Epitáfio

1 Capítulo Único


No dia 10 de janeiro de 2009, eu morri.

Estava andando de carro e entraram na minha frente e eu morri.

Ele foi ao meu enterro, mas ele não sabia que eu ainda o amava.

Não queria sair do seu lado, queria cuidar dele.

Por isso, me tornei seu anjo da guarda.

Ou espírito da guarda?

-----------------------------------------------------------------

Ele parecia meio devastado com a minha morte. Eu estava devastada com a minha morte, e gritava com toda a potência do meu pulmão se ele podia me ouvir. O resto do mundo podia nem se lembrar de mim, eu seria feliz se somente ele me visse, uma única vez, e eu pudesse dizer que nunca pude esquecê-lo. Mas meus esforços eram inúteis.

Ele continuava meio abalado nas semanas seguintes. Eu continuava vagando atrás dele onde quer que ele fosse, tentando me fazer ser vista.

Passou-se um mês, e ele parecia não lembrar muito mais de mim. Só certos dias, antes de dormir, eu podia escutá-lo chorar baixinho, quase em silêncio.

---------------------------------------------------------------

Não podia acreditar no havia acontecido. Uma conhecida nossa veio a ele declarar seu amor por ele, e disse que já que eu tinha morrido, eles podiam ficar juntos em paz. Ele a jogou na parede e a beijou ardentemente. Eu entrei em desespero, ele não me amava e não ligava mais para o que nós tivemos juntos.

No instante seguinte estava sentada em cima do meu túmulo, onde estava escrito meu epitáfio:

“Dorme tranquila em seu gélido leito, aquela que viveu para amar.”

----------------------------------------------------------------

Passaram-se exatamente 14 horas, 38 minutos, 15 segundos e mais alguns centésimos que não pude contar por ser interrompida por uma pessoa ajoelhada em minha lápide. Estava chovendo, mas as lagrimas que caiam de seu rosto não se misturavam com a profana água dos céus. Ele estava aos soluços, e murmurava que não podia me esquecer, não podia ter usado aquela menina para tentar esquecer-se de mim e implorava pelo meu amor. Eu caí em prantos também e coloquei minhas mãos imateriais sobre suas mãos quentes e pulsantes de sangue, e meus lábios imateriais sobre seus lábios cheios e rosados. Dei um longo beijo, me afastei e disse:

“Eu nunca deixei de te amar. Desculpe, nunca pensei que aquilo fosse se tornar meu maior erro.”

Não sei se ele me ouviu, só sei que ele olhou em minha direção parecendo um pouco atordoado e eu fui engolida por uma gigante luz de todas as cores da aurora.

Notas finais
*nota*
a primeira parte foi escrita estranha de propósito. '-'
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!