Epifanias
7 Capítulo VII
Capítulo VII
Amanhecendo o dia, Rylestha acordou e o moço ainda encontrava-se deitado na grama. Observou-o em seus cabelos ruivos reluzentes à luz do sol e percebeu que aquela beleza não era comum de suas terras. Fez barulho para que ele acordasse e pudessem sair dali.
– Deus seja louvado! Ainda estou vivo! O que acontece por aqui, senhorita?
– Desculpe-me, mas não lembra-se de nada o que acontecera noite passada? — Rylestha, desapontada, disse.
O rapaz andou um pouco pelo local, observando suas vestes jogadas no chão e muito sangue nas mangas da camisa. Reparou na roupa da bela moça jogada ao chão: um vestido pesado cor do céu e muitas saias. Além de ornamentos de ouro e aparência nobre.
– Céus, não posso acreditar!
– O que houve, meu rapaz?
– Eu consegui! Adentrei o vórtice do tempo e aqui estou! Aqui estou, por Deus!
Olharam-se nos olhos, e toda a euforia do moço o levou a lembrar-se do que acontecera na noite anterior. Sentiu o fogo dos olhos de Rylestha penetrarem sua face e os dois caíam, adormecidos, no chão, horas depois.
• • •
A chuva começara a cair e Rylestha acordara apavorada procurando sua vestes, para que pudesse partir. Arrumara suas coisas e já bem acordada, beijava a face do moço fazendo o acordar com toda a doçura. Já se passava das duas da tarde, e o tempo estava completamente fechado.
– A propósito, senhorita, esqueci-me de lhe perguntar o nome...
– Rylestha, Filha do Sol. E você...?
– Hã, bem, Filha do Sol. Sou Samir. Não provenho dos mesmos tempos que a bela moça. Seria estritamente complicado explicar-lhe os motivos de estar por aqui. A menos que esteja muito interessada.
Rylestha, terminando de arrumar os cabelos, olhou o apavorada. Seus olhos fitavam Samir, com desejo. — É claro que gostaria de saber!
Samir explicara-lhe que vinha de um futuro muito distante. Nascera nas terras do Oriente e passara a maior parte de sua vida fazendo pesquisas científicas. Adentrara um vórtice criado com toda a tecnologia já vista e passara para outra época, encontrando-a por acaso.
Os olhos flamejantes de Rylestha, com uma aparência ainda um tanto infantil, apesar do tamanho incomum para sua idade, apressaram-se para a mochila do moço. Computadores, câmeras, telefones e muitos blocos de anotação caíam do bolso maior. Algumas roupas e panos que usara para o curativo do pulso estavam esparramados ao lado da bolsa.
A chuva havia engrossado e os dois estavam, agora, completamente vestidos e prontos para a partida. Rylestha convidara Samir para uma visita ao seu povo. Apresentaria-o para a mãe, como amante.
Mesmo com a pouca idade, Rylestha tinha um corpo de mulher. Cabelos longos e loiros caíam com cachos largos pelos ombros e a boca rosada era carnuda e bem desenhada. Os olhos, ah, os olhos de Rylestha... eram flamejantes; avelã, brilhantes e pareciam estar sempre pegando fogo. A menina tinha muitas curvas e percebera, na noite anterior, que sua curvas juntavam-se perfeitamente no corpo magro e bem definido de Samir.
Caminharam durante horas, chegando a um pequeno povoado cheio de fogueiras e fumaça. As tendas eram alaranjadas, com sóis desenhados acima da porta. Todos olhavam para Samir e Rylestha, enquanto caminhavam para dentro da pequena vila. Rylestha apontara para uma tenda pequena, com flores ao redor. Entraram e havia ali uma mulher que aparentava trinta anos sentada, fiando.
– Eu voltei, minha mãe.
A mãe levantou-se, de súbita e abraçou a filha. — Ah, Rylestha! Por onde andaras, minha filha? Passara a noite e o dia fora! E... quem é este moço?
– Este é Samir, mamãe. Meu amado.
– Isto é impossível! Rylestha, você tem deveres a cumprir! Não pode, simplesmente, achar por si própria um amante e apresentar-me como se tivesse encontrado um cãozinho na estrada! Seu dever é casar-se com o homem que seu pai, o Sol, colocar em seu caminho! É o seu destino, minha filha!
Kylestha sentou-se novamente, sentindo um peso enorme em suas pernas. "Não pude eu cumprir o desejo do Sol privando minha filha dos poderes que o mundo lá fora exerce sobre ela? Rylestha é apenas uma pobre criança!"
A menina, então, disse com sua voz mais angelical:
– Samir é do futuro. Ele pode nos ajudar, mamãe!
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