Envy
1 Oneshot
Notas iniciais
Era um estúpido. Disso não tinha dúvidas. E também não tinha dúvidas sobre jamais deixar uma gota de álcool entrar em contato com seus lábios. Talvez nunca enquanto estivesse perto de quem gostava.
Por quê? Simples. Sexta feira à noite, festa da faculdade, juntamente com seu melhor amigo – e veterano – resolvera beber sem se importar. Especialmente após ver seu querido amigo aos beijos com uma garota qualquer. Era apaixonado pelo o mais velho. Mas não uma simples paixão que eventualmente passaria. Não, era muito mais complexo que aquilo. CheolYong tinha certeza que o amava há tanto tempo quanto o conhecia. E conheciam-se há bastante tempo, diga-se de passagem; um mínimo de 12 anos. Doze anos dos quais sofria silenciosamente, sempre ouvindo as aventuras amorosas de seu amigo, as quais o destruíam por dentro, pouco a pouco. Mir sentia uma inveja nada saudável daquelas garotas que tiveram aqueles lábios carnudos contra os seus, que foram seguradas ternamente por aqueles braços musculosos e que ouviram palavras de amor com aquela voz tão perfeita.
Após esvaziar uma garrafa e meia de vodka, dançado e cantado como se não houvesse amanhã – e provavelmente embaraçando sua existência – saíra carregado do local pelos braços fortes de ChangSun – braços os quais, naquela hora, queria distância. Seu zeloso amigo o deixou no apartamento o qual vivia sozinho e cuidou do garoto bêbado, que vomitava vez ou outra sobre o vaso sanitário e sequer podia levantar-se, comentando que o mundo girava rápido demais para que pudesse mover as pernas. Seu corpo estava mole, não tinha controle algum dos movimentos exagerados que fazia, tampouco do que falava.
E, por sua covardia ter sumido aquele momento, após doze longos anos, Bang declarou-se, caído nos braços de Lee. Dissera que odiava vê-lo com outras garotas e as invejava com todo o seu ser, que odiava toda vez que contava suas aventuras sexuais “Por Buda, ChangSun! Você nunca percebeu que eu travava e não sorria quando começava? Não notava meu jeito estranho?” e, para finalizar seu estado deplorável, chorara. Chorara feito uma criança que não ganhara presente em seu aniversário. Chorava com toda a dor que estava acumulada por todos aqueles anos. E, com um fraco “Eu odeio você por te amar por tanto tempo” entregou-se a Morpheu, o senhor dos sonhos.
No dia seguinte, ao acordar com um pouco de mal estar, devido ao excesso de vodka – mesmo que pura – CheolYong não encontrou o amigo em seu apartamento. Estava sozinho e, aos poucos, lembrava da besteira que havia feito.
Estava acabado. Uma amizade de doze anos terminara por algumas palavras em apenas uma noite. Era um idiota egoísta, deveria ter levado aquele segredo até seu túmulo. E, por isso, mesmo após uma semana, ainda se martirizava por ter contado e jurava que nunca mais iria colocar um pingo de álcool em sua boca.
Uma semana havia se passado, uma semana a qual evitava Joon da mesma forma que o diabo evitaria a cruz. Evitava-o na faculdade, não atendia suas ligações, não respondia suas mensagens. Não estava preparado psicologicamente para enfrentar o ex-amigo. Evitava até seus amigos em comum; sua rotina era ir para a faculdade, direto para o trabalho, direto para casa e ficar pensando no outro homem até o amanhecer, o que lhe causara enormes olheiras. Estava enlouquecendo. Sentia falta de ChangSun, mas seu coração não agüentaria ser rejeitado.
O medo e a culpa lhe atormentavam, fizeram sua saúde ficar comprometida e, mesmo que estivesse devorando um generoso pote de sorvete, estava mais magro, sua fisionomia mais frágil que antes. Estava de pijamas, deitado no sofá, enquanto assistia algum desenho animado qualquer, quando ouviu o barulho da campainha.
Ficou calado. Procurou desesperadamente o controle da televisão e a desligou, esperando que o silêncio afugentasse o visitante; mas seu plano fora por água abaixo.
- Eu sei que está aí, CheolYong-ah, eu ouvi o barulho da TV. – Soou uma voz irritantemente conhecida, fazendo o garoto mais novo encolher-se contra o sofá, após sentir um forte arrepio contra sua espinha dorsal.
- Mireu. Precisamos conversar... Não seja covarde! – Soou pedinte a voz do outro lado da porta, após certo tempo de silêncio. – Se você não abrir, eu vou gritar coisas que você não vai gostar. – Ao ouvir isso, Bang pensara nos vizinhos e na vergonha que poderia passar, correndo em direção à porta sem ao menos raciocinar direito. Abriu-a em menos de 15 segundos, encontrando um Lee com a boca aberta preparada para vocalizar algo, enquanto sua face mantinha uma expressão surpresa. – Oh... Você abriu... – Não diga, capitão óbvio. Pensou o mais novo, revirando os olhos ligeiramente. Adentrou o próprio apartamento, pronto para ignorar o outro novamente, indo em direção ao seu precioso pote de sorvete, religando a TV.
Joon ficara parado por alguns momentos sobre o corredor do lado de fora, antes de entrar e fechar a porta, deixando o casaco que vestia em qualquer canto. Aproximou-se do outro no sofá cuidadosamente, sentando-se próximo a este. Bang apenas afastou-se um pouco mais; por fora, parecia que sua atenção era completamente tomada pelo desenho que passava, mas por dentro, sua atenção estava voltada ao homem ao seu lado. ChangSun pigarreou.
- Você tem me evitado... Eu fiz algo errado? – Não, eu que fiz.
- Não, hyung. – Respondeu secamente. Joon pigarreou novamente.
- V-você se lembra da festa? – Perguntou, vacilante. Mir tencionou o corpo ligeiramente, antes de negar com a cabeça, sem despregar os olhos do desenho que passava, mesmo que não fizesse idéia de qual era.
- Você está mentindo. – Joon sorriu, quase triunfante, relaxando mais o corpo contra o sofá, postando as pernas contra a mesa de centro. E Mir odiou o fato do homem lhe conhecer tão bem.
- Não, não estou. – Retrucou, emburrado, com a esperança de o outro acreditar em sua mentira.
- Então vou refrescar sua memória. Você fez um grande estrago na festa, sabia? Tive que te carregar até aqui. Você passou a noite toda vomitando e disse que me odiava, por me amar por tanto tempo. – O mais velho fitava CheolYong com intensidade; o último, por sua vez, sentira o rosto esquentar como jamais esquentara, a vista quase embaçava e lágrimas de vergonha estavam formadas no canto de seus olhos. O corpo estava mole e por conta disso, deixou o pote de sorvete pela metade, cair ao chão. Se estivesse em seu juízo, estaria chorando pelo desperdício.
ChangSun o puxou pelo braço até seu corpo, abraçando-o fortemente; o garoto apenas retribuiu o abraço, escondendo a própria face contra a curvatura entre o pescoço e ombro do amigo, desejando que aquilo tudo fosse apenas um pesadelo.
- Você acabou dormindo, não escutou minha resposta. – Sussurrou. Mir afastou-se do abraço do outro e ameaçou fugir para seu quarto, mas o reflexo do homem musculoso fora mais rápido, que o puxou novamente contra seu corpo.
- Por favor, ChangSunie... Não vou agüentar você me dando um fora. – Pediu, chorando. Odiava-se por estar sendo tão infantil. Joon apenas riu baixo e beijou o topo da cabeça do amigo, acariciando suas costas.
- E quem disse que vou te dar um fora? – Ao ouvir as palavras de Joon, o coração do menor passara a bater tão rápido, que doía; achava que o órgão pulsante iria quebrar sua caixa torácica e pular diretamente em Joon, que era seu dono por direito. – Você acabou dormindo e não me escutou dizer – Segurou carinhosamente o queixo alheio, levantando sua face apenas para fitá-lo – que eu amo você.
Notas finais
Preciso nem falar que não gostei. Mas enfim... Talvez eu faça uma side-version, com o ponto de vista do Joon.
Reviews são sempre legais. :D
Fale com o autor