Entre risadas e comemorações
1 Capítulo 1 - há lágrimas e felicitações
Notas iniciais
Levando o olhar para além do sogro sentado à sua frente, Eijirō observou o esposo... Katsuki vestia uma regata preta, que deixava exposto seus longos braços fortes e tatuados, distraidamente mordendo a língua por estar completamente focado na função que realizava com maestria na cozinha. Ele derramava o que restara da brilhosa calda de caramelo sobre o pudim, finalizando a sobremesa que havia começado a preparar mais cedo. Instantaneamente, a boca de Eijirō encheu d'água apenas com a vaga lembrança daquela calda dourada e enjoativa tocando em suas papilas gustativas. Hmmmm... Ela prendeu os lábios entre os dentes pontiagudos, refreando o espontâneo gemido que quase escapou de sua boca.
Um sutil aperto em seu pulso sobre a mesa trouxe-lhe de volta a realidade, e Eijirō encarou levemente ruborizada o olhar malicioso que Mitsuki despudoradamente dava para si enquanto recolhia o braço que usou para chamar sua atenção. Sorrindo sem graça, ela limpou a garganta e endireitou a postura.
— Desculpe. O que estavam dizendo?
— Não se preocupe, minha filha, logo nós vamos embora e você poderá aproveitar seu marido — respondeu Masaru, dando-lhe um olhar compreensível.
— Oh, nã-não, por favor! — exasperou-se, tentando esclarecer a situação. — Masaru, por favor, não estou expulsando vocês! — ela riu, sem graça. — Eu estava devorando o pudim… sabe? — segredou, piscando um olho para o sogro.
— Aham… Sei… — Mitsuki cruzou os braços, recostando-se na cadeira e olhando analiticamente em direção a nora. — Você está diferente, Eijirō.
— Ahn...? Diferente como, sogra? — Eijirō franziu as sobrancelhas rubras, levemente confusa e alarmada. Será que sua sogra havia percebido? Mas estava tão recente… Era possível?
— Mitsuki, por favor, não comece… — sussurrou Masaru, de modo que somente a esposa ouvisse. Ele abriu a boca para retornar ao assunto anterior, mas Mitsuki foi mais rápida em responder a nora.
— Não sei dizer o quê, mas sua pele está mais bonita. Eu diria até brilhosa… — Mitsuki deu um risinho debochado, apoiando os cotovelos na mesa e inclinando o corpo em direção a Eijirō. — Porra realmente faz muito bem para a pele, não é mesmo?!
— Mitsuki! — ralhou Masaru, horrorizado, levando as mãos ao rosto enquanto balançava a cabeça negativamente. Sua esposa não tinha jeito… Suspirando, ele encarou encabulado a nora. — Desculpa, Eijirō, sabe como sua sogra tem a língua solta, às vezes…
— Ah, caralho, ninguém transa nessa porra não?! — questionou Mitsuki, bufando ao bater as mãos na mesa. — Mal fizeram três meses de casados, é óbvio que ainda estão em clima de lua de mel, porra!
— Eu não quis dizer isso, amor, mas voc- — e Masaru deu início a um breve sermão; entretanto, o som de gostosas gargalhadas reverberaram pelo cômodo, chamando até mesmo a atenção de Katsuki que encarou a cena de sobrancelhas arqueadas, ligeiramente curioso com o assunto abordado à mesa para fazer a esposa gargalhar tão espontaneamente assim. Não que fosse difícil fazer Eijirō rir, mas...
— Es-Está tudo bem, sogro. Eu não me incomodo nem um pouco! — Limpando o canto dos olhos, Eijirō prontificou-se a suavizar o clima entre os sogros em meio a algumas risadas remanescentes. — Pelo contrário, estou acostumada com o “jeito Mitsuki de ser”. Katsuki é desse jeitinho também, está tudo bem! — Ela abriu um enorme sorriso de dentes pontiagudos, tendo os olhos brilhando pelas lágrimas contidas. Como amava a família de seu marido!
— Tá vendo, Masaru, você que é careta demais! — resmungou Mitsuki, de braços cruzados.
— Vou ajudar Katsuki com a sobremesa — anunciou Eijirō, levantando-se da mesa. — Já volto!~
Ela caminhou em direção à cozinha, sustentando o olhar indagador do esposo durante todo o percurso que fizera até entrar de fato no cômodo. Com um leve ar de inocência, fingindo ignorar o bufar do esposo em suas costas ao deliberadamente ser ignorado, Eijirō pegou um copo e encheu com suco de laranja, encostando o quadril na pia atrás de si enquanto parava de frente a um Katsuki de braços cruzados encostado na ilha. Vê-lo nessa posição era um verdadeiro colírio aos olhos… Em uma coisa tinha que concordar com a sogra: o clima de lua de mel não havia acabado entre ambos.
— Então, a bonita vai me contar ou terei que arrancar de você a resposta? — Katsuki finalmente deu voz aos pensamentos, flexionando descaradamente os músculos e inchando mais ainda o peito avantajado enquanto aguardava a resposta da esposa. Os olhos de tom avermelhados de Eijirō devorando-o descaradamente...
— Hmmm… Sabe, eu não me incomodo em ser torturada sexualmente na cama, não…
Katsuki aproximou-se de Eijirō, cercando-a com os braços posicionados na pia ao redor do corpo menor e cheio de curvas. Ele abaixou o rosto e distribuiu alguns beijinhos pelo pescoço exposto até a mandíbula de Eijirō, raspando os dentes na região antes de fechá-los em uma mordidinha na bochecha rechonchuda da esposa. O suspiro audível de Eijirō massageou levemente seu ego, conforme mãos pequenas com dedos finos e longos agarravam-se instintivamente em seu quadril, puxando-o de encontro ao corpo menor.
— Não seja malcriada, Ei… — Katsuki roçou os narizes, deixando um beijinho na ponta do nariz arrebitado de Eijirō antes de afastar-se, encarando-a sob sobrancelhas franzidas e olhar inquisitivo. — Seja uma boa menina e conte sobre o que estavam conversando na mesa. Desembucha!
— Ah, Suki, não foi nada demais! — respondeu Eijirō, dando de ombros. Ela ficou na ponta dos pés e roubou um selinho do esposo, virando-se de costas e deixando o copo vazia dentro da pia. — Você sabe como sua mãe adora soltar algumas piadinhas de duplo sentido… Ela insinuou sobre ainda estarmos em lua de mel e como isso tem feito bem a minha pele.
Envolvendo a esposa entre os braços, Katsuki resmungou entre beijinhos nos ombros e nuca — exposta graças ao coque frouxo — de Eijirō um: “essa velha é muito sem noção mesmo, puta que pariu!”, fazendo-a rir baixinho. Ele deixou um beijo carinhoso nos fios avermelhados e anunciou que estava levando o pudim para a mesa. Eijirō anuiu, mas, antes que o marido saísse da cozinha, o chamou mais uma vez:
— Mozi, não esqueça de pegar o presente de Dia dos Pais para o seu pai no nosso quarto!
— Porra, é mesmo… Já estava esquecendo dessa merda, tsc. — Katsuki rolou os olhos, estapeando a própria testa mentalmente. — Vou deixar o pudim com eles e ir lá buscar, bebê.
[...]
Aproveitando que sua sogra estava entretida com a companhia de Masaru enquanto lavava a louça, após mais uma acalorada discussão entre Mitsuki e Katsuki, onde ele insistia que os pais não precisavam fazer isso, pois o almoço em família naquele domingo era justamente para a comemoração do Dia dos Pais e não para fazê-los pagar pelo almoço com afazeres domésticos... Todavia, desta vez, Katsuki perdera a disputa e por isso estava sentado no sofá com um grande bico emburrado nos lábios, que deixava o coração de Eijirō quentinho, ao vê-lo puto na sala apertando furiosamente a tecla do controle remoto enquanto mudava aleatoriamente os canais na televisão. Como amava esse homem!
— Hey, Suki — Eijirō se aproximou do marido e sentou-se ao lado dele —, é para você.
Katsuki encarou o envelope em tom azulado de cenho franzido, olhando verdadeiramente confuso em direção à esposa — que direcionava para si um pequeno sorriso nervoso… Incentivando-o em um sussurro a abrir o envelope e ler seu conteúdo. Acatando a sugestão, Katsuki deixou o controle remoto de lado e segurou o papel de modo que conseguisse abri-lo. Pela visão periférica, ele pôde ver Eijirō remexer-se inquieta no sofá, torcendo as mãos nervosamente sobre o colo, as unhas pintadas de vermelho fazendo um bonito contraste com o tom negro do vestido que escolhera usar especialmente naquele dia.
— Mas que porra é essa, Eijirō? — rosnou Katsuki, desacreditado na brincadeira idiota que Eijirō estava fazendo consigo especificamente naquele domingo.
Em suas mãos, um cartão retangular com os dizeres: Para o melhor Pai do mundo, em letras estilizadas e um globo terrestre um pouco abaixo da palavra “mundo”, fizera Katsuki levantar o olhar em direção a esposa e encará-la totalmente perplexo com tal cartão comemorativo. Afinal, ambos não tinham filhos... ainda.
— Abre logo, Suki… — murmurou Eijirō, timidamente. O coração batendo desenfreado no peito.
Engolindo em seco, Katsuki abriu o cartão e, conforme seu cérebro assimilava a informação, seus olhos arregalaram gradativamente com a foto que surgiu: Eijirō estava sorrindo abertamente com os olhos e o nariz levemente avermelhados, as bochechas molhadas pelas lágrimas não contidas, os ondulados cabelos ruivos emoldurando o rosto choroso ao segurar para a câmera frontal um teste de gravidez em maior foco, onde era possível ler no visor: “grávida 2-3”.
Katsuki deixou o queixo cair, estupefado com a novidade, levantando a cabeça e virando-a em direção a esposa tão rápido que estalou o próprio pescoço. Ele abriu e fechou a boca várias vezes, seus olhos umedecendo simultaneamente ao ver as lágrimas escorrendo pelo bonito rosto de Eijirō.
— Ei-Eij- Ei, nó-nós vamos ter…? — gaguejou Katsuki.
— Um bebê, Suki! — Ela soluçou, em concordância, jogando-se nos braços rabiscados abertos para si.
— Eu- Amor- Puta merda… Eu- Caralho, eu vou ser pai! — Katsuki disse em meio às lágrimas fujonas e risadas, apertando os braços ao redor do corpo roliço da esposa. Ele segurou o rosto delicado entre as mãos, deixando vários selares nos lábios cheios de Eijirō. — Eu te amo tanto, Ei...
— Nós também amamos você, papai.
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