Entre suas asas

5 Meu super herói? Não pode ser!


Notas iniciais
Hello! Escrevi esse capítulo agora e quis postar hoje porque...é meu aniversário! HAUHDUAHUAH õ/ Eu achei ele bem legal, fodastico. U.u :P kk

Patch não foi a aula na segunda-feira, terça, nem na quarta, e muito menos na quinta-feira. E eu não sabia dizer quais eram os sentimentos que tomavam conta de mim. Não posso negar que sim, eu me senti alíviada nesses dias em que não tive que lidar com as perguntas e os sorrisos indiscretos de Patch. Por outro lado, me sentia ridicularmente preocupada com ele. Será que algo de ruim havia acontecido? Será que fora assaltado e levado um tiro? Talvez tenha entrado em uma briga entre gangues e tenha ficado gravemente ferido.

A sexta-feira estava chuvosa, então pus o capuz do moletom na cabeça, para evitar que a úmidade fizesse com que os frizz do meu cabelo se rebelassem de vez. Saí do meu Fiat quase correndo pelo o estacionamento, ouvindo o Chak Chak das minhas botas impermeaveis pelo o piso cheio de poças. Encontrei Vee escorada no seu armário, digitando alguma coisa no celular.

–Bom dia- falei assim que cheguei perto o suficiente. Vee abaixou o aparelho e o guardou dentro da mochila. Olhou para mim com um sorriso animado. — Qual a nova?

–Temos um aluno novo!- Ela quase cantarolou. Abri o meu armário após identificar o código, e peguei os livros referentes as aulas de hoje. O fechei com um estardalhaço.

–Posso saber como você sabe?- Indaguei, caminhando ao seu lado pelo o corredor apinhado de jovens.

Vee me lançou um olhar de soslaio.

–Por favor, Nora! Sou reporter do jornal do colégio, você acha mesmo que eu fico por fora das novidades?

Eu sorri e balancei a cabeça em negativa. É claro que Vee sabia de tudo o que acontecia aqui dentro da escola. Se ela seguir a carreira de reporter investigativa, provavelmente terá muito sucesso.

–Quem é?- Quis saber.

Ela se aproximou mais de mim.

–Um tal de Scott. Tem 18 anos, é veterano e tem lindos olhos e um corpo de matar. Vai ter aula com você no último período, e os dois primeiros horários comigo!

Parei de caminhar e a fitei com as sobrancelhas erguidas.

–Você andou seguindo o cara?- Qustionei-a, meio que temendo pela a resposta.

–Helloooooo! Óbvio que não.- Ela olhou para os lados para confirmar que ninguém prestava atenção na nossa conversa e baixou seu tom de voz para nada além do que um sussurro. -Mas dei uma olhada na secretaria ontem. Tipo, eu estava sozinha e o diretor demorou para chegar...eu tinha que me entrerter com alguma coisa, né? — Vee estourou uma bolha de chiclete e sorriu.

–Na verdade, se o diretor ficar sabendo que você andou bisbliotando na sala dele, você vai acabar ganhando um ingresso só de ida para fora do colégio.

Vee agitou o ar com as mãos.

–Tanto faz. A questão é que estou apaixonada por ele. Parece que era Capitão do time de futebol da outra escola. Tinha uma foto dele em ação em um dos campeonatos.

–E o Jeremmy?- Perguntei só para perguntar mesmo. Já sabia da resposta.

–Enjoei, sabe. Mas sinto que com esse cara é diferente.

Revirei os olhos.

–Você mal o conhece.

Vee deu de ombros e parou na frente da minha primeira sala, abraçando os livros contra o peito.

–Sério, Nora, ele é lindo. Acho que mais lindo do que o seu Patch- murmurou, dando-me uma piscadela.

Franzi o cenho e suspirei.

–Patch não é meu- disse.

–Tá. E ele ainda não apareceu?

–Não vi ele ainda...talvez tenha vindo hoje. Espero que sim, porque preciso de uma nota boa em matemática.

–Você precisa é dele te agarrando forte.

Eu corei e Vee riu ruidosamente.

–Para, Vee.

–Você sabe que estou certa.

–Claro, claro. Sempre certa- sorri amarelo, e ela me retribuiu. — Preciso entrar agora, até depois.

As aulas se arrastaram, e conforme ia chegando o horário do intervalo, meu coração começava a se acelerar dentro do peito. Queria dizer que era somente porque estava ansiosa para ter uma aula maravilhosa com o professor Nathanael, mas a verdade era que eu ansiava que Patch estivesse do seu lugar...

Sabe como é, somente para decidirmos o lance do trabalho, e tal.

No lanche, Vee não parava de falar sobre Scott. Ao que parece ele havia sentado ao seu lado e puxado assunto. Comentou algo como "tinha mais músculos do que Jeremmy e que provavelmente beijava muito bem". Na verdade, eu mal prestava atenção em suas palavras. Vez ou outra meus olhos vagavam pelas as mesas do refeitório, procurando por um par de olhos negros me fitando. Mas não tinha nada. Temi que estivesse me apegando a Patch, o que seria, sem duvidas, um erro. Patch não é o tipo de cara que a sua mãe espera que sua única filha apresente para ela. Não se importava com os estudos, e acho que não tinha ambições na vida dele.

Obviamente, eu o estou julgando sem o conhecer. Mas algo dentro de mim me dizia que ele não era boa coisa. Papai me dissera uma vez que eu devia estar sempre atenta com relação a minha intuição, que ela nunca falharia comigo. Porém, não consigo deixar de me sentir atraída por ele. Parece que me sinto perigosamente atração por tudo que não consigo decifrar de imediato, o que pode, obviamente, me trazer sérios problemas no futuro. E Patch era problema, disso eu não duvidava.

A questão que pairava na minha cabeça, é: que tipo de problema exatamente ele representava?

Eu havia chegado vários minutos antes de bater o sinal na classe do professor Nathanael. Sentada no fundo da sala, meus olhos corriam a cada movimento mímino vindo da porta. Quando o sinal tocou, alertando a todos os alunos para que se dirigissem imediamente para as suas respectivas salas, e o professor entrou, sorrindo como sempre para a turma meu coração desacelerou, e junto com um alívio fajuta, me veio uma onda de frustração.

O Sr. Nathanael escrevia algumas equações no quadro, mas eu ainda nem havia pego a caneta de dentro da mochila.

Um garoto alto, musculoso e com um sorriso incrivelmente meigo entrou na sala. Pelo o que me pareceu, ele estava animado e nem um pouco constrangido por ter entrado na sala quando o professor já havia começado a aula. Ele pigarreou para chamar a atenção do Sr. Nathanael, que por sua vez ajeitou os óculos no rosto e estalou os dedos antes de estender a mão para cumprimenta-lo.

–Me chamo Nathanael, o professor de matemática avançada da escola. Você deve ser Scott, certo? A secretaria me informou que teriamos um colego novo a partir hoje na turma.

Scott sorriu para a turma e acenou. Vi que Marcie mordia seu lábio inferior e dava um sorrisinho mal criado, que chegava a me deixar constrangida. Hoje Natália não tinha vindo, e quando o garoto começou a percorrer a sala a procura de algum lugar para sentar, ele surpreedentemente escolheu sentar-se ao meu lado. Marcie franziu o cenho e me lançou um olhar venenoso. Dei de ombros.

–Olá.

Sorri para ele. Suas feições eram quase angelicais. O cara era muito bonito mesmo, mas Patch ainda habitava o primeiro lugar "Dos Caras Mais Gatos da Escola" que Vee eu haviamos montado no ínicio do ano. Scott poderia ficar com o segundo lugar.

–Oi, sou Nora- falei, tentando parecer simpática.

–Prazer te conhecer, Nora- murmurou sorridente. Digamos que era muito difícil ser indiferente a Scott. Ele parecia um ser solar. Não consegui evitar de compara-lo com Patch. Um parecia exatamente o oposto do outro. Poucas palavras foram o suficiente para que eu me sentisse completamente à vontade em sua presença, e eu me senti feliz com isso.

–O prazer é meu- comentei. O professor chamou a atenção da turma e não parou de falar até que o período terminasse. Queria dizer para mim mesma que havia entendido cada palavra que ele dissera, mas a verdade é que matemática é uma desgraça e eu não entendi nada.

–Vejo você na segunda?- Perguntou ele.

–Claro- sorri. Deixei de fora o fato de que já tinha um parceiro nas aulas de matemática. Ele partiu, acenando para mim e desaparecendo pela a porta. Guardei o meu material dentro da bolsa, e quando só havia eu e o Sr. Nathanael dentro da sala, percorri o espaço entre nós.

–Sim, Nora- disse com os olhos desfocados enquanto limpava as lentes dos óculos.

Me perguntei como ele sabia que era eu.

–Então...o senhor sabe que faço dupla com Patch, mas ele não tem vindo e...

–Ah, sim, Patch- cortou-me. Pôs os óculos no rosto e me fitou como quem pede desculpas.- Deveria ter te avisado, mas parece que Patch está com algum tipo de virose. Ligaram para a secretaria ontem, acho que ele volta na segunda-feira.

–Ah.- Foi só que consegui pronunciar naquele momento. — Obrigada.

Bom, Patch estava doente, isso quer dizer ele ainda era realmente o meu parceiro. Não sabia se ficava contente, ou não.

No estacionamente fui diretamente para o meu velho carro. Avisara Vee que passaria no super mercado no final da aula, e que ela teria que ir embora com a mãe dela hoje.

O mercado da cidade era grande, bem iluminado e bem abastecido. Enchi o carrinho com produtos para passar o final de semana com mamãe. Tirei a lista de dentro do bolso do casaco e o desdobrei o máximo possível para verificar se pegara tudo. Enquanto caminhava por um dos enormes corredores, senti que alguém me observava. Parei de repente e olhei para os lados, mas não tinha ninguém ali. Balancei a cabeça e continuei o trajeto. Paguei as compras com o cartão de crédito da mãe.

Eu tinha que atravessar uma avenida inteira para chegar no meu carro. O estacionamente do mercado estava lotado, e não tivera escolha a não ser deixa-lo encostado próximo a uma lojinha do conviniência. O deixara aos cuidados de um flanelinha, torcendo para aquele lugar não ser ilegal e não ter uma bela multa na janela do Fiat.

Os carros passavam rapidamente, o fluxo estava intenso. Olhei para os dois lados, um carro vinha do lado direito, mas estava distante e se se mantivesse na mesma velocidade constante poderia atravessar a Avenida se corresse rápido.

Ouvi uma buzina alta, e quando virei para o lado meu olhos foram ofuscados por uma luminosidade aterrorizantemente perto de mim. O carro estava a menos de cinco metros, e mesmo que eu não tivesse ficado paralisada de medo, não conseguiria escapar. Dizem que quando estamos na beira da morte a vida inteira passa diante dos nossos olhos, esperei mas não aconteceu. Braços fortes me puxaram para trás e eu tropecei na calçada, sujando a traseira da minha calça jeans. Meu coração estava acelerado, e meus olhos esbugalhados enquanto encarava Patch com lágrimas nos olhos.

–Como você...- Não fui capaz de concretizar a frase. Soluços tremiam o meu corpo inteiro. Patch me ajudou a levantar. Seus olhos estava muito negros, como sempre, mas havia uma fagulha...bem ao fundo, que não entendi o que era.

–Será que dá pra você prestar atenção na hora de atravessar a rua?- Não havia sorriso no seu rosto, ele estava sério e aparentemente irritado.

–Pensei que daria tempo- eu disse, me controlando para não abraça-lo e agradece-lo com beijos.

–Era óbvio até para um cego que não daria.

As lágrimas que desciam antes agora se transformaram num choro humilhante. Não conseguia me controlar, a adrenalina de quase ter morrido estava presente em cada parte do meu sistema nervoso.

Patch me olhou, e a dureza do seu olhar diminuiu um pouco.

–Desculpe, Nora, foi indelicadeza minha...

Levantei a mão para que ele parasse de falar.

–Não esperava nada a mais de você.

Patch ergueu o rosto.

–Eu salvei a sua vida, Nora.

–Obrigada.

–Onde você vai agora?- Perguntou, olhando para os lados.

–Minha casa.

Patch ajudou-me a catar as compras do chão e me acompanhou até o meu carro. Como eu temia, havia uma multa colada na janela. Franzi o cenho e suspirei.

–Era só o que me faltava.

Patch quase sorriu. Abriu a porta do motorista e entrou, depois inclinou-se sobre o banco e destrancou a porta do carona para que entrasse.

–O que significa isso?- Quis saber, cruzando os braços.

–Entre, Nora.

Levantei o dedo.

–Não, saia você do meu carro- disse.

Patch massageou as têmporas e suspirou alto.

–Nora, por favor, você não está em condições de dirigir agora.

Ponderei minhas alternativas. Patch não era o tipo de cara que desistia com facilidade. E tipo, ele não me faria mal...ele acabara de me salvar. Entrei no Fiat emburrada e fechei a porta com força. Pelo o canto do olho, vi que ele sorria da minha cara. Joguei as chaves para ele.

–Sua mãe está em casa?- Perguntou assim que percebera que eu estava me acalmando.

–Não.

Assim que pronunciei as palavras, percebi que deveria ter ficado quieta.

Patch seguiu pelas ruas em corrida. Eu deveria ter ficado com medo, mas surpreendemente confiava na sua habilidade ao volante. Em menos de 20 minutos, eu já me encontrava na frente de casa. A chuva caía forte do lado de fora do carro, tornando a paisagem do lado de fora um borrão. Virei a cabeça para Patch e estendi a mão.

–A chave do carro- falei.

Patch sorriu e jogou-a no meu colo. Funguei. Saí para fora, sentindo a chuva empurrar meu corpo para baixo. Fiquei esperando, toda ensopada, enquanto Patch se enrolava para sair de dentro do Fiat.

–Vai me convidar para entrar?- Perguntou ele, sorrindo através da chuva. Meus sentimentos pareciam como a chuva que caía sobre nós agora. Forte, amedrontadora e que fazia minha razão escorrer por água a baixo.

Continua...

Notas finais
Bye, bye. :D