Notas iniciais
Bem, eu sei que essa categoria é meio parada, meio não. É parada.Eu fiz esse texto com a intenção de suprimir o que eu senti conforme li o final do livro.Serão três capítulos ao todo, espero que gostem deles.

— Não! — era o que gritava se negando a entender que Akkarin havia morrido. Era injusto depois de terem passado por tantas coisas juntas, se tornara uma maga negra com ele, se condenou no tribunal aceitando ser exilada por ele, viveu momentos de pânico, de paixão e agora estava sendo outra vez condenada, mas dessa vez a tristeza.

Chorava amargamente sobre o corpo jazido no chão, procurou por vida nele, porém o que encontrou foi um imenso vazio fazendo o cadáver parecer oco. Dorrien e Rothen desceram as escadas correndo em direção à frente da universidade a vendo desconsolada jogada ao chão.

Sonea se encontrava deitada encima de Akkarin segurando seu rosto com as mãos, deixando suas lágrimas caírem amargamente sobre o rosto dele. — Eu não cheguei tão longe para perder você, não... Eu não vou te perder... Eu não posso aceitar isso.

Ganhar um título grosseiro por usar magia negra parecia ser algo tão fácil de suportar tendo em vista a situação que se encontrava, não tinha mais o que perder, suas esperanças e sonhos ruíram e em seguida se despedaçaram em milhões de pedaços da qual pode ouvir quando os estilhaços voaram não sobrando absolutamente nada que valesse a pena se agarrar.

Era realmente para isso que nasceu? Para sofrer a vida toda? Das favelas ao Clã, independentemente de onde estivesse o sofrimento era algo que a perseguia. No fundo de sua mente ainda podia ouvir a voz dele, as palavras que ele lhe disse — Eu assisti à morte da primeira mulher que amei e não acho que sobreviveria à perda da segunda. — Agora ela se perguntava se poderia sobreviver à perda dele.

— Sonea, não há nada que você possa fazer — Rothen disse num tom baixo e de uma forma que ele conseguisse não deixar a situação pior.

— Não há nada que você possa fazer — palavras que remoíam em sua mente. Havia aprendido tanto em sua jornada escolar com os curadores, com os livros de magia negra de Akkarin, realmente não havia uma chance, uma possibilidade, nada? Quando lutou com Parika ela usou seus poderes para matá-lo, era injusto que só se pudesse tirar a vida ao invés de dá-la, no entanto nunca ninguém arriscou para afirmar.

Levantou-se ficando ajoelhada ao lado dele, colocou suas mãos uma sobre a outra onde o ferimento daquela maldita adaga perfurou. Se concentrou, mas nada, um corpo vazio era a única coisa que via. Em Parika usou seus poderes para parar o coração dele, então agora faria o contrário, vagarosamente fez sua magia passar pelo sangue dele indo para o coração. Não era fácil e já estava quase que em seu limite de todo o poder.

Aos poucos foi adentrando e juntando tecido com tecido, mas o órgão continuava parado e sem vida. Se concentrou mais para fazê-lo pulsar, era difícil, tinha que forçá-lo para que batesse. Foi expandindo magia para onde podia, inflando e desinflando os pulmões, na esperança que aquilo funcionasse.

Estava exausta e nada tinha acontecido, não poderia suportar mais esse ritmo quando sentiu duas mãos pousando, uma em cada ombro. Tanto Rothen quanto Dorrien começaram a dar-lhes seu poder, sua energia.

— Vamos Akkarin... — lágrimas escorriam de seus olhos vermelhos — Por favor, me deixe possuí-la, me deixe agarrar sua alma de volta para mim, você sabe que sou eu, Sonea — sua voz saia como um esganiço, quase inaudível.

Continuou a fazer aquele coração morto pulsar e com todas as forças de seu ser queria que o que desejasse se tornasse real. Não poderia continuar nisso, tanto ela quanto os dois do seu lado estavam dando tudo de si, mas mesmo o tudo era pouco depois da batalha com os ichanis.

Rothen foi o primeiro que retirou a mão do ombro de Sonea, se continuasse não teria forças nem para se manter de pé. Dorrien ao olhar o pai compreendeu que ele não tinha condições de continuar ajudando mesmo que quisesse. E também não podia afirmar com certeza o quanto ainda ficaria ali, Sonea estava sugando seus poderes de uma forma fugaz e sem muito controle. Depois de algum tempo já não podia mais continuar com aquilo, estava exausto, tinha dado tudo de si caindo em seus joelhos se afastando de Sonea.

— Não! — ela gritava enquanto dava alguns socos no peito de Akkarin. Tamanho esforço e todas as emoções que passara foram demais para ela que por um breve momento sentiu o ar de seus pulmões saírem e não conseguir colocá-lo de volta para dentro. Sua face estava atordoada, pousou a cabeça no peito de Akkarin segurando sua mão.

Seu estômago gelou quando ouviu batidas, leves e vagarosas. Levantou seu rosto de forma a encarar uma mão que apertava a sua. Seu coração disparou.

— Akkarin!? — Sonea voltou a ficar de joelhos segurando o rosto dele em busca de uma resposta. Um suspiro calmo chegou em seu rosto — Akkarin! — o puxou o grudando em seu corpo de forma a abraça-lo.

— Você não precisa pedir, você sabe que minha alma é sua — escutou um sussurro em seu ouvido. Nada mais agora importava, estava exausta, porém finalmente feliz.

Notas finais
Bom, se você chegou até aqui (se é que alguém vai chegar até aqui :p) Quero que me digam sinceramente o que acharam, em breve eu postarei os demais capítulos.Então até mais.