equalize........Equalize.......Equalize.......Equalize.......EqualizeUm dia e meio dentro de um trem não fez nada bem ao humor de Olivier, seu enjôo, ela seria capaz de dizer que triplicou e aquela comida horrível de trem não ajudou muito quando sentiu fome. Com certeza iria irritar bastante Alex e Mustang para compensar aquela tortura.Pelo menos não teve que correr atrás de um taxi, o chofer particular da família já estava lá esperando para levá-la para sua mansão. A mulher estava diferente do que de costume, o grande cabelo louro estava preso por um nó, usava óculos de grandes lentes marrons, casaco branco devido ao inverno, jeans e botas pretas de salto alto.Entregou a pequena mala ao chofer junto com um pequeno cumprimento e seguiram para o carro, estava louca por um banho e cama. Iria dormir indeterminadamente e depois arrumaria uma desculpa para implicar um certo futuro marechal bundão. Não queria ter saído de casa, não queria ter passado 36 horas dentro de um trem ouvindo uma velha chata...- Direto para casa, madame? – indagou o homem uniformizado, olhando pelo espelho superior do carro –- Direto e o mais rápido possível. – respondeu mal humorada – Tinha que tomar cuidado para não dar bandeira sobre sua gravidez, se bem que os pais eram tão excêntricos e perdidos em seu próprio mundo que duvidava muito que notassem qualquer coisa estranha, quanto mais suspeitar que teriam um neto.Mas o seguro morreu de velho e não valia a pena arriscar. Tomaria muito cuidado com o que comeria e faria. Teria de arrumar uma boa desculpa para não treinar com Alex, mas isso não queria dizer que não implicaria nenhum de seus adoráveis irmãos mais novos.Não era como se não gostasse deles, afinal, eram seus irmãozinhos, apenas tinha um prazer incomensurável em deixá-los muito irritados. E melhor ainda era quando estes tentavam bater de frente consigo... Pobres e ingênuas criaturas, teriam de trabalhar muito até conseguir chegar ao nível de discutir de igual para igual.Assim que chegou o motorista seguiu-a até seus aposentos para deixar a mala e logo após foi falar com os pais que provavelmente estariam na biblioteca fazendo alguma coisa. Ouviu o som do piano e viu sua segunda irmã ao piano, sua mãe bordava alguma coisa que pelo tamanho e por ser azul deveria ser para Alex, Katherinne estava apoiada no parapeito da janela olhando o jardim e seu pai sentado na escrivaninha de madeira de lei lendo um livro de história da filosofia.- Aneue!! – Katherinne foi a primeira a lhe ver – Pensei que não viria passar o fim de ano conosco!- Boa tarde, Katherinne. E não vim passar o fim de ano aqui, estou aqui apenas para o casamento da Hawkeye, depois tenho de voltar ao Norte.A Loira caminhou e sentou-se em uma das cadeiras que ficavam a frente de seu pai que levantou o olhar. - Já faz tempo que não nos faz uma visita, pensei que tivesse se esquecido de nós.- Diferente do Alex que não sai da barra de suas calças, eu tenho minha vida e carreira no Norte. Deveriam é colocá-lo para fora para que ele aprendesse a viver sozinho.- Alex tem ido muito bem no exército e tenho certeza que dentro de pouco tempo irá se casar para então sair de casa, mas da maneira certa. A mulher sorriu, ele já iria começar com aquela conversa de casamento.- Deveria preocupar-se com os suspiros de Katherinne antes de pensar em casar o Alex... – Olivier olhou de canto para a irmã mais nova que ficou mais vermelha que um pimentão maduro – Bem, estou cansada da viagem, vou me retirar, mandem me chamar na hora do chá.***Na manhã do dia seguinte, por sorte, não houve nenhum enjôo, mas o dia da Armstrong não começaria tão bem quanto ela achava. Vestiu-se e desceu para o café, estava com bastante fome e ao chegar a mesa encontrou não só sua família, um velho conhecido da época em que seus pais mandavam em sua vida estava ali: Jasper Green.Céus, não fazia nem vinte quatro horas de sua chegada e eles já estavam tentando empurrá-la em cima de algum ‘bom partido’. Suspirou e contou até dez para não perder cabeça e acabar jogando alguma louça na testa do infeliz. Muito cordialmente cumprimentou a todos e sentou-se na cadeira onde seu lugar estava posto, ao lado do homem.- Já faz algum tempo que não nos vemos, senhorita Olivier... – ele provavelmente esperava que ela dissesse para chamá-la apenas pelo nome, sem convenções – - Eu tenho estado muito ocupada nos últimos anos, sem tempo para esses bailes sem um real motivo de acontecerem. – disse enquanto tomava seu café preto e bem forte –A visita ri.- Tem um senso de humor formidável, então, seu pai comentava que vai ao casamento do General Mustang...Estava demorando... Os olhos azuis caminharam displicentemente até a figura na cabeceira da mesa. Seu pai sorria daquela maneira que ela bem conhecia e odiava. Ele provavelmente tinha soprado aquela idéia idiota na cabeça do rapaz. Era assim desde que debutara, já tinha perdido a conta de quantos pretendentes tinha colocado para correr e esse engrossaria a lista.O humor já muito inconstante devido as oscilações hormonais da gestação estava virando mais rápido. ODIAVA, ODIAVA ser colocada como moeda de troca. Sabia que a maioria desses infelizes tinham verdadeiro desagrado por sua pessoa e mesmo assim não perdiam a oportunidade de tentar. Por que não tentavam casar Katherinne? Ou Alex? Eles sim que viviam dentro de uma bolha é que precisavam ser empurrados para o altar.Era uma mulher adulta e bem resolvida que vivia sozinha e arcava com suas próprias despesas e decisões. Não precisava, nem queria que se intrometessem em sua vida. Não queria casar, e daí? O casamento não passa de uma convenção social para dizer que os humanos são civilizados e um motivo para fazer festa. E tudo isso porque era uma mulher, se fosse o primeiro filho não teria esses aborrecimentos.Sabia que, no fundo, que não faziam por mal. Foram criados com aqueles valores e os respeitava, mas não queria isso para si. Pelo menos não agora, não dessa maneira, não sendo oferecida como um passe para influência e dinheiro. Tinha asco desse tipo de atitude e o excesso de colônia do maldito estava deixando enjoada.- Jasper, posso saber o que faz aqui tão cedo? Imagino que não saiu de casa para conversar com meu pai sobre o casamento do Mustang. – disse tentando não avançar em ninguém –- Eu vim conversar sobre algumas percepções minhas sobre o exercito com alguém que esteve nele por um longo período.- Certo... Quer dizer que você não tem nada mais importante para fazer e veio matar seu tempo aqui e aproveitou para ocasionalmente tentar algum tipo de aproximação comigo. Não tem nenhuma pilha de papéis para assinar? Ou algo menos inútil para fazer?- ele deu um riso nervoso – Desculpe, mas não sabe de como levo minha carreira para fazer tais afirmações.- Como não? Hoje é quinta feira, dia de trabalho e você está aqui, então suponho que ou é muito incompetente, ou tem algum idiota que faz o seu serviço por você. – a loura mordeu a torrada e o olhou – E sobre o casamento, eu vou, mas preferia pegar uma urticária a aparecer lá com você. Faça um favor a nós dois e levante-se dessa mesa e vá embora, eu sei que nunca foi com a minha cara e te garanto que a recíproca é verdadeira.O coronel levantou-se ultrajado, não acreditava que tinha ido ali para ser destratado daquela maneira. Como aquela mulher ousava falar assim com ele? Quem pensava que era? Estava fazendo um favor oferecendo-se para ir com ela ao casamento. Não precisava ouvir aquele tipo de coisa, nem o melhor casamento do mundo valia ter que agüentar aquele gênio ruim do cão. Olivier podia vestir-se como uma dama, ter maneiras de uma e ter sido educada para ser uma, mas jamais seria uma dama. Era o tipo de mulher que nasceu para ficar sozinha. Por isso é que as mulheres deveriam ficar em casa cuidando de seus bordados ao invés de seguir carreira militar.- Olivier... Olivier... – o pai estava ultrajado também – Como consegue ser tão mal educada? O rapaz veio educadamente lhe fazer um convite e você o destrata.- Não sou obrigada a aturar esse tipo de idiota na minha própria casa e logo cedo. Sem contar que tenho asco desses idiotas que conseguem colocações por família e acham que fazem grande coisa. Terminou de comer sua torrada com geléia e pegou um pedaço de bolo. Nancy ficaria irritada por agora ela estar comendo depois de tanto esforço sem resultado das ultimas semanas.- E pretende aparecer na festa sozinha? O que lhe custava ser educada para fazer uma boa aparência na festa?- Prefiro estar sozinha a ter um idiota a tira colo. - Por causa desse tipo de comportamento é que até hoje não arrumou um marido.- a loira solta uma gargalhada – Não, eu não me casei até hoje porque não quis. Idiotas para fazer isso não faltam, eu apenas tenho o bom senso de não me expor a esse ridículo.- Mas pretende passar a vida sozinha? Uma mulher, qualquer um, precisa se casar. Achar um prumo na vida. A essa altura pensei que já fosse ter alguns netinhos para mimar... – a mãe da loira disse –- Vocês tem mais quatro filhos, não dependem só de mim para ter netos. – disse tomando seu adorado café preto e sem açúcar –- É nossa primeira filha, a tendência seria que fosse a primeira a nos dar netos, tem que dar o exemplo. Suas irmãs se espelham em você, precisa dar o exemplo, Olivier.- Eu não sei o que uma coisa tem a ver com a outra, só porque eu não me casei não quer dizer que meus irmãos não possam se casar. - O que tem contra o casamento, aneue? – indagou Katherinne –- Nada, só não acho que um contrato queira dizer muita coisa, katherinne, pois não impede traições, fim de relacionamento, nem nada do tipo. Pode ser que um dia eu encontre alguém que me leve ao casamento, mas se não encontrar não vai ser nenhuma frustração. - Você não quer festa, um lindo vestido branco, Igreja, o chá de panela...? Toda garota sonha com o dia de noiva, seu dia de princesa.- Não. Nada disso me interessa. - Você é muito estranha, aneue... – disse a doce loirinha com tom de reprovação – Eu quero tudo isso e muito mais. Vai ser o dia mais especial da minha vida.Olivier rolou os olhos, cada louco com sua mania, por mais que nada disso a atraísse, não podia condenar a irmã mais nova por desejar isso para si. Afinal, para si que não fazia diferença, não seria nenhum frustração, mas para a outra, não ter o tão sonhado casamento de princesa seria um trauma.Aquela comida estava mesmo muito boa, tinha que admitir uma coisa: comida de mãe não tem igual. E a progenitora da Armstrong era uma excelente cozinheira, tinha certeza que boa parte daquela mesa havia sido preparada pela mesma. Não que a comida de Nancy fosse ruim, só não era igual. Tirando a presença inoportuna no café da manhã, tudo estava correndo muito bem, bem demais para seu gosto... Depois de mais uma discussão habitual sobre casamento que realmente não a irritava mais, um ótimo café da manhã e nada de enjôo... - Geléia de goiaba, senhorita? Ao ver aquela massa avermelhada a sua frente, alguma coisa dentro da general revirou por algum motivo que nem Kami sabe qual é e...- Olivier? – o pai, a mãe e a irmã indagaram ao verem a mulher sair correndo da mesa com a mão na boca – - Eu fiz alguma coisa errado? – indagou a criada um tanto quanto perdida – - Não Avah, está tudo bem... Eu acho...- Vou ver a senhorita, Olivier, ela deve ter comido demais....Vomitou de novo. Em um belo vaso de planta que encontrou no caminho do banheiro, maldito enjôo. Nem na pior gripe que teve enquanto em Briggs sentiu-se tão mal quanto andava se sentindo nesses dias.Segundo o obstetra logo esses mal-estar terminariam, e a mulher rezava para que não fosse balela, porque não agüentava mais isso. Continua...
Notas finais
Genteeeeeeeeeee, voltei!!!! Desculpem a demora é que eu só posto um cap dessa fic depois de ter o proximo pronto ou quase pronto!!! Nao me levem a mal!!!! Estou adorando os comentários, vcs realmente me surpreenderam gostando desse casal!!!! Amo vocês!!
Kiss kiss e comentem!!!
Kiss kiss e comentem!!!
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