Epitáfio

13 Aquele do chefe terapeuta.


Notas iniciais
Oi povo! Saudades de vocês, bom esperamos que vocês gostem do capítulo novo com visitas especiais... Boa leitura!

TED GRANT

–Pode ir Diggle, eu sei me cuidar. –Escuto a voz da Laurel ao fundo.

–Aham! –Ele responde com deboche. –Nem sabemos se o antídoto funciona, e se ele acordar querendo...

–Shiii! –Ela o interrompe e sinto suas mãos em meu rosto. –Oi Ted.-Murmura com carinho.

–Oi Laurel. –Respondo com a voz rouca e meio grogue forçando meus olhos a se abrirem. –O que estamos fazendo aqui? –Olho em volta me sentando. –Na caverna do Arrow?

–Como se sente? –Responde desviando minha pergunta.

–Está com vontade de matar ela ou algo do tipo? –Diggle intervém recebendo um olhar furioso de Laurel. –Qual é Laurel, não vai esconder isso dele!

–Não! –Ela eleva o tom, depois para se recompondo e me olha atentamente. –Tudo bem, eu estou fazendo de novo, você está certo Diggle.

–Eu geralmente estou. –Responde sem arrogância pegando seu casaco. –Melhoras cara, Laurel acho que você dá conta sozinha agora. –Ela assente e ele sai.

–O que aconteceu? –Questiona me levantando.

–Você foi envenenado pelo Merlin e tentou me matar. –Fala rapidamente como se aquilo fosse um bandaid.

–Como? –Questiono chocado.

–É uma erva que torna as pessoas suscetíveis a sugestões. –Eu já enxergava vermelho a essa altura. –Ele fez o mesmo com Thea, para que ela matasse Sara... –Só então eu vejo seu rosto, seus olhos roxos, maxilar inchado, toco com a ponta dos dedos sua bochecha a vendo se encolher de dor.

–Eu fiz isso? –Sussurro horrorizado, me afastando dela.

–Bom eu deixei minhas marcas em seu rosto também! –Tenta brincar nervosa.

–Isso não é engraçado Laurel! Eu poderia ter matado você.

–Não. –Corrige me olhando cética. –Você poderia tentar!

–Não é uma piada Laurel. –Lhe dou as costas subindo as escadas correndo.

–Ted não vai! –Grita, mas eu já estava longe e sou muito mais veloz do que ela.

Saio correndo pelas ruas tentando entender por que essas coisas acontecem comigo. Conhecer a garota, Ficar amigo da garota, se apaixonar pela garota e depois fazer uma merda tão grande que não posso nem mesmo mais ver a garota. Talvez eu devesse apresentar a Laurel para o Ray também... Merlin desgraçado. Entro em meu esconderijo e me troco, pegando meu soco inglês antes de sair. Está na hora do Pantera voltar a ser O Pantera.

Entro pela janela do quarto do Oliver e ele parece ter acabado de chegar também, julgando o fato dele estar semi nu. Desvio o olhar e ele pega uma camisa e calças para se cobrir. –Muito tarde não acha? –Pergunta me olhando com os braços cruzados.

–São três horas da madrugada, então acho que é muito cedo. –Respondo e ele não muda a postura ainda me olhando.

–O que você quer?

–O endereço do Merlin, e sei que você tem cada um deles. –Vou direto ao assunto. Oliver sorri com sarcasmo andando em direção a uma cadeira onde se joga.

–Aquilo não era você Ted. E por mim pode matar o Merlin. –Dá de ombros com o semblante frio. –Não me importo com ele, mas me importo com você. –Me assusto o olhando surpreso. –Você está machucado, irritado e completamente disponível a levar outra flechada que te faria tentar matar Laurel mais uma vez, e pode vir a ter sucesso agora. –Respira fundo abrindo a porta para mim. –Vai para casa e descanse, por que ainda temos muito que fazer e Merlin passou a ser uma das minhas prioridade, preciso do maior apoio possível.

Ignoro a porta aberta saindo novamente por sua janela. Ele estava certo, mas não significa que eu concorde com ele. Muita energia e nada para fazer. Pego um desvio para a academia, precisava mais do que nunca me ocupar com algo, bater em alguma coisa. Então um cara estranho de sobretudo e uma mascara com círculos brancos no centro surge em minha frente, preciso começar a tomar mais cuidado com o que eu desejo.

–Onomatopeia. –Ele fala com uma voz que soava com ossos rangendo e aponta uma arma em minha direção. –Bam! –Exclama sem atirar, mas o barulho soa perturbadoramente como o som real de uma bala.

–Tudo bem, psicopata que curte tortura psicológica, muito promissor. –Digo saltando em sua direção em um movimento rápido em que meus pés atingem sua arma a lançando a uma distancia segura. De repente parece que muitos tiros estão sendo disparados. –Cara, você é muito tagarela. –Ele acerta um soco em minha face, que Laurel já deve ter feito um bom trabalho, pois estava entorpecida. Quando olho novamente a arma já está em sua mão e dessa distancia tenho certeza que ele não erra.

Então eu penso, por que afinal eu deveria lutar? Seria muito melhor ficar aqui parado e deixar que esse infeliz com problemas psicológicos e alguma anomalia nas cordas vocais me mate de vez. Anna morreu por que eu não estava lá, fiz todas as escolhas erradas, eu espanquei Laurel nessa noite e a teria matada se tivesse a chance. Não posso mais fazer isso ou fugir disso, então essa é minha redenção, a única forma de sair dessa vida. A arma dispara e eu espero pela morte, a aceitaria de bom grado.

Mas não...

Uma flecha intercepta à bala e o Arrow surge das sombras. –Sabia que você faria merda. –Ele me diz parando ao meu lado.

–Ele desapareceu! –Aponto para a direção onde a praga estava a dois segundos atrás. –Será que super velocidade faz parte do pacote desse cara?

–Não faço idéia. –Responde e percebo seu maxilar travado e suas mãos segurando o arco com força. Nunca o vi assim tão furioso.

FELICITY SMOAK

Acordo, quer dizer, levanto mais cedo do que é de costume, vejo que todos ainda estão deitados, queria muito sair agora desse apartamento sem ser notada, mas seria injusto com John, e ele não e culpado pela minha maneira de levar a ‘amizade’ com o Oliver. Então me troco, me arrumo, fico sentada até começar a ouvir ruídos pela casa me dando sinal de que já poderia incomodar Dig sem tanto peso na consciência, e quando ligo ele atende logo no segundo toque.

–Felicity, tudo bem? – Sua voz ainda é sonolenta e ao fundo posso ouvir os resmungos de Sara.

–Desculpe John por acorda-lo. – Minha voz é pesarosa.

–Não foi você, a pequena aqui está a mil logo pela manhã. – E mesmo pelo telefone condigo identificar o sorriso em sua voz.

–John eu preciso estar na TecnologiaPalmer mais cedo que de costume, por conta de tudo que fizemos ontem deixei coisas importantes para traz, será que poderia passar mais cedo para me buscar? – Minto descaradamente.

–Você sabe que não me enganou, não é Felicity? – Fala em seu tom sério, que me faz parecer uma criança fazendo algo errado. – Mas se tem algo te incomodando não vou te impedir de procurar abrigo em meio ao trabalho, já fiz mais isso do que posso contar, só que a diferença e que no seu escritório provavelmente você não vai levar um tiro. –Pondera. –Trinta minutos está bom para você? – Me pergunta e eu posso ouvir o som da cafeteira, o que me lembra que não tenho vontade de tomar café com Oliver no momento.

– Seria abusar do meu guarda-costas se eu pedisse para ele trazer uma caneca de café para mim? – Cogito e ele dá risada.

–Sem leite e com muito açúcar? – Pergunta já sabendo o meu gosto.

–Sim. – Consigo sorrir para ele. – Obrigada John.

Desligo o telefone e fico ali esperando o tempo passar, eu sei que Oliver precisa de mim, eu sei que tem algo errado acontecendo com ele, mas não consigo ajuda-lo agora. Estou muito quebrada para conseguir levantar alguém, preciso me recuperar para poder ajuda-lo. Sei que pode parecer egoísmo, mas se visse Oliver nesse momento apenas me lembraria que nada significo para ele, e não posso com isso, não tendo todo esse amor que eu tenho em meu peito.

Ouço a campainha tocar me tirando do meu momento de alto piedade, pego minha bolsa, saio às pressas, mas não foi rápido o suficiente, no caminho topo com Roy, e não tenho noção do que ele faz aqui, ele faz careta ao ver minha cara de não muito feliz, ou seja, triste, mas não me pergunta. Thea passa por mim, não notando meu momento o que agradeço, mas não por muito tempo já que o motivo dela estar assim não é exatamente digno de comemoração. E quando penso que escapei do pior, percebo que a vida não é lá muito amigável as seis e cinquenta da manhã. Oliver está parado a porta conversando com John. Respiro fundo e em meu melhor momento não deixe transparecer o que sente, o qual particularmente gosto de chamar, momento Moira Queen, passo por Oliver dizendo apenas um ‘Bom dia’ sem maior interesse. Ele por sua vez pareceu atordoado e John espantado, mas nenhum dos dois diz nada a respeito. Dig chama o elevador e quando as portas já estavam fechadas pude deixar minha máscara cair um pouco.

–O que ele fez? – John pergunta já dentro do carro.

–Acredite em mim Dig, os detalhes te deixaria traumatizado. –Ele franze a testa tentando entender. –Não tente. –Aviso e John sorri. -Mas não quero falar sobre isso, quero ouvir algo bom em meio à toda essa bagunça. – Tento sorrir, e John parece não entender. – Me fale da Sara?

OLIVER QUEEN

Eu só consigo sentir raiva, sinto raiva das pessoas na rua que me dão bom dia como se me conhecesse. Não estou interessado em conhecer nenhuma delas. Sinto raiva das mulheres que me olham enquanto espero nessa maldita fila para comprar um maldito café. Raiva desse atendente idiota que não sabe o que significa café preto puro, não que eu tenha o luxo de conceder alguma gorjeta para qualquer pessoa ainda, mas se tivesse ele não receberia nada. Acho que pode se considerar um privilegiado por não ter sua cara partida em duas.

Mas o que me assustou de verdade foi quando passei a sentir essa mesma raiva do Roy quando percebi que ele havia dormido na mesma cama que Thea essa noite. Não que eu acredite que eles nunca fizeram isso antes, mas por Deus, eu estava no quarto ao lado. Ou deveria estar.

–Oliver. –Escuto uma voz feminina me chamar, não reconheço, mas já reviro os olhos entediado. Ao me virar vejo uma mulher morena, alta e isso é tudo o que consigo registrar dela antes de perceber que não me importo com como ela se pareça.

–Oi. Você é? –Tento sorrir educadamente antes de quase fazer careta.

–Selina. –Conta.

–Oi Selina, um bom dia para você. –Me viro pronto para sair andando odiando cada palavra que acabou de sair da minha boca.

–Espera, eu só queria dizer obrigada. –A olho confuso.

–Por quê? –Que não seja uma cantada idiota, acho que já sinto raiva dela também.

–Eu me mudei a pouco tempo para a cidade, mas minha família morava aqui e quando sua mãe era candidata a prefeita. –Ela faz careta. –Desculpa, alias, eu sinto muito por sua perda.

–Tudo bem. –Respondo surpreso. -Obrigado.

–Então, em sua época de campanha ela ajudou minha mãe dando acesso a alguns medicamentos que nós nunca conseguiríamos pagar. E eu nunca tive a oportunidade de dizer a obrigada a ela, então jurei que agradeceria ao primeiro Queen que eu conhecesse. –Explica um pouco nervosa.

–Ou. –Sinto aquela raiva diminuir. –Obrigado por isso Selina, minha mãe... Ela fez coisas boas.

–Ela era uma grande mulher Oliver. –Responde sorrindo já se afastando.

Fico parado observando essa mulher que caminha tranqüilamente em direção a um homem que a abraça e os dois saem juntos, como um casal. Acho que estou paranóico, mas esse cara me parece familiar, como se fosse alguém que já vi antes de ir para a ilha. Eu sempre sinto familiaridade quando vejo pessoas que conheci antes da ilha. Deve ser isso.

Resolvo passar na academia do Ted, apenas para evitar Roy e a vontade que eu sinto no momento de bater nele. Completamente irracional, por que sei que ele é como alguém da família para mim, só que não estou afim de lembrar dele saindo do quarto de Thea ou pior, ele me fazendo milhões de perguntas sobre o que há de errado comigo. Encontro Ted treinando sozinho em um saco de areia apesar da academia estar lotada.

–Oi. –Cumprimento quando estou próximo o bastante.

–Vai continuar a me dizer que não era minha culpa Oliver? –Pergunta entediado.

–Vai continuar falando que eu estou estranho? –Revido.

–Você está estranho. –Afirma me fazendo rir.

–E não é sua culpa. –Falo e ele revira os olhos. –Está afim de um treino de verdade, nada de bonecos ou sacos de areia? –Pergunto olhando em direção ao ringue.

–Estou mesmo precisando. –Pensa seguindo para o ringue e eu o acompanho. –A propósito eu tenho um amigo na cidade. –Fala casualmente me lançando um par de luvas verdes, percebo que foi a mesma que usei para o nocautear com a flecha a algum tempo atrás.

–O que eu tenho com isso Grant? Quer me arrumar um encontro? –Murmuro com sarcasmo.

–Na verdade sim. –Ele coloca as luvas pretas.

–Desculpa cara, mas eu curto mulheres, na verdade descobri hoje que está mais para uma mulher só. –Murmuro o final me lembrando de como todas me parecem iguais a algum tempo. –Loura, baixinha, óculos... –Ted sorri.

–E como foi com o negocio de manter ela a distancia. –Pergunta quando começamos a treinar.

–Não foi bom para nenhum dos dois. –Murmuro com tristeza armando um soco que ele desvia e revida. –Acho que foi o suficiente para que ela acredite que a idéia de acabar tudo foi dela. –Ele sorri sem humor me atacando, sinto seu punho em meu maxilar, mas mantenho os pés firmes.

–Lembro de quando fiz a mesma merda com a Anna. E ela correu para o Palmer.

–Cara, eu não pensei nisso. –Me dou conta recebendo outro soco por estar de guarda baixa.

–Eu disse que era idiota. –Dou risada com sarcasmo.

–Eu estou sentindo raiva facilmente desde ontem Ted, e nunca gostei muito de você. Quer mesmo me chamar de idiota enquanto luta comigo? –Brinco, eu gostava de Grant, o que é estranho, mas desde nossa conversa da noite anterior eu percebo que ele é um dos poucos que vai me entender nesse momento.

–Tudo bem Queen. –Diz em tom de deboche aumentando o ritmo da luta. –Vou marcar com meu amigo nessa noite. Ele vai ajudar com o Onomatopeia.

–Cara, eu arruinei minha amizade colorida ontem. –Devolvo o deboche. –Não estou pronto para seguir em frente ainda.

–Mais uma vez, aquilo foi idiotice. –Repete e eu vejo a brecha em sua defesa o nocauteando.

–Eu avisei para não me chamar de idiota. –Falo para ele no chão o oferecendo a mão. –E ela não está segura comigo tão próximo assim.

FELICITY SMOAK

‘Felicity?’ – Ray parece ansioso pelo telefone.

–Sim.

‘Poderia vir a minha sala?’ — Pergunta e percebo que ele parecia muito animado com algo.

–Claro. – Afirmo enquanto me levanto e coloco o telefone no gancho. John se levanta atrás de mim parecendo uma sombra e me segue até a porta de Ray, aonde entro sem bater. – O que é tão importante, que deu para sentir sua animação emanando lá da minha sala. – Tento brincar com ele.

– Quero te mostrar projeto do anel de fusão, uma tecnologia que não temos e precisei comprar, ou melhor, coagir Fox a fornecer para o meu projeto. – Sua animação era ofuscante, e eu tento me envolver com ela.

–Fox? Indústrias Wayne? Não foram eles que compraram parte dos inventos do Pratt? – Pergunto fazendo a ligação.

–Sim, é dele o protótipo do traje que estou fazendo. – Vejo brilho em seu olhar, e é impossível não sorrir, mas meu sorriso não atinge os meus olhos.

–Você não me parece bem? Eu não gosto quando você não está bem, as coisas não parecem dar muito certo quando você está ‘não bem’. – Ele coloca as duas mãos em meus ombros e se agacha na altura dos meus olhos me fazendo fita-lo. – A última vez que eu te vi assim foi por volta de três meses atrás, e ficou assim durante dois meses, mas acho que no caso, você parecia pior. – Divaga por um minuto, me fazendo lembrar a dor terrível que foi perder Oliver. – Felicity seja o que for que tenha acontecido com ele, vocês conseguiram concertar aquela vez, não acredito que agora seja diferente. – Eu o olho espantado. – Por acaso acreditou que eu engoli aquela história de modelo? –Me dá um sorriso genuíno. –Consigo perceber você e ele, às vezes. Principalmente quando estou por perto, o que eu estou quase sempre, Oliver parecia querer me matar, imagino que se ele tivesse uma arma provavelmente já teria feito isso. – Ele não sabia que o Oliver sim tinha uma arma, ou tomaria mais cuidado. – Que tal você ir resolver isso, por que se não, não conseguirá resolver nada aqui hoje. – Agora eu preciso de mais esse programa... – Volta a olhar a planilha em seu tablet esquecendo da minha existência ali.

Saio da sala do Palmer e encontro John no mesmo local que tinha deixado, aquilo era muito esquisito. –Eu preciso voltar para o apartamento do Oliver. – Falo e Dig apenas sorri me acompanhando em silencio.

–Tenha paciência com ele. – Diz quando me deixa na porta do apartamento, depois de checar com Oliver por mensagens se eu não corria risco com o Onomatopeia (eu hoje não estava para apelidos).

–Farei o meu melhor. – Dou um beijo em seu rosto e entro, encontro Oliver sentado nos primeiros degraus da escada.

Notas finais
Então, os motivos do Queen foram revelados, pessoas novas apareceram. Alguém percebeu quem são os visitantes? Não deixem de comentar galera, a opinião de vocês é sempre importante! Bjs