Entre olhares
1 único
Todos pareciam empolgados com as apresentações mais recentes da dupla de bandas que vinha acontecendo há aproximadamente um mês e não poderia ser diferente com os integrantes delas. A Arlequin e a Diaura alcançaram um grau de popularidade alto em comparação aos outros grupos que se formaram na mesma época que eles e os anos de estrada, inevitavelmente, tornaram o reencontro ainda mais prazeroso, de certa forma.
Todos se aprimoraram e isso era inegável.
Nao e Kei continuavam sendo os nerdolas das guitarras, trocando informações e dicas e dada a posição de composição principal que tinham em comum, acabavam praticando ou efetivamente interferindo na criação de novas músicas um do outro em pé de igualdade. Agora, brincavam de acelerar o ritmo de músicas aleatórias. Yo-ka e Aki, pelo mesmo motivo, acabavam se achando — ou se perdendo, a depender do ponto de vista — ao falar sobre as letras que escreviam, ou mesmo compartilhando exercícios para a voz, como era o caso dessa vez. Já Shoya e Kuruto, por serem mais tímidos, se acomodavam num canto qualquer, às vezes para ouvir músicas de outras bandas, outras para ler e simplesmente relaxar, raramente engajando conversas por saber que não precisavam e por algum motivo se sentiam a vontade um na presença do outro. Dessa vez optando por algo bastante inusitado, mas nada surpreendente: o novo álbum da Ariana Grande, ambos imersos demais nas histórias que ela contava para se importarem com todo o resto, cada qual com seu instrumento em mãos, dedilhando e pensando sobre coisas banais.
Shohei e Tatsuya eram um caso à parte.
Sem exceções ou exageros, sempre que as bandas se uniam, eles acabavam arranjando desculpas esfarrapadas para saírem de perto de seus colegas antes dos shows, voltando sem fôlego, com marcas visíveis independentemente dos trajes que vestiam, mal e porcamente apresentáveis, dobrando o trabalho de maquiadores e cabeleireiros aos quarenta e cinco do segundo tempo.
Todos já tinham em mente que isso não iria mudar. Todos, inclusive, esperavam bastante ansiosos para ouvir as pérolas colecionáveis, torcendo para que não repetissem nenhum esclarecimento para algo que só não via quem não queria. O caso dos dois, pelo menos entre os colegas, não era nenhum segredo.
Só que, por qualquer razão, motivo ou circunstância, todos esperaram em vão.
No camarim, enquanto os restantes se ocupavam, Tatsuya restava junto do último grupo com um cigarro aceso e uma lata de refrigerante, quieto como nunca, rolando o feed de suas redes sociais no modo automático, sem prestar atenção nem mesmo nisso. Todos estavam entretidos demais, nem o perceberam ali, no canto, sozinho.
Não até Shohei se aproximar dele e ocupar o assento ao seu lado sussurrando algo que não ouviram, mas discretamente assistiram.
― Não leu minha mensagem?
Tatsuya o ignorou. E ele não tinha o hábito de fazer isso, então o que quer que Shohei tenha dito, desencadeou a falha na Matrix e todos — até mesmo Shoya e Kuruto — baixaram o tom de voz a fim de tentar entender o que se passava.
― Preciso conversar contigo... ― Shohei insistiu e continuou sem resposta, mas por menos tempo, dessa vez.
Tatsuya se manteve em um silêncio inviolável enquanto mexia em seu celular e consumia o conteúdo do copo, dali a pouco entregando ao moreno com um sorriso complacente, algo mais típico dele, mas dado o contexto, e também a reação do baixista, também não apareceu no momento e local adequados.
― Que seja.
Shohei se ergueu com a mais clara expressão de desgosto estampada no rosto, dedicando ao loiro um último olhar na vã esperança de ter mudado de ideia nos cinco segundos que se passaram desde que se afastou dele e antes estivesse abalado com o seu comportamento, quem dera pelo menos tivesse demonstrado se importar, tudo o que fez foi voltar a beber o seu refrigerante, rolar o feed das redes sociais sem qualquer interesse e ouvir agora apenas a voz de Ariana, tal qual antes, só que com um aquele mesmo sorriso de antes entre os lábios.
Foi uma cena bizarra a ponto de todos simplesmente interromperem tudo o que faziam antes sem qualquer descrição, alguns olhando para Shohei, marchando para fora do camarim, outros vislumbrando a inércia e calma de Tatsuya, mas o que havia em comum era a certeza de que a merda estava feita e alguém precisaria limpar o quanto antes, pois o show tinha que continuar.
Ou melhor dizendo, estava prestes a começar!
Minutos se passaram e tudo o que estava no alcance dos músicos já havia sido feito. Shoya, por ter certa intimidade, foi induzido a conversar com Tatsuya para descobrir o que havia acontecido. "Não aconteceu nada demais, pode perguntar pra ele". E essa foi a sua resposta. Yo-ka e Nao também tentaram, mas tudo o que receberam foi a mesma coisa, soando como se o baterista repetisse aquelas palavras para acreditar ou, pior ainda, como se durante todo o tempo de resguardo tivesse sido dedicado a pensar nisso.
Aki aceitou o desafio de arrancar do líder qualquer informação, mas no meio do caminho o plano mudou e teve de contar com o reforço de Kei e Kuruto para, em vez disso, tranquilizar. Ele estava uma fera e descontando a sua ira no maço de cigarros. Disse que estava tudo bem e queria ficar sozinho. Complementou garantindo que não tinham com que se preocupar, pois nenhuma bobagem estragaria a noite.
Faltando um pouco menos de quinze minutos para o início da apresentação, as informações recolhidas foram levadas até a cena do crime. Todos falando o mais baixo possível numa pequena roda, graças ao isolamento consciente de ambas as partes envolvidas.
― Eu nunca vi o Shohei tão fora de si quanto agora. ― Aki começou o relato, encarando os outros com o mesmo tom sério e preocupado deles. ― Pode ter sido coisa da minha cabeça, mas enquanto ele falava estava encarando como se pudesse nos matar se a gente falasse uma palavra a mais ou a menos.
― Ele pode ser um pouco violento às vezes... ― Nao comentou depois de um longo suspiro. ― A gente tá fodido.
― Ele disse que nenhuma bobagem estragaria a noite. ― Kei revisou a resposta, tentando tranquilizar os ânimos, mas não foi o bastante nem mesmo para ele.
― O Tatsu parecia de boa. ― Nao emendou, rindo um pouco mais confiante.
― Porra nenhuma, ele calmo assim não é um bom sinal. ― Yo-Ka falou mais alto, sendo repreendido de imediato por Kei de pronto. ― Deve ter negado sexo, mas logo agora? O que esse cretino tem na cabeça? ― Pelo menos metade do grupo se constrangeu com o comentário — em especial Aki e Kei -, mas ninguém foi capaz de descartar a hipótese. ― Sabe quando a gente fica encarando um objeto aleatório por horas pensando em tudo e em nada ao mesmo tempo? É assim que ele tá. E não sei se vocês repararam, mas ele ainda não largou o celular. Além daquela cara bizarramente fofa, ele deve estar vendo alguma coisa sinistra naquele celular.
A discussão seguiu, se acalorando em um momento ou outro, por pelo menos dez minutos, até o momento em que eles voltaram para a sala praticamente ao mesmo tempo, agindo como se nada importasse de fato. Kei tomou a dianteira e sugeriu que confiassem no bom senso deles, averiguassem depois e tentassem entender a origem das caras e bocas que eles faziam, isolados em seus mundinhos.
Na pior das hipóteses teriam que se atrasar um bocado, mas nem mesmo a dupla parecia inclinada a isso.
O problema em questão era que sempre foram as trocas de olhares intensas entre eles a causa de todas as pessoas mais próximas entenderem que algum vínculo havia nascido. Desde os momentos no camarim até as reuniões pós-show, havia algo nos olhares de ambos revelava que havia muito mais do que o contato visual acontecendo, como se conversassem independentemente da distância ou da situação. Tanto que se tornou claro que eles se relacionavam para quem quisesse ver, muito embora a definição dessa relação muitas vezes fosse muito dúbia. Às vezes se devoravam como dois animais a espera de uma brecha para atacar, noutras eles expressavam tanso carinho que era quase inacreditável, fora que quando não podiam dar suas clássicas escapadas, para defender a história de que eram apenas duas pessoas comuns com um propósito e interesse em comum, se viam na obrigação de manter a compostura e limitar as conversas a uma linguagem que só eles compreendessem completamente.
Fato é que, fosse qual fosse o assunto mal resolvido e o que estava em jogo entre eles não afetou suas performances, ninguém soube ao certo se isso se devia às prioridades deles ou se desempenharam seus papéis igual e quem sabe até melhor que o habitual por uma questão de necessidade, mas isso foi o bastante para aliviar a tensão dos demais a ponto de quase esquecerem de tudo.
Yo-ka, Kei, Shoya e Tatsuya foram os primeiros a se apresentar. Pouco mais de uma hora transcorreu e a casa estava cheia, nenhum centímetro do piso podia ser visto e todas as músicas da setlist foram tocadas conforme o planejado, a plateia estava animada e os membros fizeram questão de mantê-los entretidos enquanto se divertiam genuinamente no processo, como costumava acontecer. A conclusão do espetáculo, no entanto, despertou o receio dos músicos ao recordarem de um pequeno detalhe: A Arlequin vinha fazendo os shows com um baterista de apoio, conhecido de longa data de grande parte dos rapazes, mas por conveniência e praticidade, Tatsuya se dispôs a dar suporte a banda enquanto estivessem em turnê e visto que a promoção e o aumento de público de ambas as bandas seria apenas uma consequência, ninguém se opôs, mas o cenário agora era diferente.
Eles mantiveram a compostura, levando o trabalho com as doses de seriedade e leveza adequadas para a ocasião. Mais uma hora se passou e tudo parecia ir de acordo com o que já vinham fazendo no último mês. Tatsuya, que obviamente teve de aprender o compasso das músicas, vinha os adaptando ao seu próprio estilo no decorrer de suas apresentações, eventualmente surpreendendo os integrantes, mas buscando sempre se destacar o menos possível a fim de não comprometer o desempenho deles.
Tudo correu bem, todos estavam satisfeitos com isso, tanto que apostaram todas as fichas que a união de todos no palco não traria problemas. Não por acaso, o clima de tensão se foi na primeira interação entre Tatsuya e Shohei, abrindo espaço para que outras fanservices ocorressem, atraindo alguns gritos pouco tímidos da plateia. Intercalaram mais algumas músicas, mesclando os vocais e instrumentais, interagiram com o público e no fim de tudo, o fairplay entre eles foi o ensejo de algo maior.
Aos pares foram se retirando, só que a princípio, Shohei deveria se despedir junto de Shoya e Kuruto não demorou a perceber que ele não estava disposto a seguir a ordem programada, indo em seu lugar sem parecer incomodado. Tatsuya foi o último a deixar o palco, saindo de trás da bateria em segurança e Shohei, que o esperava, pacientemente, encarou tão sério e mal humorado que, a medida que se aproximava, o sorriso de Tatsuya a princípio dirigido a plateia esmoreceu, perdendo a simpatia e colocando no lugar um nervosismo claro.
E o que costumava ser uma marca na sua relação com Shohei, se tornou algo assustadoramente implícito. Todos no palco souberam naquela hora que ele estava bastante encrencado. Os olhos custaram a separar aquele contato, uma despedida bastante breve e meio acanhada foi o que encerrou o espetáculo.
Todos se recolheram, a fim de se recompor depois de tudo, se hidratando ou simplesmente se jogando pelos cantos, com os celulares a postos para registrar mais uma noite de trabalho e agradecer a participação de todos que compareceram. Esgotados, não perceberam a tentativa de fuga de Tatsuya para o banheiro sendo acompanhada por Shohei, que o seguiu sem se importar com o que os outros poderiam pensar sobre, o impediu de fechar a porta do cômodo, o encarando talvez um pouco mais calmo do que antes. Mas não estava claro o suficiente.
― A gente pode conversar agora ou ainda quer que fale com o Yue?
A questão veio como um tapa na cara do loiro, que enfim, fechou o semblante, deixando evidente toda a irritação que se deu ao trabalho de esconder.
― Depende. Vocês já estão juntos ou veio me comunicar?
― Larga desse ciúme bobo, Suya. ― implorou, vendo-o quase sumir na pequena fresta e o aperto em sua mão ser quase insuportável, avançando sem qualquer dificuldade graças a raiva que também vinha retendo. Ao entrar, fechou e trancou a porta atrás de si, tentando se aproximar do menor enquanto ele se esquivava. ― Ele é só um amigo e já devia saber que não existe a possibilidade de eu e ele ficarmos juntos.
― Pois não foi o que pareceu quando você saiu e ignorou minhas mensagens pra ficar com o seu precioso amigo.
Num dado momento, Tatsuya se viu encurralado por Shohei, literalmente contra a parede, e o maior mantinha os olhos em si, firmando as mãos na parede, o cercando e encurvando o corpo sobre o dele.
― O que eu tenho contigo é mais importante, só que eu estava bêbado, Suya... ― Se explicou, olhando em seus olhos, afim de passar a sinceridade que, pelo visto, as palavras não deram conta de deixar claro. ― Me escuta só dessa vez... Eu juro que não rolou nada entre a gente. Nunca e-
― O que é que nós temos? ― Tatsuya desafiou, erguendo a cabeça e estirando o indicador na direção do peito do maior, o encarando sério. ― Nós não temos nada, deve ser por isso que vocês andam pendurados, de risadinha. Então não tem problema, vá com ele e me deixa em paz...
Shohei não respondeu. Pelo menos não com palavras.
Uniu seu corpo ao dele e os seus lábios encontraram os semelhantes num carinho singelo e receoso enquanto as suas mãos se prenderam e apertaram levemente a cintura esguia, o contato visual se firmando com mais intensidade do que estavam acostumados. Tatsuya perdeu a compostura, amolecendo sob os toques do baixista e se vendo um pouco envergonhado, afinal de contas, não devia estar cobrando nada dele. É claro que estava enciumado, vinha evitando conversar demais e acabar revelando isso e os tantos outros segredos que compartilhavam quando eram apenas os dois para os outros, não confiando nem um pouco em sua espontaneidade. Se fosse confrontado sobre sua relação com Shohei, não saberia o que dizer se não que são amigos de longa data que eventualmente se pegam.
Tatsuya foi quem iniciou o beijo, deixando de lado toda a insegurança e ciúme, se agarrando com firmeza a regata suada do maior, que deixava os braços fortes em evidência e o atentou toda aquela noite. O encaixe dos lábios não deixava brechas para qualquer sentimento ruim, o membro cálido resvalando e serpenteando o próprio com carinho e vagarosamente o deixando meio desnorteado e ansioso, isso sem contar a pegada do baixista, que era um fator muito injusto. Shohei já o conhecia bem em todos os sentidos possíveis, sobre ou longe dos palcos sabia o que e como fazer para deixá-lo animado, só que por alguma razão não parecia estar tão no clima quanto ele próprio. Tatsuya ameaçou tirar a maldita regata, mas o baixista o impediu, o prensando ainda mais contra a parede e passando os dedos que antes agarravam com possessividade os fios descoloridos de sua nuca para o queixo, o encarando e exibindo um sorriso travesso, como se tivesse lembrado de uma piada ou houvesse algo engraçado no rosto do menor. Aquele sorriso bobo e encantado não era tão comum, mas Tatsuya, de certo, não se importaria de olhar para ele por horas e talvez até dias. Ele era covardemente lindo demais.
― Namora comigo? ― Shohei sussurrou, acariciando a cintura alheia, enquanto mordiscava e roubava beijos rápidos e sutis.
― Para com isso, Heihei...
― Tô falando sério.
― Você perdeu o juízo, cara...
― Então é isso. ― Deu de ombros, sem se importar com o riso nervoso do baterista, que se encolheu todo e riu divertido ao receber beijos por todo o rosto, indo parar no pescoço , seu ponto fraco. ― Você é meu namorado.
― Eu não concordei com isso, Heihei.
― E vai descordar? ― Perguntou falsamente magoado, roçando os lábios na pele de Tatsuya, arrancando arrepios e um gemido tímido. ― Vem, seu namorado está exausto.
Tatsuya não protestou nem se opôs ao maior o levando consigo para o lado de fora do banheiro. A verdade era que estava todo sem jeito, sendo carregado diretamente para o camarim, onde todos os veriam de mãos dadas e Tatsuya virado em um tomate tamanha vergonha.
Como imaginou, todos sequer olharam em seus rostos, os dedos entrelaçados pareciam muito mais atraentes, perdendo apenas para o evidente embaraço do baterista.
― A gente tá indo pro hotel agora.
― Estamos? ― Não estando a par de nenhum plano mirabolante ou qualquer coisa semelhante, não foi capaz de esconder a estranheza.
― É. ― Shohei respondeu determinado.
― Nós já estávamos de saída também. E mais tarde vamos sair pra beber, vocês vêm? ― Shoya foi quem indagou, intrigado o bastante por ver o amigo tão tímido, para variar.
― Eu vou. ― Tatsuya deu sua palavra antes de, novamente, ser arrastado por entre os corredores da casa de shows. ― Tá pensando em que, Heihei?
― Quero passar um tempo com o meu namorado, só isso.
Roubou um selinho e riu da reação acanhada que obteve, vendo-o procurar ao redor alguém que tivesse visto aquela interação.
― Estamos em público, não faz assim. ― Reclamou, falando baixinho, ficando agora lado a lado para se queixar do descuido.
― Foda-se, Suya. Quero que todos nos vejam a partir de agora. Quem sabe assim você entende que é você quem eu quero.
Dadas as circunstâncias, Tatsuya continuou se esquivando do maior sob o pretexto de não chamar mais a atenção dos transeuntes nas ruas de uma cidade que não conhecia direito e cuja tradição devia ser a mesma de todo o país. Não era normal que casais hétero transitassem de mãos dadas por aí, como nos filmes holywoodianos, que dirá dois homens criados, por isso o baterista continuou o repreendendo ao longo de todo o trajeto, muito embora não fosse capaz de usar as palavras no tom adequado para se fazer crer pois ele estava gostando e não era pouco. A cada vez que se olhavam, Tatsuya se derretia inteiro; Shohei ganhava ainda mais confiança, se era possível.
Como os colegas optaram por irem de carro, depois de recolherem todos os instrumentos junto da staff, acabaram chegando mais cedo e antes que Tatsuya pudesse se ver preocupado por não ter feito sua parte, Shohei o abordou ao ocuparem um quarto, bastante disposto e sedento por si, tirando sua roupa e qualquer faísca de concentração enquanto era obrigado a jurar que se comportaria mais tarde, mas adiantando também que não mentiria quando reencontrasse os colegas.
O sexo, para variar, foi diferente. Melhor. Agora que estavam "namorando", Shohei se sentiu mais à vontade para se deixar levar pela empolgação, sem reprimir a sensação de estar em casa o menor, o agradando e saciando sem qualquer vergonha ou reserva, simplesmente porque gostava dele muito mais do que como um amigo, colega de trabalho ou mesmo como um affair. Tatsuya aproveitou ao máximo sua companhia, como era de hábito, já que não acreditava que ele pudesse estar falando sério sobre firmar um relacionamento assim do nada, por mais que sua postura estivesse mudando radicalmente com o transcorrer de cada segundo.
As intenções do baixista só ficaram claras no momento em que começaram a se arrumar para encontrarem os demais colegas. Shohei trouxe sua mochila com roupas casuais para o quarto onde estiveram nas últimas horas cantarolando distraído com Aki, Yo-Ka e Shoya em seu encalço.
Eles entraram e olharam ao redor completamente abismados com a bagunça feita em tão pouco tempo, mas apenas Yo-ka se atentou ao fato de que apenas uma das camas de solteiro seguia intacta, com todas as roupas perfeitamente alinhadas e passadas sobre o colchão.
― Eu não acredito... ― Yo-ka soltou, esfregando os olhos rápida e bruscamente os olhos, descrente. ― Você quer o quarto pra dormir com o Tatsu, um cara.
― Nada disso. ― Shohei riu, parando a caminho do banheiro com mudas limpas de roupa, sorrindo arteiro. ― Nós vamos transar ness
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