Notas iniciais
Aqui podemos ver que estou me apaixonando pelos personagens principais (Thomas e Jean, para os leigos). Reporte algum erro para mim! Revisei várias vezes, mas posso ter deixado um erro passar despercebido.

Faltavam dois dias para 19 de Novembro, o dia da viagem. Tudo parecia tão chato de se fazer porque eu queria ir com ele. Eu realmente queria. As nossas conversas pareciam se afastar da viagem a cada dia que se passava.

Minha mãe falava sobre a faculdade e outras coisas do futuro, no próximo ano seria meu último ano no colégio e ela queria ter certeza de que eu estava totalmente decidido sobre o que queria. E a resposta foi não. Eu não me sinto preparado ainda. Talvez seja apenas um nervosismo, mas definitivamente não quero nada que envolva matemática. Sinto que cheguei nessa conclusão desde sempre. Matemática pode ser legal, mas não é minha paixão... ou eu prezo pelos meus neurônios.

— Vamos passar numa lanchonete ou algo do tipo? — perguntou minha mãe, Beatriz.

— Não, estou bem. Vamos para casa logo, prefiro a sua comida. — falei, observando a calçada do outro lado da rua.

— Filho, como anda Thomas? — meu pai perguntou, enquanto empurrava minha cadeira. Ele se chamava Alisson.

— Bem animado para a viagem que vocês me negaram. — respondi.

— Não começa de novo com isso. — Minha mãe olhou para mim ameaçadoramente.

— Desculpa. É que... mãe, eu quero muito ir. — falei.

— Por que você quer ir? — Meu pai me perguntou.

— Um momento de liberdade. Eu amo vocês, mas aqui não dá para fazer nada sem perguntar a vocês, mas a resposta é sempre não. Talvez se vocês me deixassem sair um pouco mais... — expliquei para eles.

— Então, você apenas quer fazer coisas que não deixamos. Tipo o que? — meu pai falou, me fazendo perceber que foi uma péssima ideia ter falado aquilo.

— Tipo me divertir. — Prendi o riso ao ver a expressão surpresa de minha mãe.

— Querido, acho que podemos aceitar essa proposta dele. — Meu pai me olhou com um semblante severo.

— Talvez... ok. Acho que pode ser bom para você, vai ver que o mundo é difícil. — ele olhou para o outro lado da rua, onde Wesley estava sozinho, rindo de mim.

— Obrigado, pai. Obrigado mesmo. Amo vocês. — Olhei para Wesley e acenei para ele, com um sorriso cínico.

— Também amamos você. Apenas prometa de telefonar toda noite. — ela falou, parei de olhar para Wesley e voltei a olhar para minha mãe.

— Claro, mãe. Nossa! Não posso esperar para contar pro Thomas. — falei com muita empolgação. Caramba, agora sim essas férias vão valer a pena.

— Mas eu quero que você me ligue ou nos envie uma mensagem. Nós precisamos saber se está tudo bem. — minha mãe falou. Poxa, eu já tenho 16. Isso é mesmo necessário?

— Certo. Eu vou ligar. Relaxem. — Sorri, pelo jeito que conheço meus pais, eles terão uma paranoia caso eu não dê sinal de vida. Chegamos em casa, entrei com eles. Liguei para Thomas, avisando-o que poderei ir na viagem.

–-xXx--

— Então, como você acha que vai ser? — Thomas empurrava minha cadeira, andando pelo bairro comigo. Nós estávamos bebendo refrigerante.

— Legal. E um pouco estranho, porque eu não vou conhecer ninguém lá. — respondi.

— Não liga para isso, eu te apresento eles. — Thomas sorriu, um pouco nervoso.

— Você também está hesitando, né? — perguntei.

— Nem me fale, mas eu quero tanto ir, mas estou com medo de dar algum imprevisto. — Thomas respondeu, avistando Wesley e Samuel. Os dois estavam numa loja, saíram de lá e então nos viram.

— E aí, rodinha! — Wesley se aproximou de mim. Samuel riu irritantemente.

— Oi, Wesley e Samanta. — falei, vendo o rosto de Samuel corar de raiva.

— Ei, Jean, eu vi que você anda com sua mamãe. Para cima e para baixo! — Wesley caçoou de mim.

— Pelo menos ele tem mãe. — Thomas sorriu para Wesley, diabolicamente.

— Vai se foder, cara. — Wesley deu um soco nele, desequilibrando-o.

— Filho da puta patético. — Samuel sorriu, me olhando maliciosamente. Ele passava raiva apenas com o olhar, eu tinha vontade de o acorrentar num poste e deixá-lo sozinho. — Como você vai ajudar seu amiguinho agora? — ele me zombou. Ele me ofendeu e machucou meu amigo? Senti um impulso de adrenalina ou raiva pulsando dentro de mim.

— Assim! — atirei a garrafa na cabeça de Wesley. Ele se desequilibrou com o impacto e então ajoelhou com a dor. A garrafa não se quebrou com a batida em sua cabeça, apenas fez um impacto e caiu no chão, se despedaçando. Samuel deu um soco em meu rosto, Thomas o segurou, afastando-o de mim. Wesley colocou a mão em sua cabeça, eu vi um pouco de sangue escorrer entre os dedos dele.

— Eu poderia te atirar na pista. Seu otário, como se sente batendo nele? — Thomas o imobilizou. Ele olhou para mim e atirou Samuel sobre Wesley, que estava com a mão na cabeça enquanto prendia o choro. Ele olhou para nós de um jeito que não parecia raiva, mas sim ódio.

— Vai limpar isso. — falei, sorrindo para eles. Não era um sorriso de felicidade, era algo como uma realização. Sabendo que isso seria apenas o começo, eu apenas tirei a Guerra Fria e coloquei um Armageddon.

— J, o ninja das garrafas! — ele voltou a empurrar minha cadeira.

— Melhor dupla, acho que devo andar com mais garrafas. — falei rindo.

— Seu olho... sua mãe vai ficar muito brava com você? — ele perguntou, olhando mais de perto.

— Sua boca está sangrando. — falei, olhando-a mais de perto. Seus lábios estavam avermelhados, fazendo um contraste com sua pele branquela. Ele corou, então se afastou um pouco de mim.

— Apenas um corte, você deve se preocupar mais com sua mãe. — ele lambeu o lábio inferior, retirando o sangue.

— É estranho. Você é promissor, bonito, talentoso... porque você é meu amigo? — perguntei.

— Cara, sou seu amigo faz 8 anos. E deixe de viadagem. Você é um amigo de verdade. Não é como os outros que só falam comigo por interesse próprio. — ele deu um tapa amigável em meu ombro. — Nunca mais fale assim, se não eu vou fazer algo para te provar que sou seu melhor amigo e que te amo.

— Que fofo, também te amo. Agora para com esse papo meloso. — ambos rimos.

— Quem sabe você dá o seu primeiro beijo na viagem.

— Não sei, se eu me interessar por alguém lá. — falei com um tom distante.

— O que você está pensando? — chegamos em minha casa. Ele se aproximou da porta e abriu para mim.

— Ser cadeirante tem um lado bom, a gente recebe favores. — falei, passando ao lado dele.

— Oh sim. Mas eu tenho certeza que você daria tudo para não ter essa vantagem.

— Nem tudo, andar não é uma prioridade máxima, eu busco a felicidade. Seria algo como um brinde muito bem aceito, mas eu aceito isso. Mas tem horas que dá raiva com certas coisas. — Entrei em casa e me despedi dele. Ele acenou e partiu para sua casa.

–-xXx--

Faltava um dia para a viagem, eu estava bastante ansioso. Hoje acordei com o olho roxo, fui até a janela e observei a rua. Tudo parecia calmo, poucas pessoas passavam de um lado ao outro. Devia ser umas 10 da manhã.

Fui até a sala, o olhar de minha mãe dedurou o sentimento de espanto ao perceber o hematoma.

— Onde você ganhou isso? — ela perguntou.

— Com uns caras do colégio, mas eles pagaram. — Esbocei um sorriso maligno.

— Pagaram? — minha mãe perguntou, com uma certa curiosidade.

— Não interessa. Só sei que vou sair um pouco daqui. Ver um lugar novo, sei lá. — falei, com um tom animado. Faltava menos de 24h para dar uma sumida daqui.

— Thomas, entre! — Minha mãe avistá-lo na janela.

— Não, estou de passagem. Obrigado. Só passei aqui para avisar ao J que vamos sair 7 da manhã. — Ele acenou para mim e então saiu de vista. — Até mais!

— Até! — Gritei.

— Já arrumou suas coisas? — Minha mãe perguntou a mim.

— Ainda não, vou arrumar agora. — falei, me dirigindo até meu quarto. Ela me acompanhou e me ajudou a colocar algumas roupas e uns pertences na mala.

— Não se envolva mais em brigas. Olhe seu estado! — Minha mãe falou como se eu estivesse errado de ter levado um soco.

— Mãe! Não foi eu quem acertou um soco em mim mesmo! — falei, a olhando.

— Você tem razão, mas se você ao menos não provocasse. — ela sugeriu.

— Mãe, eles estavam batendo no Thomas e eu o defendi. Levei um soco no rosto e Thomas me ajudou. — Expliquei.

— Certo, meu Deus... — ela saiu do quarto. — Vou preparar o almoço.

Que bom que ela não estourou ou negou a viagem. Finalmente, tudo estava arrumado e confirmado. Agora era apenas esperar e partir na viagem. Para onde será que iríamos? Ele ainda não me disse. Fui até a sala e assisti a programação que estava passando. Me perguntei se realmente valeria a pena essa viagem. Claro que valeria. Se acontecesse algo de errado, daria um ensinamento. E se fosse algo bom, daria boas memórias.

Anoiteceu e Thomas veio até minha casa, minha mãe abriu para ele entrar e, depois de o cumprimentar, se retirou para cozinha.

— Já arrumou suas coisas, certo? — ele entrou, sentando no sofá.

— “Ah, oi Jean. Obrigado por me deixar entrar, Senhora F.” — respondi, me aproximando dele.

— Oi, Thomas. — Thomas respondeu, prendendo uma risada. Eu o olhei e, vendo a face dele, também não evitei o riso. Aquele tipo de risada que só vendo o rosto da pessoa que você entende.

— Estamos parecendo dois malucos. — Falei a ele, como um pedido para pararmos.

— Tudo bem, na verdade só passei para dizer que ficaremos numa propriedade na montanha. Cerca de uns 120km daqui. — ele disse, se levantando.

— Tem algo para fazer? — perguntei, não querendo ser intrometido.

— Na verdade não. — Thomas respondeu.

— Quer ficar e jogar um pouco comigo? — Perguntei a ele, me referindo ao Playstation 4.

— Certo. — Ele ligou o console e pegou dois controles. — Está pronto para perder? — Thomas me perguntou.

— Ah, certo. Depois da semana passada, você ainda insiste em dizer que eu perdi? — Retruquei.

— Ah, certo. Eu fiz 32.100 pontos e você 32.110. Eu joguei muito melhor que você, só deslizei no fim. — Ele tentou justificar, apesar da tentativa falha.

— Ok, vamos acertar agora. — Liguei o console, e abrindo o game. Parecia que teríamos uma longa noite de jogatina para decidir quem é o rei.

Notas finais
Quem não ama Wesley e o Samuel? Quem não acha que o Jean deve andar com mais garrafas? huhuhu E quem ganhou o jogo? Isso ninguém saberá, até porque está óbvio quem ganhou. (q) Esperando os coments bebendo lágrimas das inimigas e desespero dos amigos. Amo vocês, ou não.