Notas iniciais
Pessoal, postei os dois primeiros capítulos hj, mas o próximo vai ser na próxima semana. Ja vou deixar programado para sexta que vem. Não sei ao certo quantos capítulos vão ser, mas não devem ser muitos, afinal, devido a própria proposta da fic, não da para inventar muita coisa...

NICO

Em sua defesa, a porta estava quebrada!

Nico obviamente ficou com o pior quarto... Ele já estava se acostumando a dormir na torre de observação do Argo II, lugar onde havia um colchão, mas após a explosão da bomba de vento, esta tivera que ser interditada para reparos, que por sinal, sem Leo eram muito mais demorados. Teve que se transferir para o único aposento em estado para abrigá-lo... o de Percy Jackson. Claro. Porque sua vida não tinha ironias o suficiente ainda. Seria obrigado a dormir na mesma cama em que o filho de Poseidon dormira durante semanas, sendo constantemente lembrado pelo próprio ambiente que Percy estava perdido no Tártaro com sua namorada Annabeth.

Ao menos ele não estava mais congelado... Nem mesmo percebera direito o que acontecera. Num minuto descia com o cetro, no outro virara uma estatua de gelo sombria, o que fora realmente desconfortável e humilhante.

Mas havia um ponto positivo em sua estadia naquele quarto. O local era o mais reservado do navio. Desde que Percy se fora, o aposento virara uma espécie de santuário. Nenhum dos outros membros tinha coragem de entrar ali, pois sabiam que seriam automaticamente atingidos por uma onda de tristeza e saudades. Talvez pensassem que Nico fosse imune à isso. O grupo não compreendia como, na realidade, aquela situação era especialmente delicada para ele. Ficar naquelas paredes era torturante, mas ele não poderia explicar aos outros o porque, então nem mesmo se queixou de ter que ficar ali. Apenas Jason compreendia, ou ao menos pensava compreender, o que ele passava. Quando ouviu a noticia da provisória mudança do garoto, o filho de Júpiter se ofereceu para hospedá-lo em seu próprio aposento.

– Podemos colocar um colchão em meu quarto se quiser, cara. – dissera o loiro. – Vão entender por que não quer ficar no quarto de Percy...

– Não se preocupe comigo. – Nico falara secamente, já cheio da intromissão de Jason. Desde que descobrira o seu... segredo, o garoto começara a achar que o entendia. O tratava agora como se fossem melhores amigos. Exceto que Nico não tinha amigos. Ouvia os comentários que os outros faziam por suas costas, sentia a hesitação deles cada vez que ele se voluntariava para uma missão. Era como se ele fosse o inimigo. Entendia. Se sentia da mesma forma. Por isso nunca nem mesmo consideraria dividir o quarto com Jason Grace. Já era ruim o suficiente ter que ficar muito tempo no mesmo navio que eles, mas dormir ao lado de alguém seria incômodo de mais. Mais até do que ter de passar as noites nos aposentos de Percy, impregnado por lembranças ruins.

– Certo. – Jason sentira seu tom. –Pode ficar então com o quarto de Leo. Esperamos encontrá-lo logo, mas até lá...

Aquela era uma ideia ainda pior. Assim que Leo retornasse, se é que iria retornar algum dia, ficaria reclamando por terem permitido sua estadia em seus aposentos. Como se o lugar que Nico tocasse ficasse poluído por sombras ou algo do tipo. Não. Preferia os aposentos de Percy. Ao menos seria solitário, como estava acostumado.

Nico colocou as poucas coisas que tinha, o cetro e a espada, além de uma muda de roupas que Jason o emprestara para passar a noite ou usar enquanto lavava as suas, embora ficassem folgadas, em cima da cama. Depois se sentou e examinou o quarto. Era pequeno, e como um aposento normal de semideus, não havia muitas coisas, mas os detalhes eram que caracterizavam o lugar. Algumas fotos se espalhavam pela parede. A maioria era da garota loira quem a maior parte do grupo ainda pensava quem ele era apaixonado, Annabeth Chase. A filha de Atena sorria na maioria, mas em algumas estava com cara de emburrada, como se reclamasse de alguma estupidez feita por quem as havia tirado (E Nico podia imaginar quem era esse). Em outras, ela não era a única a aparecer. Percy Jackson também dividia o espaço retangular das fotografias, sempre fazendo coisas bestas ao lado dela. Uma careta, um sorriso desleixado ou lhe dando um beijo na bochecha ou na boca. Em uma delas, os dois estavam sentados na areia de uma praia ou lago. Percy segurava dois sorvetes azuis enquanto sorria e Annabeth lhe dava um beijo na bochecha. No canto inferior do papel, estava escrito: Feliz Aniversário, Cabeça de Alga. Os poucos momentos ali lhe deixaram claro que eram um casal feliz, o que amplificou o efeito de sua tragédia, terem caído no Tártaro e permanecerem lá até o momento.

Nico desviou os olhos. Encarar a imagem se tornava insuportável. Ainda mais... Ainda mais ao ver que Percy vestia apenas uma bermuda de banho... Nico removeu a foto da parede e a deixou de cabeça para baixo na cabeceira. Depois prendeu a espada ao cinto e saiu do quarto.

Passava pelo corredor do navio, que estava em estado deplorável. A madeira rangia e ainda podia encontrar pedaços de gelo em alguns cantos. A explosão não danificara o Argo II a ponto de afundá-lo, mas inutilizara algumas partes de importância não vital, mas ainda importantes. Principalmente para o convivo social... As trancas do banheiro e de seu quarto (ou quarto de Percy) eram um exemplo disso. Quando a ventania invadiu o navio, forçara algumas portas, derrubara alguns quadros e danificara o sistema de climatização instalado por Leo. Agora, ao invés de a temperatura estar sempre ideal para quem ocupava os aposentos, parecia ser ao contrario. Sempre estava ou muito frio ou muito quente, principalmente porque estavam nos domínios do Vento Sul, Austro/Noto, o vento mais inconstante de todos.

Jason dissera que falaria com ele e conseguiria ajuda para saírem dali, e encontrarem Leo, mas nenhuma das duas coisas haviam sido atendidas ainda.

Nico estava tão distraído em seus pensamentos que nem vira que o banheiro estava ocupado. Abriu a porta e, assim que o fez, notou que o chuveiro estava ligado. A cortina voou para o lado e ele pôde visualizar claramente os corpos despidos de Piper e Jason, quem se abraçavam no momento anterior à sua chegada. A garota deu um grito de espanto, o que só fez piorar o constrangimento de Nico. Suas bochechas pálidas ficaram vermelhas e ele levou algum tempo para conseguir pensar no que fazer.

O casal molhado também demorou a se recuperar do susto. Jason puxou uma toalha tentou usar para se ocultarem, mas o tecido era muito pequeno para esconder os dois. Jason envolveu Piper com um braço, protegendo seus seios, e com o outro tentava segurar o pano branco, que conseguia apenas cobrir suas áreas baixas. O resto de seus corpos, no entanto, ainda estava expostos, refletindo gotículas de água.

–Nico... –Jason falou com a voz em um tom indecifrável. Provavelmente era uma mistura de raiva, vergonha, desespero e algumas outras coisas que deviam estar passando por sua cabeça.

–Ah, – Nico gaguejou ainda imobilizado à porta. –Me desculpem... Eu não sabia que estavam... Que estavam... – Mas não encontrou uma palavra adequada para descrever a cena. Ao menos uma que não fosse ainda mais constrangedora.

– Nós só estávamos quentes... – Piper tropeçou nas palavras. – Quer dizer... com calor! Estávamos com calor!

Nico notou a toalha branca escapulindo da mão de Jason eventualmente, mas ele tornava a colocá-la no lugar. Passos apressados apareceram atrás dele, mas ele só pensou em se virar quando era tarde. Hazel e Frank surgiram no banheiro e se esbarraram em suas costas, forçando-o a chegar mais próximo do casal constrangido.

– Ai, deuses... – falou Frank envergonhado ao perceber o que ocorria ali.

Hazel também corou.

– Desculpem... Ouvimos Piper gritar e pensamos... é...

– Pessoal... Isso não é nada... Só estávamos...

Mas nem mesmo Jason conseguiria inventar uma desculpa numa hora daquelas. Já era óbvio para todos o que ocorrera ali. Nico só se amaldiçoara por não ter batido à porta quebrada. Poderia ter se poupado daquela situação.

– Podem parar de olhar, por favor? – Piper falou com charme. Nico nem mesmo conseguiu interpretar as palavras que sua cabeça já estava se virando de lado, saindo do campo de visão dos dois.

–Desculpem! –Frank gemeu e também olhou para fora do banheiro. –Precisamos mesmo que... sair.

Ao falar isso, ele puxou Hazel para fora do banheiro e os dois desapareceram. Nico aproveitou a deixa para segui-los para longe dali.

...

Passou o resto do dia no convés, ajudando o grupo a concertar o navio. Jason e Piper subiram bem depois, mas obviamente ninguém tocou no assunto do banheiro. Na verdade, Nico duvidara que essa conversa fosse vir à tona algum dia. A menos que fossem um bando de adultos felizes, relembrando o passado enquanto bebiam e falavam: “Ei, se lembram de quando tínhamos que encontrar Leo, chegar na Casa de Hades, salvar Percy e Annabeth do Tártaro e derrotar Gaia junto com o seu exército de gigantes, e encontramos Jason e Piper tomando banho juntos? Foi hilário... Bons tempos...”. Primeiro, ele sabia que não viveria para tanto. Depois, mesmo que, por algum milagre, não morresse naquela missão, duvidava que seria o tipo de adulto tão sociável.

O treinador Hedge martelou alguns pregos em tábuas, satisfeito com o seu trabalho e gritando coisas como: “Vamos, molengas! Chamam isso de trabalhar? Isso, martelem! Duvido que consigam me alcançar nesse nível...”. Ao menos o sátiro gostava do trabalho cansativo. Ao final do dia, Nico já se sentia exausto. Seus braços doíam e a camisa que Jason lhe emprestara (ele colocara a sua para secar) estava encharcada de suor. Seus cabelos negros estavam tão molhados que cobriam quase que seus olhos por completo, fazendo a simples habilidade de enxergar algo bem complicado.

Ele desceu as escadas e foi sua vez de tomar banho. Mas não foi uma chuveirada muito relaxante. Tinha medo de Jason ou Piper resolverem lhe dar uma lição e apareceram ali a qualquer momento. Tinha que ficar ajeitando a cortina torta todo o tempo, impedindo-a de cair, e, qualquer barulho que escutasse, ele apanhava a toalha pronto para se cobrir. Por sorte os jovens não tramaram nada cruel contra ele. Talvez entendessem que a entrada dele no local havia sido apenas um acidente. Não sabia que havia alguém ali, muito menos um casal trocando carícias intimas. Nem mesmo notara que os garotos já estavam tão íntimos no relacionamento. Vai ver porque passava a maior parte do tempo afastado do grupo, tentando obter informações dos espíritos.

Nico imaginava o que deviam pensar dele agora. Piper devia vê-lo como um tarado, que, sentindo falta de sua “amada” Annabeth, resolvera espiar enquanto se banhava. Já Jason, esse sim o incomodava de verdade. Nico sabia que ele sempre tentava ser simpático quanto a sua... condição. Sempre tentava dizer que os outros o aceitariam por quem ele era. Mas agora, saber que o garoto conhecia o seu segredo, suprimido dentro dele por tanto tempo... Isso sim o deixava apavorado. E se o filho de Zeus (ou Júpiter) pensasse que ele entrou lá com o objetivo de vê-lo? E se estivesse contando a verdade para Piper naquele exato momento?

O pensamento o fez ficar momentaneamente tonto. Ele quase não teve forças para se enrolar no tecido macio e ir rumo ao “seu” aposento. Ao chegar, percebeu que sua camisa preta ainda estava úmida após ser lavada, então vestiu apenas uma cueca e, depois de cravar a espada no encalço da porta, improvisando uma tranca, se deitou. Mas a solidão do quarto não o deixava em paz. Logo ele quem sempre gostara de ficar sozinho... Era quase como as paredes falassem, lhe expulsando do lugar. “Esse quarto não é seu. Nunca deveria passar uma noite aqui. Ele já está ocupado. Já está comprometido”, Nico imaginava a voz sussurrante. Claro que era tudo coisa de sua cabeça, mas isso só o atormentava ainda mais.

Podia quase sentir a presença inquietante de Percy Jackson ali... “Ele se deitou nessa cama”, pensou. “Usou essas cobertas”. De repente, começou a ficar com calor. Isso acontecia quando ele pensava em Percy, mas já tinha tempo que não o fazia. Não dessa forma. Achou que já havia superado. Achou que esses sentimentos já haviam, há muito, sido suprimidos. Mas a sua estadia naquele quarto o fazia reviver tudo de novo. Era agonizante.

Por fim, ele cedeu a sua vontade. Ascendeu a lâmpada e pegou a foto em que Percy estava na praia com Annabeth

Focou no jovem que sentava na areia feliz e, em pouco tempo, os lençóis da cama começaram a tremer em movimentos periódicos, sua mão acelerando o ritmo cada vez mais enquanto o seu corpo se enchia de prazer, e sua imaginação tornava o impossível em realidade, pelo ou menos naquele único momento...

http://espiritodedelfos.tumblr.com/image/58612476700

Notas finais
Recomendem, favoritem, comentem.