Entrega
1 Capítulo Único
Notas iniciais
— Última da noite. — Caius falou, me entregando a pizza com o endereço grampeado em cima.
— Ainda bem, mal vejo a hora de dormir. — resmunguei, pegando a caixa dele.
— O pedido só foi meio confuso, então se estiver errado você só pede desculpas e me avisa se é para trocar.
— Certo. — concordei, estranhando isso.
Não que eu não estivesse acostumado às estranhezas que tem ao ser entregador, é cada coisa que a gente vê que é de deixar os cabelos em pé. Mal posso esperar para terminar minha faculdade de Biologia porque apesar de ser legal entregar comida às vezes, também é meio desagradável. Mas confesso que amo o vento batendo no rosto ao pilotar a moto pelas ruas da cidade, dá uma aura de leveza.
Verifiquei o endereço no papel e vi que já havia chegado, avisei o porteiro e ele me mandou subir. Qual não foi a minha surpresa ao chegar no terceiro andar e ter uma mulher ruiva olhando fixamente para a porta que eu vou entregar.
— Com licença... — falei e ela se assustou, dando um grito com toda a potência de sua garganta.
Devo dizer que é muita.
— Desculpa, eu estava distraída. — Ela falou, me olhando envergonhada. Me distraí momentaneamente com seus olhos verdes intensos.
— Tudo bem. — falei, acenando com a cabeça.
Antes que eu pudesse bater na porta ela falou:
— É para mim.
— Sério? — perguntei, estranhando.
— Sim, Renesmee Masen.
Olhei no papel e vi que o nome era esse.
— Alec Volturi, aqui sua pizza de calabresa. — falei, estendendo a caixa para ela.
— Então. Na verdade eu não quero pizza.
— Mas você fez um pedido em uma pizzaria. — falei lentamente, só para o caso dela não entender.
Jesus. E se ela fugiu de um hospício? E se ela for débil mental? Como é mesmo o número para pedir ajuda daqueles comerciais que eu não decoro?
— Eu sei, é que tem uma aranha no meu apartamento. — falou, gesticulando para a porta.
— Por que não chamou o síndico?
— Ele é um chato, não gosta de mim.
— Vizinho?
— Moro aqui há pouco tempo, não conheço ninguém.
— Aqueles caras que erradicam insetos?
— Só mata a aranha, por favor! Eu morro de medo de aranhas, elas tem aquelas pernas esquisitas, são oito! Elas correm rápido, e tem aqueles olhos! Por favor. — Ela praticamente implorou.
Não sei se foi a luz do corredor, mas eu posso jurar que os olhos dela se encheram de lágrimas.
Eu suspirei, esfregando o rosto.
— Pega aqui essa caixa. — falei, estendendo novamente e dessa vez ela pegou, sorrindo muito.
Okay...
Abri a porta e olhei para os lados à procura da desgraçada da aranha.
O que diabos há para temer uma aranha?
— Posso entrar para procurar? — perguntei, vendo que ela não estava na sala.
— Pode sim. — Ela concordou, dessa vez perto da escada.
Acho que se preparando para correr. Eu, hein.
Olhei no que parecia ser o banheiro, em seguida olhei no quarto e achei a aranha parada perto da cama, como se sempre estivesse ali.
— E aí? Então, vou só te apagar rapidinho porque a dona da casa não gosta de aranhas, sabe como é. — falei, tirando meu tênis.
— Falando assim vou achar que é louco. — A mulher falou, me olhando na porta do quarto.
Respirei fundo para acalmar meu coração do susto que levei.
— Olha quem fala, aquela que pede comida pro entregador matar uma aranha. — respondi sarcasticamente.
— É um caso sério, Alex!
— Qualquer um podia fazer, Renata. E meu nome é Alec. — corrigi.
— E o meu é Renesmee! — Ela corrigiu também.
Apenas revirei os olhos e matei logo a aranha.
Quanto mais cedo, mais rápido vou embora.
— Pronto, ela morreu.
— Mas e se ela só estiver fingindo? — perguntou, arqueando a sobrancelha.
— Ela não ia se fingir de morta. — respondi, apontando para ela.
— Mas e se essa for de uma espécie inteligente?
— Tá, só me traz uma vassoura e uma pá que eu dou um jeito nela. — falei, realmente cansado.
Ela ne trouxe o que eu pedi e joguei a aranha na lixeira do corredor, porque segundo ela: “A aranha vai reviver e sair do meu lixeiro.”
Sinceramente, isso não é mais medo. Nem sei o que é.
— Então, como forma de agradecimento você quer comer comigo? — Ela perguntou, quando pagou a pizza.
— É que acabou meu turno, tô indo para casa. — expliquei.
— Só um pedaço? Eu só pedi mesmo porque queria alguém para matar a aranha, não vou conseguir comer muito. — Ela falou, fazendo uma expressão triste.
Droga, por que as mulheres que me rodeiam tem essa expressão?
— Tudo bem. Acho que posso comer um pedaço. — Me dei por vencido e entrei quando ela gesticulou.
— Me desculpe por te chamar para matar uma aranha, mas eu realmente tenho muito medo, tenho aracnofobia. Fico um pouco paranóica. — Ela explicou, dando de ombros.
— Percebi. — murmurei e ela me olhou com os olhos em fenda.
— O quê?
— Pelo menos recebi. — desconversei, e tratei de pegar uma fatia assim que ela abriu a caixa.
— Obrigada por não me deixar sozinha aqui, e por matar ela.
— De nada. — respondi.
Realmente, até que não foi tão ruim. Foi rápido matar a aranha.
— Eu morava com meus pais, meu pai matava as aranhas que apareciam. — Ela contou, se sentando à minha frente. — Aí depois eu morava aqui com meu irmão, mas ele e o namorado decidiram morar juntos e então ficamos só nós duas morando aqui.
— Você e a aranha? — perguntei confuso.
— Eu e minha fobia! — Ela exclamou, frustrada.
Concordei e ela foi para o outro lado do apartamento, voltando com copos e um refrigerante.
— Eu sempre senti muito medo, fui diagnosticada com aracnofobia, mas até que agora eu sou mais controlada, se fosse antes eu tinha colocado fogo na casa.
— Ah sim. — concordei, continuando a escutar seus relatos de suas histórias com aranhas.
— Você é muito caladão... — Ela falou, eu arqueei a sobrancelha, surpreso. — Gostei de você.
Eu só ri, negando com a cabeça.
Terminei de comer e me levantei.
— Já vai? Não quer mais um pedaço? — Ela perguntou, se levantando rapidamente.
— Não. Hoje meu turno foi cansativo e tenho faculdade amanhã cedo. Mas obrigado.
— Obrigada você. — Ela falou, me seguindo até a porta.
— Qualquer coisa se aparecer outra aranha sabe para onde ligar. — brinquei, acenando.
— Eu já sei o número decorado. — Ela falou, acenando freneticamente.
Eu não sei se temo realmente que ela vá ligar. Mas até que sua companhia não é tão ruim...
Fale com o autor