Entrelaços

13 Don't think a twice.


Notas iniciais
Primeiramente, quero agradecer aos novos, antigos e recorrentes leitores. Muito obrigada pelos comentários! Beijo grande ;*

Boa leitura! Até lá em baixo.

MANUELA

– Uau! Aqui é muito lindo. Porque você nunca me trouxe aqui, Bianca? – Questionei impressionada com o ateliê.

– É que tava tudo uma bagunça, não queria que você pensasse que eu sou uma artista desorganizada. — Respondeu dando de ombros.

– Meu bem, eu já tinha visto algumas das suas telas, mas essas superam qualquer uma que eu já tenha visto! – Comentei.

– Você diz isso porque namora comigo. – Falou me puxando para si.

– Não, eu sei apreciar as artes, e nós duas sabemos o quanto você é talentosa. – Falei lhe depositando um longo beijo.

– Sabe, você quer ser minha musa, posar pra mim? – Perguntou entre os beijos.

– Pensei que eu já fosse a sua musa. E sim, eu adoraria posar pra você, mas primeiro você vai ter que tirar a minha roupa. – Respondi maliciosamente.

– Melhor eu começar logo então, acho que você vai precisar se aquecer um pouco também antes. – Falou enquanto desabotoava a minha blusa devagar.

Tomei seus lábios violentamente, e ela jogou minha blusa no chão. Empurrei-a para que sentasse no sofá e me posicionei sobre ela com uma perna em cada lado de seu corpo. Bianca arrancou meu sutiã em poucos movimentos e se pôs a sugar os meus seios com gula, uma de suas mãos segurava firme a minha cintura e a outra apertava forte a minha cocha.

Abri os olhos e olhei de relance para alguns quadros empilhados no chão, até que o primeiro em especial me chamou a atenção o suficiente para interromper o momento.

– Bianca! Porque diabos você tem um quadro da Isabella pelada? – Questionei irritada a fazendo parar o que estava fazendo e me encarar assustada.

– O que? Onde diabos você tá vendo isso? – Indagou nervosa.

– O ateliê é seu, você deve saber! – Falei me levantando e juntando minhas roupas do chão.

– Manu, esse quadro nem devia estar mais aqui, eu mesma o coloquei junto com alguns quadros antigos que eu vou me desfazer. – Explicou.

– Ótimo, mas, não se desfaz dele não, leva de presente pra Isabella, e aproveita e vai transar com ela também. – Gritei enfurecida enquanto me vestia.

– Que absurdo Manu! É com você que eu namoro, é você quem eu quero. Além disso, você sabe que eu já namorei a Isabella, não é surpresa nenhuma que eu já tenha visto o corpo dela, essa crise de ciúmes é desnecessária. – Falou tentando se aproximar.

– Eu não estou com ciúmes! E desnecessário é você ter esse quadro aqui. Mas que droga, Bianca! Você ia fazer comigo o mesmo que fez com ela, que você não me venha nunca mais com essa história de posar pra você. – Retruquei pegando a minha bolsa.

– Manu, desculpa! Não é como se eu agisse igual em todos os relacionamentos. Mas, poxa, eu amava a Isabella até poucos meses de você voltar, assim que a gente começou a namorar eu decidi me desfazer disso, é você que eu quero agora. É você que eu amo Manuela!

– V-você o que? – Questionei surpresa.

– Eu te amo! – Repetiu.

– Porque você tá me falando isso agora? – Voltei a questionar.

– Porque é a verdade, eu amo você Manu. Eu entendo que o fato de eu ter namorado a sua amiga seja um pouco difícil de lidar, mas, eu não sinto mais nada por ela. – Explicou.

– Bianca, eu tenho que ir embora, melhor a gente conversar depois. – Falei.

– Não Manu, fica! – Pediu.

– Mais tarde eu te ligo, se cuida. – Finalizei beijando os seus lábios de leve e me retirando do local.


ISABELLA

– Gente, por favor. Vocês não precisam ficar se pegando na minha frente. – Falei.

– Claro que a gente precisa, essa sua cara é impagável! – Retrucou Amanda.

– Acho que a gente pode fazer uma pausa, que tal uns 10 minutos? – Debochou Filipe.

– Haha! Juro que vou embora se você continuarem com isso, não vou conseguir me concentrar no filme com vocês se pegando do meu lado. – Expliquei.

– Tá bom, a gente para! Vou fazer pipoca. – Disse Filipe se retirando.

– Soube que a Fê tá saindo com uma guria, você devia arrumar alguém. – Comentou Mandy.

– Não! Eu não quero. Procura um filme ai e fica na sua. – Falei jogando uma almofada na morena.

Ouvimos batidas na porta e Amanda foi atender, agora que ela e o Filipe moravam juntos as visitas eram frequentes. Estava tão focada em escolher um filme que agradasse a todos que nem reparei com quem a Mandy falava.

– Entra Manu! O Filipe tá lá na cozinha. – Falou Amanda me fazendo voltar a atenção para a porta.

– Manu? – Indaguei assustada quando a vi entrar.

– É, esse ainda é o meu nome, Isa. – Debochou vindo me cumprimentar.

Levantei e correspondi o abraço que me deu, dei um beijo no seu rosto e ela pareceu ter ficado um pouco envergonhada. Seguiu rumo à cozinha e eu voltei a sentar no sofá.

– Ela tá mais linda a cada dia! Como é que a Manuela consegue? – Questionou Amanda sussurrando.

– Eu não faço ideia. – Respondi a observando sorridente.

Escolhi um filme junto com Amanda e logo Manuela e Filipe juntaram-se a nós no sofá.

– Pronto, Isa, você não vai mais ficar de vela sozinha, convenci a Manuela a ver filme com a gente. Fazia tempo que nós não fazíamos uma noite do filme. – Comentou Filipe.

– A companhia podia ser melhor, mas a Manuela serve. – Debochei.

– Ora, Isabella. Você podia me amar menos. – Brincou Manu.

– Isso não seria possível. – Retruquei.

– Tá, vocês duas já podem se calar que o filme vai começar. Ah amor, trás o colchonete e deliga a luz da sala. – Pediu Amanda.

– Com esse sofá enorme vocês ainda precisam de um colchonete? Por favor, não me digam que vocês vão transar enquanto nós vemos o filme. – Brincou Manuela.

– Claro que não, é que fica mais confortável pra todo mundo. – Explicou Mandy caindo na risada.

Sério? Aquilo só podia se sacanagem. Luzes apagadas, um filme de romance e a Manu do meu lado. O filme começou e eu peguei um dos baldes de pipoca e coloquei no colo entre mim e a loira, vez ou outra nossas mãos se tocavam. “Típico de filmes” pensei. Pra minha infelicidade, a pipoca acabou rápido demais e, além disso, aquele filme era chato. A Amanda e o Filipe estavam na maior pegação e eu morrendo de vontade de fazer aquilo com a Manuela. Bocejei devido ao sono e Manu se aproximou.

– Você se importa se nós deitarmos no sofá? Eu tô um pouco desconfortável e me parece que você tá com sono. – Sussurrou.

– Claro, eu estava prestes a sugerir isso. – Menti, é claro que eu nem tinha pensado nisso, estava ocupada mantendo meu autocontrole.

Manuela deitou junto comigo no sofá e eu fiquei posicionada na sua frente. “Melhor assim” pensei. Se eu ficasse atrás dela eu não ia me controlar. Não mesmo.

– Eu adoro o cheiro do seu cabelo. – Sussurrou dando um leve beijo no meu pescoço.

– Manu, não me tortura assim. – Pedi suspirando.

– Eu não consigo me controlar com você tão perto. – Confessou.

– Você tá com a Bianca, você escolheu ela. – Sussurrei.

Manuela não disse mais nada, afastou um pouco o corpo do meu e eu voltei minha atenção para o filme. Eu queria poder dizer que eu tomei coragem e me virei para beija-la, mas, não. O filme acabou e eu me levantei quase que de imediato, disse que precisava ir embora e saí às pressas do apartamento. Tão de pressa que esqueci as chaves do carro. Peguei o elevador novamente para o 5º andar e assim que as portas abriram me deparei com a Manuela.

– Você esqueceu isso. – Falou entrando no elevador e me entregando as chaves.

– Obrigada. – Agradeci.

Permanecemos em silêncio até chegarmos à garagem.

– Você ainda gosta da Bianca? – Questionou Manuela.

– Claro que não, a minha história com a Bianca já encerrou faz tempo. – Respondi indignada com a pergunta.

– Eu achei um quadro seu no ateliê dela, eu meio que surtei quando vi. – Comentou.

– Manuela, eu não acredito que você consegue ter ciúmes de mim e da Bianca quando sabe que ambas gostamos de você. – Falei entrando no meu carro.

– Ela disse que me amava. – Disse a loira com um tom de voz baixo.

– Que ótimo então, mas uma coisa que nós temos em comum. É melhor eu ir agora, boa sorte com a sua namorada. – Retruquei enquanto saia com o veículo.


MANUELA


Cheguei em casa por volta das 9 da noite, contei algumas histórias pra o Otávio antes que ele caísse no sono e logo segui para o meu quarto. Tomei um longo banho e me joguei na cama, tinha que acordar cedo para trabalhar no dia seguinte, mas parecia que aquela seria uma longa noite. Recusei todas as chamadas da Bianca e fiquei deitada pensando no que diabos eu estava fazendo.

Tudo que me vinha à cabeça o tempo todo era a imagem da Isa, eu juro que podia sentir o cheiro dela se me esforçasse um pouco. Por mais que eu pensasse em largar tudo e ir me aventurar no mundo da Isabella, não era certo. Isabella era a pessoa mais instável que eu já conheci na vida, eu não conseguia entrar em algo que eu não tinha certeza. Eu não deixaria a Bianca por ela, porque eu não sabia ao certo o que ela sentia. A Bianca sim, essa eu sabia que me amava, de verdade, em um relacionamento. Quem me garante que a Isabella não estaria apenas confundindo as coisas? A Amanda sempre fala nos desastres que ela provoca nos relacionamentos, no quanto as pessoas se machucam com ela.

Deixar pra lá sempre foi a melhor solução que eu encontrei pra Isabella, desde pequena. Eu sentia o amor dela tão forte quanto o meu, sentia aquele carinho todo, toda aquela coisa de cuidar uma da outra. Mas nunca, nunca em todos esses anos eu me senti segura e nem estável em relação a ela pra que pudesse tomar alguma iniciativa, e quando o fiz, ela fez eu me arrepender no segundo seguinte. Eu amava a Isabella, mas eu não queria ficar com ela. Ou, pelo menos isso era o que eu queria acreditar.



ISABELLA

Já fazia quase uma semana que eu não via a Manu. Era noite de quinta-feira, e a chuva lá fora não dava trégua. Pelo menos eu poderia aproveitar o clima frio pra ficar o dia inteiro na cama no dia seguinte, já que era feriado. As minhas únicas expectativas para o fim de semana eram dormir, comer porcaria e chorar rios vendo filmes de romance. “Já estive melhor” pensei. Coloquei uma playlist aleatória no ipod e me joguei na cama. Fiquei relembrando uma conversa que tive com o Tavinho no ultimo final de semana, aquele garoto realmente inspirava as pessoas.

Flashback: on

– Tia Isa, eu acho que tô apaixonado. – Confessou um pouco envergonhado.

– Ora, mas você não é muito novo pra isso, guri? – Questionei me divertindo com a confissão.

– Não, a mamãe sempre fala que não tem idade certa pra isso, eu sei que gosto da Bia. – Respondeu.

– E quem é essa sortuda? – Perguntei interessada, me sentando ao seu lado na cama.

– Ela é da minha escola, nós sempre sentávamos juntos no intervalo das aulas, e ela sempre sorria pra mim quando eu mexia no cabelo dela. – Falou meio tristonho.

– Então porque você tá tão tristinho? – Voltei a questionar acariciando seus cabelos dourados.

– Porque antes eu achava que ela gostava de mim, ela é minha melhor amiga. Mas, agora ela fica sorrindo pra o garoto novo e não senta mais no intervalo comigo, não devia ser assim, eu cheguei primeiro, eu gostei dela primeiro. – Explicou o garoto.

– Então acho que estamos quase na mesma situação, Tavinho. Não fica triste, tá? Porque você não leva uma flor pra ela? Ou pode até fazer um desenho dela, uma carta. – Sugeri.

– Ótima ideia, amanhã mesmo eu vou sentar do lado dela. Você também vai fazer essas coisas, tia Isa? – Questionou mais animado.

– Meu caso é um pouco mais complicado, mas, sim! Mas não vou ficar parada, e muito menos desistir. – Respondi lhe depositando o beijo na testa.

Flashback: off

Eu não sabia como e nem o que, mas tinha que fazer alguma coisa para conseguir a Manuela pra mim.


MANUELA

– Manu, você por acaso já ligou pra Isabella convidando pra ela ir com a gente pra fazenda? – Questionou Arthur, ajeitando a mala que estava sobre a sua cama.

– Eu pensei que você tinha chamado, não tem sinal nenhum de celular aqui, não tenho como ligar pra ela agora. – Respondi irritada.

– Calma, a gente dá um jeito, esse temporal ai fora deve ter danificado a torre da operadora. Amanhã cedo nós tentamos falar com ela. – Sugeriu.

– E se não der tempo Arthur? A Isa precisa ir com a gente. – Indaguei preocupada.

– Você tá mais interessada que ela vá do que a sua própria namorada. Eu já te falei o que acho que você devia estar com a Isabella e não com a Bianca. – Falou.

– De novo com isso? Já te disse que não é isso que eu quero da Isa. Bem, é melhor eu ir pra o meu quarto. – Disse enquanto me retirava do local.

A semana tinha sido horrível, não aguentava mais as brigas com a Bianca por motivos completamente sem cabimento, e ela ainda falava que eu arrumava desculpa pra brigar. Talvez eu tenha exagerado, mas, era horrível me sentir tão vazia estando rodeada de pessoas, o que mais me faltava? Droga, eu sabia que eu estava errada, eu descarreguei todo o meu descontrole emocional na Bianca e ela não tinha culpa. Eu só precisava conversar com alguém que me entendesse, alguém que não achasse que sexo resolve tudo! Eu estava a ponto de enlouquecer, tinha que analisar um processo complicadíssimo, a Bianca não compreendia o fato de que eu tinha que dividir meu tempo entre ela o meu filho e o meu trabalho, e ainda mais agora que o Otávio estava com problemas na escola, as notas tinham caído e não tinha nada que alegrasse o garoto além de passar horas no telefone com a Isabella ou sair com ela, eu precisava me aproximar mais do Otávio, ele confiava mais na tia do que na própria mãe. Eu só queria arrumar minha bagunça.

Subi até o meu quarto e depositei um leve beijo no rosto de Bianca que dormia profundamente. Peguei a chaves do carro e quase que corri em direção à garagem. Felizmente consegui sair com o veículo sem que ninguém dentro da casa pudesse notar, a chuva estava muito forte e eu quase não via nada na estrada, e durante quase todo o percurso a estrada parecia um borrão. Por sorte não havia quase nenhum outro carro na estrada e consegui completar o meu percurso sem grandes dificuldades.



Notas finais
Sério, as vezes a Manu merece uns tapas.
Ah, vocês acham que a crise de ciúmes foi por causa de quem, hein ;p?

Geeeent, essa conversa da Isa e do Tavinho não foi uma explosão de fofura?

Pra onde será que a Manuela foi? Alguém suspeita?

Go! Nos vemos nas reviews.