Notas iniciais
Capítulo pequeno, porém está bem legal :v Prometo que o próximo irá vir antes de sexta. Vamos para a leitura.

Acordei, mas não levantei da cama, fiquei olhando Thomas dormir durante um bom tempo. Creio que se passaram uns 20 minutos. Quando me vi preparado para levantar, Thomas acordou e me encarou. Ele não pareceu desconfortável eu estar observando-o, ele apenas sorriu para mim e se levantou. Pude sentir uma agonia dentro de mim, uma agonia agradável que me fazia perceber que o amo e ao mesmo tempo ele devia me achar estranho por estar encarando ele enquanto dorme.

Resolvi levantar e ir até a sala, eram seis da manhã. Todos estavam dormindo, apenas Thomas e eu estávamos acordados. Ele sentou ao meu lado, puxando uma cadeira até a mesa que eu escrevia minha ficção.

— Thomas, você está pensando que eu vou falar para eles? Ou algo assim... — perguntei, parando de escrever e o olhei nos olhos.

— Não é isso... cara... eu me sinto tão estranho... eu te beijei! E o pior de tudo é que eu gostei! Eu beijei um cara do mesmo sexo e gostei! — ele estava se exaltando, acabaria acordando todos os outros.

— Calma. Pera aí... você gostou? — Isso fez eu me sentir melhor, muito melhor. Quer dizer que ele realmente gostou de mim e eu fui besta esse tempo todo!

— Eu disse isso? Nossa... eu acho que sim. — Ele hesitou.

— Acha? — Perguntei, olhando-o torto.

— Não sei, cara! Tudo pareceu tão... rápido. Uma hora eu estava lá e na outra eu estava te... beijando. — Ele passou a mão na nuca, obviamente bastante envergonhado. O pior é que eu também estava envergonhado, a cena parecia cada vez mais desconcertante. Resolvi tomar uma atitude, eu ia tentar algo.

— Thomas, eu acho que estou... — Ana e Rebeca entraram na sala, me interrompendo.

— Oi! — Ana e Rebeca se aproximaram de nós.

— Oi, Thomas. Oi, J. — Rebeca nos cumprimentou. Meu coração acelerou, será que elas pegaram uma ponta dessa conversa?

— Tom, preciso de sua ajuda para cozinhar hoje. — Ana pediu a ele.

— Mas você não cozinha. — Ana o olhou com raiva após o comentário feito por ele.

— Certo, mas eu estou te chamando para agora então. — Ana o puxou para fora da sala. Ela descobriu! Ela ouviu! Na certeza. Agora sim eu posso me considerar atolado na merda.

— Então... como vai? — Rebeca ocupou a cadeira que Thomas abandonou enquanto era arrastado por Ana.

— Atualmente não estou bem, sério. — Falei, desligando o notebook e a olhando, creio que meu olhar denunciava o nervosismo que eu sentia nesse momento.

— Olha, desde que você chegou, você tem sido bastante... estranho... com a gente. — ela estava curiosa.

— Mas eu tento ser normal, porém... coisas aconteceram. — Droga, afundei o assunto de vez.

— Que tipo de coisa? Agora quero que você me conte! — Rebeca empurrou a cadeira para mais próximo de mim.

— Por favor, vamos mudar de assunto. Na hora eu te falo, mas agora não posso. — Pedi a ela, na esperança dela parar de me perguntar sobre essas coisas que me fazem sentir vergonha.

—Eu vou descobrir, mais cedo ou mais tarde, Jean. — Rebeca esboçou um sorriso maligno, se dirigiu até a porta e então entrou no quarto. Esfreguei a mão em meu rosto, tentando focar em outra coisa além da conversa. Aposto que Ana está pressionando Thomas para ele contar algo.

–-xXx--

Resolvemos ir até a cidade que ficava próxima dali. O caminho foi chato e previsível, creio que não iria valer muito. Chegando lá, resolvemos ir até uma lanchonete ou algo do tipo. Avistamos um carrinho de cachorro quente e logo compramos um para cada. Thomas pegou dois, eu até pegaria, mas não estava com tanta fome. A cada momento que eu o olhava, ele retribuía com um sorriso. Ainda bem que ele não retribuiu enquanto comia, creio que a visão não seria tão agradável.

— Com licença? — Perguntou um garoto que aparentava ter minha idade, querendo espaço para passar pelo caminho que meus amigos impediam.

— Desculpe. — Rebeca deu espaço para o menino passar, Fernando fez o mesmo. O garoto tropeçou e caiu de joelhos no chão, fazendo um rasgo em sua calça jeans.

— Minha mãe vai me matar, merda. — André ajudou ele a se levantar.

— Calma! Ela não vai te matar por causa de uma queda qualquer. — André tranquilizou-o.

— Creio que você não conheça ela, cara... ela vai comer minha bunda. — Thomas riu.

— Você parece muito com meu amigo, Jean. — Thomas indicou minha presença, apontando para mim.

— Ei! Espero que sua frase seja figurada... qual seu nome? – Perguntei, estendendo a mão.

— Henrique. — Ele respondeu, me cumprimentando.

— Nossa, Henrique. Você é branco demais, bora pegar um sol no lago alguma hora. – Ana se aproximou dele. Realmente ele era. Ele possuía olhos e cabelos castanhos, seus lábios eram rosas e ele não tinha uma aparência de alguém que faz esporte. Desde quando eu estou reparando em aparência de homem?

—Não ligue para ela, Ana tem costumes de ser chata. — Thomas puxou ela pela mão.

— Como vai, Henrique? — perguntei, tentando mudar o assunto chato que Ana estava iniciando sobre a pele do garoto.

— Vou bem, e você? — Ele perguntou, educadamente.

— Sim, estamos voltando para o sítio. — Respondi, observando uma leve discussão entre Thomas e Ana. Eles falavam baixo, era quase inaudível.

— Ah, estão de viagem? — Ele perguntou, passando a mão nos fios grossos de seu cabelo.

— Sim, você mora aqui, certo? — Thomas perguntou, encerrando a discussão com Ana. Ainda bem, esses dois juntos me dão arrepios. Só de pensar em Thomas confessando para Ana que gosta de mim, me dá medo.

— Pode visitar a gente qualquer hora, é o primeiro local fora da cidade. — Rebeca falou, apesar de que garoto deve conhecer a cidade bem melhor que nós. Henrique confirmou que morava na cidade. Depois de uns minutos de papo, voltamos para a casa. Parece que Ana estava ligada demais nele, talvez Thomas tenha se enganado sobre Ana gostar de mim. De qualquer jeito, acho que não gostarei dela.

–-xXx--

Mais um dia tinha se acabado, nós combinamos de voltar à cidade outro dia. Talvez Henrique mostre um pouco sobre a cidade para nós. Sabe a melhor coisa de lá? Não tem Wesley, não tem Samuel. É como um lugar novo onde eu tenho relacionamentos reiniciados. Todos foram dormir, fui para o exterior da casa, estava frio. Eu gosto do frio, é melhor que o calor. Frio resulta em abraços e não faz a gente transpirar.

— Jean, como vai? — Thomas me perguntou, colocando a mão em meu ombro. Senti um arrepio percorrer todo meu corpo, principalmente onde Thomas colocou a mão.

— Bem, e você? — Perguntei, vendo-o ficar frente a frente comigo, tirando a mão de meu ombro esquerdo.

— Então... — Um silêncio se espalhou pelo ambiente. — J, acho que a Ana está mesmo afim de você.

— Ana? Mas ela estava olhando para Henrique tão... diferente. — Perguntei, um pouco confuso.

— Cara, ela não é de se apaixonar de primeira. Acho que você deve dar uma chance a ela. — Thomas sugeriu, sorrindo para mim. Eu queria dizer que a única chance que eu tenho é para ele.

— Mas, Thomas eu... — Fui interrompido por Ana, Thomas sorriu para mim e voltou para a casa.

— Então... — Ana sorriu. Acho que a chance de descobrir se sou hétero ou não é agora.

— Então... como vai? — Perguntei, tentando ser educado.

— Bem, mas... — Ela se aproximou de mim, fazendo meu coração acelerar.

— Ana, eu... — Ela completou a aproximação com um beijo, seus lábios tocaram nos meus e a sua mão foi até minha coxa. Foi bom, mas diferente. Com Thomas foi tão mais vivo, intenso... foi verdadeiro. Ela se afastou e então me olhou.

— Ana, eu não... — Como dizer a ela que eu gosto do Thomas? Voltei para dentro, deixando-a sozinha. Meu rosto corou de vergonha, isso foi estranho. Thomas estava me olhando, ele não parecia muito feliz.

— E então? — ele me perguntou.

— Não quero falar sobre isso. — fui até o quarto e resolvi dormir. Na verdade fiquei um bom tempo apenas imaginando como não gostei de um beijo. Acho que tenho certeza que estou apaixonado por Thomas. Só falta ele saber. Acho que ele já sabia, mas não queria me encurralar na parede ou me fazer sentir envergonhado.

Notas finais
O que achou? Qual treta você espera para o capítulo 8? Obrigado por ler até aqui. Coração pros leitores