Entre os Garotos

16 Capítulo 16


Notas iniciais
Ahahaha eu to chorando de rir em saber que já já vamos entrar na parte + legal da fic. Enfim, boa leitura, não tenho muito o que falar, só me desculpem por causa da demora!

Minhas mãos teclavam rapidamente enquanto eu escrevia em meu notebook em cima da mesa. A história corria apressada e estava perto de sua finalização. Às vezes pensava que nem eu conseguiria acompanhar o ritmo qual estava escrevendo. Talvez uns erros tenham ficado para trás, mas era questão de tempo até eu corrigi-los. Parei um tempo para tomar um tempo e ajeitar as coisas na mente. Olhei pela janela da sala e pude ver que o dia estava lindo, mas resolvi passar um tempo escrevendo. Dentro de casa também estava agradável.

— Que milagre você não está lá fora. — Ana sentou no sofá e ligou a tevê.

— Tenho que escrever isso, estou perto do fim. — Expliquei, sem parar de escrever.

— Está em que parte, exatamente? — Ela perguntou, colocando na sessão de filmes de animação e escolhendo um.

— A parte em que a assassina não se interessa pelo mocinho, mas eles estão juntos, quase fugindo de todo o perigo. — Contei, sem desviar o olhar da tela.

— Sim, não tem nada mais imprudente do que se jogar naquilo que está te caçando. — Disse Ana, escolhendo o filme. — Não vou te incomodar, boa sorte.

Voltei a escrever, totalmente concentrado. É estranho eles sempre acordarem tarde, até agora apenas Ana e eu estamos em pé. Minha mente começou a vagar em vários assuntos, resolvi dar uma pausa na escrita. Fui até a cozinha, tomei um copo de água e fui até a porta para sair.

— Há! Eu sabia. — Ana riu, levantei o dedo do meio para trás e então abri a porta e fui dar uma volta. Do lado de fora, percebi que foi a primeira vez que eu fiz esse gesto para alguém. O calor estava voltando, mas o sol estava um pouco fraco. Hoje resolvi ir mais além e passei o local que dava para observar a montanha.

— Jean! —Ouvi a voz de Thomas me chamando, ele devia estar um pouco longe. Olhei para trás e o vi correndo em minha direção. Não respondi, apenas sorri e esperei ele se aproximar de mim.

— Ei! Pra que tanta pressa? — Perguntei, olhando em seus olhos. Ele riu um pouco, mas o esforço deixou sua respiração acelerada.

— Só quero passar um tempo à só com você. — Thomas sugeriu, passando a mão na cabeça.

— Não tenho nada contra, pode vir. — Dei as costas e voltei a seguir o caminho original. Dessa vez ele não empurrou minha cadeira.

— Eu estava pensando... — Thomas olhou o céu, observando as nuvens e enrolando o assunto.

— Pensando no quê? — Perguntei, chamando a atenção dele.

— Bem, quero contar para eles quando voltarmos. — Thomas foi até uma árvore perto do caminho e começou a mexer nela.

— Tudo bem, vai dar tudo certo, sabe por quê?

— Porque eles não são preconceituosos? — Thomas voltou a seguir o caminho comigo.

— Não, porque eles são doidos. Iguais a nós. Doidos se mantêm unidos. — Respondi, Thomas riu de leve.

— Só você mesmo para tirar meu nervosismo tão fácil. — Percebemos que estávamos nos aproximando de uma propriedade vizinha. Era uma casa grande, muito maior que a que estávamos. Só dava para ver a piscina do fundo e alguns cômodos, todos com aparência de casa moderna.

— É melhor voltar. — Falei, virando de volta para casa.

— Ou ir lá dizer um oi. — Thomas falou, obviamente brincando. Novamente passamos pelas árvores e um vento forte soprou, fazendo um pouco de terra entrar em meu olho.

— Que merda, hein. — Reclamei, coçando os olhos e olhando Thomas rir. — Você não vai mais rir quando eu amanhecer com uma bactéria no olho.

— Ok, desculpa. — Ele falou, mas não parou de rir.

—-xXx--

Meu olho tinha parado de doer, mas ainda dava para sentir um incômodo nele, parecia que ainda havia algo que fazia incomodava. Thomas parou de rir há uns minutos, ele começou a querer me ajudar, mas não tinha como. Tudo o que eu precisava agora era esperar e ver ele contar para todos o óbvio. Todos nós já almoçamos, então estávamos reunidos na sala, assistindo qualquer coisa que estivesse passando num canal randômico da televisão.

— Então, eu preciso falar algo. — Thomas chamou a atenção de todos.

— O quê? — André e Rebeca perguntaram na mesma hora.

— Bem, eu... — Thomas parou de falar e olhou para baixo.

— Pelo amor... Não fica enrolando! — Rebeca reclamou, olhando para o teto.

— Jean é meu namorado. Pronto. — Thomas falou e esperou a reação de surpresa de todos.

— Eu já sabia. — Ana falou, voltando a assistir o filme.

— Eu já flagrei. — Rebeca assumiu, sorrindo com o canto da boca.

— Tudo o que Rebeca sabe, eu sei. — Fernando olhou para ela e então os dois riram.

— Vocês dão muito na cara. — André falou, meneando a cabeça.

— Então estávamos fazendo esse suspense todo à toa? — Perguntei, prendendo a risada.

— Ei... Como assim eu dou muito na cara? — Thomas perguntou, todos os outros riram imediatamente, a mistura de risos tornou o ambiente barulhento.

— Meu amigo, você olha o Jean por mais tempo do que Ana olha para o pastel. — André falou, colocando a mão em seu ombro.

— Eu adoro pastel. — Ana comentou.

— Mas isso não muda nada, isso eu posso dizer por todos daqui. — André continuou, todos concordaram ou acenaram positivamente. — E... eu te amo, ok? — Ele contornou-o com um braço e então deu um beijo em sua bochecha, brincando.

— Vou ficar com ciúmes. — Entrei na brincadeira, meu tom de voz foi bastante irônico.

— Desculpe! — André veio até mim, abraçou-me e beijou-me na bochecha também.

— Jean corou! — Fernando exclamou, apontando com o controle para mim.

— Ei! — Reclamei.

— Meu Deus, vocês ficaram mais viados que o normal. — Rebeca protestou, levantando-se e indo até o banheiro.

— Vocês não são normais, definitivamente. Quero assistir ao filme! — Fernando gritou, aumentando o volume da televisão.

— Fernando, participe do grande momento! Thomas contou o óbvio! — André falou, sua voz estava repleta de ironia.

— Definitivamente, vamos focar no filme. Thomas está completamente vermelho. — Ana sugeriu. Eu não conseguia falar nada, apenas lutava contra a risada incontrolável.

Definitivamente foi uma boa tarde, faltavam quatro dias para acabar a viagem, mas isso não era mais uma preocupação. O momento era bom, bastava apenas aproveitar. O tempo estava esquentando bastante, nem pareceu que fazia dois dias que estava arrepiando de frio. Eu estava completamente feliz neste momento. A energia do local era tão positiva que me deixava totalmente à vontade. E ver Thomas sorrindo e conversando despreocupado era realmente interessante, seu sorriso me cativava.

— Jean ‘tá babando! — André exclamou, apontando para mim.

— Você vai ficar brincando com eles dois, né? — Ana perguntou com desaprovação.

— Claro que sim, é um prato cheio.

— Sou mais voyeurismo. — Ana brincou, eu acho.

— A cada dia que passa você fica mais estranha. — Fernando comentou, sem tirar o olho do filme.

— Eu estou brincando, calma. — Ela se explicou, eu acho.

—-xXx--

Já anoiteceu, estava sentado ao meu lado no sofá. Eu o contornei com um braço e ele apoiou a cabeça em meu ombro.

— Quatro dias. — Ele falou sem olhar para mim.

— Calma, vai dar tudo certo. Vamos conseguir. — Falei, encostando a minha cabeça na dele.

— É que... eu não quero botar tudo a perder. Justo agora que falta tão pouco para a faculdade e eu tenho certeza que isso ia acabar com muitas coisas. Digo, se meus pais fizerem merda.

— Não, o que vocês acham que eles vão fazer?

— Não sei! É tudo tão imprevisível.

— Exato, talvez nem aconteça nada. Olha, vai ficar tudo bem.

— Espero que sim. — Thomas desencostou-se de mim e me deu um selinho. — Preciso ir dormir, minha visão está perdendo o foco já.

— Também vou. — Depois de escovar os dentes, fui dormir. Thomas já tinha deitado faz um tempo. Deitei em minha cama.

— Vocês são óbvios. — André respondeu, deitado em sua cama.

— Vai se foder. — Thomas respondeu.

Eu comecei a sorrir, virado para a parede. Percebi que eu tenho bons amigos, mesmo que eles perturbem um pouco. Eu posso contar com eles. Deslizei a mão pelo tecido, lembrei de todos os momentos que eu estava sozinho. Quando eu tinha oito anos e ninguém queria ser meu amigo por motivos estúpidos, por influência de Wesley e Samuel. É tão bom poder dizer que isso é passado. Eles não me afetam mais. Eu posso sorrir sossegado. Meu sorriso se abriu ainda mais e então eu fechei os olhos e esperei o sono me tragar.

—-xXx--

Saber que não iria mais ver essa paisagem era um pouco triste, mas isso indicava que novas coisas iriam acontecer. A montanha parecia tão bela diante do nascer do sol, seus raios tocavam o topo e o iluminava suavemente. Estava um pouco frio devido à madrugada. Eu ainda queria ver Henrique depois das férias, mas voltar da viagem ia dificultar um pouco por causa da distância. Mas quer saber de uma? Foda-se! Me sinto como se voasse no céu e explodisse como um fogo de artifício. Há uma chama queimando em mim que me fez incrivelmente feliz nesse momento. Na vida, o único sentimento que deve ser sentido sem limites é a felicidade. Ao menos para mim.

— J, você conseguiu. Essa foi uma viagem para ser lembrada. — Thomas apertou meu ombro levemente, fazendo-me prestar atenção nele.

— Sim, com toda certeza. — Suspirei, vendo-o sorrir com o canto da boca. — Como será daqui a uma meses? — Perguntei de maneira casual, tentando demostrar que era uma pergunta boba.

— Não sei. Quer dizer, minha família e tal?

— Também. Como será nosso último ano no colégio?

— Não sei, mas acho que vai ser normal. São aulas. — Ele falou, humoradamente.

— Claro que são aulas! Mas não funciona de forma automática.

— Eu entendi, maluco. Não to esperando nada para esse último ano. Tive muitas aventuras já.

— Definitivamente. Então, vamos entrar?

— Sim. — Thomas deu as costas e começou a andar.

— Mas antes, me empresta seu celular? — Pedi. Thomas entregou-me seu celular, então eu tirei uma foto da montanha. Realmente foi uma foto de tirar o fôlego. O resto do dia foi calmo, apenas compramos algumas coisas para a fogueira do dia seguinte. Acho que realmente conseguimos, esta foi uma viagem incrivelmente legal e ficará para sempre em nossas memórias.

Notas finais
E então, gostaram? Comentem, por favor! Em breve vem o capítulo 17, eu acho. Desculpem, to muito ocupado, senhor.