Entrelaços
9 Say What You Need To Say.
Notas iniciais
Espero que gostem, boa leitura!
ISABELLA
Já estava quase dormindo quando o toque do celular anunciava uma ligação, custei a acreditar quando olhei pra o visor e vi a foto da Manu. Pensei duas vezes, mas acabei cedendo, precisava fazer aquilo.
– Alô? – Atendi.
– Oi moça. – Disse a voz infantil do outro lado da linha.
– Quem está falando? – Questionei intrigada.
– Eu sou o Otávio, o seu nome é Isabella, não é? – Questionou o garoto.
– Isso só deve ser algum tipo de brincadeira, então, você poderia me explicar quem você é e o que está fazendo com o celular da Manu? – Falei a fim de obter alguma explicação, a única explicação logica que eu tinha encontrado era que a Manu tinha perdido o celular e esse tal garoto deve ter achado e ter visto minhas ligações.
– Não é brincadeira não, é que eu te achei muito bonita! Não conta pra mamãe que eu te liguei, ela vai me dar a maior bronca. – Explicou o garoto.
– Bem, Otávio, muito obrigada pelo elogio, você parece ser um garoto muito esperto. Mas eu não poderia contar nada pra sua mãe, porque eu não sei quem ela é! Esse telefone que você tá usando é da minha amiga, a Manuela. – Falei.
– Você conhece a mamãe, acabou de dizer que conhece. – Retrucou.
– Garoto, eu disse que não conhecia a sua mãe, e não que conhecia... Espera! Otávio, você é filho da Manuela? – Questionei atônita.
– Sou sim, moça. – Confirmou.
Senti meu corpo estremecer com a recente informação, então aquele garoto era filho da Manuela, afinal, ela não tinha feito o aborto, ou será que ele era filho do tal marido que ela teve? Porque diabos ela esconderia a existência desse garoto? Eram tantas coisas passando na minha cabeça que eu nem notei que a ligação tinha sido encerrada. Definitivamente eu precisava tirar essa história a limpo. Disquei o numero da Manuela novamente e a chamada foi recusada, poucos minutos depois decidi ligar pra a Amanda.
–Isa, tá tudo bem? Você saiu tão apressada daqui. – O barulho instrumental denunciava que Amanda e Filipe ainda estavam no mesmo lugar.
– A Manu tem um filho! – Falei de súbito, ainda tentando assimilar a informação.
– O que diabos você está falando? Como assim a Manuela tem um filho? – Gritou Amanda do outro lado.
– Eu não sei, um garotinho me ligou do celular dela e falou que era filho dela, eu tentei ligar novamente mais a ligação foi recusada! – Expliquei.
Escutei Filipe balbuciar alguma coisa, e logo era ele que assumia o lugar de Amanda na ligação.
– Isa, presta atenção, eu vou viajar semana que vem pra deixar as coisas da Manuela, vem comigo? Acho que vocês precisam conversar. – Disse calmo.
– Não Filipe, melhor fazer as coisas do meu jeito. Não vou viajar com você, tenho que deligar agora, manda um beijo pra Mandy e fala que depois eu ligo pra ela. Tchau, beijos! – Me despedi.
– Tudo bem Isa, até mais!
– Espera Lipe, você poderia me passar o endereço da Manu? Já que ligação não funciona, vou tentar uma carta. – Falei.
– Não seria melhor se eu te passasse o e-mail dela? Hoje em dia, carta é ultimo caso. – Retrucou.
– Eu quero os dois, é que tenho que entrar em contato com ela urgente, é um assunto jurídico que meu pai tem com ela. – Inventei.
– Nesse caso, te mando uma mensagem de texto assim que chegar em casa, com endereço e E-mails pra contato. Mas, promete repensar a decisão de ir ou não comigo? – Insistiu.
– Tudo bem! E, muito obrigada. – Finalizei.
Amanhã mesmo eu esclareceria tudo.
MANUELA
– Tavinho, você já devia estar dormindo! Já se passam das dez da noite. – Falei depositando um beijo na testa do garoto em seguida.
– Ah, mãe, eu tô de férias. – Disse embirrado.
– Nada disso mocinho, isso não é desculpa! – Retruquei já prestes a sair do aposento.
– Tá bom mãe, eu já vou dormir. Boa noite! – Falou.
– Boa noite meu amor! – Retribui lhe beijando a face.
Peguei meu celular que se encontrava no criado-mudo e saí do cômodo. Pensei em ligar pra Isabella, mas não era uma boa hora. Eu só queria poder ter trazido ela comigo, ter tido coragem de explicar tudo direito, era isso que eu queria fazer. Eu a amava tanto e há tanto tempo, mais nem se só houvéssemos nós duas em todo o universo eu saberia lidar com o fato de estar apaixonada por ela.
– Manu, será que a gente pode conversar agora? – Questionou Leonardo.
– Claro! – Respondi.
– Senta aqui do meu lado. – Convidou.
Deitei no enorme sofá vermelho e acomodei minha cabeça no colo do Léo, ele era um homem muito atraente, tinha 28 anos, era alto e com um bom porte físico, apesar de não ser musculoso como Filipe. Eu sempre implicava com o fato dele ser tão certinho, sempre tão arrumado, sério. Barba cerrada, os cabelos escuros sempre tão bem cortados. Tudo isso graças aos mimos do Arthur. Os dois tinham se tornado a minha família desde que eu tinha voltado pra o Brasil, eram um casal admirável.
– Manu, eu realmente acho que o Otávio precisa conhecer os avós, nós não podemos esconder a existência dele dessa forma, sua irmã já sabe a verdade, já foi um grande passo, mas não o suficiente. – Suspirou – Não quero que o nosso filho nos culpe futuramente por termos lhe privado do direito de conhecer parte da família biológica.
– Eu entendo isso perfeitamente Léo, mas minha relação com os meus pais é péssima! Você mesmo sabe que o papai nem queria que o Otávio nascesse. Não o quero perto dessas pessoas e longe de vocês. Aqui é minha casa, essa é a minha família, não eles. – Falei olhando no fundo dos seus olhos cor âmbar.
– Nisso eu concordo com você, mas pense nos pais do David, na irmã dele! Esse garoto é quase uma replica dele. Você já arrumou um apartamento e um emprego na cidade, nós precisamos fazer isso. – Explicou.
– Nós? Eu e o Otávio. Você vai continuar aqui com o Arthur. – Falei com um tom de voz triste.
– Quanto a isso não se preocupe, eu e o Arthur queríamos fazer uma surpresa, mas não vou esperar. Ele vai embora com vocês, e dentro de 2 meses, quando eu voltar do exterior, eu vou me transferir pra lá também! – Disse sorridente.
– Sério? Mas, como? E os respectivos trabalhos de vocês? – Questionei num misto de felicidade e confusão.
– O irmão do Arthur também mora lá e depois que a gente começou a cogitar a hipótese de se mudar, ele decidiu transferir o consultório odontológico pra clinica do irmão dele. E eu, bem, consegui comprar 30% das ações da empresa Ribeiro, parece que o avô do Otávio está investindo mais na parceria com a empresa do seu pai, na qual eu também consegui comprar boa parte das ações. Resumindo tudo, eu vou abrir uma filial da nossa empresa lá e vou ter mais lucros do que já tenho aqui. – Explicou com um largo sorriso.
– Eu nem posso acreditar que isso está acontecendo Léo! – Falei enquanto me sentava para lhe envolver em um abraço forte.
– Agora você pode ligar pra o Filipe avisando da mudança de planos! Ah, e antes que você fuja do assunto me explica essa história de ter ligado chorando pra o Arthur no sábado. Fiquei preocupado. – Pediu, me encarando sério.
– É bobagem Léo, sério, esquece isso. Vamos nos focar na mudança! E quanto ao Filipe, amanhã cedo eu ligo pra ele. – Me esquivei do assunto.
– Tudo bem, não insistirei! Ah, já vou avisando que providenciei uma casa bem maior que o apartamento que você achou, agora aumentou duas pessoas! – Falou afagando minha cabeça em seu colo.
ISABELLA
Céus! Como eu odeio essa minha mania de agir impulsivamente, e tudo graças a idiota da Manuela. Ainda nem acredito que deixei a empresa nas mãos daqueles incompetentes! Mas , tudo bem, só é manter o foco. E se aquele garoto for mesmo filho dela e do David? Ela não tinha o direito de ter escondido o meu próprio sobrinho de mim. Durante a maior parte daquele voo eu me fiz a mesma pergunta: Como é que a gente pode amar e odiar tanto alguém ao mesmo tempo? Eu não sabia se dava uma tapa, ou se beijava a Manuela da próxima vez que a visse! Provavelmente eu ficaria com a primeira opção, eu não ia deixar aquela pose de anjo que a acabou de cair do céu nem aqueles olhos verdes penetrantes me tirarem de foco, eu iria obter respostas, e não arrumar mais perguntas pra martelarem a minha cabeça.
Depois de 8 horas o voo finalmente tinha acabado, desembarquei e assim que liguei o telefone fui bombardeada por mensagens de ligações recebidas, a maioria, pra minha surpresa, da Manuela. Disquei o numero dela e a ligação foi atendida.
– Graças a Deus, Isa! Passei o dia inteiro tentando te ligar. – Falava aflita.
– Você não tem ideia da vontade que eu estou de te matar agora! Como é que você decide ir embora de novo e me deixar sem nem ao menos avisar? Você não tinha esse direito! – Gritei.
– Calma Isa, eu posso explicar, eu só me precipitei um pouco. Você nem devia estar sabendo disso, eu ainda ia falar com você. Eu vou voltar, daqui a uma semana eu estou de volta, e de vez. – Explicou.
– Puta merda, Manu! Você é bipolar ou coisa do tipo? Custava ter me ligado ontem ou me atendido? Cara, eu juro que eu vou matar você! – Falei furiosa.
– Isabella, se acalma! Eu não quis falar com você ontem, depois te explico o porquê, era algo pessoal. Trata de se acalmar, por favor. – Disse calma.
– Ótimo! – Debochei ainda irritada.
– Você está em um aeroporto? Posso jurar que acebei de ouvir anúncios de voo. – Questionou.
– Estou Manuela, eu estou na droga de um aeroporto. Eu cometi a burrice de vir atrás de você! Céus, como alguém pode ser tão idiota? – Murmurei.
– V-você, o que? Isso é sério, Isa? – Questionou.
– É, droga! Vou ter que deligar, tenho que pegar um táxi pra o hotel que eu reservei. – Falei mais calma.
– Nada disso, eu estou há 10 minutos daí, passo ai pra te pegar! Você vai ficar na minha casa. – Ordenou.
– Levando em conta que a ultima pessoa que eu quero ver no universo é você, e que eu posso te estrangular enquanto você dorme, essa é uma ótima ideia! Melhor eu pegar um táxi e ir pra o hotel. – Insisti.
– Olha, eu já estou no carro, e não vou discutir enquanto dirijo, não sai daí. Você vai pra minha casa e acabou! Tchau Isabella! – Finalizou.
Como é que alguém pode ser tão irritante? E como é que eu pude ser tão idiotamente desesperada a ponto de vir até aqui? Eu estava começando a desejar que Manuela Monteiro nunca tivesse voltado, era mais fácil lidar com uma lembrança, bem mais fácil!
MANUELA
Mandei uma mensagem de texto pedindo a localização da Isabella e em pouco tem ela respondeu. Mais o que diabos tinha dado naquela garota? Vir até aqui, e furiosa comigo. Só podia ter sido o Filipe que havia comentado alguma coisa, ia me certificar de matar ele assim que chegasse. Eu nem acreditava que estava naquela situação, e o pior, ia ter que explicar tudo sobre o Otávio hoje mesmo!
– Finalmente encontrei você! Entra no carro. – Falei aliviada.
– Não precisava ter vindo me pegar, aliás, eu nem queria isso. – Resmungou entrando no veículo.
– Isa, eu nem acredito que você não pode esperar um dia por uma ligação. – Comentei dando partida.
– Não enche Manu! Você recusou todas as minhas ligações e logo depois de o Filipe ter me contado que você decidiu não voltar mais pra cidade assim que chegou aqui. – Gritou.
– Clama Isabella! Eu tive os meus motivos, não aja como se a minha vida girasse em torno de você. Eu tive um momento ruim e quase desisti de voltar, mas isso não te dá direito de ficar tão irritada. – Retruquei.
– Eu sou mesmo uma idiota! Você não dá a mínima pra o que eu sinto, eu ainda acreditei naquele papo furado de que você voltou por minha causa. E eu tenho direito sim de ficar irritada, porque tudo o que você sabe fazer é esconder coisas de mim e fugir! Você é especialista nessas duas coisas. – Falou exaltada.
– Isa, tem coisas que eu não posso te contar e eu disse pra você que quando voltasse tinha uma surpresa pra você. Claro que eu me importo com o que você sente, eu amo você! – Expliquei.
– Não, eu não admito que você abra a sua boca pra dizer que me ama! E saiba que você tá muito encrencada comigo. Eu estou cansada de esperar respostas de você, dessas suas meias verdades, eu quero tudo em pratos limpos Manuela! Eu só vim até aqui por que o seu filho me ligou ontem, então, por favor, me diz que ele não é filho do David e que você não escondeu meu sobrinho de mim. – Disse com a voz falha.
Meu corpo estremeceu com o que ouvi. Nesse instante eu freei o carro subitamente e encostei a cabeça na direção do carro. Não tinha sido daquela forma que eu tinha planejado que ela descobrisse. Então o Tavinho tinha ligado pra ela, provavelmente enquanto eu conversava com o Arthur.
– E-eu, eu te explico tudo quando chegarmos em casa. – Falei baixinho.
– Não precisa, eu já entendi tudo. – Falou fixando o olhar na janela lateral do carro.
Isabella não falou mais nada e eu muito menos ousei quebrar o silencio, dei continuidade ao percurso e em 20 minutos de estávamos na minha casa.
Notas finais
Gente, eu amo o Tavinho ♥3
O que acharam da atitude da Isa?
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