Notas iniciais
Essa história foi baseada no Kentin do jogo amor doce, porém os nomes são trocados.

Lunna é uma garota alegre e ama dançar, principalmente se for ballet clássico, faz aulas desde os 6 anos de idade, hoje está com 11 anos e pretende nunca parar. Para ela, o momento de colocar seu tutu de bailarina e suas sapatilhas são momentos mais que especiais, ainda faz um coque em seus longos cabelos negros e cacheados e o enfeita com um laço rosa, aliás, ela ama a cor rosa.

Sua mãe ama ver sua filha dançar como qualquer mãe coruja, ela sustenta a família com um restaurante simples, cozinha vários tipos de pratos deliciosos. Lunna tem um irmão menor de cabelos encaracolados e olhos verdes, que é muito apegado ao pai, mas arruma muita confusão na escola. Certo dia, depois da aula, Lunna estava no restaurante de sua mãe e se lembra que aquele dia é o aniversário do seu amigo Alison.

—Mãe! Hoje é o aniversário do Ali! Ele está fazendo 12 anos, você pode fazer um bolo pra ele? Eu quero levar até a casa dele!

—Faço sim filha, um bolo de que?

—De chocolate, coloca bastante chocolate!

Mais tarde, ela pega a sua mesada que guarda com muito zelo em um pote cor de rosa, e compra um presente para o seu amigo, depois pega o pequeno bolo que sua mãe fez e vai até a casa dele. Alison não tem muitos amigos, a Lunna é uma das poucas, além disso, é motivo de chacota em sua escola por ser muito magro e por usar óculos muito grossos, e cabelo com um corte "cortado na tigela" as vezes apanha de valentões. Seu pai é militar e muito severo, e toda a vez que ele apanha na escola, apanha em casa.

Lunna se arruma para ir até a casa de seu amigo, deixa seus cabelos soltos, o enfeita com seu laço rosa, e usa um vestido branco com detalhes adivinha, rosa. Chega na casa dele e é recepcionada por um grito de Alison:

—Aaaa! Você lembrou! -Ele dá pulos de alegria na porta de sua casa.

—Como poderia esquecer?

—Obrigado cookie!

Ele a convida pra entrar e logo sua mãe pega pratos e talheres.

—Sua mãe quem fez?? Sua mãe como sempre é perfeita e maravilhosa para fazer bolos! -Diz Alison super feliz

Depois que comem bolo, Lunna resolve mostrar para o seu amigo o que aprendeu nos últimos dias em suas aulas de ballet, ela sabe que ele gosta de vê-la dançar, sempre fica encantado:

—Linda! -Ele bate palmas

Alison também gosta de dançar, e frequentemente dançam música pop, o gênero preferido de ambos, ele salta do sofá e liga o rádio pra dançar com Lunna. Porém, a diversão dura pouco, o pai dele chega em casa e abaixa o volume do rádio totalmente.

—Que bagunça!

Lunna espera o pai de Alison sair de perto deles pra poder falar:

—Acho melhor eu ir embora agora.

—Ah não, fique mais um pouco comigo, vamos até lá fora sentar no jardim da minha casa.

Eles sentam em um lugar qualquer e começam a conversar:

—Cookie, você é a minha melhor amiga, está fazendo o meu aniversário feliz, obrigado por ter vindo.

—Não precisa, Ali...

—Na verdade, as pessoas da escola me odeiam, e eu nunca fiz nada -Ele diz com uma voz triste.

—Ah, nem ligue... Eu gosto de você do jeitinho que é.

Lunna encosta a cabeça no ombro dele e ele retribui fazendo o mesmo em sua cabeça, assim ficam por algum tempo conversando.

Na manhã seguinte, ela vai com seu irmão Thomas a pé para a escola, no caminho encontram uma de suas amigas, Sofih. Ela tem bastante amigas em sua escola e sempre está no meio delas.

—Lunna, é hora do recreio, quer ir na cantina comigo?

—Quero!

Elas engancham o braço uma na outra e saem da sala. Mas durante o intervalo, uma de suas amigas chega correndo pra falar com Lunna:

—Seu amigo Alison tá apanhando lá no pátio, e é seu irmão que está batendo nele.

—Que?? O Thomas??

Ela vai até o pátio e vê que tem muitos alunos no local, mas um monitor interferiu a briga e Alison está sentado no chão, aparentemente com dor, o monitor leva o Thomas para a diretoria.

—Alison, porque você o deixou te bater? — Diz Lunna ajudando-o a levantar

—Eu não sei, não sabia como me defender. Além disso, ele é seu irmão.

—Nada a ver, pode bater nele! Ele te machucou?

—Ele chutou minha canela e deu um soco no meu estômago, está doendo muito, e isso não é a primeira vez.

—Você deveria ter me falado que o Thomas te bate, mas pode deixar, vou contar pra minha mãe.

Em casa ela conta para a sua mãe o que aconteceu, Thomas fica de castigo. Porém, já era noite quando alguém bate na porta da casa de Lunna, é o pai de Alison, aparentemente muito furioso.

—Onde está o seu pai??

—Acho que ele está na cozinha.

O pai de Alison empurra Lunna para poder entrar, então ela percebe que ele veio junto:

—O que aconteceu? -Pergunta assustada

—Me desculpe pelo o que vai acontecer agora... -Diz Alison com a cabeça baixa.

De repente eles começam a escutar uma discussão entre o pai de Alison com o pai de Lunna, vindo da cozinha.

—Que tipo de educação é essa que você dá aos seus filhos?? Seu filho bateu no meu novamente, eu não aguento mais isso!

—Lamento, mas você precisa ensinar o seu filho a se defender.

—O meu filho é um garoto sensível, e você deveria dar uma educação de qualidade ao seu!

O pai de Alison segura o pai de Lunna pela gola e lhe dá um soco, logo começam uma luta corporal. Lunna fica muito assustada e começa a gritar, senta no chão encostada na parede chorando, mas Alison senta ao seu lado e a abraça, na tentativa de acalma-la. Logo a briga termina e eles vão embora.

—Tá vendo o que você fez? Thomas Henrique da Conceição! Seu castigo será duplicado! -Diz a mãe de Lunna

—Mas..., mas eu...

Na manhã seguinte, Lunna vai a escola ainda abalada com a briga da noite anterior. Chega em sua sala pensando em seu amigo, mas ele não apareceu.

—Nossa, o que será que aconteceu com ele? -Pensa ela olhando a mesa vazia do amigo.

Mais tarde ela decide ir até a casa dele pra descobrir o que aconteceu:

—Meu pai vai me mudar de escola, ele quer me matricular numa escola rígida, com princípios militares, ele disse que eu sou muito fracote e quer que eu vire... Ammm, macho. Mas eu estou com medo.

—Sinto muito...

—Por isso não fui hoje a escola, pois amanhã vou começar na escola nova.

—Não se preocupe Ali, vai dar tudo certo. Eu venho te visitar sempre! -Diz Lunna arrancando sorriso dele.

—Porém, eu não vou voltar para casa, vou morar na escola por algum tempo, você me visita na escola?

—Como assim morar na escola?? Que dizer que vou ficar longe de você?

Lunna fica inconformada com a notícia, ela realmente gosta muito do amigo:

—Se for possível, eu te visito sim, Ali...

Os dias se passaram, e como prometido, Lunna decide ir visitar Alison, faz cookies com suas próprias mãos, porque sabe que ele adora. Coloca eles em pote rosa e combina com seu pai de a levar. Chegando lá, é uma escola muito grande, ela deixa seu pai no carro e entra sozinha. Passando pelo portão se depara com um campo super espaçoso e alguns alunos vestido de exército correndo. Percebe que Alison está estre esses alunos, ela faz movimentos com os braços grandes suficientes para chamar a atenção dele. Quando ele percebe, para de correr imediatamente, fazendo outros alunos caírem em cima dele, mas logo ele se levanta correndo em direção a Lunna, com um sorriso largo no rosto.

—O que tá fazendo aqui??- Diz ele a abraçando e quase a derrubando

—Eu vim te ver! Ah e também vim te trazer isso

Ela entrega o pote rosa com cookies de chocolate, ele abre e logo dá pulos de alegria:

—Oba! Obrigado!! Eu amo cookies!! -Ele dá outro abraço nela

—Eu sei! -Diz Lunna rindo, sendo apertada por ele

—Mas cookie, não acho uma boa ideia você entrar aqui, alguém pode brigar com você.

—É mesmo?

De repente, um homem vestido com roupa de exército chega perto deles, fazendo barulho com a garganta, Alison esconde o pote atrás dele:

—Você não deveria ter entrado aqui garotinha, você precisa sair agora.

—Sim senhor! -Ela diz com a cabeça baixa

Depois disso todos se afastam, mas Lunna chama pelo Alison, que olha pra trás rapidamente, ela corre atrás dele e lhe dá um beijo no rosto, o deixando com a mão no lugar onde foi beijado, ele cora na hora.

—Tchau! -Ela vai embora correndo

Os dias vão passando e a Lunna não foi mais ver seu amigo, pois a entrada pra visitantes naquela escola é muito limitada e seu pai não quis mais leva-la.

Certo dia em sua aula de ballet, sua professora entrega vários convites as alunas, com o objetivo de convidarem seus amigos e familiares para ver a peça de ballet, que elas estão ensaiando. Lunna vai até a casa de Alison e entrega para a mãe dele, ela promete entregar ao filho, mas não garante que ele irá, mesmo assim, ela fica esperançosa de rever o amigo.

Agora Alisson é aluno novo em uma escola, nada demais, porém há valentões prontos para agredi-lo, igual em sua antiga escola. Ele decide que deve se comportar como sempre se comportou: Ficando quieto em seu canto. Mesmo assim, não adianta nada, pois certo dia ele estava sentado no chão observando outros alunos, e um grandalhão chega perto dele:

—Ora ora, sangue novo, preciso batizar.

—Me deixe, em paz por favor! -Ele cobre a cabeça com as mãos esperando pelo pior.

—Que fracotinho, eu nem relei um dedo em você! Por enquanto...

—Vai embora, eu não fiz nada!

Alison ainda no chão de cabeça baixa, percebe um par de coturnos se aproximar dele, é outro garoto:

—Saia de perto dele seu brutamontes imundo! Eu não vou deixar você relar um dedo nele!

O Alison ergue a cabeça e percebe que o grandalhão foi embora, depois repara no garoto que o defendeu, aparenta ser mais velho e mais forte do que ele, tem os cabelos negros, sua roupa é toda camuflada e tem uma expressão muito séria.

—Qual é o seu nome garotinho?

—Ali...

—Ali? Que droga de nome é esse?

—Na verdade é só apelido, meu nome é Alison.

O rapaz se inclina em direção a ele e diz baixinho:

—Escuta aqui: Esse apelido é mais idiota do que você aparenta ser. Quer um conselho? Nunca mais permitam que te chamem de Ali. Entendeu??

Ele balança a cabeça.

—Agora levanta daí!

Alison se levanta rapidamente

—Amm... Obrigado por me defender.

—Vamos logo! A aula já vai começar, e se você precisar de mim, meu nome é Luan, mas tente não precisar.

—Tá bom...

Alison vai para a aula, senta-se em sua mesa e pensa na Lunna, lembra de quando ela trouxe cookies e lhe deu um beijo na bochecha.

—Eu já estou com saudade dela, será que ela vem mais vezes?

Na hora do intervalo, ele senta se em um banco no pátio e começa a comer seus biscoitos. Mas logo dois rapazes se aproximam dele:

—Que lindo... Potinho cor de rosa -Diz um deles

—Que mané! -Diz o outro dando um tapa atrás da cabeça dele

—Por isso te mandaram aqui, pra deixar de ser baitola!

—Boa! haha...

Alison abaixa a cabeça, um deles bate na mão dele e faz cair o biscoito no chão, depois vão embora, ele fica com muita raiva.

—Eu não deveria deixar os outros me tratarem assim!

Ele se levanta dali e vai para o seu quarto, acredita que pelo menos lá, pode ter um pouco de sossego. Ele tira a parte de cima de sua roupa, se olha no espelho velho que tem ali, faz poses fazendo cara de mal:

—Eu deveria colocar mais músculos nesses braços- Diz tocando em seus bíceps

Depois ele se deita na cama olhando para o nada:

—Se eu ficar forte corajoso vou poder impressionar a cookie! -Ele abre um pequeno sorriso

Ele leva um susto com alguém batendo na porta com força:

—Alison! Vamos ter um treinamento agora! Se apresse!

—Mas de novo??

Ele se veste e sai, quando chega no local de treinamento se depara com alunos se arrastando na lama, pulando obstáculos e escalando paredes, ele se assusta.

—Como vou fazer tudo isso?

—Tá esperando o que garoto?? Um convite por escrito?? -Diz Luan o empurrando forte, fazendo ele cair de cara na lama.

Ele começa a fazer a tarefa, mas acaba perdendo seus óculos, ele tenta encontra-los, mas não consegue, além disso, tem muitos alunos apressados o impedindo. Ele faz todo o percurso enxergando mal.

—E agora? O que vou fazer sem meus óculos? Não enxergo quase nada sem eles.

—Aqui está seus óculos -Diz Luan jogando na mão dele

—O-obrigado.

—Você precisa se livrar disso, além deles serem enormes e horríveis, te atrapalha muito. O que iria fazer se perdesse ele no meio de uma batalha?

—Mas eu preciso deles.

—Peça para seu pai comprar uma lente de contato, burro -Ele dá um tapa na cabeça dele

Ele volta para seu quarto, toma um banho e quando já era noite, recebe a visita de sua mãe.

—Que bom te ver meu filho, você está bem?

—Sim mãe...

—Olha, trouxe um convite de sua amiga Lunna pra você.

—Que legal, é uma peça de ballet, eu posso ir?

—Peça para o seu pai.

Ele gostaria muito de ir, mas sabe que seu pai não vai deixar. Os dias passam, e em uma tarde ele olha o convite sentado num canto triste, seu pai não deixou mesmo ele ir.

—É hoje o dia da apresentação da Lunna, agora ela deve estar se arrumando, com certeza está linda...

Nesse momento, os mesmos rapazes de outro dia se aproximam dele:

—Ballet?? Hahah... Isso é coisa de viado! -Diz um deles tomando o convite

—Ei! Devolva, é meu!

—Seja macho e curta um show de rock! Yeeeah!

—Tem muito homem que gosta de ballet, sabia? -Diz Alison se levantando e tomando o convite de volta.

—Olha só, ele tá tentando ser macho!

—Ele vai ver o macho agora!

Os rapazes se aproximam dele para agredi-lo, mas ele é mais rápido e dá um chute no meio das pernas de cada um, depois sai correndo longe, e começa a rir

—O que aprontou moleque? -Diz Luan que passava por ali

—Eu consegui derrubar dois manés!

—Que?? Fala sério? O que você fez? -Responde ele surpreso

—Dei um chute no meio das pernas de cada um!

—Achei que você quebrou o nariz de um e quebrou o dente de outro apenas com um soco!

Alison fica calado surpreso

—Mas já é um progresso, parabéns, está melhorando.

—Aaaah Eu estou melhorando! Isso é tão legal! -Diz ele pulando de alegria

—Menos Alison, menos...

Certo dia, ele estava caminhando pelo pátio perto do portão da escola, de repente alguém o chama no portão, é Lunna, o portão está trancado, ela não pode entrar, ele corre em sua direção.

—Cookiee!! — Ele se agarra na grade

—Ali, meu pai não quer me trazer mais, então eu vim escondida e sozinha. Acho que agora vai ficar difícil da gente se ver...

—Mas você é a minha melhor amiga...

Eles ficam triste e pensativos por algum tempo.

—Te prometo cookie, um dia ainda vou voltar a estudar na mesma escola que você, pra voltarmos a ficar perto um do outro.

—Você promete?

O Alison estica o dedo mindinho perto do portão, pra fazer a promessa do dedinho, Lunna aceita com um grande sorriso, e entrelaça seu dedo no dele.

—Eu vou ficar te esperando! -Diz Lunna com um grande sorriso

Eles se despedem e ele vai pra um treinamento, porém, começa a chover e todos precisam completar a tarefa na chuva, quando termina alguns alunos deixam ele do lado de fora do alojamento, trancam a porta e deixam ele na chuva e chora por algum tempo, mas logo lembra que está ali pra ter lições importantes para a sua vida:

—Já chega! Não quero mais ser um idiota fracote! Quero ser forte e corajoso! Eu vou sair daqui outro Alison e nunca mais vou deixar ninguém me humilhar!