Epcot City
2 Capítulo II
Notas iniciais
40 anos depois...
Merida tinha seus olhos fixos no alvo. Seus suscetíveis tiros certeiros o deixavam com a marca da perfeição e, depois mais algumas balas gastas, sorriu vitoriosa para seus companheiros.
— É, senhoras e senhores... Espero que tenham aprendido como se faz!
— Hunf. A criança se gabando por sorte de principiante! – Retrucou um ruivo ao seu lado.
— Fala sério, Nick –Pronunciou-se a tenente Megara – Confessa que a garota manda bem!
Megara era tenente na delegacia de Epcot. Uma mulher forte conhecida por um humor insaciável e habilidades em lutas e estratégias em campo.
— Não diria bem “BEM”, tá mais para aceitável.
— Ó o bebê chorando! Depois eu que sou a criança... – Brincou a ruiva, deixando Nick enfurecido.
— Ora, sua...
— Larga disso, oficial Wild – Começou o tenente Sitka, que acompanhava o treinamento – E Merida... – Disse direcionando-se para a cadete – Devia levar isso mais a sério.
Sitka também era tenente na delegacia de Epcot. Forte e imponente, era um amigo fiel e líder nato. Conhecido como “o águia” entre os companheiros de profissão.
A ruiva só bufou, voltando sua atenção ao treino. Enquanto Nick enchia os ouvidos de Merida sobre como o ar fazia milagrosamente as balas encontrarem o centro do alvo, os tenentes se olhavam brincalhões.
— Não sei o que fazemos com ela... –Sussurrou o Sitka para Megara, com tom alegre. A outra só sorriu.
— Sobre isso, também não sei! – Respondeu, também baixinho — Mas já que nosso turno acabou, que tal você me pagar aquele jantar que estava me devendo? — Propôs, fazendo brotar um sorriso no rosto do outro.
— Fechou! – Disse prontamente — Oficial Wild! – Dirigiu-se ao ruivo – Chame a Hopps para te acompanhar com os cadetes, eu e a tenente estamos de partida.
— O que?! – Exclamou ele – Mas eu, eu... Essas pestes são insuportáveis!
— Deixa eles, Nickzinho – Pronunciou-se Merida, deixando de dar atenção ao treinamento – Eles com certeza têm coisas melhores para fazer além de olhar para essa sua cara feia! – Disse com malicia.
— Mais uma hora de turno para você, cadete! – Falaram Sitka e Megara em coro, enquanto pegavam seus casacos e saiam, deixando uma indignada Merida para trás.
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Enquanto os namorados saiam, o chefe da polícia de Epcot se encontrava demais absorvido nos seus problemas para notar o fim do turno.
Simba era o comandante de toda força policial de Epcot. Seguiu os mesmos passos de seu pai, Mufasa, até o posto mais alto da carreira. Sempre significou muito para ele trazer orgulho para o antigo chefe de polícia. Outra semelhança com seu pai era física, era quase idêntico. Pele negra, traços fortes, olhos cor de mel e dotado do mesmo brilho no olhar.
Simba comandava todas as unidades de delegacia da cidade, mas costumava visitar mais aquela porque era chefiada por sua esposa. Ele sequer notou ela chegando para o tirar da perturbação de seus pensamentos.
— Simba, hora de ir. – Pronunciou Nala.
Nala era capitã da unidade. Também dotada de pele negra e longos cabelos pretos, tinha enormes atributos de organização e táticas de operações.
— Ahn...? Ah, sim! – Disse despertando – Desculpe, amor. Eu só estava pensando numas coisas...
A mulher sabia do que se tratava. Há alguns dias, surgiu uma informação sobre um carregamento ordenado pela maior organização criminosa da cidade, a “Crocuta”. Não se sabia a origem da informação, mas Simba via nela a oportunidade de fazer um ataque ao grupo e o levar ao seu fim.
— Entendi, você não quer me contar o que pretende fazer? – Questionou a capitã.
— Não, só posso te contar junto aos outros do comitê... –Disse atencioso.
— Tudo bem, Simba. Mas prometa que pensará com cuidado, ok? – Pediu Nala acariciando o rosto do marido. Ela temia o temperamento do companheiro, ele era um bom líder, dedicado, carinhoso e inteligente. Porém, quando se tratava da Crocuta, ele costumava a seguir impulsos perigosos. A organização foi responsável pela morte de Mufasa, e até hoje o chefe de polícia busca os responsáveis pelo ocorrido.
— Sempre, meu amor! – Respondeu ele, retribuindo o gesto – Agora, você está certa... Vamos para casa que amanhã temos muito o que fazer!
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Merida andava com seu skate a mil por hora. Depois de ter feito hora extra em plena sexta feira ela só queria falar mal do trabalho que amava.
A ruiva era uma jovem prodígio, formou-se mais cedo na academia e foi designada direto para a unidade de delegacia A113 para iniciar seu treinamento como cadete. Conhecida por ter uma mira absurdamente impecável, o rumor que corre pela cidade é que ela jamais errou um alvo. Agora, Merida só queria botar toda sua habilidade em prova numa missão real. Ainda era muito nova para isso, mas já contava com os suportes de pessoas que, por mais que enchessem o saco dela, acreditavam muito nela.
Andava tão rápido que nem percebeu quando chegou onde queria, logo fazendo perceber sua chegada.
— Fala aí, girls! – Disse logo puxando uma cadeira para se sentar na cafeteria Buford’s
— Arrasou, Merida. Na hora, hein! – Brincou Anna, enquanto tomava seu milk-shake.
— Affs, foram aqueles lá. Cansei de trabalhar, num quero mais! – Disse com biquinho.
— Bem-vinda à vida adulta – Brincou Rapunzel – É um saco, você vai amar!
Todas se puseram a rir. Merida era a mais jovem do grupo e, apesar de todas serem bem diferentes entre si, são amigas desde muito tempo.
— Mas então... – Começou a ruiva, depois de fazer seu pedido – Vocês tão falando de mim mas esse título é da Elsa, afinal, onde é que ela tá?
— A coitada disse que ficou presa com a organização do evento... – Respondeu Anna – Não sei se ela vai conseguir vir
Elsa era a irmã mais velha de Anna. Ambas eram herdeiras de uma vasta fortuna e da empresa de tecnologia Arendelle. Logo criança, Elsa decidiu que assumiria os negócios da família no futuro e, com a morte de seus pais enquanto era adolescente, teve que tomar conta disso mais cedo. Como criança prodígio na área de ciências tecnológicas, ela não teve problemas em entender os negócios e formar-se na área e comandar toda a empresa. Porém, isso lhe custava tempo e exibia desafios.
— Que droga...- Murmulhou a ruiva – Ela devia tá aqui pra gente organizar sua festa de anive...
— Merida! – Gritou Rapunzel – Meu, tu é jeca tatu, menina?
— Hein? Ahhhh! ÉÉÉ! Era surpresa...
— Maria José... – Disse Punzie com uma mão na testa – Enfim, então você já sabe, Anna. E aí?
— Own, vocês são muito fofas, gente! Eu topo!
— Show! – Gritou Merida — Vamos chamar todas as suas amigas da faculdade, os boy da vida, vai ser demais.
— Vai querer chamar o Kristoff, Anna? – Perguntou Punzie, com um olhar sugestivo. A loira morango sentiu suas bochechas queimarem.
— Para tudo, tá com um bofe, menina?!
— Ela tá! Sabe aquele veterinário todo bombadão?
— Quêêê? Mentira! É ele?
— É ele!
— Para, gente! – Disse Ana, vermelha como um tomate – Só chamem ele, ok?
— Você quem manda! – Falou Rapunzel – Então, a Elsa tinha sugerido fazer um baile, o que você acha?
— Eu gostei! – Respondeu ela animada.
— Pode chamar o bombadão pra dançar...- Murmulhou Merida, enquanto bebia seu café.
— Ahh! De novo nããão! – Ana sofria e Rapunzel ria das suas expressões.
— Mas pensa, prima, você poderia dançar com ele, depois sair, depois... – Anna estava começando a gostar da ideia.
— Depois o quê? – Perguntou uma voz com humor, chegando atrás das garotas, assutando-as.
— Quem é vivo sempre aparece! – Disse Merida – E aí, Elsa?
A mulher loiro platinado sentou-se junto às garotas.
— Foi mal o atraso, gente. Resolvendo negócios de um evento. Mas falem, aparentemente o papo estava bom... – Disse Elsa sorrindo.
— São essas aí que não me deixam em paz... – Pronunciou a irmã, fazendo biquinho.
— Então, prima, seguinte! — Começou Rapunzel – A jeca tatu da Merida falou para a Anna da festa dela, então agora ela sabe e vai rolar um baile finérrimo! – Elsa riu.
— Ah, isso é bom! Vou contratar também algumas pessoas para ajudar no planejamento. Afinal, estamos ocupadas e a Anna ainda tem que terminar o TCC.
— Ai, meu TCC! — Exclamou Anna, quase chorando – Tinha que me lembrar disso?! Você não me ama?!
A jovem loiro morango era estudante de medicina do último ano. Elsa até tentou impedir a irmã de entrar na faculdade porque sua única influência foi Grey’s Anatomy, mas felizmente Anna começou a pegar gosto real pela profissão.
— Justamente porque te amo que estou te lembrando! – Replicou a outra.
— Mesmo assim, prima – Pronunciou-se Rapunzel – É muito cruel!
— Punzie, você não tem ainda que terminar aqueles quadros para a exposição em Mônaco?
— POR QUE NOS ODEIA?!
— Ai, Ai – Ria Merida – Viu, comigo não tem esse estresse! É só atirar nos caras maus e sair pro abraço! E já deu a hora do meu compromisso – Disse se levantando – Beijos, gatas! Deixo vocês pagarem a conta! – Falou saindo
— Alguém conta pra ela que ser policial não é só isso?
— Shhh – Disse Punzie – Não acaba com os sonhos dela também!
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Depois de um tempo, Rapunzel também teve que ir embora para terminar sua galeria.
Rapunzel era uma artista, uma pintora de quadros razoavelmente popular. Prima de Anna e de Elsa, também vinha de linhagem afortunada, os Coronas. Sua família não havia apoiado sua vocação no início, então, contou mais com o suporte dos amigos para seguir na sua vida.
Enquanto as irmãs Arendelle se preparavam para partir para seus afazeres, uma ideia veio à mente da caçula.
— Elsa... Você acha que tem um tempo de sobra? – Indagou ela.
— Não sei, Anna. Ainda tenho muito o que fazer...
— Nem... Para dar uma passadinha no orfanato? – Perguntou com olhinhos de criança. Elsa não pôde deixar de sorrir ao ouvir.
— É! Sempre há tempo!
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— Hiro! Quer parar com isso? – Gritava Tadashi com o irmão, enquanto dirigia o caminhão.
— Fala sério! Não tem uma estação que preste nisso aqui! – Falava o jovem enquanto encostava em todos os botões do rádio.
Desistindo das tentativas de controlar o irmão, a Tadashi só restou achar graça da situação. Os dois estavam a caminho da grade exibição de projetos das indústrias Arendelle, em Epcot City. Ambos inventores excepcionais, sonhavam com a ideia de trabalhar com uma empresa centrada em inovações tecnológicas como a Arendelle. Tadashi era extremamente inteligente e talentoso, mas Hiro era o tipo de prodígio que aparecia um em um milênio. Os jovens não esperavam para ter a oportunidade de mostrar do que eram capazes.
— Mas então... – Pronunciou-se Hiro – Acha que a moça Arendelle lá vai te reconhecer?
— Provavelmente não... – Respondeu o irmão – Estudamos na mesma faculdade, mas em turmas diferentes. Eu a conhecia de nome, mas nunca nos conhecemos... – Comentou ele.
— Hunf. Fez as amizades erradas... – Brincou Hiro.
— Ah! Pestinha interesseiro! – Brincou também o irmão– Não foi assim que te criei.
— Ah, tá!
Tadashi lembrava de ter visto Elsa de Arendelle raramente pelos corredores da faculdade. Como nunca puderam se conhecer, talvez agora ele tivesse a chance de dizer um oi. Assim ele desejava impressionar a jovem dona das indústrias Arendelle.
— Hiro! Parece que chegamos! – Disse ele sorrindo, vendo a cidade de longe. Hiro festejava poder sair daquele caminhão, enquanto ambos aguardavam ansiosos passar pela placa da cidade: Epcot City – onde sonhos se tornam realidade. E assim fizeram.
É isso, meus caros,
Bem-vindos à Epcot!
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