Notas iniciais
Aqui está o último capítulo da fic. Sinto muito pela demora e agradeço sinceramente a todos que a leram. Obrigada e boa leitura! :)

Mesmo preocupada por ter deixado Sara em casa, Catherine Willows caminhava segura de si pelos corredores que a levariam até Conrad Ecklie. Ela já havia falado com Brass e convencido o detetive a fazer com que Ecklie confessasse tudo. Não que Brass precisasse ser avisado, ele já estava pronto para agir.

Mas antes de encontrar o infeliz que havia feito sua amada sofrer, a loira foi até a sala de Grissom, e encontrou o supervisor imerso em um livro sobre insetos. Novidade, pensou ela. Catherine bateu levemente na porta, fazendo Grissom erguer os olhos e a encarar.

— Então – começou Catherine.

— Olá, Catherine. Entre – disse Grissom, apontando para uma das cadeiras. – Normalmente Brass pegaria seu depoimento, mas como todos sabemos, ele está ocupado.

— Sim, muito bem ocupado aliás. Espero que ele pegue pesado com o Ecklie.

— Não se preocupe quanto a isso. A maioria de nós esperou muito por esse momento.

Catherine assentiu, mas não falou mais nada.

— Como está Sara?

A loira ergueu os olhos e encarou os olhos azuis de seu supervisor. Seus olhos, por sua vez, procuraram por algum sinal, mas não encontraram nada a não ser uma sincera preocupação.

— Ela está melhor. O médico disse que ela vai precisar ficar afastada do trabalho por alguns meses. Vou fazer o possível para mantê-la longe do trabalho – acrescentou.

— Hum, isso é bom...

— É. Então, já resolveu? – Perguntou Catherine, mudando completamente de assunto.

— Já resolveu o que?

— Se vai aceitar a proposta do prefeito.

— Já sim, e decidi que não vou aceitar.

— Por que não? É perfeito. Seu salário aumenta, você terá mais horas de trabalho e ainda por cima vai levar esse laboratório para um lugar melhor.

Grissom sorriu levemente.

— Você está certa. Porém eu sou mais do estilo Sherlock, que quer solucionar crimes, desvendar mistérios. Não sou bom com política, e não gosto da papelada.

— Prefere colocar a mão na massa – concluiu Catherine e Grissom assentiu. – É, sei como é. Aliás, não sei. Mas enfim, vamos ao que interessa.

Na hora seguinte, os dois investigadores conversaram, Catherine contou tudo o que acontecera do seu ponto de vista detalhadamente. Grissom ouviu atentamente e anotava as informações.

Por um momento, arrependeu-se de não ter tentando algo com Sara. Mas depois percebeu que não teria dado muito certo... A mulher certa para a morena estava ali na sua frente e ele sabia que Sara estaria em boas mãos.

Enquanto isso na sala de interrogatório...

- Tem certeza que não quer um advogado, Conrad? – Perguntou Brass.

- Não tenho nada a esconder. Isso é um absurdo, eu nem ao menos deveria estar aqui!

- Tem razão – concordou Brass. – Deveria ter ido direto para a cadeia.

Ecklie fuzilou o capitão com os olhos.

- Cara feia, Ecklie? É fome – disse o detetive e riu da própria piada.

O interrogatório estava sendo feito já haviam duas horas e, por mais que parecesse pouco para uma pessoa qualquer, para Conrad Ecklie parecia que havia se passado duas semanas. Quando queria, James Brass conseguia fazer o suspeito tremer, fosse de medo ou de culpa. E o método escolhido pelo detetive, de sentar-se a diagonal do suspeito, mãos cruzadas sobre a mesa e olhar que nunca vacilava, parecia estar surtindo efeito em Ecklie, porque era possível ver uma fina camada de suor cobrindo-lhe a face.

- Estou com calor. Quero tomar água.

- A água acabou. Estamos com falhas no abastecimento de água nessa época do ano em Las Vegas. Muito calor, todas as pessoas bebendo água ao mesmo tempo...

Conrad sabia que o detetive havia disfarçado o assunto sobre a água, mas não disse nada. Não se atreveu a contestar. Brass deu um sorriso rápido e continuou:

- Então, Ecklie, vai falar ou não?

- Falar o que? Vocês já tem a confissão. Eu não preciso estar aqui...

- Precisa, sim. Os outros investigadores estão terminando os depoimentos e como eu estava sem nada para fazer, decidi conversar um pouco.

- Pode fazer o que quiser, detetive.

- Eu farei de tudo para que você passe o resto da vida da forma mais desagradável possível – garantiu Brass com um sorriso irônico e ao mesmo tempo sombrio.

- Não pode me ameaçar – disse Ecklie.

- Não é uma ameaça – Brass retrucou. – É um aviso.

Conrad engoliu em seco novamente. Seus olhos correram pela sala em busca de algum lugar para escapar dali, para longe daquela sala escura e do detetive, que continuava a observá-lo, desejando poder matar com o olhar.

Brass pareceu perceber a inquietação do suspeito, pois começou a sorrir novamente.

- Você não pode fugir, Conrad.

- É? – disse ele com um sorrisinho provocador. – Veremos.

O sorriso do detetive desapareceu e seu rosto endureceu-se em uma expressão tão séria que fez com que Ecklie desejasse não ter nascido. Sustentando o olhar, Brass levantou-se e inclinou-se sobre a mesa, deixando seu rosto próximo ao de Ecklie. Ambos ficaram ali por um momento, até que Conrad teve o bom senso de recuar.

-Você ainda acha que tem chances de ser salvo e ir para o céu, Ecklie? Pois aqui vão as más notícias: você vai apodrecer na cadeia. Você infringiu as leus do estado, feriu investigadores do LVPD, fora as denúncias feitas pelos funcionários sobre seu abuso de poder... Nenhum juíz vai considerá-lo inocente. Fim da linha, Conrad. Como detetive, estou satisfeito por todos terem feito o melhor. Como cidadão, eu agradeço que homens sem caráter e inúteis como você estejam presos – Brass ficou em silêncio e sentou-se. – Algo a dizer em sua defesa?

Conrad abaixou a cabeça.

- Culpado – disse ele.

- Pelo menos admite – comentou Brass para si mesmo. Em seguida, foi até Ecklie que já estava em pé, colocou os braços dele para trás e o algemou.

- Ei! – protestou ele. – Isso não é necessário!

- O caminho até o presídio de segurança máxima é longo. Não queremos que você desapareça, não é?

- Ai! – Ecklie reclamou quando Brass apertou as algemas. – Não tão apertado. Isso é violência policial.

- Tem o direito de ficar calado. Anda, vamos.

Brass levou Conrad até o corredor e o ex-direto surpreendeu-se quando viu todos os funcionários do LVPD sair da sala de observação e encaminhando-se para as laterais do corredor. Ecklie começou a ficar irritado com a atenção que estava recebendo e parou no meio do caminho.

- Dê uma boa olhada, Brass – disse Brass. – Essa é a última vez que você verá esse laboratório. Ou colocará os pés aqui.

- O que estão olhando? – Perguntou Ecklie com seu jeito arrogante de sempre. – Vão fazer alguma coisa. Voltem ao trabalho!

- Você não manda mais aqui, Ecklie – disse Archie, alegremente. – Seus dias de escuridão e tirania acabaram! Somos um laboratório livre novamente, a ditadura chegou ao fim, viva a democracia! – Archie parou quando notou que todos ali o estavam olhando. – Que foi? Eu sempre quis dizer isso.

Brass girou os olhos.

- Aproveitem, sorriam enquanto podem. Eu vou voltar. Quando vocês menos esperarem, eu estarei aqui novamente.

- Certo. Chega de conversa. Vamos levar você para um lugar bem divertido. Você vai ter muitos amigos que vão adorar brincar com você. – Brass piscou para as pessoas.

Eles recomeçaram a andar e após alguns segundos de completo silêncio, alguns começaram a aplaudir até todos explodirem em uma salva de palmas muito animada. O detetive sorriu e piscou, até mesmo levantou o polegar direito e acenou.

Quando eles estavam prestes a virar no corredor, Catherine saiu da sala do supervisor e parou instantaneamente onde estava quando seu olhar cruzou com o de Ecklie.

- Willows – disse ele, num tom claro de desprezo.

- Conrad – respondeu ela, no mesmo tom. – Vejo que está indo para o lugar onde merece.

- É mesmo? E você que...

- Calma, calma! – Catherine ergueu as mãos num gesto para ele ficar em silêncio. E ele ficou. – Por que antes de nos vermos pela última vez, não fazemos as pazes?

Todos no laboratório olharam espantados para a loira, completamente chocados. Até mesmo Grissom colocou uma mão no ombro dela, preocupado que talvez sua colega de trabalho havia perdido o senso de razão.

- Hã... Catherine... – Grissom tentou argumentar. – Não é uma boa ideia você fazer isso...

- Por que não? – Catherine sorriu para Grissom e ele imediatamente entendeu que de nada iria adiantar se continuasse insistindo. – Ele merece, não é? Todos merecemos... acertar as contas... fazer as pazes...

- Não sei o que está aprontando, mas não gosto disso.

- Calma, Ecklie. Relaxa – Catherine aproximou-se de Ecklie e lhe estendeu a mão. – Amigos?

Conrad moveu os braços, mostrando que não podia responder ao gesto.

- Ah, tudo bem – ela deu de ombros e surpreendentemente, o abraçou. O movimento foi seguido por vários "ohs" e "ai meu Deus" daqueles que os observavam. Quando se afastou, Ecklie estava petrificado no lugar, tentando entender porque Catherine faria aquilo. – Pronto. Estamos quites. Pode seguir seu caminho, Ecklie.

Quando passaram por ela, Brass segurou em seu ombro e balançou a cabeça, ainda não acreditando que a loira tinha feito as pazes com Ecklie, mesmo depois de tudo o que tinha acontecido. Ainda chocados, os policiais continuaram seu caminho. Quando estavam perto da saída, Conrad parou.

— Vamos lá, Ecklie. Seus amiguinhos estão esperando.

— Espera... Tem alguma coisa dentro da minha camisa... Ai, o que que é isso? – Ecklie começou a pular e a se debater, tentando tirar o que quer que fosse das suas roupas. Uma aranha pequena caiu no chão e o vilão ficou branco ao descobrir o que estava picando seu corpo.

- Catherine... – disse Grissom, severamente. – Não acredito que você pegou as minhas aranhas.

- É por uma boa causa, Gil – Catherine riu maliciosamente e seus companheiros de trabalho acompanharam sua risada, enquanto o tirano sofria com as picadas das pequenas aranhas.

- Elas são venenosas? – Perguntou a loira inocentemente.

- Eu não sei. Eu ia testa-las agora.

- Opa...

- Encontramos o cobaia perfeito.

Catherine riu mais ainda e acenou de volta para Brass, que desapareceu do prédio com um sorriso.

- Você não tem limites, Cath – disse Nick, aproximando-se.

- Eu me sinto bem melhor agora.

- Como está Sara?

- Ela vai se recuperar. Vou cuidar muito bem dela – Cath olhou no seu relógio. – Bom, tenho que ir.

- Até mais, Catherine. Fico feliz que esteja bem.

A loira agradeceu com um sorriso e preparou-se para voltar para casa.

- Hora de voltar para a minha princesa.

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Quando a loira finalmente chegou em sua casa, já era noite. Imaginando que sua amada já estivesse dormindo, ela fez o mínimo barulho possível e foi até o quarto. Abrindo a porta lentamente, Catherine viu sua morena deitada na cama, coberta até a cabeça. Catherine riu e foi até o banheiro, onde tomou um banho e trocou de roupa. Ao voltar, viu que Sara estava deitada do mesmo jeito. Ainda tentando fazer silêncio absoluto, Cath ergueu a coberta e deitou-se ao lado de Sara, acariciando seu rosto ainda machucado.

- Hmm... Oi – murmurou Sara, sem abrir os olhos.

- Oi, princesa – sussurrou Catherine e abraçou sua namorada. – Como você está se sentindo?

- Agora que você está aqui? Bem melhor. Como foi lá?

- Tudo bem. Eu conversei com o Grissom e vi Ecklie sendo levado para a cadeia.

Sara estremeceu ao ouvir o nome dele.

- O que foi? – Perguntou a loira, preocupada.

- Nada – respondeu Sara e aconchegou-se no abraço protetor de Catherine. – É que... Estou feliz que tudo tenha acabado.

- Não vou deixar mais nada de mal te acontecer, minha linda...

Sara ergueu uma sobrancelha.

- Você... Você não está se culpando pelo que aconteceu, não é?

- Bom... Eu poderia ter sido mais cuidadosa.

- Não, Catherine. Por favor, não faça isso. A culpa não foi sua, a culpa não foi de ninguém. E estamos aqui agora. Eu estou bem e estou com você. – Sara sorriu levemente. – E eu não gostaria de estar em outro lugar.

Catherine também sorriu.

- Tudo bem. E não precisa ter medo, Sara. Eu não vou deixar mais nada de ruim acontecer com você e vou te proteger com a minha vida. Não sei viver sem você... Obrigada por voltar para mim.

- Eu que tenho que agradecer por tudo, Cath. Você me salvou... Não só do que aconteceu agora, mas me salvou de mim mesma. E eu sempre, sempre, vou voltar para você.

Catherine beijou a testa de Sara.

- O que eu posso fazer para você se sentir melhor?

Sara olhou para sua amada.

- Me beija.

- Com prazer. Eu te amo, Sara – sussurrou a loira, com seus lábios próximos dos de Sara.

- Eu também te amo muito, Cath. Você é tudo para mim – disse Sara e deixou que a loira a beijasse.

Naquele momento, Sara sentiu que finalmente estava segura nos braços de Catherine. Ela também sentiu vontade de chorar de alívio com a intensidade do beijo, vendo o quanto Catherine a amava, e apenas pelo que ela era. Não conseguia imaginar uma vida longe da sua amada. Nesse beijo, Sara entregou-se completamente, de corpo e alma, e pediu aos céus para que seu coração sempre fosse da mulher incrível que Catherine era. Ambas sabiam que o amor que sentiam era mais forte do que tudo, que poderia enfrentar e vencer qualquer coisa. Pois não importava o que acontecesse, elas continuariam unidas para sempre, entrelaçadas pelo amor.

Notas finais
Deixem um comentário!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!