Por Hazel Grace:

Após passar um mês inteiro ligando para o celular de Augustus, esperando cair na caixa postal só pra ouvir sua voz. Indo aos Ossos Maneiros,observar as crianças brincando,e lembrar daquele piquenique laranja. Indo as reuniões do grupo de apoio e prender o choro após ouvir o nome de Gus. Eu voltei a minha costumeira depressão. Só que dessa vez ela foi muito mais cruel. Muito mais profunda. Muito mais profunda que qualquer oceano.

Minha vida não era mais a mesmo depois de Augustus Waters. Não mesmo. Nada me alegrava mais. Nem ver os episódios de America's Next Top Model , nem ler Uma Aflição Imperial me tira essa tristeza em que me encontro.

Mais do que nunca, eu queria morrer. Encontrar com Gus nesse algo com A maiúsculo que ele acreditava. Eu sabia que meu fim estava próximo. Pensava em meus pais, e me sentia mais culpada em querer morrer .Porém eles esperam isso desde os meu 13 anos...

Chorar só me fazia pensar no meu único e grande amor. As lágrimas que marejavam os meus olhos,me traziam de volta aqueles lindos olhos azuis.

Um dia,após ter ido a uma reunião do grupo de apoio dirigindo o carro da minha mãe, eu resolvi passar em uma farmácia e comprar um remédio qualquer. Chegando em casa, joguei todos os comprimidos de Falanxifor na pia, e troquei por aqueles que eu tinha acabado de comprar. Não, eu não estava cometendo suicídio, estava apenas acelerando as coisas.

Na semana seguinte, fui ao médico.Para minha surpresa, nada tinha mudado. Eu não estava nem melhor nem pior. Meus pais acabaram recebendo mais algumas caixas de Falanxifor.

Nesse mesmo dia sonhei com Gus. Ele me pedia pra voltar a tomar o remédio certo, e dizia que ele estava bem. Falava que eu estava fazendo a coisa errada." Hazel,você fez a sua escolha. Lembra?". Pensei que fosse coisa da minha cabeça, e mesmo se for, era melhor mesmo eu parar com que estava fazendo.

Os pais de Augustus, sempre vinham em visitar. Acho que eu era lembrança mais próxima do filho deles. Eles e meus pais conversavam muito, e eu sempre voltava pro meu quarto, aquilo me fazia muito mal.

Numa noite dessas de visita, meus pais estavam na sala falando de o quanto eu havia emagrecido nesse tempo sem o Gus e do quanto era triste me ver assim.Eu fiquei meia enjoada, e fui vomitar. Quando vi estava vomitando sangue... E agora? o que faço? Grito? Corro para a minha mãe? não,meus pulmões não aguentam tanto.

Desci calmamente, falei no ouvido da minha mãe o que tinha acontecido e imediatamente ela me levou até o carro e fomos até o médico.

A metástase tinha invadido meu estômago agora.Esse era o motivo do vômito e do sangue. Será que foi por causa dos outros remédios? Ou isso já estava pra acontecer? Nunca terei essa resposta.

Fui definhando aos poucos,e por mais que eu pensasse nos meus pais eu sabia que a minha hora estava chegando, e isso não me importava.Me vi numa cama de hospital, dentro de casa,assim como vi Augustus. E eu queria que meu último dia bom,fosse com ele.

Não sei até quando vou poder escrever, mas não queria que minha história terminasse com a de Ana. Mas escrevendo isso as minhas mãos já tremem, e minhas forças vão cada vez mais diminuindo.

Bom, acho que esse é meu fim. Não é história bonita. Afinal eu não venci o câncer. Portanto espero que as pessoas não se comovam comigo, e sim vivam a vida apesar e todos os pesares...

"Alguns infinitos são maiores que outros… Há dias, muitos deles, em que fico zangada com o tamanho do meu conjunto ilimitado. Eu queria mais números do que provavelmente vou ter."

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!