Entre suas asas
26 Uma conclusão: no mundo NADA é impossível de verdade!
Notas iniciais
Depois do incidente com Charlie e de quase o ter matado, Caroline me contou que ele estava bem, que ela o induziu a limpar-se e que esquecesse o ocorrido, também comentou que se ele estivesse usando algo com verbena (tipo o colar que Patch me dera para me proteger de Damon e Elena) ou a ingerido, nós não conseguiríamos hipotiza-lo. Agradeci a ela pelo o apoio e por estar disposta a me ajudar nesse processo, mas pedi para ficar sozinha. Eu não estava em condições de pensar nisso no momento. Todos os meus amigos, inclusive Patch, bateram a minha porta, querendo saber como eu estava. Não deixei com que ninguém entrasse, queria e precisava ficar sozinha. Ficar comigo mesma até conseguir me encontrar por definitivo.
No primeiro dia em que fiquei isolada em meu quarto, deixei apenas que Patch entrasse, queria conversar com ele urgentemente. E ele apareceu, vestindo uma camiseta de banda e calças jeans surradas. Seu cabelo começava a crescer novamente, chegando na altura das orelhas. Fios negros, ondulados e rebeldes como sempre. Deu passos cautelosos em minha direção, fitando meu rosto sem nem piscar.
–Oi. — Sussurrei enquanto ele se sentava ao meu lado na cama. Eu estava tão perdida, que nem mesmo havia colocado uma roupa decente ou sequer penteados os cabelos. Patch tinha que lidar com uma recém criada de pijamas, cabelos bagunçados e com oscilações de humor.
–Como você está hoje? — Ele pegou minha mão e a deixou em cima de sua perna. Seus olhos escuros me observavam de tal forma, que tive a impressão que ele estava com medo que eu cometesse alguma loucura.
–Vou ficar bem, não se preocupe. — Murmuro, olhando para nossas mãos entrelaçadas. Patch usa sua mão livre e ergue o meu rosto com o dedo indicador, seu olhar, como sempre, me fazia sentir transparente.
–Você não se alimenta ha um dia inteiro. — Disse ele, sua voz beirando a acusação.
–Se me trouxerem batatas fritas eu juro que como! — Brinquei, tentando suavizar o clima tenso que pairava ao nosso redor.
Patch não achou graça, seu rosto estava grave. Depois de um tempo, sinto que algumas lágrimas começaram a rolar pelo o meu rosto. Eu nem tinha percebido até Patch começar a secá-las com a ponta de seu polegar. Solto um suspiro pesado, inpacaz de fitá-lo com dignidade, decido que olhar pela a janela seria menos humilhante.
–Estou preocupado com você. — Diz ele. Sua voz ressoa bem fundo, no meu coração.
–Não se preocupe.
–Nao me preocupar? Nora, você está me excluindo da sua vida, eu mal a vejo direito e quando nos vemos, você é incapaz de me olhar nos olhos! — Solta ele. Me levanto da cama abruptamente, agora encarando o seu rosto bronzeado.
–Como você queria que eu estivesse? Saltitando feliz por aí? Bebendo o sangue de um e de outro sem me importar com nada? — Bufo alto, sentindo a raiva e a dorzinha ridícula da garganta me incomodar. Ponho as mãos na cintura. — Nunca mais vou ser a Nora de antes. Nunca.
Patch levanta-se também, tira as minhas mãos da cintura e me puxa pra ele de um jeito brusco. Seu rosto está a pouquíssimos centímetros do meu. Sinto o seu calor como sempre foi, só que agora as sensações ficaram mais intensas.
–Você sempre será a minha Nora, o meu anjo.
Minha raiva é substituída, novamente, por um choro convulsivo.
–Eu sou uma vampira agora. — Afirmo, um nó começou a se formar em minha garganta.
–Você ainda é a minha Nora, a minha namorada. Nada mudou aqui dentro
– Murmura ele, pondo minha mão sobre o seu peito.
Acabo abrindo um sorriso pequeno.
–Você ainda me ama então? — Pergunto, minha voz vacilou.
Patch revira os olhos.
–Já te falei que você era cega uma vez. Vejo que é verdade. Se eu ainda estou aqui, dentro do seu quarto e sentindo uma vontade enorme de te beijar....o que acha que isso quer dizer? — pergunta, meio arrogante, meio divertido.
Deixo minhas mãos na sua nuca e fecho os olhos.
–Amo você. — Eu falo.
–Eu... — Patch beija o meu queixo. — Amo...- ele agora vai para o cantinho da minha boca. — Você. — Concluiu ele, agora me beijando como nunca tinha feito antes. Como se o mundo pudesse acabar no minuto seguinte.
No restante do dia ainda decidi ficar sozinha. No segundo, fui obrigada a beber alguma daquelas bolsas de sangue da geladeira, então fui escondida na madrugada e pela a primeira vez me senti COMPLETAMENTE saciada com ela, sem nenhum vestígio de dor. Nada de ardencia, nadinha. Hoje, porém, acabei concluindo que me esconder de todos não faria as coisas ficarem melhores. De manhã cedo desci as escadas e encontrei Vee sentada no sofá com as pernas cruzadas e olhando com cara de tédio para Caroline que acabara de dizer alguma coisa.
Quando me viu, ela foi a primeira a se levantar e me deu um abraço muito forte.
–Baby, como você está?
Suspiro, já estava cansada de me perguntarem como eu estava!
–Diferente. — Respondo.
No mesmo instante vejo Patch encostado no batente da porta, me olhando com um sorrisinho cafajeste que me arrepiava. Acabei corando.
–Como assim diferente? — pergunta Caroline, vindo em minha direção com seus grandes olhos azuis transbordando curiosidade.
Dou de ombros.
–Não estou com sede, mas gostaria de um super copo de chocolate quente.
Ela trocou olhares inquisitivos com Bonnie, que tirou os olhos de algo que lia e começou a prestar atenção em mim.
–Não está com sede mesmo, Nora? — Indaga Patch, seu rosto me dizia que ele duvidava um pouco.
Reviro os olhos e no mesmo instante houve um ruído vindo de meu estômago. Aponto para a minha barriga e ergo uma sobrancelha.
–Não, estou falando sério. — Retruco e abro um sorriso. Eu estava me sentindo bem e normal, o que nunca poderia imaginar que fosse acontecer em décadas, quem dirá em alguns dias. Todos trocam olhares, Vee estoura uma bola de chiclete e sorri.
–Eu fiz lasanha ontem. — Me conta toda orgulhosa. Franzi a testa.
–O quê? Você cozinhando?
Vee pisca pra mim.
–Sim, baby. Ah...e Scott ligou, disse que quer falar com você.
–Ele já sabe que agora eu sou...
–Sim, sim. — Me cortou Vee, ela pegou meu braço e me levou até a cozinha. Todos nos seguiram. Sentei-me à mesa e fui servida com um delicioso pedaço de lasanha. Como eu estava com fome!
Caroline sentou-se a minha frente e Vee na minha frente. Patch estava de pé atrás de mim com as mãos em meus ombros e Bonnie acabou por se escorar na pia e cruzar os braços. Eu acabava de comer meu último pedaço quando não resisti e perguntei:
–Posso saber porque estão todos na minha volta? Sério, eu estou bem.
–Tem certeza de não está com sede? — Questiona Bonnie.
Bufo alto.
–Sim!
–Nora, corra até aquela árvore que fomos a alguns dias atrás e volte. — Fala a Care.
–Sério?
Ela sorri de um jeito estranho.
–Vá logo, estou curiosa!
–Com o quê?
Vee cruzou os braços e lançou um olhar pentelho para Caroline.
–É, por quê? — Pergunta.
–Com você, eu não estou acreditando nisso! Por favor, Nora, vá logo. — Murmura ela com o ar quase maravilhado.
–Algum problema com ela? — Agora fora a vez de Patch se manifestar, apertando forte os meus ombros.
Caroline solta uma risada animada.
–Quando ela voltar eu digo. — Responde com os olhos grudados em mim.
–Você não vai mesmo me deixar eem paz se eu não for, ne? — Suspiro, mas acabo sorrindo, querendo ou não, eu gostava muito dela.
–Exatamente. — Afirmou e me deu uma piscadinha.
Sem dizer mais nenhuma palavra, parti em retirada. Como antes, meus pés me impulsionavam a uma velocidade anormal porém, dessa vez, tive que prestar muito mais atenção no que acontecia ao meu redor. Me esforcei muito para não acabar tropeçando em algo. Na volta, quando estava prestes a chegar na casa de fazenda eu praticamente vertia suor e colocava os Bofes pra fora. Meu coração batia forte e rápido pelo o esforço. Todos me aguardavam na varanda.
–Quanto tempo? — Perguntei para Caroline.
Ela olha em seu relógio e seu sorriso fica enorme.
–7 minutos.
Faço uma careta.
–Fui pior que antes! Por que você está tão alegre assim? — Falo meio decepcionada comigo mesma. Por que estava suando tanto? O que tinha de errado comigo?
E
la se aproxima de mim com uma faça em mãos e faz um pequeno corte, que doeu mais do que o esperado, por sinal. Ela lança um olhar maravilhado para Patch. Ele estava com uma expressão que insinuava estar incrédulo e alegre ao mesmo tempo. Olho novamente para o ferimento, para vê-lo cicatrzar-se, mas não aconteceu. Não ainda, pelo o menos.
–Não acredito... — Sussurra ele. Vee batia palmas freneticamente e Bonnie estava estarrecida. Ergo as sobrancelhas e olho para o ferimento que me fizeram.
–Nora, seu cheiro...seu coração. Você está tão viva quanto antes. — Caroline responde, animada.
–Como assim? — A confusão estava evidente em mim.
–O vampirismo... Você...você está voltando a ser humana! — Exclamou com uma risada alta e surpresa.
– A Cura. — Murmurou Bonnie baixinho, se aproximando de mim com admiração. — Eu sabia!
Olhei para cada um ali, o esforço de correr me dava dor de cabeça e nada do que eles diziam fazia sentido pra mim. De humana passei pra vampira, de vampira pra humana novamente. Isso era impossível.
Pouco a pouco, meus olhos se fecharam e meu corpo ficou leve como uma pena.
Em seguida, comecei a sonhar com o meu pai.
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