Entretenha-me, Sebastian
18 Achtzehn
Notas iniciais
Sebastian alimentava Freya e Betty no jardim, havia levado leite para a pequena e carne em uma grande vasilha para a outra.
— Esta é a mais pura carne de cordeiro, aprecia-lo querida. — afagou a cabeça da tigresa.
Levantou-se antes que tivesse ainda mais vontade de ficar ali e pega-las no colo, sabia muito bem que esse comportamento em meio a horário de trabalho resultaria em um belo e longo sermão do jovem Mestre.
— Tenho de retirar-me por agora, senhoritas. — fez uma breve reverência — Tenho um pequeno Mestre para servir.
Tirou do fraque seu relógio de prata, verificou rapidamente o horário; faltavam exatamente quinze minutos para o chá das cinco ser servido, e tinha de se apressar. Pelo cronograma do dia, o garoto teria uma aula de violino após o chá.
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Ciel olhava para a xícara, o líquido quentinho, o cheiro de chá. Qualquer coisa o distraía naquele momento, até mesmo o tipo minucioso de desenho que fora feito na delicada porcelana azul. Sebastian estava a sua frente, parado e sem qualquer tipo de expressão, mantinha-se de comportamento neutro desde que entrara no cômodo para despertá-lo.
E isso o irritava.
Queria muito algum tipo de explicação da parte do mordomo, foi quando se deu conta.
Explicação do que exatamente? Se fora ele próprio quem provocou a discussão? Suspirou irritado. Torcia para que o moreno pudesse tirá-lo de aquela situação, ele não conseguia sair sozinho, e caso fizesse, lógico que a primeira frase que iria ouvir seria “Que atitude infantil vinda do jovem Mestre que se considera tão adulto”, e de bônus aquele sorrisinho sarcástico.
Odiaria ser chamado de infantil.
— Podes dizer de uma vez. — disse baixinho.
Sebastian que olhava para a janela, observando os pássaros que voavam de árvore em árvore, dirigiu seu olhar para o garoto a sua frente. Ciel estava com a cabeça abaixada e escondida nas mãos; a xícara de chá, agora vazia, havia sido empurrada para o lado.
— Perdoe-me? — Sebastian não havia entendido.
— Podes dizer o que pretendes sobre ontem.
O mordomo levantou uma sobrancelha, estranhou aquela frase do jovem; suspirou.
— Não tenho nada a dizer-lhe sobre, apenas fora uma falha minha.
— Não estavas a tratar disso. — segou os seus cabelos mais fortemente — Achei que tivesse descoberto…
— O que?
Parou para analisar a reação de Ciel na noite anterior e o comportamento de agora. Sorriu ao perceber que sua hipótese estava mais que certa. Então tudo aquilo fora apenas uma crise de ciúmes?
— Que infantil de sua parte, não?
Pôde ver o olhar mortal que lhe fora lançado, seu sorriso aumentou.
— Pare com esse sorriso cínico.
Sebastian pegou a mão direita do garoto e o fez ficar de pé. Suas mãos pousaram em seus pequenos ombros e inclinou-se até ficar da mesma altura. Sabia que Ciel odiava esse gesto, era como um insulto para com seu tamanho, mas naquele momento não fizera isso para irrita-lo.
— Não precisas explicar nada, e nem pedir desculpas. Como demônio eu sei o que sentes e compreendo, só fiquei calado porque eres meu Mestre, tenho de seguir suas ordens. E se me pedires para sair eu saio.
Pôde ver as bochechas coradas do garoto, sorriu. Sabia que ele o amava, e sabia que tinha conflitos internos e por ser esse teimoso não gostaria de dividir com o mordomo.
— Daremos como assunto encerrado. — o mordomo fez uma reverência ao sair do escritório.
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Pela noite, Sebastian abriu a porta do quarto, deixou o garoto passar e logo em seguida a fechou. Ciel sentou-se na beira da cama e suspirou pesadamente. Tinha resolvido a preço dos produtos que seriam vendidos por tempo limitado e ainda pensava em dobrar a produção da coleção Black Rabbit. A linha de perfumes também teve grandes vendas.
— Estou cansado. — resmungou — O que teremos para amanhã?
Sebastian retirou-lhe o colete, a fita verde de sua blusa já tinha deslizado pelos seus dedos. Deu uma rápida olhada para o garoto; os sapatos estavam ao seu lado, foram os primeiros a serem retirados.
— Bom, amanhã posso dizer-lhe que teremos a visita de Sr.Kirkland como visita principal.
— E tenho mais alguma visita?
— Não. — estendeu-lhe uma xícara com leite quente e mel.
— Ótimo. — tomou o primeiro gole e fechou os olhos, sentia os músculos de seus ombros um tanto duros e franziu as sobrancelhas, incomodado. Parece que Sebastian percebeu e logo fez o garoto se sentar de lado; posicionou-se atrás dele — Que pensas que está a fazer?
— Apenas relaxe.
O moreno retirou o fraque e dobrou as longas mangas de sua camisa branca, ainda de luvas, passou a massagear o pescoço e os pequenos ombros do conde. Seus dedos eram longos e bem macios ao ver de Ciel. Suspirou cansado e levou a xícara aos lábios novamente.
Aproveitou o máximo daquela massagem até enfim adormecer nos braços do demônio.
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Ciel franziu o cenho assim que os dois homens, discutindo, descerem da carruagem. Olhou para Sebastian e novamente voltou-se para os homens.
— Quantas vezes eu já lhe disse para parar de flertar qualquer dama que se aproxima? — Arthur estava de braços cruzados e com uma cara feia para o outro homem.
— Deixa de ser chato Artie. — o desconhecido tinha os cabelos loiros e compridos parecidos com o de Druitt, não só isso, mas também nas roupas que trajava, podia quase ter certeza que até mesmo o olhar era parecido. Apenas essa comparação fez com que o garoto tivesse diversas ondas de arrepios pelo corpo. — Hm~ Isso deve ser inveja, pois eu faço mais sucesso com as jovens damas do que tu, bêbado do chá.
Sebastian pendeu um pouco a cabeça, esperava algum sinal do jovem Mestre para que pudesse apartar aqueles dois loiros.
— Eu só enfio-lhe a mão nessa tua cara deslavada porque eu sou um cavalheiro britânico.
Arthur resmungou algo e foi em direção ao conde para cumprimenta-lo.
— Bom dia, jovem Phantomhive. Peço perdão por ter trago esse inútil atraso de vida que é o Francis. Ele não parou de me atormentar querendo vir conhecê-lo.
— O que? — levou a mão direita ao peito fazendo bico de choro — Eu fui á sua casa e tu estavas de saída. Claro que eu não iria desperdiçar meu tempo para ficar olhando o Big Bang.
— Estás vendo como este tipo é infantil? Ainda por cima é inútil. — virou-se para ele — Podias ter passado mais tempo pra treinar seu exército sabe? Perdedor.
O tal do Francis aproximou-se e deu um beliscão no braço do inglês.
— Pare de querer me diminuir na frente das pessoas. — ajeitou o lenço de seu cravat e todo pomposo fez uma reverência; pegou a mão do conde e beijou-lhe — Eu chamo-me de Francis Bonnefoy, ou de França, país do amor e irmãozão do Iggy, apenas. É um enorme prazer conhecer o jovem Conde que faz o trabalho pesado que Artie não consegue dar conta e… — apenas sentiu-se ser enforcado com o próprio cravat.
— Desculpem-me novamente, parece que cometi um erro. — e saiu arrastando o loiro de volta para a carruagem.
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Ciel estava no jardim com os convidados, esperava Sebastian trazer o almoço; fazer a refeição naquele lugar fora opinião de Francis. O garoto analisou bastante o comportamento de ambos. Sabia que Arthur se portava como um excelente cavalheiro britânico, sendo o pai desse estilo; já o francês… apesar e também ter seu porte elegante e charmoso — percebeu que até mesmo estava interessado na elegância e o charme de seu mordomo — pôde ver que ele era meio sarcástico. Tá, muito! Ainda mais quando dirigia a palavra ao inglês.
Então começava uma pequena discussão entre os dois. Não podia negar que até era interessante vê-los, pois era divertido ver que a paciência de Arthur para com Francis era quase nula. Bastasse um riso de escárnio e o loiro jogava todo seu cavalheirismo no chão para lhe atacar verbalmente.
Quem diria que assistir a discussões de países seria tão interessante assim.
— Seu mordomo pretende me seduzir trazendo lagosta azul para o almoço. — levou as mãos ao peito, pequenas rosas pareciam flutuar sobre sua cabeça, até mesmo brilhava.
— Sebastian apenas faz seu trabalho.
— Caras que cozinham divinamente… — o loiro olhou e sorriu sarcástico para Arthur — merecem meu precioso respeito.
Ciel percebeu que o inglês se remexeu desconfortável na cadeira, provavelmente segurando a vontade de avançar no pescoço do outro, soltou um sorriso divertido, seria interessante ver o quanto ele aguentaria as provocações.
— Obrigado pelo elogio, mas é como o jovem Mestre disse, faço apenas meu trabalho como mordomo. — sorriu.
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