Eu estava no meu quarto, no escuro, sem nenhum som ao meu redor. Não estava assim a muito tempo, estava desde ontem na verdade, relembrando a conversa que tive com Rachel, me culpando por não ter falado antes.

Eu voltara para o colégio depois de ter evitado ao máximo esse reencontro.

Não queria voltar, pois não queria relembrar o que passará naqueles corredores, muito menos a recente perda de Finn.

Apesar de tudo, ele era meu amigo, eu o amava. Mas o que meu coração mais temia, era olhar para a Rachel e vê-la triste, sem o sorriso enorme e brilhante que só ela tinha.

Ela estava em um canto mais afastado da sala do coral, mas, assim que nossos olhares se cruzaram, ela pulou da cadeira e me abraçou, o mais forte que ela conseguia.

“Eu sinto muito, Rachel”

“Não fala nada, só me abraça”

A semana se passou, eu tinha levado um namorado, por isso Santana me repreendeu, falando que eu deveria seguir meu coração. Mas foi só quando Puck me levou ao auditório e cantou Keep Holding On pra mim, foi que eu percebi o que deveria ser feito.

Terminei com Biff e corri pelos corredores do colégio, sabendo onde encontraria a pequena. Quando abri a porta do banheiro, porém, a cena que eu imaginava encontrar se transformou em algo totalmente oposto.

Santana estava no chão, Rachel por cima, batendo no rosto da latina, enquanto esta tentava se defender.

“Meu Deus, o que esta acontecendo aqui?” Corri, pegando Rachel e a tirando de cima da outra menina.

“ME SOLTA FABRAY” Ela se debatia enquanto berrava.

Depois de um tempo, quando eu vi que Rachel se acalmara, a coloquei no chão. Ela se endireitou e se virou para mim, me batendo no rosto. Então saiu do banheiro.

“Mas o que deu nela?”

Santana começou a rir, se virando para o espelho e se ajeitando.Depois caminhou em minha direção.

“Contei do que aconteceu no casamento do Mr Shue” Ela sorriu triunfante. “Depois você fala que ela gostar de você, sempre foi coisa da minha cabeça” Ela me deu um tapa. “Isso é pelo Biff. Agora, faz algo de útil e vai atrás da garota”

Sai do banheiro, sabendo que encontraria a menina cantando no auditório. Ela cantava Somebody To Love com Sam e eu me sentei em silencio, aguardando o final da apresentação.

Assim que acabaram, notei que Sam tentou beijar a menina, mas ela desviou.

“O que você quer?”

Levei um tempo para saber que era comigo. Por fim levantei e caminhei até a frente do palco.

“Podemos conversar?”

“Eu vou deixar vocês sozinhas” Ele parecia contrariado, mas como Rachel não reclamou, ele saiu.

“Santana me contou o que aconteceu no banheiro”

“Eu não quero ouvir” Ela se virou, mas eu a segurei pelo braço.

“Por favor. Me deixa explicar”

“Você tem cinco minutos”

“Eu te amo, Rachel. Eu sempre te amei. Eu tinha raiva disso e descontava tudo em você, eu estava confusa”

“Eu te amei todo esse tempo Quinn, mas você ia me deixar casar”

“Não, eu te falei para você não fazer isso”

“Mas não disse que me amava”

“Eu perguntei se era para o Finn, e só pra ele que você tava cantando. Você disse que sim.”

“E você queria que eu falasse o que? Que era para você. Caramba, Quinn, como se fala isso para uma pessoa que você não sabe nem se é sua amiga? Eu amava o Finn, mas era por você que meu coração sempre bateu mais forte”

“Eu tenho certeza do que sinto agora”

“E precisou ir pra cama com a Santana pra ter essa certeza?” Ela me olhou com um certo nojo no olhar, mas foi o tom de desapontamento que fez meu coração se apertar. “Eu não suporto outra despedida”

Ela ia se virando para ir embora quando a puxei novamente, dessa vez unindo nossos lábios.

Embora eu tenha ficado com várias pessoas, aquele beijo foi o primeiro a me tirar o fôlego, a me completar e a estourar fogos de artifício dentro de mim.

Quando nos afastamos, a menina tinha um sorriso fraco nos lábios e, por um momento, me agarrei a um fio de esperança que ela aceitaria ser minha.

“Adeus, Quinn”

E então se virou, as luzes se apagaram e eu cai no chão do auditório, me xingando por ter sido uma fraca todo esse tempo.

E foi dessa vez, depois de remoer a história pela milésima vez e chorar a cada uma delas, que uma ideia me ocorreu.

Liguei para a faculdade e, três dias depois, eu estava no meu dormitório em Yale, fazendo as malas. Segurei o bilhete do trem, rezando para que o irmão dele não fosse usado hoje, o coloquei na bolsa, dei uma última olhada no quarto e fechei a porta.

Não demorou muito e eu estava encarando a enorme porta do apartamento HummelPezBerry, ou seja lá como eles chamavam agora. Bati na porta, sentindo meu coração se acelerar.

“Graças a Deus, Fabray” Santana tinha atendido a porta, com um avental de empregada. Arqueei uma sobrancelha, segurando a gargalhada. “Isso é culpa sua e a senhorita vai me pagar, pode apostar que vai”

“Sua patroa esta?”

“Não dou na sua cara porque não quero aumentar meu sofrimento” Ela se virou “O Branca de Neve anã, desfaz as malas que o Príncipe Encantado foi mais rápido”

Rachel saiu aos tropeços do quarto, abrindo o enorme sorriso que ela tinha assim que me viu.

“QUIIIIIIINN” Ela correu em minha direção, me abraçando. A afastei depois de um tempo, sorrindo para a menina.

“Eu sei o que eu quero, Rach” Peguei uma carta na bolsa. A minha transferência para uma faculdade em Nova York. “E eu não pretendo te dizer adeus tão cedo” Indiquei minhas malas com a cabeça “Cabe mais uma aqui?”

“É claro que sim” A menina respondeu, com a voz embargada pelas lágrimas.

E então, nos beijamos mais uma vez. E eu sabia que era isso que eu queria, pelo resto de minha vida. E eu sabia que sempre sentiria os fogos de artifício, toda vez que a beijasse.

Notas finais
Espero que tenham gostado...
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!