Notas iniciais
Capítulo final.

— Não podia ao menos trancar a porra da porta? – foi a única coisa que falei antes de sair correndo sem rumo para qualquer lugar longe dali.

Precisava desmoronar e aceitar o que tinha acontecido, mas não faria isso na frente de dezenas de pessoas. Meu orgulho, apesar de ferido, era a única coisa que sustentava minhas pernas em minha corrida para longe daquela maldita casa onde eu nunca deveria ter colocado os pés.

Acredito que Gustavo tentou vir atrás de mim, porém já deveria estar muito bêbado pra conseguir me alcançar. E eu agradecia imensamente por isso. Não estava nenhum pouco pronto pra ter a conversa que eventualmente teremos que ter. Eu apenas não consigo acreditar que após receber um não ele foi atrás de alguém pra transar. Qual o nível de imaturidade de alguém que faz algo assim?

Fazia um frio naquela rua e eu me encolhia, abraçando meu corpo. A brisa quando batia em meus olhos lacrimejantes causava um incômodo. Virei em algumas esquinas, dividia meu caminho entre pequenas correrias e passos mais lentos.

Eu me odiava no momento, me culpava pelo dia que dei entrada pro motoqueiro fudido se aproximar. Avistei um táxi e fiz menção para que parasse. Sentei no banco de trás, dizendo ao motorista o endereço da minha casa, e passei o caminho inteiro olhando pela janela. Lembrava-me de quando alguns amigos me diziam que foram traídos e eu tentava aconselhá-los.

Meu conselho era simples: termine com a pessoa e se livre de qualquer lembrança visível que pode te causar sofrimento. Foque sua mente em outras coisas, junte-se de seus amigos, veja um bom filme e coma o quanto quiser. Era um conselho simples de se dizer, mas não tão simples de se seguir. E por mais empatia que eu tinha no momento de dizer isso, nunca realmente imaginei o quanto aquilo doía.

Esmagando sua autoestima e te deixando paranoico, como se todos soubessem e você estava a todo tempo sendo ridicularizado. Mesmo sozinho naquele táxi, por volta de 00:30 da madrugada, uma sensação de ter olhos em cima de mim era assustadora.

Cheguei e fui direto para o quarto, torcendo para que minha mãe não estivesse acordada. Quando ela me visse os meus olhos vermelhos por ter chorado ia me encher de perguntas que eu não tinha condição de responder agora.

Passei na cozinha e procurei um comprimido que minha mãe tomava quando tinha problema pra dormir, ignorando todos os conselhos de não tomar medicação sem recomendação profissional. Eu só queria dormir o mais rápido possível e parar de pensar na maldita traição.

Tomei o comprimido, fui para o meu quarto e me despi ficando apenas de cueca. Deitei na cama e fechei os olhos esperando o efeito. Não deu muito certo, pois tenho certeza que ainda fiquei acordado por mais de vinte minutos antes de cair no sono.

Acordei, mas gostaria de continuar dormindo. Assim que meu corpo despertou, uma dor de cabeça me atingiu sorrateiramente. Mesmo assim levantei sem reclamar, talvez reclamei um pouco sim, e fui tomar um banho. Sempre achei que em momentos ruins, a água tinha o poder de me purificar novamente. De levar tudo para longe e me deixar limpo por dentro.

Saí do banho, vesti uma boxer cinza e bermuda e fui para a cozinha tomar um café. Minha mãe estava na sala, sentada no sofá e com um livro em mãos e os óculos de leitura no rosto.

— Já tá quase na hora de eu começar a preparar o almoço.

— Não vou aguentar esperar, tô morrendo de fome. – respondi pegando um pão e cortando para passar margarina.

— Voltou muito tarde? Nem percebi quando chegou.

— Um pouco. Minha cabeça tá doendo demais.

— Toma um comprimido depois. Ressaca?

— Talvez.

Coloquei café em uma xícara e comecei a devorar o pão. No banho eu pensei no que faria e prefiro não adiar as coisas. Hoje mesmo eu resolvo o lance com o Gustavo de uma vez.

[...]

Fui direto na ligação que fiz. Só conversaria pessoalmente e em um lugar que não fosse público. Ele disse que a mãe estava visitando algum parente, então marquei na casa dele, avisando o horário que ia. Atrasei um pouco de propósito, queria tortura-lo de alguma maneira, se é que isso o incomodava. Talvez ele não gostasse de mim a ponto de ficar ansioso pela conversa que teríamos.

Sem mais suposições. A porta na minha frente era o último obstáculo e ultrapassar para completar a caminhada. Duas batidas e ela se abriu revelando aquele ser tão bonito. Meus pensamentos se perderam por alguns segundos, era a última vez que podia encarar aquilo dessa maneira. E algumas lembranças me recordaram cada detalhe daquele corpo.

Já dentro da casa, permaneci em pé. Esperei que ele fechasse a porta e me encarasse. Não conseguia interpretar o que sua expressão dizia e isso era o pior. Queria saber o que ele sentia, mesmo que fosse deboche.

— Se quiser falar algo antes, eu gostaria de ouvir. – iniciei o diálogo, mesmo sabendo que nada do que ele diria mudaria na minha decisão.

— Isso vai mudar alguma coisa?

— Não.

— Fique a vontade pra falar então.

— Que bom. – tentei disfarçar a frustração por não tê-lo se humilhando a mim. – Você entende que não é só pela traição, não é? Se fosse um fato isolado, nosso relacionamento acabaria do mesmo jeito, mas há outras coisas que me fizeram perceber que não vai dar certo. Pensamos diferente, pra alguns isso é algo positivo. No nosso caso provocou uma bagunça.

— É como se eu tivesse adivinhado cada palavra que você falaria.

— Isso é bom, eu acho. Quer dizer que você me conhece pelo menos um pouco. Ontem eu me perguntava se nesse tempo juntos, você tinha apenas uma ilusão de mim ou sabia como eu realmente era.

— Desculpa. Eu fui um covarde em te trair e mesmo que um dia acontecesse de uma fora ou de outra, eu realmente acreditava que podia não ser o responsável.

— Eu queria ser maduro e tentar ao menos ser seu amigo, mas é algo que eu não consigo. Espero que conheça alguém que concorde com os seus pensamentos e que você não cometa os mesmos erros. Ou simplesmente seja feliz ficando com o mundo ao redor.

— Sem namoros pra mim tão cedo.

— Okay. Já vou indo então.

— Deixa que eu te levo na minha moto. Vai ser difícil pegar um táxi por aqui.

— Vamos então. – o motoqueiro pegou a chave e esperei do lado de fora que ele tirasse a moto da garagem. – Eu vou ficar na casa de um amigo. – subi na moto e abracei sua cintura para me equilibrar, já que ele costumava andar em alta velocidade. Era a última vez que eu o sentiria tão perto.

— Amigo?

— Sim.

Flashback

“Você tem o número do Henrique? Se tiver me passa.”

Não queria contar tudo o que aconteceu a Carol por mensagem. Prefiro fazer isso amanhã pessoalmente na escola. E por que eu queria o número do Henrique? Talvez isso seja um pouco fácil de imaginar.

“Oi? O que você quer com o Henrique?”

“Amanhã eu te explico. Tem ou não?”

Carol enviou o contato e eu terminei a conversa avisando que amanhã a gente conversava. Hora de ver como anda meu poder de persuasão.

“Henrique? Não sei se lembra de mim. Sou o Beto, amigo da Carol. Então, a nossa última conversa não terminou tão bem e eu sei que nunca te procurei pra poder resolver isso. Só quero que saiba que eu sinto muito por qualquer constrangimento que te fiz passar e se ainda tiver interesse na minha amizade, podemos tentar.”

Eu estava muito ansioso em saber sua resposta. As chances de ele me ignorar ou me tratar mal são altas depois do que aconteceu na festa que fomos – que eu nem lembro direito, porque havia bebido horrores – porém não vou desistir tão fácil.

“Oi Beto. Fiquei surpreso com a sua mensagem, realmente não esperava. Talvez a gente possa tentar resolver isso sim.”

“Ótimo. Seria melhor se fosse pessoalmente. Vamos marcar?”

“Eu divido apartamento com dois amigos da universidade, mas eles viajam no fim de semana e só voltam na segunda pela manhã. Se quiser vir aqui hoje, a gente pode conversar a vontade.”

“Me manda o enderenço e eu dou um jeito de aparecer por aí hoje”

“Tô te esperando então”

E não é que foi mais rápido e fácil do que eu pensava? Talvez não seja mérito meu e o Henrique tenha problemas de amor próprio, mas pra quê questionar? Meu único objetivo é ter onde afogar as mágoas. Posso estar sendo errado ao usar uma pessoa pra isso, porém vou tentar ao máximo deixar claro que será algo casual. Transando bem, que mal tem afinal?

Flashback end

— É aqui que seu amigo mora? – Gustavo perguntou tirando o capacete. Estávamos parados em frente ao prédio do endereço.

— Sim. Obrigado por ter me trazido.

— Imagina. Então...

— Tchau Gustavo. – desci da moto e lhe entreguei o capacete que usava.

— Não seria um adeus?

— Não gosto de tratar nada como definitivo. Podemos nos ver novamente, Rio de Janeiro não é assim tão grande.

— Certo. Tchau Beto. – ele deu um sorriso antes de colocar o capacete de volta e sumir da minha vista.

Fraquejei por um momento, pensando no que estava prestes a fazer. Sem arrependimentos Beto. Pode ser melhor do que você imagina. Talvez até consiga um novo amigo.

Avisei ao porteiro que vim visitar o Henrique e ele ligou para o interfone. Disse para que eu esperasse porque o garoto viria pra me acompanhar e abriu o portão para que eu passasse pro lado de dentro.

— Você veio mesmo. – Henrique apareceu na minha frente com um sorriso. Sem camisa e usando uma calça moletom.

— Como eu disse.

— Vamos? – apenas acenei com a cabeça e o segui. Ele morava no segundo andar e o apartamento parecia espaçoso, ideal já que ele dividia com mais duas pessoas. – Você quer água, cerveja?

— Por enquanto não. Então você mora com amigos? Deve ser legal.

— Sim. Eles são responsáveis e não deixam o apartamento um lixeiro. É o suficiente.

— Eu tava pensando em dividir apartamento ou morar numa república sabe? Só pela experiência mesmo. Porém minha mãe não iria concordar.

— A minha mãe não teve muita escolha. A gente morava em Angra antes e não podia poder essa oportunidade, então me mudei. Antes meus pais me mandavam dinheiro pro aluguel e outras coisas, mas agora eu tento me virar com o dinheiro que ganho do estágio.

— Você tá em qual período mesmo?

— No terceiro. Confesso que já tô com a cabeça bem fudida.

— Que horror.

— É bem assim. – ele riu e olhou firmemente para mim – Por que não vamos direto ao ponto? Posso parecer lerdo, mas não é bem assim.

— Claro. Estava pensando que, do jeito que te tratei da última vez que nos vimos, eu mereça uma punição. E o melhor para aplicar essa punição seria você.

— Não sei bem se a punição que eu tenho em mente pode ser considerada assim. Você pode acabar gostando.

— Tenho certeza que não gostarei mais do que você.

Henrique caminhou em passos lentos até mim. Ao chegar perto o suficiente aproximou-se do meu ouvido e sussurrou:

— Eu quero você.

— Então tome para si.

[...]

— Eu não tô acreditando que você foi deixou o Gustavo te levar até o apartamento do Henrique, que você pegou depois.

— Não era o plano inicial. Eu ia pegar um táxi pra chegar lá, mas não pude recusar uma carona.

— Esse lado seu estava dormindo por quanto tempo?

— Talvez pela vida toda. Agora que tô te contando me parece a maior sujeira, mas na hora era uma ótima ideia. E devo confessar que foi legal com o Henrique.

— Será que ele gosta de você de verdade?

— Espero que não. Tentei deixar claro que não tinha planos de entrar num relacionamento tão cedo, mas que podíamos tentar ser amigos.

— Por que não me contou tudo isso ontem? Aconteceu mais coisa nos últimos dois dias da sua vida do que no ano pra mim até agora.

— Sei lá, era melhor contar pessoalmente. Ainda não consigo parar de pensar nele. Devo ter pensado que depois de ficar com o Henrique, tudo isso teria acabado. Eu não achava que as coisas acabariam desse jeito.

— Ele foi um cuzão mesmo. Não aceitou o seu não e foi atrás de outro. Pensa que é melhor ter acabado logo. Você iria se ferir muito mais se acontecesse mais tarde.

— Tipo, eu apresentei ele pra minha mãe. Meu pai, que é um avulso na minha vida, me perguntou sobre ele. Nós estávamos em um nível muito alto e eu sinto como se tivesse caído do último andar de um prédio e precisasse de várias cirurgias pra poder me recompor.

— Tem certeza que é jornalista que você quer ser? Aposto que se daria super bem na escrita.

— Estamos mesmo gazeando aula?

— Isso é o de menos. Você vai ficar bem?

— Queria poder responder com certeza que sim. Isso deve ser carma por todas as vezes que eu menosprezei seus sentimentos pelo Diego.

— Vem cá. – Carol me puxou pra um abraço. – Ninguém pode te machucar. Você é minha preciosidade.

— Tarde demais.

— Ainda temos longos meses pela frente e se precisar eu vou cuidar de você. Foco universidade, não?

Meses depois...

O que dizer desse ano que está acabando? Acaba logo de uma vez, pelo amor. Eu não sei quem teve a ideia de permitir que alunos do 3º ano fizessem o vestibular. Por que já não é suficiente você se preocupar com o fim da sua fase escolar, não é? É preciso que você já comece a focar no ensino superior, emendando duas coisas tão importantes e te sufocando.

Minha consciência tá um pouco pesada porque sinto que não estudei o suficiente, não dei o melhor de mim. Vários dos meus colegas estão relaxados e fazem piada sobre isso, mas meu coração tá a ponto de estourar com a proximidade do futuro.

Um clima de despedida já tomou conta na escola. Apesar de saber que manterei Carolina na minha vida, espero muito que sim, não será a mesma coisa depois. Não teremos o mesmo tempo, as mesmas horas de conversa e brincadeiras.

Nossa amizade só evoluiu com o passar dos meses e ela foi de grande ajuda pra tudo. Nós vivemos grudados e se eu fosse atraído por mulheres, aposto que seríamos os maiores namorados que o mundo respeita. Sua situação amorosa continua meio parada igual a minha. Algumas vezes a gente sai e acaba ficando com alguém, mas tem sido raro.

Quem eu também fiquei mais próximo foi da Luana, enteada do meu pai. Ela realmente decidiu vir morar no Rio no próximo ano e já planejamos várias coisas. Falando no meu pai, suas visitas estão cada vez mais constantes e estamos começando a nos aproximar mais. Sua relação com a minha mãe também melhorou e eles até fazem piadas um do outro, ou sobre mim.

Minha mãe arranjou um namorado no local onde ela trabalha e eu o vejo às vezes quando ele vem jantar aqui em casa ou aparece para leva-la para algum lugar. É um rapaz simpático e não tenho o que reclamar dele. Dona Cláudia parou de pegar tanto no meu pé agora que namora.

Henrique é outro com quem falo de vez em quando. Só ficamos aquela única vez, apesar da insistência dele. Tenho medo de dar falsas esperanças e depois ficar com a consciência pesada. Ele tem me ajudado dando algumas dicas para que eu consiga a aprovação e também me apresentou alunos de Jornalismo com quem tirei algumas dúvidas sobre o curso.

E não. Nunca mais tive contato com o Gustavo. Tento não pensar tanto nisso, o tempo certamente ajudou. Talvez ele tenha encontrado alguém pra viajar pelo Brasil e esteja se divertindo muito. De qualquer forma, agora vejo que o melhor foi o nosso término. E ainda há várias lembranças boas que eu nunca vou esquecer. Por exemplo, quando paguei boquete numa praia, mesmo que vazia.

Sinto que me tornei mais corajoso nesse ano, mas estou ansioso pelo que vem. E vou ficar muito decepcionado se não estiver na universidade no próximo ano.

A companhia tocou e eu espero que seja Carolina. A gente marcou de ela vir até aqui e dormir na minha casa pra irmos juntos fazer o vestibular – que já é amanhã – já que é mais perto da minha casa do que da dela.

— Desculpa pelo atraso. Eu trouxe pizza. – falou assim que eu abrir a porta.

— Utilizando de comida pra tentar deter minhas reclamações. Bom plano. Acho que ainda dá tempo de ver aquele filme.

— Nem sei se vou conseguir prestar atenção em filme, tô tão nervosa.

— Ah, agora que você tá nervosa? Eu passei meses em aflição, essa dor é minha.

— Vamos ver logo esse filme antes que você comece a me dar sermão.

— Okay. Pega o refrigerante e dois copos enquanto eu vou colocando o filme.

Conectei o pen-drive na televisão e selecionei o filme. Carol voltou com dois copos e o refri e abrimos a caixa de pizza de calabresa e frango catupiry.

— Esse filme é o quê mesmo?

— Pelo trailer parece uma comédia romântica.

— Tudo bem então.

A história do filme era basicamente sobre um rapaz que descobria que os homens da família podiam voltar no tempo em situações que eles vivenciaram e mudar os acontecimentos. Pode não ser tão original, mas o enredo e os personagens ganharam o meu amor e já se tornou um dos meus filmes mais amorzinhos. Como eu não consigo ver um filme em silêncio, vez ou outra comentava alguma cena e Carol se chateava por eu não conseguir ficar calado.

O filme tinha cerca de duas horas e quando acabou eu já tava bocejando de sono. Foi uma boa distração pra quem vai fazer uma prova que pode definir seu futuro no dia seguinte.

— Se você pudesse voltar no tempo e mudar alguma coisa, o que seria? – Carol perguntou quando eu desliguei a televisão.

— Acho que nada. É aquele de não se arrepender do que te fez ser quem você é hoje. E eu gosto da pessoa que eu sou hoje.

— Não mudaria nem o fato de ficado com o Gustavo?

— Sabe que não. Foi uma espécie de conto de fadas moderno. – ri ao lembrar de como tudo começou. – Eu paralisado sendo assaltado e de repente aparece meu príncipe de moto me salvando. Algum dia ainda poderei lucrar com essa história. E também se eu mudasse alguma coisa, perderia um ótimo sexo, porque ele era maravilhoso.

— Tem certeza de que já superou?

— Não penso tanto nele quanto antes. Quando me lembro, me sinto um pouco triste, mas logo procuro me equilibrar. O importante é que eu não sofro vinte e quatro horas por dia por alguém que não faz parte da minha vida mais.

— Assim que se fala. Agora vamos dormir se não a gente acorda morrendo amanhã e já viu né?

— Tem razão.

Ajudei Carol a arrumar o colchão que eu tinha separado para ela. Insisti pra que ela dormisse na minha cama e eu ficaria no colchão, mas a orgulhosa recusou. Depois de entregar a ela o travesseiro e edredom deitei na minha cama e peguei meu celular. Tinha três mensagens do meu pai.

Boa sorte amanhã. Independente do resultado eu quero que saiba que você me dá muito orgulho e sempre poderá contar comigo, filho.

Ah, não sei se é a melhor hora pra dar a notícia, mas você terá um irmãozinho ou irmãzinha. A Laura tá grávida.

Descansa! Nos falamos depois.

— Por que tá olhando pro celular como se um ET fosse sair dele? – Carol perguntou me tirando do transe.

— A namorada do meu pai tá grávida.

— Isso é ruim?

— Sei lá. Eu realmente tive um pai nos últimos meses. Agora acho difícil pensar que ele continuará tão presente.

— Eu não acho. Vocês se aproximaram tanto, ele não vai te largar assim. E também pensa que ele ganhou uma segunda chance pra fazer a coisa certa desde o início e ser um pai melhor.

— Você tem razão. Agora vamos dormir de uma vez. Boa noite Carol.

— Boa noite Beto.

E assim termina essa parte da minha vida. E ao mesmo tempo amanhã começa algo novo, independente do resultado. Algo que aprendi nessa jornada foi que não controlamos nossos sentimentos. Às vezes precisamos deixar que eles nos comandem.

Eu perdi o rumo do controle sobre eles, mas isso não é totalmente ruim. Agora sinto que sou uma pessoa mais capacitada a demonstrar amor e a deixar as pessoas se aproximarem em qualquer momento.

Ainda há muito para aprender e eu gosto de pensar que terei uma longa vida pela frente. Do que adianta ficar com medo e deixar de fazer planos por que o amanhã é incerto? E enquanto penso no futuro, não deixo de viver o presente. Afinal o presente é de certa forma o nosso futuro, não é? Na minha louca filosofia sim.

Essa foi apenas a primeira parte de uma autobiografia de alguém que pretende ser um grande jornalista. Ou como gosto de chamar, foi uma entrevista com um garoto. Um garoto comum, que pode ser qualquer um, e que está em qualquer lugar.

Notas finais
Comentar te assusta? jsnskjsjk Estou escrevendo uma nova fanfic e devo postá-la na próxima semana. Segue a sinopse abaixo: Felipe e Yuri são dois irmãos que vivem em constante conflito. Enquanto Felipe tem mais proximidade com o seu pai, Yuri tem sua mãe como anjo da guarda. As frequentes brigas dos dois provocaram consequentemente brigas entre os seus pais, até chegar ao limite. Com a ameaça de um divórcio, os dois irmãos terão que se aliar para unir novamente seus progenitores. Mas as mágoas do passado e as travessuras do presente podem acabar os afastando ainda mais. Quem se interessar é só ficar de olho no meu perfil e assim que lançar deixaria aqui nesse capítulo o link. Beijos!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!