Entrelinhas
1 Capítulo único
Notas iniciais
Entrelinhas
{por FranHyuuga}
Os dedos dele eram frios.
Ela sempre pensava nisso quando os sentia em sua face corada.
— Você é quentinha, Hinata.
A brincadeira se repetia desde a infância, mas ela sabia ser uma desculpa para tocá-la. Será que Sasuke nunca confessaria seus sentimentos? Ele sempre estaria satisfeito em ser apenas um amigo?
Hinata sorria quando o via agir assim, tão infantil na ausência dos demais amigos. Despreocupado. Quase como se soubesse que as coisas seriam as mesmas hoje, amanhã, depois e depois... Ele contava com a rotina que os envolvia. Ele a preservava.
Mas ela...
Ela não.
SLAPT.
Um tapa. A mão dele mal chegou ao seu rosto quando Hinata a afastou. Os olhos negros a encararam assombrados.
— Se seus dedos estão frios, use seus bolsos.
Ela continuou a andar, as pernas trêmulas pela iniciativa brusca. Foi algo que não conseguiu conter, um ímpeto que pedia mudança.
Qualquer uma.
— Ei, espera! – Sasuke gritou. – O que está acontecendo com você?
A pergunta foi feita de frente, face a face. Ele a alcançou tão rapidamente com seus longos passos, uma piada.
— Nada.
Tudo.
— É sério, você está estranha – reclamou. – Eu fiz algo errado?
— Não.
Sim.
Encararam-se. Silêncio nas palavras, barulho nos sentimentos.
Hinata manteve a expressão impassível, Sasuke franziu o cenho.
— Está difícil ler você hoje.
Ele sempre achou que a conhecia como um livro aberto, mas Hinata estava cansada de esconder as entrelinhas.
— Talvez precise se esforçar mais – alfinetou.
Ele riu, achava graça quando Hinata estava brava. Era algo que só acontecia na intimidade, os outros jamais a veriam com aquela amarga carranca.
— Okay – Sasuke cedeu.
— Okay? – Muito fácil.
— Eu farei.
Qual era a dele? Sasuke era sempre irredutível quando recebia um comando. Odiava que lhe mandassem fazer qualquer coisa, por mais óbvia que fosse. Era teimoso e autoritário demais para negociações.
— Agora é você quem está estranho – comentou nervosa.
— Dois podem jogar esse jogo, Hinata.
E deu-lhe as costas, caminhando de um jeito que a impedia de retrucar. Ela apressou o passo para segui-lo, confusa demais.
Na manhã seguinte, SLAPT.
Ele não aprendeu nada?
— Você não quer que eu a toque.
Sasuke não parecia chateado.
— Não.
SIM!
— Devo parar de tentar?
Ele sorria.
— Talvez.
Nem pensar.
— Isso é interessante, Hinata.
Não, para ela, não era.
Outro dia e... SLAPT.
Sua mão atingiu o ar.
Demorou a entender, mas não foram os dedos frios de Sasuke que tocaram sua face desta vez. Foram... papéis.
— O que é isso?
Sasuke parecia muito satisfeito com o olhar curioso dela.
— Ingressos.
— Para quê?
Ele a observou longamente, antes de se inclinar e beijá-la.
Hinata corou pelo toque sutil de seus lábios, embaralhada em pensamentos.
— Nosso primeiro encontro.
Não sabia como responder. Por que Sasuke concluíra que ela o desejava daquela forma?
— Eu sempre recebi de você o que estava disposta a dar, Hinata – explicou. – Amizade, companhia, diversão... Para mim, desde que fosse seu, não importava.
Dessa vez, não houve tapa quando os dedos frios acariciaram a face quente.
— Agora que me deu o que eu mais queria – abraçou-a –, não poderá tomar de volta.
Em meio à carícia das línguas, Hinata finalmente entendeu...
Nunca houve entrelinhas para Sasuke.
FIM
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