Epifanias
3 Capítulo III
Semanas depois da grande descoberta, os cinco pesquisadores ainda trabalhava para aperfeiçoar o vórtice; descobrir do que ele era capaz era o mais difícil e importante. Muitos testes seguiram da viajem de Iêmen ao passado. Um a um, os cientistas adentravam a passagem para deslumbrar o outro lado.
O vórtice nunca os levava para um mesmo tempo, o que os deixava confusos e asiosos para ver o que teriam da próxima vez. Cada um deixava pistas de sua passagem pelo local, e se houvesse alguma coincidência, teriam certeza de que já haviam visto aquele lugar.
Os cinco cientistas haviam, enfim, conseguido. A notícia se havia esfriado na cabeça das pessoas, mas algumas ainda ficavam chocadas ao saber que, àquela altura, haviam criado um vórtice do tempo, mesmo que por acaso. Conquistaram prêmios e seus nomes já eram conhecidos por todos.
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– Hoje é mais um dia importante, não é? Vamos ver onde esse negócio vai dar! — Empolgou-se Iêmen.
– Vamos todos juntos. — Disse Belarus, convicto.
Arrumaram alguns mantimentos e roupas extras, para o caso de precisarem de algo. Afinal, não era certo o tempo que passariam lá, sendo que no mundo em que viviam não era como se o tempo tivesse passado.
Terminaram de planejar a viagem e organizar as coisas e pegaram seus aparelhos de comunicação para partir.
– Já sabem, não é? Se porventura não formos todos para o mesmo lugar, usem de comunicação.
Jordânia era sempre muito preocupada e pessimista.
– Boa sorte a todos nós. — Somália sorriu.
Fizeram fila para entrar na passagem.
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Um a um, em pé, surgia no topo da colina. Era um campo verde completamente inabitado e livre de qualquer mudança provocada por humanos. Era lindo.
Boquiabertos, os cientistas desceram a colina para explorar o local. Tiravam fotografias e faziam anotações no caderno de viagem.
Andaram por cerca de uma hora até encontrar uma pequena vila;
Haviam muitas tendas armadas no local, sob uma grama tão verde quanto a da colina que haviam pisado pela primeira vez. Muitos animais se alimentavam da grama e do feno espalhados pelo acampamento. Algumas crianças rodeavam fogueiras para se aquecer do frio. Mulheres com longos vestidos grossos de lã passavam carregando trouxas de roupa e cavaleiros em enormes cavalos galopavam vorazmente pela pequena aldeia.
Espantados, alguns homens vieram em direção aos cientistas e lhes perguntaram algo em língua inglesa.
– Quem são vocês?
– Somos apenas viajantes, de uma terra muito distante. — Disse Tunísia.
O cavaleiro olhou desconfiado e rodeou-os em cima de seu cavalo. Sussurrou algo para seu companheiro e voltou-se para os cinco.
– Juntem-se a nós. Já é fim de tarde e logo mais a noite cairá. Saudemos a Grande Rainha da Noite, que nos propicia o carneiro e o bom vinho! Entreguem roupas aos viajantes, pra se protegerem do frio — ordenou o rapaz.
Os cinco seguiram até uma enorme tenda vermelha, com uma lua prateada estampando a entrada.
Receberam lindas vestes prateadas, os cabelos das mulheres foram trançados com fios de prata e suas botas pesadas de couro os mantinham aquecidos.
Saíram da tenda ao rufar de tambores e o som de algum instrumento parecido com flauta. O chefe do grupo apresentou-os:
– Meu povo, estes viajantes vêm de muito longe e hoje nos acompanharão na festa à Grande Rainha da Noite!
Todos os presentes fizeram breve reverência e então sentaram-se ao redor da grande fogueira deixando lugar para os cientistas.
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O culto era muito alegre e fervoroso. Entoavam cantos em seu idioma que mesmo Tunísia, com todo seu conhecimento em línguas, não pode decifrar.
A luz da lua ofuscava os olhos e a festa continuava, com cantos melancólicos e alegres e comida farta.
Dormiram ali mesmo, extasiados, os cinco pesquisadores do futuro.
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Na manhã seguinte, acordaram com a voz do chefe do acampamento, grave e forte. Levou-os para o refeitório da aldeia, onde fizeram o desjejum. O homem sentou-se diante deles.
– De onde, exatamente, vocês são e o que fazem aqui?
– Seria impossível explicar exatamente de onde somos e o que fazemos aqui. Só podemos dizer que somos de muito longe e estamos aqui para descobrir algo sobre o nosso passado.
– Forasteiros, meu povo necessita de ajuda na luta contra os descendentes da Rainha do Sol. Precisamos vencer esta guerra para provar nosso amor incondicional à Deusa da Noite.
Sem entender, concordaram em ajudar o povo da Noite.
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Ao crepúsculo, todos os habitantes da pequena aldeia foram convocado para a reunião em que seria anunciada a colaboração dos homens do futuro na batalha contra o povo da Rainha do Sol.
Dançando e entoando cantos, a reunião começava. Arqueiros prontos contornavam a fogueira. O chefe da aldeia foi anunciado, junto com os cinco.
– Meu povo, estes cinco homens juntaram-se a nós para a Grande Guerra. Traçaremos em segredo um plano estratégico para ajudar aos sete filhos da Rainha Escarlate;
Iniciaram então a cerimônia. Um sacerdote apareceu com seu manto negro da cor da noite, cabelos negros encaracolados e olhos muito azuis. Ele agitou o ar por cima da cabeça de cada um deles, descendo por seus braços, enquanto cantava baixinho. Então, com um óleo de jasmins ungiu suas cabeças e fez o desenho de uma lua crescente em suas mãos. Deste modo, os cinco do futuro estavam marcados e destinados a servir a Noite com lealdade e fidelidade.
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