Até amanhã.


Hoje eu consegui.
Levantei da cama
e não pensei em desistir.
Me encarei no espelho,
lavei meu rosto
e disse:
"que bom que estou aqui."


Mas o amanhã eu já não sei,
Se vou ter forças de novo
Porque acho que me cansei.


Talvez o que me mantém vivo
É a fluoxetina
Mas tem dias que ela não bate bem.
Então qual a receita da dopamina?


Será que um chá,
um banho quente,
talvez possa me acalmar?
Tenho tanto medo, mas ao mesmo tempo
Pra quê ter medo
de um futuro que nem sei se eu vou estar?


Sei que eu tenho que me esforçar,
e que nada nem ninguém
pode me curar.
É apenas eu, apenas eu,
que posso me ajudar.
Me abraçar.


Mas de onde que eu tiro tanta força?
Parece que quanto mais eu ando,
menos eu saio do lugar.
O mundo tá girando,
E todos estão mudando,
mas não consigo parar de estagnar.


Então o problema, sou eu. Sou eu.
Sou eu.
Não tenho nada para culpar.
Nem mesmo meu passado,
porque seria só uma desculpa preguiçosa
Para não assumir que sou fraco agora.
E sempre fui.


Que discurso autopiedoso.
Já quero logo me desculpar.
Me desculpo pelas besteiras que fiz
E pelas quais ainda vou fazer.


Mas indo direto ao ponto,
Sim estou bem, por agora.
Só que acredito que o que é pra ser,
será.


Então me deixo uma pergunta retórica:
"Até amanhã?"

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.