Episódios Da Vida A Dois

20 Você Não Me Ensinou a Te Esquecer!


Notas iniciais
Bom meninas, aqui estou eu mais uma vez. Agradeço a todos os reviews maravilhosos que tenho recebido. Esse capítulo fala sobre a partida de Sara de Las Vegas. Espero que gostem... Penúltimo Capitulo... Boa leitura

“Gil,

Você sabe que eu te amo, eu sinto que sempre te amei. Ultimamente eu não tenho me sentido muito bem, verdade seja dita, eu estou cansada.

Lá no deserto, debaixo daquele carro, naquela noite, eu percebi uma coisa e não consigo me livrar dela.

Desde que meu pai morreu, tenho passado quase toda minha vida com fantasmas. Nós fomos bons amigos e lá no deserto me ocorreu que aquele era o momento de enterra-los e eu não consigo fazer isso aqui.

Eu sinto muito.

Não importa o quanto eu tento lutar contra isso, fico com o sentimento de que tenho de partir. Eu não faço ideia de para onde eu vou, mas sei que é o que tenho que fazer.

Se eu não fizer temo que vá me autodestruir e ainda pior, você estará lá para ver.

Se cuida. Saiba que eu tentei muito ficar.

Saiba que só existe você para mim e que eu vou sentir sua falta a cada batida do meu coração.

Nossa vida juntos foi o único lar que eu realmente tive, eu não trocaria isso por nada.

Amo você e sempre vou amar!

Adeus.”

Ele olhou mais uma vez para a carta em suas mãos. Sentiu suas pernas tremerem e se obrigou a sentar. Leu mais uma vez as palavras dela. Aquele adeus feria seu coração como ferro em brasa. “Por que, Sara? Você não pode me abandonar, não pode ir embora.” Sua mente gritava desesperada.

Estava tudo certo, ela estava se recuperando bem e suas vidas estavam voltando ao normal. Ele a pedira em casamento. Bem, não havia sido exatamente um pedido, ele fizera primeiro uma sugestão para saber a opinião dela. Mais tarde, naquela noite, quando estavam deitados na cama, um nos braços do outro, ele explicou a ela seus planos. Ela era uma romântica, embora tentasse disfarçar às vezes, e ele queria formalizar o pedido em um jantar com seus amigos presentes e um para de alianças nas mãos.

Então vieram os pesadelos, ela acordava suando e gritando e ele a embalava em seus braços fortes, murmurando palavras de conforto até vê-la adormecer novamente. Na manhã seguinte sempre perguntava sobre os pesadelos, mas ela alegava não se lembrar, disfarçando seus pensamentos com um sorriso.

Se ele insistisse, ela fechava a cara com uma expressão zangada, ele apenas erguia as mãos em rendição e logo depois ela se achegava a ele, abraçava-o com força, escondendo o rosto em seu pescoço, em silêncio.

Os casos recentes também voltaram a abala-la, no entanto devido aos seus horários diferentes, ele só foi perceber quando investigaram juntos com o FBI a vinda de um sequestrador e serial killer para Vegas. Um caso complicado que acumulava corpos, ele e Sara foram juntos a uma das cenas.

Vê-la com os olhos cheios de lagrimas ao saber que as vítimas eram escolhidas ao acaso, que eram apenas um casal que assistia televisão depois do jantar, o deixou de coração partido. Depois veio o caso com Hanna, elas já haviam se enfrentado no passado e ele sabia que não faria bem a ela trabalhar naquele caso, mas ela insistiu e ele cedeu.

Quando a viu quase partir para cima da garota com violência, ele decidiu que estava na hora de conversar, mesmo que ela não quisesse, mesmo que ficasse zangada com ele. Não houve tempo ela o surpreendeu com aquele beijo doce no corredor, na frente de todo o laboratório e o deixou ali sem ação, vendo-a se afastar e partir.

Ele deveria ter sido mais atento, deveria ter percebido os sinais. Nos últimos dias ele sempre a pegava o observando com um olhar triste. Sempre que faziam amor ela se entregava totalmente, como se fosse a última vez que estariam juntos. Agora ele via que tudo o que ela vinha fazendo, fazia com se fosse a última vez. E aquele beijo que lhe dera no corredor, realmente tinha um gosto diferente, era o gosto da despedida.

Ele apoiou a cabeça entre as mãos, seus olhos ardiam com as lágrimas que ele bravamente continha. Não podia deixa-la ir, tinha que ter uma chance de impedi-la. Judy dissera que ela havia saído há pouco, talvez ainda estivesse em casa. Talvez ele pudesse alcança-la e implorar para que ficasse com ele.

Saiu em disparada pelo laboratório, pegou seu carro e foi para casa. Todo o trajeto se passou como um borrão e logo ele entrou em casa.

– Sara? – chamou desesperado.

Ele ouviu Hank ganir na lavanderia, era um som triste, parecia um lamento. De alguma forma o cão sabia que ela havia partido. Correu até o quarto e abriu as portas do armário. O choque de ver os espaços vazios dentro do móvel, foi com um soco em seu estomago, o deixando momentaneamente paralisado, sem ar. Ele deu alguns passos trêmulos para trás e caiu sentado na cama, depois seu corpo escorregou até chão.

As lágrimas vieram sem controle algum e ele as deixou cair livremente e por muito tempo ficou ali, sentado no chão, chorando, sentindo-se vazio, sozinho e perdido.

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– Não!!! – gritou ela sentando-se na cama de repente.

Aquele pesadelo outra vez. Ela olhou no relógio, havia dormido por seis horas inteiras, deveria estar muito cansada mesmo, pois depois que começou a ter aquele pesadelo nunca dormia mais que duas ou três horas seguidas.

Depois do sequestro ela até que estava se recuperando bem, sua vida estava voltando aos eixos. Ela e Gil estavam felizes juntos. Ele até a “pediu” em casamento. Se fechasse os olhos podia ver claramente a expressão de alegria e surpresa no rosto dele quando ela lhe disse sim.

Foi depois disso que começou a ter aquele maldito pesadelo. Depois que começaram aquele romance deliciosamente proibido, ele a havia afastado de seu passado doloroso e da escuridão que estava sempre à espreita de sua vida. Ficar perdida no deserto trouxera a tona aquela escuridão e ela podia senti-la tomando conta de sua vida novamente.

Seu único raio de luz era Grissom. Ele era o bote salva-vidas que não a deixava afundar, mas ela sabia que isso seria inevitável e o pior é que o levaria para o meio de tudo aquilo, não poderia permitir que acontecesse. Ele era tão maravilhoso e tinha que ser feliz, por isso ela partira, deixando apenas uma carta. Se tivesse que se despedir e olhasse em seus olhos não teria forças para deixa-lo.

Ela se levantou da cama, tirou suas roupas e entrou no chuveiro. Depois de um longo banho decidiu sair, precisava ver sua mãe, era por isso que viera para São Francisco. Olhou para seu celular, estava desligado e ela sabia que se o ligasse agora veria várias ligações dele, mas não se sentia preparada para conversar. Deixou o aparelho sobre a mesa de cabeceira e saiu.

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Grissom entrou no laboratório e foi direto para sua sala. Não conseguira dormir mais do que duas horas. Depois que suas lágrimas finalmente secaram, ele tomou banho e se deitou, mas sua cama parecia grande, vazia e fria demais. Por isso ele saiu da cama e deitou-se no sofá, quando acordou deu uma volta com Hank e em seguida fora para o trabalho, era só o que lhe restara.

Passou horas tentando se concentrar apenas em relatórios e avaliações, no entanto invariavelmente a imagem dela tomava conta de seus pensamentos. Quando o turno começou ele apenas distribuiu os casos e voltou para os papeis em sua mesa, sob os olhares atentos e curiosos dos amigos. Seu celular tocou no instante em que se sentou novamente em sua cadeira.

Era ela.

– Alô – ele atendeu.

– Griss – a voz dela era apenas um sussurro.

– Oi querida.

Apesar de estar magoado, triste por ela não ter conversado com ele sobre seus problemas e ter partido sem lhe dar uma chance de tentar fazê-la ficar, não queria brigar com ela. Se ela precisava de um tempo, ele lhe daria um tempo.

– Como você está? – perguntou preocupada.

Queria dizer que estava bem, mas ele não conseguiria.

– Eu... – hesitou – estou... tentando ficar bem – engoliu o nó que se formou em sua garganta.

– Me desculpe Gil, por partir. Eu não podia ficar. Você consegue entender isso?

– Eu não... sei Sara, mas vou tentar.

Um silêncio tomou conta da linha e ele ouviu um soluço. Ela estava chorando. Aquilo o deixou ainda mais arrasado. Queria saber o que dizer a ela, no entanto ele e as palavras não se davam muito bem em momentos assim.

– Sara...

– Gil eu preciso falar com você – interrompeu Ecklie.

– Eu preciso desligar.

– Tudo bem, nos falamos depois. Eu amo você – ela desligou antes que ele pudesse responder.

Gil fechou o telefone e olhou para Ecklie.

– Fale Conrad, o que você quer?

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Aquela semana havia sido longa e difícil, era sempre o primeiro a chegar e o último a sair, ia para casa apenas para dormir algumas horas, tomar banho, comer alguma coisa e cuidar de Hank. Então voltava para o laboratório e mergulhava no trabalho. Estava cansado, na verdade exausto.

A notícia da partida de Sara se espalhou pelo laboratório rapidamente e muitas vezes surpreendia seus colegas o olhando com uma expressão triste no olhar. Não foi a campo naqueles dias, queria evitar contato humano e conversas indesejadas.

No entanto quando chegou ao laboratório para aquele turno Jim o abordou, perguntando como ele e Sara estavam em relação ao relacionamento deles. Como responder uma pergunta, se ele não sabe a resposta? Depois foi a vez de Cath, perguntou como ele estava, disse que talvez ele precisasse de uma folga e terminou sugerindo “sutilmente” que ele fosse atrás de Sara.

Eles conversaram algumas vezes por telefone, naquela semana. Ela lhe contou que visitava a mãe com frequência, que estava alugando um apartamento e que tinha algumas propostas de emprego. E sempre que tentavam falar sobre o relacionamento deles eram interrompidos por alguém do trabalho dele.

Ele estava tentando agir com a razão, deixando-a sozinha e não a pressionando, mas a saudade que sentia o estava sufocando. Seu coração gritava as mesmas palavras que Cath havia dito. “Vá atrás dela!” Aquela frase reverberava por todo o seu ser, aumentando a falta que sentia dela. O que deveria fazer, seguir a razão ou o coração?

Nesse momento Ecklie atravessou o corredor e, em um impulso, Grissom o seguiu até sua sala, entrando antes que ele fechasse a porta.

– Podemos conversar Ecklie?

– Claro Gil, sente-se. – disse acomodando-se do outro lado da mesa.

– Conrad, eu preciso de uma folga – ele foi direto ao assunto.

Ecklie balançou a cabeça, em silêncio abriu seu notebook e passou alguns minutos olhando para tela e executando alguns comandos.

– Posso lhe dar cinco dias.

– Ótimo.

Grissom ficou surpreso e feliz, havia imaginado apenas três ou quatro dias, ele lhe oferecia cinco e sem questionar. Levantou-se e abriu a porta antes que o outro mudasse de ideia.

– Gil?

Grissom parou e olhou para ele.

– Vá atrás de sua felicidade – disse com um olhar amigável que em seguida se tornou sério. – Mas volte em cinco dias, já perdemos um dos nossos melhores CSI’s, não queremos perder outro.

Ele assentiu e saiu a procura de Cath, que ficou feliz por ele ter tomado aquela decisão. Depois pegou o celular e ligou para Sara.

– Oi querida.

– Oi Griss, eu ia ligar para você agora mesmo.

– Sara... eu preciso perguntar uma coisa para você...

– Pode falar amor...

– Você gostaria que eu fosse... até.... você?

Ela ficou em silêncio por alguns segundos.

– Você quer dizer, vir me visitar?

– Sim. Ecklie me deus cinco dias de folga e....

– Eu adoraria Griss. Venha agora – pediu ansiosa.

Ele riram da urgência em sua voz.

– Eu tenho alguns detalhes para resolver e preciso reservar a passagem, eu ligo assim que tudo estiver pronto.

– Faça isso, esperarei você no aeroporto.

– Ok querida. Eu amo você.

– Também amo você Griss.

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No final daquela tarde Grissom desembarcou no aeroporto de São Francisco, pegou sua bagagem e foi em direção ao saguão. Ela dissera que estaria esperando por ele. Olhou em redor e seus olhares se encontraram, ela estava a alguns metros dele. Eles se olharam por um longo momento, um sorriso surgiu em seus lábios e ela correspondeu.

Então, foi como um filme em câmera lenta. Ela começou a caminhar lentamente em sua direção, depois acelerou os passos, quase correndo. Sem tirar seus olhos dos dele. Ele soltou as malas um segundo antes dela se jogar em seus braços.

O abraço apertado era prova de toda a saudade que os consumia. Ele segurou o rosto dela com ambas as mãos e beijou-a. Finalmente a tinha em seus braços, sentira tanta falta de seu gosto, seu calor, seu cheiro. Agora se sentia em casa. Interromperam o beijo quando o ar se fez necessário e mais uma vez se olharam sorrindo.

– Vamos?

– Sim querida.

Ele pegou as malas e olhou para os lados, nem percebera que algumas pessoas pararam para observa-los. Ele corou e entrelaçou os dedos nos dela. Não falaram muito durante o trajeto até o apartamento dela e quando chegaram ela entrou com ele, que colocou as malas ali mesmo na sala. Ela pegou sua mão.

– Venha, quero que conheça meu apartamento.

O lugar não era grande, mas era muito aconchegante. Ela o havia alugado mobiliado, o que era prático, pois não sabia quanto tempo ficaria ali. A sala de estar e jantar eram conjugadas e separadas da cozinha por um balcão de mármore. Havia um pequeno corredor com três portas. Uma era do banheiro social, outra de um quarto de hospedes.

– É aqui que eu vou dormir – brincou Grissom.

O quarto era pequeno, com apenas uma cama e um armário.

– Acho que tenho acomodações melhores. Queira me acompanhar, senhor – ela entrou na brincadeira.

Abriu a terceira porta. Era uma suíte. No quarto, não muito grande, havia uma cama espaçosa, uma cômoda, um armário embutido e uma poltrona confortável. Uma porta se abria para o banheiro, tinha uma banheira ali, no tamanho exato para caber os dois com perfeição.

Ele olhou tudo com curiosidade e atenção, uma parte dele estava feliz por ela estar conseguindo se reerguer, no entanto outra parte insistia que tudo aquilo significava que ela não voltaria para Vegas tão cedo.

Sentiu os braços dela o envolvendo por trás, suas mãos macias acariciaram seu peito e seu abdômen. Ele girou em seus braços e a segurou com força contra si.

– Senti tanto sua falta Gil – o olhar de desejo dela foi como o estopim que acendeu o fogo dentro dele.

Em instantes eles andavam agarrados até a cama, enquanto suas roupas eram tiradas rapidamente. Ele precisava estar dentro dela, ela precisava tê-lo dentro de si. Ela o jogou na cama e observou seu corpo nu com um olhar lascivo.

– Sara...

Era um chamado, que ela atendeu prontamente. Sentou sobre o quadril dele, engolindo o membro intumescido e pulsante. Acolhendo-o em sua cavidade quente. Começou a mexer o quadril em círculos, fazendo-o gemer alto. Gil segurou sua cintura e ergueu o tronco, abocanhando seus seios perfeitos e delicados.

Foi uma loucura urgente e insana. Ela acelerou os movimentos, precisava senti-lo desaguando dentro dela. E quando suas contrações vieram, ele girou seus corpos e deu inicio as suas estocadas profundas, segurando o próprio prazer para que ela atingisse o clímax mais uma vez.

Quando aconteceu, ele se deixou levar com ela, sentindo sua alma passeando em algum lugar por entre as nuvens na companhia da dela. Saiu de dentro dela e se ajeitou sobre os travesseiros, trouxe-a para seus braços e saciados acabaram adormecendo.

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Sara acordou pouco tempo depois e ficou observando-o por alguns minutos. Estava tão feliz em tê-lo ali com ela. Quando o viu no aeroporto seu coração quase saiu pela boca, tamanha era sua felicidade. Sentia tanta falta daquele olhar azul, de seu abraço, seus beijos, seu cheiro, seu calor. Deixa-lo para trás havia sido doloroso demais, seu coração ficara com ele. Agora, olhando para ele, se sentia inteira de novo.

Ela levantou da cama com cuidado para não acordá-lo, pegou a camisa dele do chão e sentou-se na poltrona ao lado da cômoda. Precisava responder um e-mail e aproveitaria enquanto ele estivesse dormindo para isso. Mesmo com o computador aberto em seu colo ela o olhava com frequência e em uma dessas olhadelas o viu acordado, observando-a.

Sorriu para ele, fechou o notebook e foi se sentar na cama de frente para ele, que também havia sentado, encostando-se na cabeceira.

– Acho que é hora de conversarmos, não é? – sugeriu ela.

Ele assentiu em silêncio e segurou sua mão.

– Por que Sara? Eu até entendo que precisava de um tempo, sair de Vegas. Mas porque vir para tão longe? Por que sem se despedir? Sem um último abraço, um último beijo?

Ela respirou fundo.

– Se eu me despedisse de você Gil, tentaria me convencer a ficar e eu não teria forças para negar esse pedido seu. Se eu olhasse em seus olhos, sentisse seu abraço, não conseguiria partir. Eu tinha um pesadelo, que se repetia noite após noite. Me atormentando, me empurrando para um abismo do qual eu não coseguiria sair.

– Me conte seu pesadelo – pediu.

Ela desviou o olhar.

Estava no deserto, debaixo do carro, quando olhava em direção a uma pequena colina ela o via. Seu pai. O sorriso cruel, os olhos injetados de ódio, a voz perversa.

– Sara – ele a chamava. –Tudo isso é culpa sua. Chegou sua hora de morrer. Pensou mesmo que poderia ser amada? – a gargalhada cruel ecoou no deserto. – Você é igual sua mãe e vai acabar como ela, garota estúpida – mais um vez a gargalhada rascante.

– Não!!! – ela gritava.

Então o cenário mudava, ela se via novamente na casa na qual passou sua infância, no dia que seu pai foi assassinado. Podia ver sua mãe sentada no chão, encolhida, com uma faca ensanguentada na mão, as roupas sujas de sangue. Seu pai deitado ao lado dela, em uma possa de sangue. Ela fechava os olhos por um segundo e os personagens mudavam a mulher sentada no chão, agora era ela e o homem ao seu lado, Grissom.

– Não – seu grito de horror ecoava pela casa vazia.

Grissom a ouvia calado, viu as lágrimas banharem seu rosto e a abraçou com força quando ela terminou o relato.

– Por isso eu precisava vir para cá, precisava olhar para minha mãe para ter certeza que não ficaria como ela, que eu teria forças para lutar contra isso.

– Isso não vai acontecer amor. Eu não vou deixar – ele olhou em seus olhos.

– Talvez seja melhor para você ficar longe de mim Gil, me esquecer...

– Não. Querida, você me ensinou a viver, a amar e ser amado, a me abrir, a compartilhar, mas você não me ensinou a te esquecer. Então não me peça o impossível. Eu amo você Sara, e vou estar a seu lado para o que você precisar, mesmo estando em Vegas e você aqui – havia tanta paixão na voz dele que ela se emocionou. – Além do mais, você é minha noiva.

– Sou? – perguntou entre as lágrimas.

– Sei que ainda não fiz um pedido oficial, mas eu a considero assim. Afinal você disse sim a minha sugestão para que nos casássemos.

– É, eu disse sim – ela fez um biquinho e sorriu, limpando os vestígios de lágrimas do rosto.

– Adoro quando faz esse biquinho – ela corou. – Adoro quando usa minha camisa também, fica muito bem em você, embora eu prefira você nua.

– Isso é fácil de resolver – ela tirou a camisa e lhe lançou um olhar sensual.

Ele afastou o lençol que cobria parcialmente seu corpo e puxou-a para seus braços. Fizeram amor mais uma vez, agora devagar. Sem pressa exploraram seus corpos, acariciando com habilidade e sabedoria. Eles conheciam cada pedacinho um do outro, sabiam exatamente onde e como tocar.

E quando ele se insinuou para dentro dela, Sara teve a certeza de que fariam tudo para que pudessem ficar juntos. O amor deles era forte e resistiria. Seu destino era ele, o destino dele era ela. Quando o clímax os visitou foi como se o mundo explodisse em milhões de estrelas coloridas e eles flutuassem entre elas.

– Meu lar – ele murmurou em seu ouvido.

Sara o abraçou com força e o embalou em seus braços até adormecerem.

Agora, que faço eu da vida sem você? Você não me ensinou a te esquecer. Você só me ensinou a te querer... E te querendo eu vou tentando te encontrar. Vou me perdendo... Buscando em outros braços seus abraços. Perdido no vazio de outros passos. Do abismo em que você se retirou... E me atirou e me deixou aqui sozinho. Agora, que faço eu da vida sem você? Você não me ensinou a te esquecer. Você só me ensinou a te querer e te querendo eu vou tentando te encontrar.

Notas finais
Até o próximo e último capítulo dessa fic... Beijos