Envie-me Um Anjo
1 Envie-Me um Anjo
Envie-Me Um Anjo
O sábio disse: apenas siga esse caminho
Até o alvorecer da luz
Os passos lentos machucam os pés cansados. O caminho quebrado está vazio e frio. O concreto em pedaços dificulta o andar, fazendo com que o corpo machucado caía algumas vezes. Pele cortada, manchada com sangue. Dói continuar, sozinho em meio ao silêncio da escuridão.
O vento soprará em seu rosto
Enquanto os anos passam por você
O tempo não existe mais, as horas sumiram, os minutos fugiram e os segundos se esconderam. O dia e a noite morreram sob o calor quente da explosão do céu. Que cor o firmamento possui agora? Um azul interminável ou um vermelho tão forte quanto o fogo que surgiu? A mente indaga sem poder descobrir. Os olhos brancos não veem nada além da eterna escuridão. O vento beija os machucados e o corpo treme. A frieza da solidão.
Ouça essa voz bem lá no fundo
É o chamado do seu coração
O som volta a nascer em forma de lágrimas e murmúrios, orações que ninguém pode ouvir. Não há mais nada, somente cinzas e ruínas do que um dia foi um mundo evoluído. Alguém corre pela rua, outra grita. A verdadeira sinfonia do fim, mas na mente fragmentada existe apenas o silêncio. A escuridão não possui voz.
Feche seus olhos e encontrará
A passagem para fora da escuridão
O coração dói, o corpo parece se partir, a alma está cansada. Como continuar em um caminho que não possui fim? Não há nada para se procurar ou se obter. Lutar é difícil, reconstruir é praticamente impossível. Cansaço de tudo. A tentação da desistência.
O sábio disse: apenas encontre seu lugar
No olho da tempestade
O corpo cai, mas o chão não é mais tão duro, mas também não é macio. Áspero, fragmentado. Grãos. Areia. O barulho distante das ondas batendo das ruínas engolidas pelo oceano. Um suspiro. Dói respirar. O cheiro do mar, doce e nostálgico, trazendo sonhos de uma era que acabou em apenas algumas horas. A saudade do começo.
Procure as rosas no caminho
Mas tome cuidado com os espinhos
O mar estica a mão, tocando os dedos feridos, acalmando o coração. A onda que vai e volta, molhando, curando. Como se fosse uma canção de ninar cantada pelo mundo. Talvez a Terra esteja tão cansada quanto aqueles que nela habitam. Cansada de sofrer.
O sábio disse: apenas estenda sua mão
E encontre a magia
O ser humano chora. E então chove. O ser humano grita. E então há o terremoto e as erupções. O ser humano se fere. E então o céu se torna o lar das cinzas e o solo se quebra. Mas o ser humano também sorri. E então o céu se torna azul e limpo. O ser humano ri. E então jardins nascem e pintam a natureza com suas cores. A Terra possui um coração que bate no ritmo do coração humano.
Encontre a porta para a terra prometida
Apenas acredite em si mesmo
Mas tudo acabou. O coração da Terra dói e o do ser humano também. O corpo está machucado assim como o solo. Os olhos não enxergam mais e o céu se fecha em escuridão. O ser humano está morrendo e a Terra está morrendo ao seu lado.
Ouça essa voz bem lá no fundo
É o chamado do seu coração
O toque do mar se torna mais quente, aquecendo a pele, parecendo convidar o coração. Para onde? Por quê? O fim de tudo também é o inicio de tudo. A mente aceita o convite. O coração, pouco a pouco, vai parando de bater. O corpo machucado é envolvido pelas ondas, levado para a companhia das ruínas.
Feche seus olhos e você encontrará
A passagem para fora da escuridão
E então não há mais dor, somente a paz dos braços que envolvem a alma, das mãos que seguram o coração. Os braços da Terra, as mãos de Gaia. Ela te dá à luz, ela te alimenta e te protege durante o sono. E quando a morte vem, é ela quem o envolve e o leva de volta para casa. Ela é sua Mãe, sua Terra.
Aqui estou eu
Você me enviará um anjo?
E o tempo volta. Dias, meses, anos se passam. As ruínas continuam a existir. O caminho ainda está quebrado. O céu pintado com o azul e o vermelho. A escuridão que ameaça engolir tudo. O mar que ameaça abraçar a todos. O mundo continua o mesmo. As pessoas vão e voltam em silêncio. Alguns humanos choram com a Terra e a ela retornam. Outros preferem ignorá-la.
A Terra oferece o abraço. É a alma quem decide se irá aceitá-lo ou destruí-lo.
Aqui estou eu
Na terra da estrela da manhã
Fale com o autor