Entregando a vida a Cristo
7 Capítulo 7
Novamente, Lúcia dormiu tarde — como vinha acontecendo nos últimos dias.
Ela havia conversado com Raquel, que finalmente explicou:
— Eu não te troquei por ninguém. Acontece que, quando eu não respondo, é porque estou ocupada. E você?
— Também. Ando fazendo umas coisas — respondeu Lúcia.
Agora as duas sabiam o motivo de uma e outra demorarem a responder.
E assim, voltaram a conversar normalmente.
Enquanto falava com Raquel, Lúcia também conversava com Raul.
Ele enviava fotos de desenhos que dizia serem dela — mas o retrato não parecia nada com Lúcia.
Os olhos no desenho eram verdes, mas os dela eram castanhos escuros.
O cabelo do desenho era liso, enquanto o de Lúcia era ondulado e com uma franja bagunçada — que agora já estava crescendo.
E, em vez da fita que ele desenhou, ela costumava usar uma fivela.
O desenho parecia mais com uma personagem de novela, mas estava bonito.
— Eu não consegui lembrar a cor dos seus olhos — ele se explicou. — A gente se vê tão poucas vezes…
— Você sabe o porquê — respondeu Lúcia.
— Porque a gente não se assume? — perguntou Raul.
Lúcia revirou os olhos. Nem namorado ele era, o que é que tinha pra assumir?
— Ainda não, Raul!
— Tá bom, eu vou esperar — respondeu ele, rindo.
Depois, mudaram de assunto e começaram a falar sobre arte.
Raul contava que gostava de aquarelas e mostrou alguns de seus trabalhos.
Até que ele era talentoso.
— Você é minha maior inspiração — escreveu ele.
Lúcia sorriu, envergonhada.
— Obrigada.
— Não precisa agradecer, minha princesa.
E assim, passaram horas conversando, até de madrugada.
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No dia seguinte, Lúcia acordou e fez o que sempre fazia pela manhã.
Depois do café, com um tempo livre, pegou o caderno e começou a escrever:
— 24/10 — 11:22 AM, sexta-feira
Ontem estive conversando com a Raquel.
Percebi que quem errou em tudo fui eu.
Por isso, nunca devemos julgar sem saber.
Ainda não terminei o capítulo da história da Rute, porque tem sido bem difícil.
Não quero fazer de qualquer jeito, de forma alguma.
Ontem também li algumas frases.
Costumo refletir sobre elas:
“Não são eles que estão te excluindo, é Deus quem está te separando.”
A Elisa tem se afastado de mim.
Fiquei mal? Não.
Estou super bem com isso.
“Cristo não anula dias difíceis, mas como é bom ter Cristo em dias difíceis.”
Quando entreguei minha vida a Cristo, eu estava passando por momentos bem complicados.
O Senhor estava comigo — e agora, que tudo parece normal de novo, mais do que nunca quero me aproximar d’Ele.
“Se a Bíblia chama isso de pecado, é pecado. Sua opinião não importa.”
Só Deus pode dizer o que é certo e errado.
Se está na Bíblia que é pecado, então é pecado.
“A vida é curta, mas a eternidade é longa.
Não brinque com sua alma.”
A gente tem que levar a alma muito a sério.
Esses dias eu estava feliz, e quase cheguei a cair novamente no pecado.
Mas foi pela misericórdia de Deus que consegui me livrar.
Meus pensamentos quase me levaram de volta a algo do qual eu já havia sido liberta.
A conversa com Raul me animou... mas veio uma animação terrena, e graças a Deus fui protegida.
Lúcia respirou fundo.
Lembrou do momento em que foi liberta — e reconheceu ali o Espírito Santo agindo, a guardando.
Depois que parou de escrever, almoçou e dormiu um pouquinho.
Quando acordou, tomou banho, vestiu uma blusa vermelha e um short azul-claro.
Ao terminar de se arrumar, viu sua prima Ângela na sala, conversando com as irmãs.
Ângela sorriu ao vê-la e disse:
— Agora vocês me dão licença, vou sair com a Lúcia!
E as duas saíram juntas.
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Como sempre, Ângela estava ali para ajudar Lúcia a fortalecer a fé.
Sentaram-se em um banco sob a sombra de uma árvore, e Ângela abriu o livro que trazia na bolsa.
Começou a ler:
> “Tudo que acontece com você tem significado espiritual. Tudo!”
— Isso mostra que nada na nossa vida acontece por acaso — disse Ângela.
Lúcia assentiu, lembrando do que tinha acontecido com Raquel.
Talvez aquilo tivesse vindo pra ensinar a não julgar sem saber.
> “É por isso que temos de orar: Seja feita a Tua vontade, assim na terra como no céu.”
— Essa parte mostra que é melhor que seja feita a vontade de Deus e não a nossa — explicou Ângela.
— Só Ele sabe o que é melhor pra nós.
> “Quando você é refinado pelas provações, as pessoas podem ver o reflexo de Jesus em você.”
— Porque é nas nossas fraquezas que Cristo se revela — completou Lúcia.
— Tem uma parte na Bíblia que fala de quando São Estevão foi apedrejado... as pessoas viram no rosto dele o rosto de um anjo.
— Exatamente. Por isso temos que ser humildes nas provações e firmes na fé.
Ângela continuou a leitura:
> “Sempre que Deus disser ‘não’ ao seu pedido de alívio, lembre-se: Ele está fazendo o que é melhor para nós, treinando-nos para viver o melhor da Sua santidade.”
— Por isso devemos obedecer ao ‘não’ de Deus — comentou Lúcia. — É melhor do que se arrepender depois.
Ângela sorriu e seguiu lendo:
> “Para fazer um bolo, você usa farinha, sal, ovos crus, açúcar e óleo. Sozinhos, cada ingrediente é desagradável, mas juntos se tornam deliciosos.
Assim também são as experiências difíceis da vida — Deus mistura todas elas e faz algo bom.”
— Então entregue seus problemas a Deus — disse Ângela. — Ele sabe o que fazer. Somos dependentes d’Ele.
Lúcia sorriu. Aquilo era lindo.
> “Entendam que os problemas vêm para testar a fé e gerar perseverança.
Deixem que esse processo continue até que se tornem pessoas de caráter maduro, de integridade, sem nenhum ponto fraco.”
— Sempre que um problema vier, permaneça firme, confiando em Deus — disse Ângela. — Vai passar. E quando passar, você vai perceber o quanto cresceu.
> “Você sabe que está amadurecendo quando começa a ver a mão de Deus nos acontecimentos confusos e sem sentido.”
— Isso você já deve ter percebido, não é? — perguntou Ângela.
Lúcia assentiu. — Várias vezes.
— Pois é, isso mostra que você está amadurecendo.
> “Se você olhar para o mundo, ficará aflito.
Se olhar para si, ficará deprimido.
Mas, se olhar para Cristo, ficará em paz.”
— O mundo só oferece uma alegria falsa — disse Ângela. — A verdadeira alegria vem de Cristo.
Por fim, Ângela fechou o livro e olhou para a prima:
> “Não desista — cresça!”
Lúcia ficou em silêncio, refletindo sobre aquelas palavras.
Mais tarde, já em casa, voltou a escrever.
Tentava terminar o capítulo da história — e, enquanto escrevia, as palavras da prima ecoavam na mente:
> “Não desista — cresça.”
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