Entre um Amor e um Perseguidor Psicótico
2 Capítulo 02
Notas iniciais
Cheguei em casa pelo anoitecer. O trânsito estava horrível e eu estava no meu último ônibus quando me aproximei do meu bairro.
Eu moro em um apartamento simples, um pouco afastado do centro de São Paulo.
No caminho, comprei um lanche para a janta e algumas porcarias para colocar na mala e comer na viagem. Chegando no prédio, assim que o porteiro liberou minha entrada, ouvi de longe os berros do meu pequeno companheiro. Seu pelo preto se camuflava bem e aumentava consideravelmente os riscos de um atropelamento.
— Cátia! — Disse o porteiro, pela janela — Seu leãozinho não saiu daqui, esperando você chegar! Ele estava desesperado já!
Dei risada, me abaixando e acariciando o pelo do gatinho preto.
— O pantera é um companheiro fiel! Ele quem protege esses apartamentos!
— Tem razão! O que seria de nós sem o matador de ratos?
Pantera era um gato abandonado, que tinha cerca de três anos. Ele não pertencia a ninguém e vivia solto nos corredores do prédio. Lá existia um consenso no grupo de whatsapp do condomínio: Sem animais domésticos, exceto o caçador de ratos! Quem chutasse ele, seria chutado pelo dono do prédio.
Entreguei uma sacola ao porteiro, com um saco de ração para gatos e alguns sachês de carne.
— Eu vou viajar amanhã. O senhor pode colocar ração para o Pantera?
— Menina! Se todos tratassem esse gato de rua como você, ele deixaria de caçar os ratos! Ele vai ficar obeso!
Demos risada e ele colocou um pouco de ração no potinho do Pantera, ao lado de sua cadeira.
— Vai para onde?
— Vou visitar minha família no Mato Grosso. Quero conhecer os pontos turísticos ao redor.
— Que bacana! Espero que curta sua viajem!
— Eu também! Até mais! Vou subir para arrumar minhas malas!
— Boa noite!
Antes que eu me virasse, o porteiro gritou meu nome.
— Menina! Esqueci de te falar! Sabe aquele garoto? O que você me deu a foto para proibir a entrada aqui no prédio?
Minhas mãos ficaram frias na hora.
— Então, ele veio aqui mais cedo. Acho que pensou que você já teria chego! Ele fez um escândalo para deixarmos ele entrar, mas eu mostrei o meu amiguinho — disse ele, com um taco de beisebol nas mãos — e disse que se não saísse, iríamos resolver no "diálogo".
— Nossa. Nem sei como te agradecer! Ele é um maluco!
Então ele chegou e colocou a mão no meu ombro.
— Cátia... Preciso te falar, como um pai de três garotas que está super preocupado com você... Fique atenta! Esse rapaz não é normal! Se precisar, vou com você e pedimos uma ordem de restrição.
Olhei nos olhos dele e me senti profundamente grata.
— Obrigado... Se realmente eu precisar, venho pedir sua ajuda e iremos à delegacia. Realmente... Obrigado por não ter deixado ele entrar...
— Eu lembro o escândalo que ele fez há dois anos. E vou te proteger como minha filha, se for preciso! Esses marmanjos mal criados merecem apanhar quando fazem isso!
— Eu sei. E esse merece muito! Mas foi algo que já acabou a tanto tempo. Não faço ideia de porque ele teria vindo atrás de mim. Mas já acabou. Amanhã vou embora e voltarei daqui a bastante tempo para nós dois esquecermos disso!
— Então suba! Boa noite de descanso!
— Boa noite!
Subi para o meu apartamento, mas não sem dar mais um carinho no Pantera.
Banho! É disso que preciso! E com urgência!
Me lavei e comecei a organizar minhas malas com eficiência. Se eu quisesse partir pela manhã, teria que deixar tudo no jeito e ter uma boa noite de sono.
Liguei a TV e no noticiário nada em particular me chamou muito a atenção. Mudei para um filme enquanto deixava a comida esquentar e aproveitava para passar um pano rápido no chão da cozinha.
Meu apartamento era pequeno, mas só para mim era mais do que o suficiente. Mandei mensagem para minha família e coloquei minhas malas perto da porta.
Depois do jantar, dormi profundamente. Eu estava de férias! Finalmente!
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