Entre reis e rainhas
14 Capítulo 14 – Três enlaces e o adeus
Notas iniciais
“Saber que você sente o mesmo que eu sinto
É o triplo de um sonho utópico.” – Incubus (I miss you)
O castelo estava uma loucura, todos estavam em correria pelo casamento. Julia, Allessandra e Isabele provavam os vestidos, Jordana, Lucia e Mariana ajudavam Kitty e Myre que já estavam enlouquecendo para arrumar todos os detalhes, Caspian estava ocupado com assuntos do reino, mas prometera que ao retornar se engajaria em ajudar aos amigos. Até RipChip encontrava-se atarefado com seus afazeres, afinal, ficara responsável por cuidar da cavalaria já que Benson estava ocupado demais para tal. Em meio à euforia do momento, apenas uma pessoa não estava feliz.
Susana caminhava pelo jardim do castelo, não se envolvera em nada com a organização do casamento, seu objetivo era outro, sabia que os irmãos teriam tudo o que precisavam com aqueles que já se ofereceram para ajudar. Com passos contidos e a mente conturbada, ela atravessou a parte onde o triplo casamento se realizaria. Um arco imenso de flores coloridas marcava o altar, diversas cadeiras colocadas ao lado do arco, as árvores como pano de fundo, um tapete vermelho longo e largo se estendia formando o caminho das noivas, tudo estava bonito e impecável, não duvidaria que as próprias noivas ficassem belas como rainhas no dia seguinte quando aconteceria o casamento, apesar de plebeias, é claro. Suspirou pesadamente e retomou o passo, parando apenas ao ver três figuras passarem pelas portas laterais do castelo, Mariana indicava onde colocar uma mesa grande o bastante para um baquete real de ao menos quarenta convidados, dois soldados arrumaram o móvel e logo retornaram para buscar o que faltava, a garota sorria ao ajeitar a toalha que trouxera consigo, sobre a madeira lustrosa.
– Aparentemente você está muito feliz com esse casamento, não é? — A rainha Gentil se aproximou e parou ao lado da garota, que agora alisava o tecido para tirar as rugas e imperfeições.
– E não deveria? É o casamento das minhas três melhores amigas, — Mary virou-se para fitá-la. — você também deveria estar afinal seus dois irmãos subirão ao altar amanhã.
– Não me diga como devo me sentir. — Susana se irritou, elevando a voz e fazendo com que Mariana parasse definitivamente o que fazia para olhá-la. — Vocês vieram para acabar com tudo, Pedro e Edmundo estão cegos, são jovens demais para se casarem agora, ainda mais com...
– Ainda mais com o que? — a irritação finalmente atingia a moça, que tentara manter a postura calma. — Com duas plebeias? Com duas garotas incríveis que os fará muito felizes? Você também é muito jovem, e ainda assim queria se casar com Caspian.
– Ora sua...
– Diga o que quer de uma vez Susana, estou ocupada e não tenho tempo para o seu ataque de fúria agora. — Mary a cortou antes que os xingamentos realmente saíssem.
– Um duelo, é isso o que eu quero. — fria como gelo, ela respondeu de pronto. — Você não achou mesmo que eu fosse me dar por vencida, não é? Pois então, eu quero duelar com você, assim quando você estiver no chão implorando por misericórdia, Caspian verá o quão fraca és.
– Tudo bem. — Mary disse após respirar fundo três vezes. — Diga onde e quando, apenas.
– Encontre-me na floresta em quinze minutos, batalharemos onde você foi encontrada no dia do ataque de seu tio. — A rainha Gentil sorriu cruel, Mariana engoliu a bile que lhe subiu a garganta e ignorou o comentário. Se era uma batalha que ela queria, era isso o que iria ter.
Jordana já acabara de ajudar Myre a separar o cardápio que seria servido no dia seguinte e agora estava no quarto de Julia, as garotas não paravam de falar sobre o casamento e como imaginavam que tudo estaria lindo.
– Será que o Benson vai estar de... Ai, isso doeu. — reclamou Jubs ao ser alfinetada por descuido da costureira, ela não parava quieta e isso não ajudava em nada o trabalho da moça.
– Com certeza ele estará lindo, querida, assim como você. — a rainha sorriu doce para ela, que retribuiu. — Na verdade, todas vocês estarão impecáveis, estamos cuidando de tudo, não se preocupem, amanhã será um dia memorável, podem acreditar. Duas batidas na porta e um segundo depois Caspian, com os olhos tampados, colocava a cabeça para dentro do cômodo.
– Com licença senhoritas, eu vim apenas perguntar se viram... Vocês estão lindas. — o rei interrompeu a pergunta ao abrir os olhos e encontrar as três moças em cima de pequenos bancos redondos terminando de acertar os últimos detalhes.
– Obrigada majestade. — Alle sorriu feliz. — Mas você dizia...
– Oh sim, viram Mariana por aqui? — ao retomar a linha de raciocínio ficou desconcertado e corou, as meninas prenderam o riso e foi Jordana quem respondeu.
– Ela estava arrumando as coisas no jardim, talvez ainda esteja lá.
Sem dizer mais nada, ele acenou e se foi, deixando as garotas aos risos no quarto. Um dos ajudantes levou um espelho grande o suficiente para as três se verem, colocou-o em frente à Isabele, que fora a primeira a ter tudo finalizado. Seus olhos lacrimejaram quando seu reflexo entrou em foco, ela estava linda, mais bonita do que jamais imaginara estar. Julia e Allessandra juntaram-se a ela e a reação foi a mesma, Jordana segurou o choro ao vê-las assim, era inegável que a rainha já as havia adotado como filhas.
– Pedro estou tão nervoso que se continuar a suar assim não sobreviverei até amanhã. — Edmundo declarou, o irmão mais velho riria se estivesse em outra situação, mas não tinha como esconder, estava tão ou mais nervoso que o irmão, Lucia que acompanhara todos os ajustes dos trajes, palpitando e rindo do nervoso dos três, vez ou outra, se aproximou para colocar uma flor na lapela de Benson.
– Está ótimo. — indicou o espelho para o soldado, que corou ao receber atenção de uma das rainhas antigas e fez o que ela pediu. Pedro e Edmundo ainda lutavam para arrumar os botões e a lapela. — Parem com isso ou vão acabar enforcados. — ela ajudou aos irmãos e sorriu satisfeita com o resultado, por fim se afastou e pediu que os dois juntassem-se à Benson. Ao olharem seus próprios reflexos os sentimentos finalmente os conflitavam. Por Aslam eles iriam se casar, Edmundo deixaria de ser um jovem travesso para tornar-se o marido de alguém, Pedro não seria apenas o irmão responsável e Benson deixaria de ser um solitário. Aparentemente, o dia seguinte seria tão marcante para eles quanto para elas.
Caspian, que até o momento ainda procurava pela amada resolveu ir até o quarto onde os noivos faziam os últimos ajustes, imaginava o quão nervoso estariam e não perdeu tempo em bater na porta e adentrar o cômodo.
– Olá. — disse para anunciar oficialmente sua entrada, Benson curvou-se numa rápida reverência e os demais o imitaram, mesmo que por pura cordialidade. — Vejam só, quem diria huh? — implicou o moreno, fazendo os amigos corarem. — Vim convidá-los para uma caminhada, espairecer um pouco antes do grande dia. — sorriu cordial, Pedro aceitou de imediato enquanto Edmundo afirmou que precisava comer algo antes. Benson voltaria para seu posto na guarda real.
– Você tem certeza de que é isso mesmo o que quer rainha? — o tom debochado na voz de Mariana foi o suficiente para incitar ainda mais a ira da rainha Gentil, que não pensou duas vezes em se armar com o arco e colocar uma flecha em riste, antes que Mary pudesse empunhar a espada como devia, ela atirou.
O disparo da flecha produziu um som mais alto do que imaginavam, e um corte no braço esquerdo também. De olhos arregalados pela surpresa, a filha de Jordana empunhou a espada e partiu para o ataque enquanto a Susana atirava flechas e mais flechas, num descuido um corte foi feito no ombro da rainha, que de imediato urrou.
– Está ouvindo isso? — Pedro perguntou à Caspian enquanto os dois caminhavam e conversavam na orla da floresta, tudo estava calmo e o som de alguém resmungando de dor se fez ouvir alto e claro.
– Ouvi sim, que estranho. — comentou o moreno ainda caminhando, os dois tentaram ouvir se algo mais acontecia e foi quando um grito estrondoso cortou a mata que eles se puseram a correr, o barulho de cortes e folhas caindo era audível à distância, com certeza alguém estava lutando.
– Sua plebeia cretina, vai me pagar por isso! — Susana correu de fronte à oponente e com uma flecha em mãos, Mariana ergueu a espada a tempo do golpe. Faíscas voaram o suor já escorria e a vontade de vencer não deixara nenhuma das duas. Ambas estavam prontas para mais um golpe quando foram suspensas no ar por braços fortes rodeando-as pela cintura.
– O que acham que estão fazendo? — Pedro perguntou assustado com a situação, Susana insistia em soltar-se dos braços dele que a prendia com mais força que o necessário. Mariana olhava de forma feroz para rainha que tanto a ofendera enquanto Caspian ainda a prendia pela cintura.
– Por Aslam, o sol já está se pondo, amanhã é o casamento de nossos amigos e vocês agindo como crianças? — as palavras atingiram as duas como socos, Mary soltou-se dos braços do rei e pôs-se a andar para o castelo, Susana fez o mesmo, todavia adentrou a mata alegando que precisava pensar, Pedro não teve alternativa a não ser seguir os amigos. O que ninguém sabia é que não fora uma escolha, mas sim um chamado, Aslam convocara Susana e agora eles conversariam sobre tudo.
Caspian correu para alcançar a garota que saíra irritada rumo ao seu quarto, não ia contar às amigas o que havia acontecido, precisava que elas ficassem calmas para que o dia seguinte fosse perfeito. Seu braço foi puxado fazendo-a virar e quase bater de frente com o rei.
– Você vai me dizer o que foi que aconteceu? — ela revirou os olhos e bufou.
– Nada, a rainha queria lutar, queria se mostrar mais forte e então vocês chegaram. — disse por fim, ele arqueou uma sobrancelha para ela, mas viu que falar algo não adiantaria. Já havia acabado e eles precisavam de paz. — Vou tomar banho, encontro vocês no jantar não conte para as meninas, por favor. — ele assentiu e a soltou, só deixou o corredor quando ela bateu a porta do quarto.
O jantar foi servido e Susana juntou-se a eles logo depois, alegou que estivera distraída lendo algo e se sentou ao lado de Julia, todos comeram em meio às conversas paralelas. Tudo estava encaminhado e pronto para o dia seguinte, o casamento triplo seria realizado pela manhã, portanto não fora surpresa quando Kitty e Myre colocaram as garotas para subirem. Depois de desejarem boa noite, as quatro encaminharam-se para seus quartos e foram deitar pensando no quão belo seria o dia seguinte.
Quando os primeiros raios de Sol invadiram os quatros das garotas, todas foram colocadas para fora da cama. As noivas deveriam tomar banho e se arrumar, as convidadas desceriam para tomar café. O dia estava uma agitação só, até Caspian parecia nervoso com a situação. RipChip corria de um lado para outro tentando ajudar com os últimos detalhes e não ser pisoteado pelos soldados desenfreados. Após o fim da refeição Caspian anunciou que precisava falar com todos na sala informal e pediu que Myre chamasse as pessoas que faltavam.
– Bom dia a todos, eu sei que hoje é um dia muito esperado e por isso serei breve. — manifestou-se o rei X. — Chamei-os aqui para dizer que, além de ter muito gosto em poder celebrar seus casamentos, tenho a honra de nomear Edmundo Pevensie o marquês da Calormânia e Isabele a marquesa, se assim aceitarem. — a surpresa transpassou o rosto de todos, Ed correu e abraçou o amigo, sendo seguido pela noiva que mal se continha de alegria.
– É claro que aceitamos Caspian, muito obrigado. — O Pevensie sorriu e agradeceu.
– Muito obrigada Majestade. — Izzy tentava conter as lágrimas. Eles seriam os senhores de sua própria terra e governantes de um povo. Era mais do que imaginavam.
– Ótimo, já que temos os responsáveis pelo governo da Calormânia, devo nomear Pedro Pevensie e Allessandra o marquês e a marquesa das Terras do Norte, se aceitarem, claro. — Caspian tornou a dizer, o casal se entreolhou e explodiu em alegria ao se abraçarem e em seguida fazerem o mesmo com o rei X.
– Aceitaremos com muito gosto, Majestade. — Alle disse sorrindo radiante.
– Sendo assim resta-me convidar Julia e Benson para morar conosco no castelo até que a casa que mandei construir para vocês esteja pronta, Benson eu o convido a ser o Chefe da Guarda Real e representante de contatos exteriores em minha ausência, assim como Julia será para minha futura esposa. — propôs o rei, a euforia fora tanta que ninguém se dera conta da menção a um casamento feito pelo X.
– Oh majestade, aceitamos sim. — Julia sorriu em agradecimento e abraçou Benson que repetiu o gesto.
– Sendo assim, vamos ao casamento! — não foi preciso segunda ordem, logo todos estavam se arrumando para cerimônia que aconteceria em alguns momentos.
Reunidos em frente ao arco de flores, agora se encontrava Pedro, Edmundo e Benson, ambos trêmulos e ansiosos a espera das mulheres que mudariam suas vidas. Uma música comandada por RipChip teve início, Lucy, que entrara de braços dados com Pedro ocupava a primeira fileira ao lado de Susana, que desde sua conversa com Aslam no dia anterior mantinha-se calma e com uma decisão em mente, a mesma fora conduzida por Edmundo para até seu lugar, Benson teve como par a futura princesa de Myriades, que sorridente desejou sorte para ele e foi sentar-se ao lado da mãe, também na primeira fileira. A música intensificou-se quando três figuras despontaram na ponta do tapete, de braços dados, com sorrisos radiantes e os corações acelerados elas se puderam a caminhar até o altar, Caspian sorriu ao ver a felicidade nos olhos dos amigos, vendo aquilo soube o que deveria fazer sem remediar.
Quando as três chegaram à frente do altar, separarem-se e caminharam até seus noivos. Então, Caspian iniciou a cerimônia, que como era tradição, seria celebrada pelo rei do atual império.
– ... E assim, eu vi o amor entre estes jovens casais florescer e amadurecer, fui testemunha de superações e desafios que a vida os impôs, sendo assim, peço que se ajoelhem. – os seis ajoelharam-se de imediato. – Pela honra consentida a mim, tenho o dever e a graça de anunciar que diante deste povo e do poder do amor, concedo a estes casais a honra do casamento declarando-os casados.
Os casais se beijaram e então tudo se explodiu em aplausos e sorrisos e lágrimas, fora uma cerimônia linda na opinião de Lúcia, a rainha estava mais do que feliz em ter presenciado aquele momento lindo na vida dos irmãos e dos amigos. Assim que os noivos saíram, todos os seguiram até o outro lado do jardim onde a festa ocorreria. Os convidados se reuniram em volta dos casais, que se prepararam para dança.
– Estou tão feliz em finalmente estar casado com você. – Pedro disse sorridente enquanto rodava com a esposa pelo espaço aberto, ela lhe ofereceu um sorriso radiante. – Obrigada por esse momento incrível e por esse sentimento que agora vive em mim graças a você.
– Eu te amo. – Allessandra sussurrou e abraçou o marido.
– Quem diria... Agora sou um homem oficialmente casado. – Edmundo comentou em meio a dançar, Isabele o olhou com uma sobrancelha arqueada e um sorriso no rosto. – Você que estou muito feliz, não sabe? – questionou ele, a moça assentiu. – Amo você. – e então o beijou.
– Foi como você imaginava? – a pergunta de Benson pegou Julia desprevenida, como sempre fazia. Ele voltou seus olhos aos dele e viu ali o brilho mais intenso e bonito do mundo. Soube então que era esse brilho que gostaria de ver para o resto da vida.
– Não. – a resposta o fez arregalar os olhos. – Foi ainda mais bonito. – ele soltou um suspiro de alívio que a fez rir.
Enquanto a festa se desenrolava, Mariana conversava com a mãe sobre os eventos futuros que ocorreriam em Myriades nos próximos dias, isso incluía sua coroação e apresentação oficial como princesa de Myriades, ela ocuparia seu lugar como deveria até o dia em que Jordana lhe passasse o posto de rainha oficial. Susana se aproximou junto de Lúcia.
– Com licença, eu poderia falar com você? – para surpresa de todos, Susana fora gentil e educada com a moça, Caspian se aproximou com a intenção de evitar problemas.
– O que deseja, rainha? – a pergunta arisca de Mariana era compreensível, afinal, as duas quase se mataram no dia anterior.
– Vou ser breve. – disse ela ignorando a presença dos demais. – Vim me desculpar pela forma como tenho agido, e dizer que hoje mesmo retornarei para minha casa, Aslam me disse isso ontem.
– Aslam? – a pergunta foi feita por Lucy, que até o momento desconhecia esse detalhe da história.
– Sim, eu ficaria até o casamento de meus irmãos, e isso já aconteceu, agora devo me despedir e voltar para casa. – explicou a Pevensie, vendo a surpresa passar pelo olhar de cada um dos presentes na conversa. – Lucy, chame os meninos por favor, está na hora de me despedir. – disse ela com um sorriso ao ver a sombra da juba de Aslam em meio as folhagens. Quando todos estavam reunidos, ela lhes disse o que se passava.
– Oh Susy, não acredito que vai mesmo embora. – Pedro disse pesaroso, apesar de todo o mal causado por ela, a moça ainda era sua irmã e ele a amava.
– Não se preocupe, nós nos veremos de novo. – anunciou ela.
– Muito obrigada por tudo, vou sentir sua falta. – Edmundo substituiu Pedro e logo depois fez o mesmo com Lúcia. – Cuida dela por nós, nanica. – implicou o moreno e acabou recebendo um tapa da mais nova.
– Não se preocupe, eu cuidarei dela e de nossos pais. – sorriu com lágrimas nos olhos. – E vocês, cuidem muito bem um do outro. – aconselhou.
Após a despedida e as lágrimas, mais pela ida de Lúcia do que pela de Susana, Aslam se apresentou. – Vamos? – elas assentiram, todavia, antes que a mais nova pudesse ir, Caspian a puxou para um último abraço e em segredo pediu que ela cuidasse da irmã, Mariana fez o mesmo com ela, e apenas acenou para Susana que já havia adentrado a mata. As duas foram observadas até serem perdidas de vista, e apesar das lágrimas de uma saudade antecipada, agora tudo estava bem.
Os casais voltaram para festa, hoje não era dia de tristeza e eles deveriam cumprir seus papeis com maestria, e assim o fizeram. Já era noite quando Mariana resolveu entrar para o castelo, disse para mãe que estava cansada e queria um pouco de tranquilidade, saiu à francesa numa falha tentativa de não ser vista, o que não resolveu, já que o rei X a seguira de perto até chegar na sala informal do castelo.
– Preciso falar com você. – a garota se assustou com a aproximação despercebida e pulou de susto.
– Por Aslam, que susto. – reclamou ela com a mão sobre o coração, ele sorriu amarelo. – O que quer comigo, majestade? – indagou após se recompor, a verdade é que estar perto dele lhe tirava o ar, seu coração martelava como louco e uma vontade enorme de estar sempre perto dele lhe fazia escrava de seus pensamentos.
– Certo... Eu vim aqui lhe dizer que hoje foi um dia maravilhoso, ver nossos amigos se casando me fez perceber que está mais do que na hora de dar uma rainha a Cair Paravel. – ele começou, ela o fitou com o cenho franzido. – Mas não pode ser qualquer uma, tem que ser uma pessoa digna, forte, fiel e corajosa o suficiente para me ajudar a governa esse reino. – ela já sentia seus olhos marejarem, esperava que ele terminasse com aquilo de uma vez ou desmaiaria ali mesmo. – E é por isso que eu vim te perguntar se você me deixa ser o homem que a fará feliz pelo resto de sua vida, e em troca, você será a rainha do reino e de meu coração? – e então ele estava ali, ajoelho em frente a mulher mais maluca e desafiadora que já vira na vida, fazendo um pedido para que ela se tornasse não apenas uma rainha, mas a mulher de sua vida. Ela não sabia o que fazer, dizer ou pensar, o sangue bombeando forte em seus ouvidos, os olhos marejados e o coração quase saltando pela boca lhe desnortearam.
Um suspiro foi ouvido, uma batida falha de coração e então a resposta.
– Sim.
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