Notas iniciais
Oi gente, valeu pelos comentários, graças a eles, escrevi esse aqui mais rápido. É pequeno, mas mesmo assim, boa leitura.

Sofia seguia o carro à sua frente como se sua vida dependesse disso. Pelo espelho conseguiu ver algumas viaturas saindo de onde havia acontecido o tiroteio. Bom sinal, talvez a confusão finalmente havia acabado; ela também não ouvia mais tiros.

Se por um lado as coisas estavam boas, por outro lado só pioravam. O carro de Hank estava indo de um lado para outro como se o motorista estivesse bêbado. Por entre o vidro traseiro Sofia conseguia ver Hank e Sara lutando pelo controle e aquilo não iria acabar bem. Por fim o carro voltou a andar direito na estrada pouco antes de uma grande curva. Sofia teria suspirado de alívio se não fosse por um caminhão vindo na outra direção.

- Saia do caminho, Hank, saia do caminho! – dizia ela, mesmo sabendo que era inútil. Ela não estava torcendo por Hank, não mesmo. Sofia estava preocupada com Sara que ainda estava dentro do veículo com um louco dirigindo. Ela diminuiu a velocidade do seu próprio carro para evitar uma segunda possível colisão e observou, chocada, quando alguém se jogava para fora e um barulho alto de buzina enchia o ar.

Catherine conseguia ver o carro de Hank cada vez mais perto. A velocidade de seu Denali não parecia ser suficiente para chegar até onde sua Sara estava. Seu coração batia rapidamente e seus pulmões se enchiam de ar cada vez mais rápido para dar conta da alta adrenalina que era despejada em seu sangue. Ela se sentia em um filme de ação americano, o que era uma ironia já que ela estava em constante ação contra o crime na cidade movimentada e eternamente desperta de Las Vegas. Mas aquilo era diferente. Normalmente nos filmes, aquele momento seria acelerado, como um clímax até que finalmente houvesse a parte de câmera lenta. Ali era ao contrário. Catherine estava se sentindo em total câmera lenta. Nada do que pudesse fazer parecia surtir algum efeito para sair de onde estava, embora esta estivesse se movimentando a mais de 100 km/h. O vidro dianteiro estava cada vez mais sujo por causa da poeira que brotava debaixo dos pneus a cada vez que estes encontravam o solo.

De perto, mas para Catherine ainda de muito longe, a loira conseguia ver o carro de Hank oscilar de um lado para outro. Na certa Sara estava tentando se livrar dele. Em meio a todo o episódio desesperador, Catherine sorriu, orgulhosa de sua querida Sara por ela nunca desistir de lutar. Mas nem tudo era orgulho e esperança. Havia uma curva enorme na frente, e Catherine suspirou quando o carro de Hank se estabilizou e conseguiu efetuar metade da curva com facilidade. Então surgiu algo no final dessa curva. Algo que Catherine nem sabia de onde poderia ter surgido, apenas estava ali. Com o dever de se tornar mais outro obstáculo entre ela e Sara. De todas as coisas, um caminhão na frente do carro onde estava sua morena era a última coisa que Catherine desejaria naquele momento. Ela estava em alta velocidade, vindo em linha perpendicular ao carro do sequestrador. Hank estava em alta velocidade, e pelas regras físicas que Catherine poderia rapidamente relembrar, eles iriam chocar-se com o caminhão.

Foram segundos. Mas sem dúvida os mais longos e desesperadores da vida de Catherine. Seu coração parou de bater naqueles pequenos e quase que insignificantes momentos. E foi nesse pequeno intervalo que Catherine percebeu que mais nada valia a pena no mundo, senão Sara. As preocupações com Ecklie e o emprego, os casos cada vez mais acumulados em filas sem fim, as discussões com Lily, as brigas agora desnecessárias com Lindsay, os pequenos incômodos de sua vida agitada. Nada mais daquilo importava. O foco de sua vida nunca antes esteve tão direcionado para um lugar como naquele momento. Imagens de seu primeiro beijo com Sara, o primeiro toque, o primeiro contato, o primeiro "eu te amo" entre elas assaltou sua mente de tal forma que Catherine não soube como houve tempo para relembra-las. Com o coração disparando ao máximo e com os olhos já embaçados pelas lágrimas teimosas, Catherine assistiu entorpecida quando sua amada Sara se jogava do carro milésimos antes da buzina do caminhão disparar pelo ar e do carro de Hank ser arremessado contra o obstáculo.

- SARAAAAA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! – Catherine gritou como nunca antes, seu carro a poucos metros do acidente. Sara havia pulado do carro ainda em movimento, e seu corpo ainda fora alguns metros para frente com o automóvel. Por sorte, ela parara longe o suficiente da batida para que saísse sem ferimento. Por outro lado, seu corpo jazia imóvel no chão.

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Catherine não sabia o que pensar. Escancarou a porta de seu carro e se lançou para fora, correndo ao máximo que suas pernas permitiam para chegar onde Sara estava. Pela sua visão periférica conseguia ver o caminhão fora da pista e o carro de Hank completamente amassado no outro lado da rodovia.

Catherine voltou sua atenção para Sara. Ela correu até sua morena e caiu de joelhos ao seu lado, colocando dois dedos no pescoço para encontrar a pulsação. Ela quase retirou sua mão do pescoço de Sara quando fez contato com a pele suada e fria. Catherine encontrou a pulsação, ainda que fraca, mas encontrou e começou a procurar por ferimentos. O braço direito de Sara estava em sua maior parte em carne viva, esfolado por causa da dura queda que ela acabara de sofrer. Havia um grande e profundo corte na testa da morena e Catherine não hesitou em arrancar um pedaço de sua própria blusa e tentar estancar o sangue.

- Sara... meu amor... está me ouvindo? Sara! – Catherine não tinha mais controle de suas lágrimas, que caiam sem que a loira percebesse. Sara não estava respondendo. Suas feições estavam pálidas e ela mal conseguia respirar direito. Não, aquilo não poderia acabar assim. Depois de tudo o que Sara passou ela não poderia desistir agora. Ela era uma sobrevivente! – Sara... Responda, meu amor. Sara...

- Meu Deus – disse a detetive Sofia ao se ajoelhar ao lado de Catherine. – Ela está muito ferida, vou chamar uma ambulância. – Dito isso, Sofia pegou seu celular em discou para o hospital mais próximo. – Alô? Aqui é Sofia Curtis, da Polícia de Las Vegas, preciso de uma ambulância imediatamente...

As palavras foram sumindo pouco a pouco da audição de Catherine. Ela não conseguia pensar em mais nada, ouvir mais nada e ver nada além da sua morena seriamente ferida na sua frente. Cuidadosamente, Catherine colocou seus dedos perto do nariz de Sara para conferir se ela estava respirando. Não havia respiração nenhuma.

- Não, Sara. Não faça isso comigo, não faça isso conosco – Catherine implorava, torcendo para que no fundo Sara ouvisse lamúrias e voltasse a reagir. – Sara, por favor... Por favor... Eu faço qualquer coisa... Por favor, não me deixe... Sara! Sara!

- Acalme-se Catherine, a ajuda já está a caminho.

- Quanto tempo vai demorar?

- Alguns poucos minutos. Tenha fé.

Catherine inclinou-se sobre sua amada e colocou sua cabeça no tórax dela, tentando ouvir por mínimo que fosse a batida de seu coração. Em nenhum outro momento em sua existência Catherine implorou tanto aos céus pela vida de alguém. Ela estava desesperada, Sara era tudo para ela e se a perdesse...

Catherine balançou a cabeça para espantar os pensamentos negativos e se concentrou em ouvir a batida do coração de Sara. Depois de alguns segundos, Catherine se acalmou o suficiente para ouvir o batimento cardíaco de Sara.

- Ah, graças a Deus. Você está viva – disse Catherine e não pensou duas vezes antes de abraçar sua namorada.

- Catherine, não a aperte assim – Sofia colocou uma mão no ombro de Catherine para tentar afastá-la do corpo seriamente ferido da investigadora.

- Eu sei Sofia, eu tive aulas sobre isso em algum lugar – a loira retrucou e voltou a ficar ajoelhada ao lado de Sara, inclinando-se até que seu rosto ficasse a centímetros do rosto de Sara, suas lágrimas molhando as bochechas da morena. – Sara, você pode me ouvir? Sara? Acorda!

- Catherine, pare de sacudi-la!

- Shh, Sofia! Quieta! Sara... Sara... Sara...

Notas finais
Deixem um review que eu posto mais rápido!