Entrelaçadas pelo Amor
15 Capítulo 15
Notas iniciais
Catherine se recostou na porta do quarto onde estava Greg. De tudo o que podia imaginar que ouviria de Lindsay, aquilo fora a última coisa que imaginara. Sua filha estava com medo... De que ela e Sara a criticassem por não estar dando o seu melhor? O que ela queria era a admiração das duas?
Catherine começou a andar, pensando o tempo todo no que ouvira há poucos minutos. As surpresas sempre estavam longe de acabar, e Catherine se perguntava quando elas iriam acabar. Ela não estava aborrecida, pelo contrário, estava admirada. Ela nunca imaginara que Lindsay estivesse se esforçando tanto apenas para tentar corresponder... A loira balançou a cabeça e deu uma leve risada. Sua filha estava se tornando cada vez mais parecida com Sara, que fazia de tudo para tentar agradá-la.
A loira suspirou.
- Ai, Lindsay. Você nunca pára de me surpreender. Acho que você finalmente cresceu – sorrindo, Catherine abriu cuidadosamente a porta do quarto de Sara e entrou sem fazer ruído.
Fechando a porta atrás de si, Catherine andou silenciosamente até a morena e acariciou seu rosto com o maior cuidado possível para não acordá-la. Sentando-se ao seu lado, a loira segurou sua mão e a trouxe até seus lábios, pousando um leve beijo antes de começar a falar.
- É Sara. Acho que nossa filha finalmente cresceu. Sempre achei que ela fosse um pouquinho infantil, mas agora eu descobri que ela só quer que nós a admiremos um dia. E tenho certeza que ela está se espelhando em você. O jeito cuidadoso, atencioso, delicado e ás vezes até meio teimoso de lidar com as coisas. Você é uma mãe maravilhosa, Sara. – Catherine fechou os olhos e depois os abriu, revelando mais lágrimas nas imensas piscinas azuis. – Mãe. Eu me lembro da primeira vez que Lindsay te chamou de mãe. Estávamos voltando do trabalho, exaustas depois de dois turnos intermináveis, e Lindsay nos esperava sentada na mesa. Quando tínhamos acabado de entrar ela veio correndo e... Ela precisava de ajuda com o dever de matemática. "Mãe, será que você pode me dar uma ajuda aqui?". Você sorriu como eu nunca tinha visto antes e abraçou Lindsay por uns bons dez minutos. Eu me juntei ao abraço de vocês duas e foi aí que eu percebi... Eu tinha a família mais linda, mais perfeita e mais completa do mundo. Minha vida nunca foi completa, Sara. Não até te conhecer. Você me completa, Sara. Você é a pessoa que eu mais amo nesse mundo, ou melhor, no universo. Não sei o que eu faria sem você ao meu lado. Acho que o mundo poderia acabar agora e eu ia embora feliz, porque eu saberia que tinha vivido a melhor vida possível e imaginável. Acho que estou com o mesmo problema de Lindsay. Não sei se um dia vou poder recompensar tudo o que você faz por mim, Sara. E muito menos tentar conseguir representar o quão especial você é para mim. Eu preciso de você Sara. Eu preciso que você me ajude, me abrace, me ame. Eu te amo, mais do que a minha própria vida e acho que só o meu coração não é suficiente. Na verdade, ele não é meu. É seu. Meu coração é seu, Sara. Meus olhos, minha boca, meu corpo, minha vida. Eu sou sua e não quero ser de mais ninguém. Eu não quero mais ninguém além de você. Sei que isso vai parecer meio egoísta, mas eu quero você para mim. Não me importo de ter que lutar contra o mundo inteiro para ter você ao meu lado. Nenhum homem ou mulher poderoso vai me fazer recuar. Nem o mar, ou o céu, ou até mesmo o sol pode me impedir de te amar. Se for preciso eu luto. Luto até o fim e além dele. Porque eu posso dizer, Sara, meu amor por você é maior que qualquer astro ou exército que existe, existiu ou vai existir. É maior do que o céu e a terra juntos. É maior do que o sol! Sol. Você é meu sol, Sara. Você foi a pessoa que trouxe luz de volta para a minha vida e para a vida de Lindsay. Isso eu nunca vou conseguir recompensar. Mas eu posso tentar. Vou tentar até o infinito para te fazer feliz. Se for preciso fazer o sol nascer para te ver sorrir, eu vou lutar contra as trevas. Se for preciso que a lua apareça entre os prédios enormes de Las Vegas ou de qualquer outro lugar, vou destruir um por um até que você tenha a melhor vista. Se for preciso um lugar seguro, eu não vou descansar até que o último inimigo caia para que você esteja segura novamente. Acho que isso é o mínimo que posso fazer apenas por... Você existir. Seu amor, é a coisa mais importante que existe para mim. Seu olhar é o que me encoraja a enfrentar os fantasmas de cada dia. Seu sorriso é a fonte da minha alegria. Só me sinto segura em seus braços, só me sinto feliz sentindo sua respiração ao meu lado, só sou completa com você. Eu te amo.
Catherine levantou e seu curvou sobre o corpo de Sara, tentando abraçá-la sem tirar nenhuma das agulhas do lugar, mas fazendo o possível para estar em contato com sua amada. As lágrimas que seguiam seu caminho começavam a molhar a roupa de Sara, entretendo Catherine tentou não se preocupar com aquilo, pelo menos não naquele momento.
Tudo o que ela sentia por Sara estava naquelas palavras e mesmo assim Catherine sentiu que ainda não havia falado tudo. Mas ela não conseguia dizer mais nada. Todas as suas emoções e sentimentos guardados em seu coração explodiram as barreiras e agora forçavam sua saída e ela não podia fazer nada além de chorar. Dor, angústia, medo, pena, raiva, ódio, felicidade, paz, amor. Tudo estava saindo mais rápido do que nunca. Catherine sentia vontade de gritar. Gritar para libertar tudo o que sentia. Gritar para que o mundo todo soubesse o quanto amava Sara. Um breve sentimento de culpa e solidão invadiu seu corpo como uma tempestade gelada. Mas esse frio foi imediatamente substituído por um familiar calor reconfortante quando um dos braços de Sara envolvia suas costas e tentava aproxima-las mais ainda.
Ao sentir aquele calor, Catherine ergueu o rosto e encontrou os olhos castanhos de sua amada cheios de lágrimas. Mas não era de tristeza, e o imenso sorriso nos lábios de sua morena confirmava isso. Sara não estava dormindo, ela tinha ouvido cada palavra que saíra da boca de Catherine e havia sentido cada emoção que Catherine sentira. Embora não tivesse força suficiente para falar tudo naquele momento, Sara resumiu tudo em três palavras.
- Eu te amo.
Catherine sorriu em retribuição e inclinou-se para frente, pousando seus lábios nos de Sara em um leve de delicado beijo. Logo o ato se aprofundou, mas não foi excessivo porque em algum lugar de sua mente Catherine se lembrou de que elas estavam em um hospital e que Sara estava machucada.
Retornando à sua posição normal, Catherine tocou novamente o rosto da morena enquanto sua outra mão se entrelaçava em um gesto terno com a de Sara. Uma penetrou o olhar da outra até chegar ao fundo, onde não havia preocupações ou medo, apenas amor. Um imenso amor que ambas compartilhavam. Não eram necessárias palavras, apenas um pequeno gesto.
- Eu te amo – Catherine sussurrou, sentindo necessidade de falar algo.
- Eu sei – Sara também sussurrou. – Eu ouvi.
Catherine riu levemente.
- É acho que me empolguei. Desculpe se foi demais, eu...
- Shh – Sara a interrompeu com um dedo em seus lábios. – Nunca peça desculpas por me amar. E eu entendo. É a mesma coisa, Catherine. Eu amo você mais que tudo, e não precisa se preocupar em ter que lutar contra um exército. Eu vou lutar por nós duas.
- Nós vamos – Catherine corrigiu. – Juntas.
- Até o fim.
- Ou além.
Sara transferiu seu dedo para enxugar uma lágrima que estava na bochecha de Catherine.
- Não chore – pediu ela.
- Não estou chorando.
Sara girou os olhos. Um longo momento silencioso e emotivo se seguiu, onde nenhuma das duas falou, apenas se olharam. E ambas sentiam que poderiam ficar ali, observando uma à outra para sempre. Mas Sara foi a primeira a quebrar o silêncio.
- Me abraça, Cath.
- Sempre – Catherine se inclinou novamente e envolveu seus braços em volta do corpo de Sara, que fez o mesmo com seu braço bom. Quando se separaram, não havia mais lágrimas e sim um imenso sorriso em cada um dos rostos, um motivado pelo outro. Sara estremeceu levemente quando seu braço quebrado se revoltou contra o esforço feito. Catherine olhou preocupada para Sara. – Tudo bem com você? Está sentindo dor?
- Está tudo bem, Cath. Foi só uma pontada leve, já passou.
- Tem certeza?
- Aham. E você, tudo bem?
- Como eu poderia não estar? Eu tenho você.
Sara sorriu com a resposta.
- É, mas... Você está com olheiras – a morena observou tocando as manchas escuras embaixo dos olhos de Catherine. – Cath, eu não quero que você fique assim. Não precisa ficar aqui vinte e quatro horas por dia, precisa dormir.
- Eu não vou sair do hospital – teimou a loira.
- Eu não disse isso.
- Então...
- Durma ao meu lado.
- Mas... E se o médico vier?
- Está com medo se ser pega por alguém, Willows? – Sara sorriu maliciosamente fazendo Catherine girar os olhos. – Eu não vou morder.
- Não é isso. É que você está com tantos aparelhos... Não quero incomodar.
- Ah, isso? – Sara perguntou ironicamente retirando com cuidado uma das agulhas de seu braço.
- Sara! Você está louca? Não pode...
- Cath, você sabe que eu nunca gostei de soro. Aliás, estou me sentindo perfeitamente bem para ir imediatamente para casa.
- Você vai ficar aqui quanto tempo for preciso.
- Certo, mãe – Sara brincou e depois começou a se mexer, indo para o canto da cama para dar espaço para Catherine. – Se eu vou ficar, você vai ficar.
- Tá bom – Catherine por fim concordou. – Mas se você sentir qualquer coisa me avise.
- Amor.
- O que?
- Estou sentindo amor.
Catherine riu levemente e então se deitou ao lado de Sara, ajeitando-se de modo que seu corpo não atrapalhasse Sara e nem tirasse o resto das agulhas. Quando Sara fez menção de retirar o aparelho de oxigênio, a loira a impediu.
- Sara, não faça isso.
- Mas eu não consigo sentir seu perfume!
- Sara.
- Eu quero sentir o seu perfume.
- Sara.
- Eu te amo?
Catherine olhou diretamente nos olhos castanhos e riu da tentativa de sua amada. Ignorando as normas do hospital, Catherine se encolheu ao lado de Sara e puxou o lençol sobre elas.
- Durma com anjos, amor – Sara sussurrou no ouvido de Catherine.
- Já estou com um deles – Catherine respondeu, fazendo Sara sorrir. Alguns minutos se passaram e Catherine havia caído no sono rapidamente, mas Sara ainda estava acordada. A morena observou sua Catherine por alguns momentos e ao perceber que ela já estava dormindo, Sara retirou o tubo de oxigênio e inspirou profundamente, sentindo o doce aroma do perfume de Catherine. Logo após isso, Sara colocou novamente o aparelho no lugar e sorrindo, fechou os olhos e dormiu.
O médico abriu uma fresta da porta cuidadosamente, espiando dentro do quarto com apenas um olho. Quando viu o que estava acontecendo ele riu e abriu completamente a porta, revelando atrás de si Nick, Warrick, Brass e Grissom.
- O que... Ah... – Warrick gaguejou e riu.
- Será que devemos acordá-las? – o doutor sussurrou. Grissom balançou a cabeça.
- Não. Elas já passaram por coisas demais até agora. Deixe que elas descansem.
Nick sorriu.
- E mesmo que as acordassem, duvido que Sara deixaria que Catherine saísse daí.
- Tudo bem, acho que vou voltar mais tarde – disse o médico e saiu, deixando os investigadores observando as duas.
- Tudo acabou bem – Warrick suspirou.
- Não era a hora dela – Nick repetiu o que Sara havia dito para ele há quase dois anos.
- Vem cá, Grissom. Agora que o Ecklie foi preso, ele obviamente não vai continuar no cargo. E vão precisar de alguém para substitui-lo. O que me diz?
Grissom olhou sério para Brass.
- Não.
- Gil, você é o mais indicado para esse cargo – Nick tentou ajudar.
- Não.
- Eu já falei com o prefeito, e ele acha uma boa ideia.
- Não.
- Por que você é tão teimoso? – a voz de Sara interrompeu a conversa e todos voltaram sua atenção para a morena. – Oi gente.
- Você está bem? – perguntou Grissom se aproximando.
- Shh! Cath está dormindo.
- Desculpe.
- Estou bem sim. Pronta para voltar para minha vida normal e para o trabalho.
- Você vai tirar um tempo de folga.
Sara ia contradizer, mas percebeu que aquele não era o melhor lugar para se fazer isso. Ela limitou-se a sorrir.
- Tudo bem. E você como está?
- Ótimo.
Sara assentiu. Um leve latejar em sua cabeça a forçou a ficar em silêncio e ela aproveitou esse breve momento para se lembrar de algo que certamente não poderia ser adiado.
- Ei, onde está o Greg?
- Está bem. A bala não causou grande estrago, o garoto está quase perfeito – respondeu Nick.
Sara suspirou levemente, aliviada e tirou alguns fios de cabelo dourados que estavam na direção dos olhos de Catherine.
- Isso é uma notícia boa.
- É mesmo – Brass assentiu e também se aproximou, estendendo uma mão para alcançar a de Sara que estava em volta de Catherine. – Você nos deu um susto.
- Pelo menos tudo acabou bem – Sara sorriu e depois seu rosto se tornou sombrio. – O que aconteceu com Hank?
- Ele está morto – respondeu Nick. – Não vai mais incomodar você.
Sara mordeu o lábio inferior e assentiu. Momentos depois, Sara olhou para cada um daqueles rostos e suspirou. Não tinha palavras para agradecer o que eles fizeram. Ela era investigadora e sabia o quão difícil era seguir pistas, juntar os pontos, trabalhar sobre pressão e ainda separar o trabalho dos sentimentos.
- Obrigada. Nick, Warrick, Brass, Grissom. Não sei se vou um dia poder agradecer o que fizeram por mim. Eu... Obrigada.
- Não precisa agradecer. Faria o mesmo por nós.
- É claro.
- É melhor nós irmos, você parece cansada – Warrick disse sorrindo e se dirigindo para a porta.
- War tem razão, é melhor você descansar. Afinal de contas, não é todo dia que você pode saltar de um carro – Nick brincou e depois de tocar na mão de Sara, começou a andar até Warrick.
- Espero que fique boa logo – Brass sorriu e colocou uma mão no cabelo de Sara, bagunçando levemente. – Até mais.
Grissom foi o último a sair. Quando percebeu que não havia mais ninguém no quarto, olhou brevemente para Sara e a morena entendeu o olhar. Não transmitia pena, amor, desejo e nem alegria. Era um olhar de arrependimento. Sara olhou rapidamente para Catherine e depois para Grissom e ele assentiu. Sara suspirou e o supervisor sorriu.
- Você a ama – disse ele simplesmente. – Eu tive minha chance. Mas enquanto vocês forem felizes, eu ficarei feliz.
Houve um longo momento de silêncio enquanto os dois investigadores conversavam por olhares. Sara foi a primeira a quebrar o gelo.
- Você devia aceitar a oferta.
Grissom não disse nada, apenas deu seu olhar "eu-sou-misterioso-e-você-não-pode-me-ler", encolheu os lábios em um biquinho e saiu, fechando a porta atrás de si.
- Que bom que ele está arrependido de ter perdido a chance – sussurrou Catherine. – Eu nunca vou desperdiçar a minha.
Sara sorriu. Catherine de repente abriu os olhos e envolveu o rosto de Sara com uma mão, fazendo com que ela a olhasse.
- Cath?
- Ele chegou a ter uma chance? – perguntou a loira hesitantemente fazendo Sara rir.
- Nunca. Sempre o considerei um amigo. Foi você, é você e sempre será apenas você.
Catherine sorriu e encostou seus lábios nos de Sara em um doce e suave beijo, dizendo por meio desse gesto que ela acreditava profundamente nas palavras da morena e que retribuía o mesmo sentimento. Sorrindo, as duas se aconchegaram no pequeno espaço e mergulharam em um doce e leve sono.
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