Epitáfio

17 Aquele da colega de quarto sem leite.


Notas iniciais
Povo nosso como vocês estão? Olha, ainda precisamos de ajuda com o bendito nome do casal ternura ai, então continuem a opinar. Esperamos que curtam o capítulo de hoje, e ajude com a ansiedade para o episódio!

FELICITY SMOACK

Uma semana longe é foi o suficiente para a minha casa estar cheia de poeira. Mas agora eu não queria pensar em faxina. A única coisa que eu queria era saber a onde eles tinham colocado cada câmera.

–Vamos Selina, a onde estão as câmeras? – Pergunto a encarando com as mãos na cintura.

–Você sabe que eles estão nos ouvidos, né? – Diz sem disfarçar o sorriso.

–Temos uma janela de vinte segundos, e sei que Oliver não me falou de todas. – Acho que não dou medo nem em um mosquito.

– Ok. – Diz rindo. – Atrás dos livros, em cima dos copos da cozinha, uma no seu abajur, e outra em cima da janela. São todas. -Olha!- Ela aponta para o chão me fazendo saltar de susto pensando que o Onosupresa-apareço-aonde-você-menos-espera tinha se materializado em meu apartamento, mas percebo que quem estava ali era o gato da minha vizinha, ou melhor, o gato da minha ex-vizinha.

–Fumaça, o que você está fazendo aqui? – Eu o abaixo e o pego no colo, ele se aninha parece sentir saudade de companhia. –Você deve estar com fome. – Vou até a geladeira e percebo que meu leite está vencido. – Que tal uma sardinha? – Pergunto olhando para ele. – Vou até o armário e pego uma lata do peixe que tinha comprado especialmente para o gatinho.

–Você o trata bem. – Selina se encosta no balcão enquanto pego a tigela de comida e uma de água para o bichano que olha atentamente na direção da garota. –Já pensou em adota-lo?

–Não tenho tempo para cuidar direito do bichinho, não seria justo. – Digo com sinceridade, o que me deixa triste, por que gosto da companhia dele. – Vou atrás de alguém que cuide bem dele, e vou doa-lo, já que a antiga dona parece ter o abandonado. – Vejo Selina fazer uma cara perigosamente assustadora.

–Você se importaria se eu levasse comigo? – Soa esperançosa, eu a olho com curiosidade, enquanto coloco Fumaça no chão para que possa comer, o que ele faz com avides. –Prometo cuidar direitinho. – Ela ri como se isso fosse mais que obvio.

– Se faz questão de ficar com o Fumaça. – Dou de ombros. Dou a volta no balcão e vou saindo em sentido a sala.

‘Aonde você vai?’ – Ouço Oliver reclamar.

–Caramba Oliver, tinha até esquecido que tinha você em mim. – Ouço Selina gargalhar. –De novo não, quer dizer, esqueci que eu tinha o ponto em minha orelha. – Aí, só eu para dar duas dessa em menos de meia hora.

FLASHBACK ON

–Não precisa saber onde cada uma delas está Felicity. –Oliver diz colocando minha mala em cima da minha cama, para facilitar na hora de guardar as coisas.

–Claro que preciso, sei que não parece, mas mulheres não costumam usar o banheiro apenas para o numero um. –Sussurro para ele olhando para os lados, Oliver prende o riso balançando a cabeça.

–Elas estão basicamente em todas as entradas e janelas. –Conta apontando para alguns pontos diferentes do quarto. –E nos espelhos. –Eu o encaro esperando por mais e Oliver bufa impaciente. –Nos lustres, é tudo o que eu sei. –Ele levanta as mãos em rendição.

–E as do banheiro? –Pergunto temerosa.

–Tem uma no chuveiro e outra que pega toda a sua banheira. –Fala sério me encarando e eu sinto o desespero chegar, gradativamente. Meus olhos ficam arregalados e sinto todo o meu rosto queimando. Mas Oliver me dá um sorriso de lado, só faltou dizer “Bazinga”, mas acho que ele não conhece o Sheldon. –Já disse que não tem nada no banheiro, bom, nada do lado de dentro. –Ele segura meus ombros me olhando nos olhos. –Agora relaxa e confia em mim. –Pede com a voz carinhosa. –Pode fazer isso? –Balanço a cabeça completamente presa em seus olhos.

–Vou precisar trocar de roupa como nos reality shows? –Pergunto ainda meio em transe. Oliver sorri afastando o cabelo da minha face.

–Eu trocaria no banheiro. –Pisca para mim. –Não tem câmeras lá. –Balanço a cabeça concordando e ele tira algo do bolso. –Preciso que use isso o tempo todo, é um ponto.

–Sinto mesmo falta de ter você dentro de mim. –Vejo a expressão de espanto no rosto do Oliver que parecia não ter reação. E eu fiz de novo, merda! –Eu... Estou falando da sua voz. –Explico apontando para minha orelha e Oliver balança a cabeça concordando e se afasta um pouco.

–Oliver, precisamos ir! –Escutamos a voz de Bruce e vamos para a sala, tentando superar a vergonha.

FLASHBACK OFF

‘Onde você vai?’ – Retorna a perguntar, agora mais irritado.

–Tomar banho Oliver, ou será que você quer me vigiar no chuveiro? – Me arrependo antes de fechar a minha boca.

–Posso te garantir que ele quer te acompanhar lá dentro, mas não necessariamente para apenas te observar. – Ela fica em silencio por um momento, e eu não sei aonde enfiar minha cara tamanha a vergonha. –Qual é Bruce? Me deixa aproveitar o momento. – Reclama em seu comunicador, eu olho incrédula com a situação. Mas desisto de tentar mostrar a minha indignação e me encaminho para o banheiro.

Fecho a porta e olho ao redor, sei que ali não tem câmera, mas sei que na saída de ventilação Oliver e Bruce haviam colocado um microfone, o que era completamente constrangedor se você for parar para pensar em todos os barulhos que fazemos em um banheiro, e no momento esse microfone me impedia de uma coisa muito vital para mim, que era cantar de baixo do chuveiro, um ato que eu vinha me privando desde quando virei visita na casa dos Queens. Eu nunca pensei que estaria torcendo para o Onoapareça-de-uma-vez-por-todas entrasse por uma das minhas janelas. Isso já estava tirando o pouco de sanidade que eu ainda tinha.

Tiro minha roupa e fico de calcinha e sutiã, e começo a limpara a pele do rosto com um lenço demaquilante, quando ouço um barulho vindo do teto. Ótimo, vou morrer de roupa intima. Mas quando a grade de ventilação no teto é deslocada, é Oliver a descer do duto.

– O que pensa que está fazendo aqui? – Olho para ele brava, e seu olhar percorrem o meu corpo, me lembrando dos meus trajes íntimos. – Você sabia que eu ia tomar banho? – Me estico pegando uma toalha e me cobrindo.

–Aqui é o ponto sego da sua casa...

–Queria que fosse surdo também. – Divago olhando para o microfone. – Oi Bruce.

– Ele mandou um ‘oi’ para você!- Ouço Selina gritar do outro lado da porta.

–... Eu trouxe um taiser. – Me entrega com relutância. – Não gosto de te dar isso, mas me apavora a hipótese de algo acontecer com você por que não conseguiu ganhar tempo até que eu possa chegar. – Pego o taiser como se fosse uma cobra venenosa, e coloco em uma das gavetas sobe o armário da pia, me virando em seguida para ele.

–Nada vai acontecer comigo, você e o Bruce estão ao lado, não sei do que Selina é capaz, mas sei que é letal, e vai me proteger. E se eu precisar conseguir tempo, eu conseguirei o tempo que for necessário. – Coloco a minha mão em seu rosto e o acaricio de leve, parece absurdo, mas tocar Oliver para mim eram tão vital quanto respirar, eu ainda estava machucada com ele, esse toque fazia parte daquela dor voltar, mas no momento nós dois precisamos mais disso que lembrar daquela noite. – Até você vir resgatar a donzela indefesa. – Faço graça tentando quebrar o clima tão intenso que paira entre nós. – Agora eu preciso tomar banho. – Aponto o teto para que ele saia mais Oliver não se move.

–Vou ficar de guarda até você sair daqui. – Ele abaixa a tampa da privada para e senta esperando.

–Ah, não vai não. – E lá se vai o clima agradável.

–Não tem nada ai que eu não tenha visto e decorado. – Sorri com deboche me deixando vermelha.

–Como você tem tanta certeza que eu não tatuei um ‘Eu odeio o Arqueiro’. – Falo sem pensar.

– E onde exatamente você teria tatuado isso? – Arqueia uma das sobrancelhas olhando para as partes descobertas do meu corpo.

–Oliver você não pode. – Me encosto na pia de braços cruzados e fico de frente para ele. –Não pode fazer isso. Foi o fim. – Eu digo sentindo um aperto no peito. – Você não aceitou dividir a sua carga comigo, tentamos de outa maneira, e aquilo só machucou nós dois.

–Eu não vou sair daqui. – Era fato consumado e sabia que não tinha mais o que fazer.

–Vira para a parede. – Ele revira os olhos. –Agora! – Até mesmo Bruce Wayne deveria estar morrendo de rir com isso que estava ouvindo aqui. Oliver se vira e eu entro no boxe para tomar um banho rápido.

–Então, você fez aquela tatuagem?

–Não, mas estou pensando seriamente em fazer uma ‘Abaixo a monarquia!’ – Reclamo e ouço algo que tem se tornado cada vez mais raro, Oliver rir.

SELINA KYLE

E eu que estava pensando que o bonitão da bunda verde era lerdo, ele arrumou uma desculpa para ver a garota sem roupa mais rápido do que eu imaginei. Me sento sobre a bancada com uma lata de leite condensado que encontrei no armário entre as pernas, era o que ela tinha e eu precisava de um copo grande de leite urgente, mas estava presa na casa com o casal celibatário no banheiro. Suspiro bebendo da lata.

‘Qual o problema?’ –Escuto a voz grave de Bruce.

–Não tem leite. –Respondo em voz baixa levantando a lata para ele.

‘Vou ligar para algum serviço de entrega, com sorte o Onomatopeia aparece no lugar do entregador.’ –Eu em uma crise ele pensando em trabalho.

–Que seja. –Me jogo no sofá entediada. –Sabe que é totalmente desnecessário o passarinho verde lá no banheiro não sabe? –Falo apenas para jogar conversa fora e não morrer de tédio. –Fumaça. –Chamo o gato que no mesmo instante está em meu colo.

‘Não vou o impedir de fazer o que quer, esse não é meu trabalho.’

–Pode aparecer no banheiro quando eu estiver tomando banho, não vou me importar nem um pouco.

‘Selina, foco no jogo.’

Mas eu então olho para Fumaça em meu colo, em seguida para a porta do banheiro. –O que acha de cuidar da titia meu amor? –Pergunto para o gatinho que ronrona antes de se espreguiçar e sair do local para dar à volta na casa e entrar pelo banheiro. –Sempre estou focada, agora diz para seu amiguinho verde dar licença para a Felicity.

Em geral não sou assim mal humorada, mas o Wayne abusa da minha paciência e minha falta de leite, misturada a minha falta de sexo costuma fazer isso comigo. ‘Vou mandar entregar seu leite.’ –Sua voz grave diz.

TED GRANT

Ignoro a milionésima ligação de Laurel e continuo a bater em meu boneco de treino, sem pensar apenas contando. Um, dois, soco, um, dois, chute, um dois... Eu quase matei Laurel, quase perdi a ultima pessoa que me importa. Um, dois, soco. Mais força, mais controle... Ela confiou em mim, confiou seu segredo, sou a porra do mestre dela. Controle... Um, dois. Meu celular começa a tocar e eu vejo que é Diggle, atendo no segundo toque.

–Oliver está com o Batman. –Me adianto em dizer.

‘Então eu sou a única pessoa que você não atende?’ –Era Laurel, e pelo tom de sua voz ela estava furiosa.

–Qual o problema? –Finjo frieza ignorando tudo o que ela disse.

‘Qual o problema?’ –Repete quase gritando. ‘Você é meu problema nesse momento Ted.’ –Fico em silencio sentindo meu peito se apertar. ‘Como quiser então, só que hoje é nosso turno, Oliver está ocupado com o assunto do Onomatopeia, vou estar em campo, agora se vai estar comigo é sua escolha.’

Ela desliga o telefone sem dizer mais nada, claro que eu queria estar com Laurel, claro que me importo com ela. Me importo tanto que não vou mais me envolver, Laurel já perdeu muito do que ela ama, não vou a deixar perder também a vida. Volto a socar de forma ritmada o saco de areia. 1, 2...

LAUREL LANCE

Mais um Conde Vertigo, acho que por minhas contas esse já é o terceiro. Coloco a máscara vendo a cidade do alto do prédio da promotoria, não posso negar que uma pequena parte minha esperava que Ted aparecesse e se desculpasse por tudo. Eu sinto falta dele, de o ter por perto, ele fez com que a dor que sinto todos os dias pela perda do Tommy e da Sara se tornasse suportável. Me ensinou a lutar, me deu um propósito para parar de me drogar e beber até não me lembrar mais quem era. E eu odeio admitir isso, mas preciso dele, preciso do meu melhor amigo.

–Soube que procurava por mim Canário. –Sinto uma picada em meu pescoço e tudo começa a rodar, então me viro vendo...

–Tommy? –Pergunto com a voz embargada de emoção.

–Que espécie de roupa é essa? –Ele me olha enojado e eu me encolho abraçando meu próprio corpo. –Por que começou com isso? Por mim? –Solta um riso sarcástico ao se aproximar. –Assim como se afogou em álcool e drogas por minha causa?

–Eu...

–Não, nem se dê ao trabalho de explicar. Sabe Laurel, a verdade é que você é egoísta, pensa que não é, mas a verdade é que tudo o que importa para você é o que quer fazer. –Eu começo a dar passos para trás à medida que ele se aproxima. –Eu estou morto por que você não ouviu seu pai, por que só pensou no que lhe dizia respeito, morri por sua causa! Por que não ficou na droga da sua casa como deveria. –Grita e eu sinto a ferida do meu peito se abrir. –Ninguém se importa com você, é um peso morto.

–Não, Tommy, eu sinto muito. –Começo a falar em meio ao choro e quando olho novamente era Sara que estava em minha frente, com as três flechas no peito.

–Não pensou no que acontecerá ao nosso pai quando você tiver o mesmo fim do que eu? –Ela pergunta com um fio de sangue escorrendo por seus lábios. –Não contou a ele sobre minha morte. –Acusa.

–Mas ele poderia morrer, Sara eu não posso...

–Não se trata de você! –Ela grita furiosa. –É do meu pai que estamos falando, é minha morte, ele merece saber e não cabe a você decidir!

–Ele vai morrer se souber. –Sussurro como um cachorro ferido.

–Ele me liga todo maldito dia Laurel, deixa recados, implora para falar comigo. Ele já está morto! –Sara arranca as flechas de seu peito uma a uma. Não consegue perceber isso? –Questiona segurando meu rosto com força entre as mãos. –Quer usar meu manto? –Fala com nojo. –Quer se matar também? Então vou te ajudar a fazer isso.

Notas finais
Não esqueçam de nos contar o que acharam! Bjs