Episódios Da Vida A Dois
9 Cuida bem de mim!
Notas iniciais
Grissom saiu da sala de interrogatórios e parou para falar com Jim, em frente a sala dele. Sua enxaqueca estava insuportável, ele estava vendo pontos de luz branca que pareciam se aproximar dele até explodir bem diante de seus olhos e fazer sua cabeça latejar ainda mais. Sentindo náuseas e tontura, tudo o que queria era ir para casa e se jogar em sua cama, mas tinha a certeza de que não conseguiria fazer isso naquele momento.
Assim que Jim se afastou, ele entrou na sala do capitão e fechou a porta e a persiana. Sentou-se no sofá, o mundo parecia girar rápido demais e ele fechou os olhos por um instante, depois se deitou, uma das mãos estendidas ao longo do corpo, a outra sobre o estomago, como se tentasse aplacar o enjoo que sentia. Fechou os olhos novamente, mas a luz do abajur ainda o incomodava, estendeu a mão e apagou-a, deixando-se envolver pela semi escuridão da sala.
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Sara discou o número dele mais uma vez. Desligado! Mas que droga, onde você se meteu homem, pensou ela. Sabia que interrogatório no qual ele estava já havia terminado e o caso estava encerrado. Então onde ele estava? Decidiu ir até a delegacia, talvez Jim soubesse onde ele estava. Sara entrou na delegacia e avistou Jim conversando com um policial.
– Com licença – interrompeu ela. – Jim, você viu o Gil?
– Ele está descansando na minha sala. Enxaqueca. Se quiser falar com ele eu sugiro que espere, ele não me parecia nada bem, apesar de tentar disfarçar.
– Vou ver como ele está, talvez precise de alguma coisa.
Jim ficou observando Sara se afastar e entrar em sua sala. Ah, se seu amigo tirasse os olhos do trabalho por um instante e olhasse ao redor, veria o quanto Sara era apaixonada por ele.
Sara entrou na sala de Jim o mais silenciosamente possível e aproximou-se do sofá onde Gil estava deitado. Ela ajoelhou-se ao seu lado, uma de suas mãos acariciou seu rosto e seus cabelos levemente e a outra segurou a mão dele que estava estendida ao lado de seu corpo. Ele entreabriu os olhos.
– Sara? – murmurou.
– Oi, como você está? – perguntou em um sussurro, sentindo-se culpada por não ter percebido o estado dele antes.
– Não muito bem.
Sara se assustou com a resposta. Para Gil Grissom admitir que não estava bem, era por que ele com certeza estava péssimo.
– Você precisa ir para o hospital Gil. Eu vou levar você.
– Não, querida. Eu...
– Eu ajudo você Sara – disse Jim.
Ela ouviu a voz do amigo e virou-se, tirando rapidamente a mão que ainda mantinha nos cabelos de Grissom. Não havia escutado Jim entrar e ele os pegara no flagra, não que estivesse preocupada com isso agora, sua prioridade era Gil. Mas Jim não disse nada a respeito da cena que presenciara, apenas se aproximou para ajuda-la a erguer o amigo do sofá.
Grissom conseguiu se sentar, tentando controlar a tontura. Ficar de pé foi um pouco mais difícil, Sara e Jim tiveram que segurá-lo, um de cada lado. Saíram da delegacia com um pouco de dificuldade e muitos olhares curiosos sobre eles. Ao chegarem ao estacionamento Sara tirou a chave do carro do bolso da calça dele. Jim reparou na intimidade daquele gesto, mas mais uma vez, não disse nada, apenas continuou ajudando e observando a interação entre os dois.
Ela abriu a porta do carro e ajudaram Gil sentar no banco do passageiro, ela pegou no porta-luvas um óculos de sol e entregou a ele.
– Obrigado, querida – sua voz era apenas um sussurro.
Tirando seu celular do bolso, Sara discou o número do telefone do neurologista que cuidava dele.
– Olá Dr. Phillips... Sara Sidle.
– Olá Sara. Como vai você? E Gil?
– Eu estou bem, mas Gil está tendo uma crise de enxaqueca terrível, eu o estou levando para o hospital.
– Faça isso, eu estou de plantão hoje e o atenderei assim que chegarem. Vou dar instruções às enfermeiras para leva-lo direto para meu consultório.
– Obrigada Dr.. Estaremos aí em quinze minutos – ela se despediu e desligou e só então percebeu o olhar curioso de Jim sobre ela.
– Bom eu já vou, o médico está nos esperando– disse ignorando as perguntas mudas que havia nos olhos dele.
Deu a volta no carro, entrou e deu a partida. Gil estava com a cabeça apoiada no encosto do banco e os olhos fechados.
– Obrigada Jim.
– Não precisa agradecer. Cuide bem dele.
– Eu vou cuidar.
Jim ficou olhando o carro se afastar. Pelo jeito esses dois finalmente se acertaram, pensou. As evidencias estavam todas ali, a preocupação dela, o carinho em seu jeito de falar com ele, a intimidade contida no gesto de tirar as chaves do bolso dele, o telefone do médico dele no celular dela.
– É meu amigo, como você vive dizendo, as evidencias não mentem – falou para si mesmo e voltou para delegacia sorrindo. Iria guardar aquele segredo.
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Assim que chegaram ao hospital foram conduzidos por uma enfermeira até o consultório do Dr. Phillips. Ele os cumprimentou e pediu que Grissom sentasse na maca, fez alguns exames preliminares.
– Como tem sido sua rotina? – perguntou o médico.
– Ele não tem dormido e nem se alimentado bem – Sara adiantou-se na resposta. – Isso sem falar do stress e da pressão que tem sofrido nas últimas semanas.
– Isso não é bom, Grissom. Há quanto tempo não tinha uma crise dessas?
– Pouco mais de um ano – murmurou Gil.
– Parece que você tem algo à ver com isso, Sara – observou o Dr. Phillips, sorrindo.
Ela sorriu, enrubescendo e apertou a mão de Gil. Foi durante sua última crise que Sara havia conhecido o Dr. Phillips, pois insistiu em acompanhá-lo na consulta.
– Ela cuida bem de mim, embora eu seja meio teimoso... ás vezes.
– Você ficará em observação por um tempo, para tomar a medicação, mas antes vou fazer alguns exames mais detalhados. Ok?
– Tudo bem. Qualquer coisa que me tire essa dor insuportável será bem vinda – a voz dele não passava de um sussurro e ele mantinha os olhos fechados a maior parte do tempo.
– Vai demorar um pouco, Sara. Mas você pode esperar na sala de observação, se quiser. Ele irá para lá assim que terminarmos os exames.
– Eu farei isso – ela olhou para Gil, acariciou seu rosto levemente e saiu.
A longa espera a estava deixando angustiada, vê-lo tão frágil, aceitando sua ajuda e a de Jim, a fizera entender o tamanho de sua dor. Ele normalmente não demonstrava suas fraquezas e por isso ficara tão assustada quando o vira deitado na sala de Jim.
As últimas semanas haviam exigido demais dele e por mais que Sara insistisse que ele precisava descansar, dar um tempo a si mesmo, ele dizia estar bem e que faria isso assim que fosse possível.
Todo aquele stress começou com o caso de Izzy Delancy, o assassino havia feito uma miniatura perfeita da cena do crime, mas sem deixar qualquer outra evidência para que eles pudessem chegar a ele. O fato de ele ser tão meticuloso deixou Grissom frustrado, irritado e com a certeza de que atacaria novamente.
Depois houve o caso com o Greg, o garoto acabou sendo vítima, durante as investigações, de uma gangue de jovens que espancavam turistas. Embora Grissom sentisse um pouco de ciúmes da relação de Greg com Sara, gostava dele e se sentia responsável em proteger sua equipe.
E agora aquele caso com crianças desaparecidas. Casos como aquele, envolvendo crianças e um pedófilo perturbado, mexiam com o emocional de toda a equipe, mas para Gil parecia inaceitável que a maldade humana alcançasse também as crianças, por isso ele sempre se esforçava ao extremo.
Ele entrou na sala acompanhado de uma enfermeira, sentou-se em uma das cadeiras reclináveis, enquanto a enfermeira preparava o soro com medicamento e colocava o acesso em seu braço, ele fechou os olhos. Sara observava um pouco afastada, mas assim que a enfermeira saiu ela puxou uma cadeira e sentou-se ao lado dele, pegando sua mão.
– Sara... – murmurou ele.
– Shiii... Fique quietinho e descanse. Eu vou ficar bem aqui, ao seu lado.
Em poucos minutos ele pegou no sono.
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Quando Grissom acordou viu o Dr. Phillips conversando com Sara.
– Aqui está a liberação dele e a receita, ele terá que tomar outra dose do remédio em oito horas e também recomendo que ele descanse, deixe o quarto escuro e arejado, o deixe dormir pelo tempo que quiser. Ele vai estar bem melhor quando acordar.
– Claro obrigada doutor – Sara olhou para Gil e viu que ele estava acordado.
– Estou liberado?
– Sim, Grissom. A enfermeira já está vindo tirar o soro. Passei todas as recomendações a Sara. Se cuide e, por favor, ouça sua namorada.
– Eu o farei, ela é mais sensata do que eu – disse sorrindo para Sara.
Não conversaram durante o caminho para casa, Grissom parecia meio aéreo e ela não queria perturba-lo com perguntas. Quando entraram em casa, Sara o levou direto para o quarto.
– Você está melhor?
– Sim, o remédio está fazendo efeito, mas me sinto meio grogue.
– O médico disse que isso poderia acontecer. Agora você vai tomar um banho quente e relaxante, enquanto eu arrumo o quarto para você descansar.
Ele foi para o banho, Sara pegou seu pijama no guarda-roupa, uma cueca boxe na cômoda e levou para ele no banheiro. Depois abriu um pouco a janela e fechou as cortinas, deixando o quarto na penumbra. Assim que terminou de ajeitar as cobertas ele voltou para o quarto e deitou na cama. Sara o cobriu e acariciou seu rosto, ele segurou sua mão ali e seus olhares se encontraram.
– Fique comigo – pediu ele.
Ela estreitou os olhos, não havia nenhuma conotação sexual em seu pedido, ele apenas precisava dela junto de si.
– Tudo bem, vou apenas tomar um banho e volto para ficar com você.
Sara tomou um banho rápido e quando voltou ao quarto ele estava de olhos fechados, mas sua respiração denunciava que não estava dormindo. Deitou ao seu lado e ele, imediatamente, se moveu, deitando a cabeça em seu peito, passou o braço por sua cintura e uma das pernas entrelaçou nas dela.Ela começou a acariciar seus cabelos grisalhos e logo adormeceram.
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Sara acordou algumas horas depois sentindo a respiração quente dele em sua nuca, os corpos muito juntos. Ele parecia dormir profundamente, aquilo era bom, Grissom precisava mesmo relaxar. Sorriu e colocou sua mão sobre a dele, que estava sobre sua barriga, acariciando o dorso.
Adorava acordar antes dele e observá-lo dormir ou apenas ficar ouvindo o ritmo compassado de sua respiração. Toda vez que fazia isso sentia todo o amor que tinha por ele expandir seu coração, tomando conta de todo o seu ser.
Eles tinham uma relação especial, era o amor verdadeiro em sua forma mais pura e simples, mas ao mesmo tempo, totalmente complexo. Compartilhavam muito mais que uma casa e uma cama; compartilhavam uma vida, cada momento era especial e único. Como ficar abraçados no sofá assistindo um filme, passear no parque e sentar sob a árvore “deles”, onde Gil havia esculpido seus nomes em um coração, olhar as estrelas, dançar ou o simples fato de prepararem um sanduíche juntos.
Sara aproveitava cada minuto desses momentos com ele, que era sempre atencioso, carinhoso, gentil, cavalheiro. Sempre pensando nela em primeiro lugar. E quando faziam amor era mágico, envolvente, excitante, ardente, ele a transportava para além desse mundo. Gil se mexeu tirando-a de suas divagações.
– Já está acordada, querida?
– Sim e está na hora de seu remédio, eu vou buscá-lo.
Ela apertou-a em seus braços por um minuto e beijou seu pescoço, depois a soltou. Sara foi até a cozinha e voltou um instante depois com um copo de água e um frasco de remédios. Entregou a ele e sentou ao seu lado na cama. Grissom tomou o comprimido e largou o copo no criado mudo. Encarou seu olhar sorrindo.
– Como se sente? – perguntou Sara.
– Estou bem melhor agora – segurou a mão dela. – Sara... obrigado.
– Não precisa agradecer....
– Mas eu quero. Não só por cuidar de mim hoje, mas por todo o resto também. Por me amar, por me esperar, por me dar uma vida. Quero que saiba que você é a pessoa mais importante da minha vida, nunca se esqueça disso.
Sara tinha lágrimas nos olhos e o abraçou com força, depois beijou seus lábios com paixão, murmurando o quanto o amava. Grissom deitou-a sob ele, pressionando seu quadril com o dele, fazendo-a sentir sua excitação.
– Agora eu vou cuidar de você – ele disse.
– Tem certeza que está bem para...
Ele não a deixou terminar, esmagou seus lábios em um beijo ardente e começou a despi-la. Naquele momento sua única certeza era que precisava de sua dose diária de um remédio que curava tudo nele e esse remédio chamava-se Sara Sidle.
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