Epifania

14 Epílogo – Prestissimo


Notas iniciais
Bem vindo ao epílogo de Epifania. E agora eu posso dizer: bem-vindos ao final dessa fic. Gente, meu coração está feliz de finalizar essa história. Eu me arrisquei em algo que não tinha nenhuma experiência, o drama familiar dessa forma, mas sinto que fiz um bom trabalho. Acho que consegui passar tudo o que queria nesses 13 capítulos e no epílogo. É engraçado que eu dificilmente planejo as minhas histórias: eu tenho cenas na cabeça que vou escrevendo. Com Epifania foi diferente. Eu imaginei bem o início, o Vis com a sua xícara de café morna, ele conhecendo a Vivian, a dificuldade de fala (e de atos sexuais) entre ele e a Wanda, a reaproximação, a briga, o reencontro e a apresentação. Tudo o que tem no meio acabou fluindo e o resultado ficou uma história super completa que eu adorei trazer para vocês ♥ Aproveitem a leitura, espero que gostem! Agradecimentos nas notas finais ;)

Prestissimo: andamento musical muito rápido, com toda a velocidade e presteza.

Dois anos e dois meses depois.

SARAU DO VISÃO E DA VIVIAN

SÁBADO À TARDE

TODOS SÃO BEM VINDOS!

Virginia destrancou cuidadosamente a trinca do portão branco, e as dobras de metal fizeram um barulho estranho ao que ela abriu, demonstrando que precisariam, em breve, de uma aplicação generosa de óleo. As vigas de madeira arrastaram levemente na grama enquanto ela empurrava a porta e fazia caminho pela abertura entre a sua casa e a casa vizinha levando, em suas mãos, um pote deverasmente pesado.

O vento frio marcava a chegada do inverno juntamente com o sol a pino que parecia não esquentar absolutamente nada. A pele âmbar de Virginia, a qual adquirira um tom mais pálido devido ao mau tempo, refletia contra o sol; e seus fios de cabelos negros, compridos e cacheados nas pontas, desciam por suas costas até a cintura, sendo um belo contraste com a blusa branca a qual vestia. Apesar de ser sábado, ela sentiu que a ocasião pedia um toque levemente mais formal.

Um par de olhos azuis preocupados fixaram nela à medida que se aproximava, e uma figura alta de cabelos loiros como fios finíssimos de ouro correu na sua direção para pegar a embalagem pesada de seus braços.

— Você poderia ter me chamado, Virgínia. – Visão a repreendeu, porém ainda sorriu, feliz por ver sua amiga. – Eu moro literalmente ao lado.

— Tenho certeza que você já estava ocupado com as preparações do sarau. – Ela deu de ombros em resposta. – E não me custa nada trazer. São pãezinhos com patê de presunto para alegrar o nosso café coletivo.

A residência Maximoff possuía ares diferentes, a começar pela porta aberta do quintal, sendo que, em breve, a entrada da casa também estaria disponível para outras pessoas da vizinhança. As paredes amareladas, antes vazias, possuíam quadros, fotos de Wanda grávida, certificados e até partituras de músicas escritas por Visão emolduradas.

— Onde está a Wanda? – Questionou Virgínia, sorrindo ao observar as paredes tão cheias. Recentemente, ela e Vivian haviam redecorado a própria casa, sendo que Viv aproveitou para rabiscar do chão até o teto.

— No andar de cima, já já ela desce. Se quiser, pode dar um pulo lá também...

Visão arrumou os pães de Virgínia ao lado da cafeteira, o delicioso aroma de café preenchendo a cozinha. Sobre o balcão havia torradas, queijo, salame e especiarias que tornavam o sarau ainda mais interessante.

Subitamente, Visão deu falta da menina com quem dividiria um solo.

— Onde está a Viv? – Perguntou ele após deixar a comida milimetricamente arrumada sobre o balcão.

Virgínia inicialmente suspirou.

— No quarto dela, com a Kamala e a Fernanda, se recusando a vir porque está com medo de esquecer a música. – Antes de Visão responder, ela acrescentou: – Nem sei se adianta ir falar com ela.

Caminhando em direção à porta do quintal, Visão apenas disse:

— Eu já volto. Não posso começar o sarau sem minha acompanhante! – Já na altura do portão, ele aumentou o tom de voz para repetir uma informação que dera mais cedo: – Se quiser, pode subir para dar um oi para a Wanda!

A campainha soou no interior da residência Maximoff, e, pelo fato de o dono da casa estar ausente para atender, ela julgou ser de bom tom abrir a porta e receber os convidados para a apresentação.

A grama estava rente sob os pés de Visão quando ele abriu a trinca do portão e atravessou para o quintal da residência ao lado. Ele o havia construído no último verão, quando Vivian foi passar as férias com o pai e os avós paternos, sendo uma bela surpresa em seu retorno. Facilitou a vida do professor de música e de sua aluna, após tanto tempo usando um buraco na cerca para se verem nas aulas praticamente diárias. Em breve, a neve iria cobrir o chão, e não ter que se arrastar para atravessar o muro era um alívio.

Visão atravessou a porta aberta – Virgínia estava com tantas coisas nas mãos que não conseguira fechá-la ao passar –, e subiu em direção ao quarto de Vivian no piso superior. Ele dificilmente ia até os aposentos das donas da casa, e, excetuando a primeira vez em que fora sozinho, via de regra era acompanhado por Wanda. Caminhando escada acima, escutou burburinhos baixinhos de meninas quando deu três batidas suaves na porta fechada.

— Vai embora! – Duas vozes femininas cessaram, e somente Vivian ordenou.

Com cuidado, ele abriu uma fresta da porta e falou:

— Vai mandar o seu acompanhante embora?

Levantando-se e ajeitando o vestido crepe azul, Vivian correu na direção do professor, jogando os bracinhos ao redor de sua cintura. Visão terminou de abrir a porta e colocou as mãos nos ombros de Vivian, já com onze anos de idade, e cuja altura chegava logo abaixo de seu peitoral. Ele olhou para as meninas e as cumprimentou inicialmente com um sorriso, à medida que elas se aproximavam.

— Olá, Kamala. – Kamala Khan era uma das melhores amigas de Vivian, e não era raro vê-las brincando no quintal durante os finais de semana, por isso, já havia tempo que a conhecia.

— Oi, Vis! – Ela cumprimentou alegremente.

Em seguida, ele virou o rosto para o lado e observou a outra menina.

— Você deve ser a Fernanda. Muito prazer.

Fernanda Rodriguez, também muito próxima de Vivian, acenou um pouco sem jeito. Era a primeira vez que se viam, apesar da menina comentar tanto sobre ela no intervalo entre as aulas que Visão sentia a conhecer há bastante tempo.

— Agora me diga... – Visão se ajoelhou e segurou o rosto de sua aluna entre as mãos. Estava um pouco inchado devido ao choro. – Por que você não quer ir lá embaixo tocar violino comigo?

Vivian ficou um tempo em silêncio.

— Eu vou errar tudo se for lá agora, Vis! – Foram as palavras que conseguira balbuciar enquanto cruzava os braços na frente do peito. – Acho melhor você ir sem mim.

Os ombros de Visão relaxaram, e ele exibiu um sorriso compadecido. Lidara com crises assim diversas vezes na carreira, bem como com alunos a quem ensinara ao longo da vida. Era uma reação de medo a qual ele já se encontrava acostumado, contudo, sempre precisava tomar cuidado sobre o que iria dizer a seguir.

— Eu me recuso a descer sem a minha acompanhante. – Ele moveu uma mão para acariciar seus cabelos, os cachos soltos até a metade das costas. – Nós ensaiamos bastante juntos, e você sabe que estava perfeito!

Sem resposta. Vivian permaneceu com os olhos trancados e não mexeu um músculo sequer, até que Visão finalmente teve uma ideia.

— Viv, lembra a primeira vez que tocamos essa música juntos? Quando eu ia me apresentar naquela orquestra?

Quando ela confirmou com a cabeça, Visão prosseguiu:

— Eu também morri de medo. O palco parecia me engolir no meio das pessoas assistindo... E olha que eu toco piano desde a sua idade. Sabe o que me fez não abandonar o show? – Vivian abriu os olhos devagar, e balançou a cabeça de um lado para o outro. – Foi o apoio da Wanda. E o seu também.

Devagar, ele acariciou o rosto da aluna antes de finalizar seu pensamento:

— Você tem o apoio das suas amigas. Não é mesmo, meninas? – Fernanda e Kamala deram um passo à frente e seguraram cada uma um braço de Vivian. – O apoio da sua mamãe, e da Wanda, e o meu. Vê se isso não é um motivo muito do bom para ser corajosa e enfrentar a apresentação?

Finalmente, Vivian sorriu e abraçou fortemente o pescoço esguio de Visão, provocando uma risada baixa dele.

— E, se você errar alguma nota, ignora e continua, viu? – Mas as três amigas já estavam muito animadas com os preparativos finais para a apresentação, e já quase não escutavam o que o adulto dizia; portanto, ele apenas disse ao se afastar: – Espero vocês lá embaixo!

Quando retornou para sua casa, estava um pouco mais cheia do que quando a deixou. Virgínia deixara a porta aberta, com algumas pessoas sendo atraídas pelo grande cartaz colorido indicando a apresentação. Um menino, a quem Visão não via há anos, o abraçou com carinho.

— Oi, mano. – Ele cumprimentou com o rosto na blusa social de Visão, o qual, surpreso, acariciou os cabelos escuros do menino que conhecia como seu irmão.

— Oi, Victor, como é bom ver você! – Visão olhou para frente e fitou os rostos de sua madrasta e de seu pai. – Oi, Marinella. Oi, pai. – Ele sorriu e recebeu sorrisos em resposta de ambos.

A mãe adotiva de Wanda, Magda, também estava presente, e Visão deu-lhe um abraço rápido antes de indicar que a esposa estava no andar de cima. Na cozinha, suas amigas Natasha e Carol se serviam de comida quando Visão se aproximou para brincar:

— Já estão atacando a mesa antes da festa?

Carol apenas riu, enquanto Natasha, com a boca cheia, murmurou:

— Se não for assim, eu nem venho!

Carinhosamente, ele abraçou as duas, em especial Natasha, que compartilhara alguns momentos difíceis tempos antes. Não havia qualquer ressentimento entre eles, só a amizade e afeto recíproco.

Clint e Laura Barton, com o caçula Nate, chegaram para o sarau pouco depois e se acomodaram em cadeiras igualmente perto da cozinha. Apesar de cumprimentarem Visão e o parabenizarem pelo trabalho – tanto pelo sarau quanto pelo recente emprego de professor de música em uma escola de nível básico –, todos olhavam atentamente para a escada, aguardando o momento esperado em que Wanda Maximoff desceria as escadas tendo nos braços a maior surpresa da tarde.

— Shh, shh...

Sussurrando baixinho enquanto embalava o bebê, Wanda apareceu com um sorriso direcionado para Visão. Todos os parentes e amigos se aproximavam para olhar, e admirar, a criança recém-nascida nos braços da moça.

Seu filho.

Visão se aproximou e beijou a testa da esposa, para depois pegar o pequeno Vincent no colo para afagá-lo um pouquinho. Ele dormia pacificamente após comer, em vestes brancas e uma touca para protegê-lo do frio. Depois, o entregou novamente para a jovem mãe, a qual o acomodou no colo para que os avós corujas pudessem paparicá-lo.

Finalmente, Vivian apareceu na porta, junto de suas amigas, e Visão chamou a atenção dos presentes para começarem o sarau. Enquanto Kamala e Fernanda sentaram no chão ao lado de Victor Mancha, a violinista, com o instrumento devidamente ajeitado no ombro, ficou junto do professor, sentado na banqueta em frente às teclas marfim do piano. Wanda sentou-se no sofá, junto de sua mãe e do sogro, enquanto o restante dos convidados buscou se dispor pelo espaço disponível para escutar o espetáculo.

A primeira nota soou, e parecia transcender as barreiras da casa para chegar ao restante da vizinhança. Não tardou para pais, juntos de seus filhos, adentrassem a casa para observar a dupla tocar, junto de suas esposas carregando slings de recém-nascidos e sorrindo. Até alguns alunos da escola básica em que Visão lecionava apareceram com os responsáveis para mostrar quem era o professor de piano a quem todos gostavam tanto.

Era daquela maneira que Visão gostava de ver sua casa: cheia de pessoas e alegria. As fotos na parede misturavam momentos da primeira e da segunda gravidez de Wanda, o clima entre os amigos era de leveza e a música dedicada aos gêmeos fluía mais naturalmente do que quando a escrevera cerca de dois anos antes. No meio de tantas mudanças, havia o espaço reservado para a alegre memória de suas crianças, guardada para sempre no cantinho da partitura:

Para William e Thomas.

Notas finais
Bom... É isso. Muito obrigada a quem acompanhou até aqui, muito obrigada a Rox pelos comentários que me incentivavam toda semana, muito obrigada ao Areiko pela ideia, que era uma brincadeira ao início, mas que se transformou em um desafio que encarei de cabeça e adorei trabalhar em cima. A cada semana foi uma vitória escrever e postar esses capítulos aqui para vocês ♥ Por ora eu quero focar um pouco em oneshots e fanfics um pouco mais antigas que precisam de novos capítulos (alô, Ensaios e Pompeii), mas eu prometo em breve trazer novas longfics com postagens regulares ;) enquanto isso, aproveitem bastante O Futuro Está Aqui e For Those About to Love! Rox, um agradecimento especial a você por ter dado o empurrão para eu postar essa fic. Quando comentei dela lá atrás, em Algo Sobre o Futuro, só tinha os dois primeiros capítulos trabalhados, e tive um certo medo de postar. Porém você, como sempre, foi essa pessoa maravilhosa que me ajudou demais a ter força de vontade para postar e seguir com as postagens. Muito obrigada mesmo, você é um anjo na minha vida ♥ Um beijão, pessoal! Lembrando que eu aceito críticas, elogios e comentários, fiquem à vontade para me dizer o que gostaram e não gostaram para eu melhorar nas próximas histórias! Um beijão e um abraço bem quentinho da Vanilla Sky ~ ♥ ~
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!