Entre sapatilhas e coturnos
5 Capítulo 5
Lunna segue as pessoas, caminha por horas até chegar na fronteira do outro país, a entrada é fácil, não há barreiras. E como aquele senhor careca prometeu, cuidou dela e a deixou em um abrigo para refugiados, junto com várias pessoas.
Os dias se passaram, e sozinha, Lunna passa por muitas dificuldades financeiras. Acabou conseguindo emprego de faxina em uma casa de família, mesmo falando pouquíssimo a língua nativa, mas ganha pouco e mal dá pra comer.
Um dia ela fica sozinha na casa da família, eles tem computador com internet, ela faz todo o serviço rapidamente para dar tempo de vasculhar e tentar encontrar algo sobre Alison. Ela vasculha vários sites e acaba encontrando vários nomes de soldados, encontra ele e ainda descobre local onde ele está, inclusive o endereço, copia rapidamente e vai embora.
Ela chega no abrigo empolgada, arruma materiais para escrever uma carta:
"Ali, estou super contente em poder voltar a te escrever, você não sabe o que tive que fazer pra conseguir o endereço de onde você está, mas isso eu te conto em outro momento, agora eu gostaria de saber como você está, sempre estou pensando em você e fico imaginando como está agora, o que anda fazendo, mas confio em sua capacidade, pois se você está aí é porque tem suas potencialidades. A única coisa que mais quero é você perto de mim novamente, fico torcendo pra que passe rápido o tempo e imagino você chegando aqui no abrigo onde estou, vindo me buscar, penso nisso quase todos os dias, te espero todos os dias, mesmo sabendo que você está longe e não está a caminho, mas te espero, porque eu te amo. Mande cartas para mim o mais rápido possível, é uma forma de me confortar, eu me sinto sozinha, mesmo cheia de gente em minha volta para conversar, é que as pessoas mais especiais não estão por perto, promete sempre entrar em contato comigo?"
Depois que Lunna manda a carta, três meses se passaram. Alison não mandou mais nenhuma carta, ela fica preocupada. Continua a ver notícias sobre a guerra na Tv, mesmo com pouco acesso a ela, e sempre que vê sente-se mal. Certo dia, quando ela menos esperava, um carteiro chega no abrigo de refugiados e entrega uma carta:
"Querida Cookie, desculpa demorar tanto pra te escrever, fiquei super feliz em receber sua carta, pois eu realmente não esperava, agora estou sorrindo a toa, você realmente se superou, estou muito curioso pra saber o que você fez pra me encontrar, pode me contar na sua próxima carta? Eu estou bem, mesmo com muitas dificuldades, pois passamos fome, sede, dor, exaustão... Mas sempre estamos de prontidão para atacar e defender a todos, essa é a nossa missão, nosso dever, estar aqui me faz um homem melhor, porém ainda tenho muito o que melhorar, vai demorar muito pra me transformar na pessoa que quero ser, mas aprendi que posso ir além dos limites que eu próprio coloquei. Penso em você todos os dias e fico feliz em saber que você está bem, agradeça aquele senhor pra mim. Dói muito ficar longe de você, porém não importa o quanto o meu coração esteja sofrendo, o mundo não vai parar, a guerra não vai acabar, portanto, preciso seguir em frente. Só te peço uma coisa: Confie em mim e continue me esperando nesse abrigo onde está, que quando tudo terminar, você vai parar de me imaginar chegando e vai me ver de verdade, pra poder matar toda a saudade. Te amo, assinado, o seu Ali."
Lunna tenta tocar a sua vida normalmente sem o Alison, mas todos os dias ela se lembra dele. O tempo passa e Lunna continua morando no abrigo para refugiados, e as pessoas que chegaram lá junto com ela, aos poucos vão se ajeitando na vida e vão embora, ela permanece pois não tem vontade de sair, mesmo sabendo que deveria fazer o mesmo, sente-se angustiada por tudo e além disso, está esperando o Alison voltar.
Um dia caminhando pelas ruas, ela vê pela janela uma garota vestindo um tutu de bailarina azul, fazendo graciosos passos de ballet, foi o que bastou para abrir um pequeno sorriso em seus lábios, então resolve entrar e fica olhando ela dançar, depois bate palmas.
—Você também gosta de ballet? — Pergunta a bailarina
—Eu amo, também sei dançar como você.
—Legal, quer entrar para o nosso clube?
—Eu adoraria, o que preciso fazer?
—Nada, basta gostar de dançar.
—Então estou dentro!
A partir desse dia passou a frequentar o clube de ballet, Lunna finalmente encontrou algo que a faz bem. Começou a ensaiar para uma apresentação e fez novas amizades.
O tempo passou se arrastando e dois anos se completam, Lunna aguarda a chegada de Alison ansiosamente, porém recebe uma carta que a deixa imensamente triste:
"Querida cookie, meu tempo de guerra está terminando, porém tenho uma novidade para te contar: Recebi uma proposta para ser cabo do exército. Meus esforços foram reconhecido e vou subir de nível, eu estou super feliz, espero que você esteja orgulhosa de mim. Eu vou aceitar essa proposta e vou ganhar um grande salário, e também vou ficar mais tempo por aqui, mas não se preocupe, antes de ser nomeado vou ter alguns dias de folga e vou aproveitar para ir ver você. Espero que você possa me compreender e me apoiar, me escreva e me conte o que achou da novidade."
Lunna não gostou da novidade e o responde escrevendo outra carta:
"Ali, li a sua carta e vou ser bem sincera: Eu não gostei e fiquei muito triste, porque eu não aguento mais ficar esperando, não aguento mai essa guerra, não aguento mais ficar sozinha, eu só queria você aqui comigo, você é a única pessoa que eu tenho no mundo, só quero que você volte por favor, estou cansada de tudo isso. Já me decidi: e você for mesmo continuar nessa guerra e aceitar esse cargo, eu vou embora desse abrigo, eu te amo, mas não posso ficar te esperando para sempre, além disso, não posso ficar morando em um abrigo para sempre, preciso tocar a minha vida, sinto muito."
Ao receber a carta, Alison fica decepcionado, ele pensou que ela iria ficar feliz e apoia-la, fica tão magoado que nem responde a carta, ao perceber que ele não respondeu, Lunna o que planejou e sai do abrigo, sem muito recursos financeiros, o máximo que conseguiu foi alugar um quarto, ao chegar no local fica pensativa sentada na cama:
—Será que eu fiz a coisa certa?
Os dias passam e Alison passou os dias de folga longe, não foi ficar com Lunna, e ela fez o que mencionou na carta, durante esse período pensou muito em tudo o que ela disse e em seu novo cargo, resolveu não aceitar e ir procurar Lunna e viaja por horas até chegar no abrigo onde ela estava e se depara com sua ausência, vê uma garota que ainda mora lá e pergunta sobre ela:
—Olá, você por um acaso conhece uma garota chamada Lunna?
—Conheço sim.
—Você sabe onde ela está?
—Não, sinto muito... Espere, você é Alison?
—Sou sim.
—Ela me falava muito sobre você, eu acho que ainda dá tempo de ir atrás dela, e vale a pena, pois ela vivia falando que te ama e que estava te esperando.
—Será que ela foi pra muito longe?
—Eu acho que não...
Ele resolve andar pela cidade afim de encontra-la, faz isso por dias, anda por vários lugares movimentados, como praças, feiras, supermercados, mas não encontra.
Lunna tenta tocar a sua vida normalmente sem o Alison, mas todos os dias ela se lembra dele, e começa a se arrepender do que fez. Ela tenta se reconciliar através de uma carta, que nunca chegou até ele. Ela continua a trabalhar em casas de família e a frequentar o clube de ballet.
Enquanto isso, Alison continua com sua procura um tanto decepcionado:
—Pensei que seria mais fácil encontrar a Lunna e que só de andar pelas ruas a encontraria, por ser uma cidade pequena, mas está sendo tão difícil. Já fui em praças, mercados, andei em várias ruas, feiras e nada, como pode ser tão difícil encontrar uma pessoa assim?
Então vê um cartaz na parede:
—Espetáculo no clube de dança? É isso! Se a Lunna ainda mora nessa cidade com certeza frequenta esse clube! Vou vir nesse dia.
Lunna acabou fazendo uma certa amizade com aquela bailarina:
—Ei, nós poderíamos ensaiar mais uma vez amanhã? O dia da apresentação está chegando.
—Desculpa Lunna, marquei de sair com meu namorado,vai ficar para a próxima.
—Ah... Tá bom então...
—Podemos marcar pra sair nós 2 juntas, sem namorado, o que acha?
—Parece legal, já que... Eu não tenho mais namorado.
O dia da apresentação chega. Porém, Lunna trabalhou o dia todo e chega em casa exausta, ela decide que antes de ir para o clube, vai descansar um pouco pra apresentar a todo o pique. Mas acaba adormecendo. Alison chega cedo no clube, senta-se em um lugar com uma boa visão do palco, para ver ela entrar, mas Lunna não apresenta e chega atrasada.
—O que aconteceu?? -Pergunta Laura, a bailarina do tutu azul
—Eu estava muito cansada e acabei adormecendo.
—Que pena, a gente já apresentou.
—Ah não! Eu queria muito ter apresentado!
Enquanto isso do lado de fora, Alison está decepcionado:
—Acho que a Lunna não mora mais nessa cidade, eu procurei tanto, agora eu vou desistir.
No outro dia, ele arruma suas coisas e caminha pela rua com o resto de esperança que ainda tem.De repente, passa um ônibus e cruza com ele na rua, Lunna está dentro dele e eles vêem um ao outro, ela aperta a campainha pra descer imediatamente e ele corre atrás do ônibus gritando o nome dela, assim que ela desce, vê Alison um pouco mais adiante, ela completamente surpresa com as mãos na boca, vai ao seu encontro. Ele para de correr e tenta recuperar o folego com as mão nos joelhos, depois levanta a cabeça e dá um sorriso, ela corre para abraça-lo, ele retribuí muito forte o abraço e levanta um pouco ela do chão.
—Alison!! Eu pensei que estivesse longe!
Lunna não consegue controlar a emoção e chora, olha para o rosto dele e diz:
—Eu me arrependi de ter mandado aquela carta, não devia ter desistido, você é muito importante pra mim.
—Você não sabe o quanto te procurei, estou nessa cidade a dias!
—Eu nunca perdi a esperança de te reencontrar, meu amor.
Ele encosta sua testa na dela com os olhos fechados e sorrindo, ela também fecha os olhos, logo trocam um beijo emocionado.
—Não quero perder você Cookie, decidi não voltar para a guerra nem aceitar o cargo.
—Porque não?
—Porque percebi que você precisa de mim assim como eu preciso de você.
—Eu fico imensamente feliz
—Você estava dentro do ônibus, onde estava indo?
—Ah, eu estava indo trabalhar, fiquei tão emocionada com você que até esqueci. Acho que não vou hoje — Ela acaricia a cabeça dele com as duas mãos
—Não precisa faltar, me mostre onde é que vou te buscar.
Lunna trabalhou sem acreditar direito no que aconteceu.
—Será que dormi no ônibus e sonhei? Ele estava o tempo todo me procurando, é a maior prova de amor que poderia ganhar na vida.
Quando termina o seu expediente, ela sai apressada, olha para os lados e não vê ele.
—Psiu!
Ela olha para trás e vê ele encostado numa parede apoiando um pé no chão e o outro na parede breve aceno. Ela vai até ele e rouba um beijo demorado.
—Eu passei o resto do dia ansiosa pra te ver de novo.
—Eu também, estou aqui faz tempo.
—É mesmo??
—Quer dar uma volta? Já conheço a cidade toda.
—Como assim?
—De tanto andar por aí a sua procura.
—Coitadinho...
Ele conta algumas de sua experiências para Lunna, ela escuta cada palavra com muita atenção, ela diz:
—Nunca consegui entender o porque de tantas guerras, tanta gente inocente morre, inclusive soldados, conheci muitos que morreram, tenho sorte de estar vivo. Mas me orgulho por ter defendido tanta gente, ninguém tem culpa da ignorância humana.
—Ali, eu te admiro e tenho muito orgulho de você pelo homem que você é, pelo tanto que você se esforçou e pelo tanto que mudou.
—Não fale assim que fico envergonhado -Ele sorri
—Só estou falando a verdade...
—Nunca que aquele fracote, magrelo e de óculos iria aguentar, haha
—Mas era você, e eu gostava de você quando era assim também.
—Ah fala sério Cookie! Haha...
Ele mexe no cabelo dela depois dá um beijo ela dá outro.
—Ei, eu preciso te mostrar onde é a minha casa, não quero perder você de novo!
—Você não corre mais esse risco amor!
—Nunca se sabe, eu fiquei um pouco traumatizada, venha! — Ela pega na mão dele.
Eles chegam lá e Lunna leva ele pra dentro sorridente puxando ele pela mão
—Vamos fazer um lanche?
Lunna faz de tudo pra agradar Alison, pega todo o tipo de comida e coloca na mesa.
—Ah eu não tenho cookies!
—Não se preocupe, eu tenho o pacotinho perfeito.
—Você tem aí?
—Sim, você! haha!
—Engraçadinho... Eu não vale.
Depois do lanche, eles resolvem sentar no sofá para poder namorar, são muitos beijos na boca, no pescoço e carícias, em um momento, Alison diz:
—Eu te amo, nunca amei ninguém na minha vida, só você. Não sei o que faria se não tivesse te visto no ônibus, acho que iria pirar.
—Eu que iria atrás de você, nós iríamos nos reencontrar de qualquer jeito, pode ter certeza.
Seus beijos ficam cada vez mais quentes, Alison fica sem sua camisa, seu tórax é definido e Lunna acha muito bonito, aproveita para passar suas mãos lentamente. Ele também tem vontade de toca-la e coloca suas mãos dentro da blusa dela depois tira, ela fica um pouco envergonhada e sorri, ele faz o mesmo. Depois ele pega na calça dela para tira-la e acaricia todo o seu corpo, ela tira a calça dele também. Ele a agarra de repente e a deita no sofá,beija sua barriga até chegar na boca e depois diz:
—Esse é o melhor momento para termos a nossa primeira vez, você quer?
—Eu quero, mas você tem...
—É uma história meio constrangedora, mas eu tenho.
—Como assim?
—Meus colegas soldados descobriram que eu sou virgem e colocaram um preservativo na minha bolsa pra zoar comigo, e eu guardei.
Ele levanta da cama, vai até a calça no chão, pega sua carteira e o preservativo e volta pra cama com ele e mostra a Lunna que está sentada olhando, eles trocam um sorriso e voltam a se beijar. Ele pega no sutiã dela atrás e tenta tirar mas não consegue:
—E-eu não consigo.
—É fácil...
Ela coloca as mãos para trás, abre de primeira e fica envergonhada, é a primeira vez que alguém vê seus seios, mas tira o sutiã assim mesmo devagar, e ele também envergonhado, desvia o olhar e olha para o rosto dela. Eles deitam na cama, Alison acaricia o corpo dela inclusive seus seios, depois começa a tirar a calcinha, logo tira a cueca, ele coloca a camisinha e deita-se por cima dela. Quando tudo termina, ficam deitados abraçados, em silêncio, curtindo o momento, ele brinca com os cabelos dela com movimentos circulares, já que são encaracolados, ela gosta do carinho e fecha os olhos, eles pegam no sono por algum tempo, mas Lunna tem o sono leve e acorda logo. Já era noite.
Os dias se passaram e Lunna volta a estudar ballet e se forma, Alison continuou com a carreira militar, mas não voltou para a guerra.
Em sua festa de formatura, Lunna estava usando um vestido rosa curto e uma maquiagem combinando, ela deixou seus cabelos soltos, estava muito bonita. Alison também estava lá, dançando na festa com ela, mas Lunna estava achando ele um pouco diferente, um tanto estranho, mesmo assim resolveu não comentar nada.
—Eu tenho uma surpresa pra você — Ele parece um pouco nervoso
—Surpresa? Eu adoro surpresas!
—Me espere aqui que eu preciso falar com algumas pessoas.
Logo ele se dispersa, ela começa a ficar aflita:
—O que será que ele vai fazer?
De repente, alguém começa a falar no microfone, era Alison:
—Boa noite a todos, eu gostaria de continuar essa festa fazendo uma homenagem a alguém.
—O QUE?? Mas ele só pode tá louco! O que tá fazendo Alison!!
—Lunna, meus amigos e eu queremos dançar pra você, espero que você goste.
Então uma música chamada One a Million — Ne Yo, começa a tocar e mais dois rapazes se aproximam dele e começam a dançar. Lunna não sabe como reagir, ela está em choque, mas a música é contagiante, todos gostam e são muito receptivos a apresentação, logo ela começa a gostar também e a dançar sozinha enquanto assiste, é uma música que os dois gostam muito e ela canta também, eles dançam muito bem e perfeitamente sincronizados. Porém, em um momento da música os rapazes se aproximam dela e Alison se abaixa na frente dela, ajoelha um só joelho no chão e a entrega uma caixinha:
—Casa comigo?
Ela fica de boca aberta e com os olhos arregalados por alguns segundos, mas logo abre um enorme sorriso e o abraça:
—Não preciso nem responder, não é? Claro que eu me caso com você amor!
Ele se levanta e ergue ela do chão com o abraço enquanto Lunna o beija. Todos em volta ficam eufóricos e fazem muito barulho. Depois Alison e Lunna continuam a dançar a música juntos.
Fim.
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