Notas iniciais
A palavra de hoje é: trepanação (Técnica cirúrgica que consiste em fazer uma abertura num osso, especialmente do crânio. Em construção, significava perfurar o solo). Eu usei com sentido figurado porque não sou obrigada :v Capítulo narrado pelo Erik ♥ É sequência direta do anterior, portanto, ele e a Angela ainda estão no cemitério tentando entender os mistérios da meia-noite...

Não sei o que pensar. Nem sei se compreendi o que Angela disse. Perturbado, olho dela para a lápide aos meus pés algumas vezes.

Daniel Vidal nasceu em 1.983 e faleceu em 1.992. Afogado, no rio, morto, aos nove anos.

Lembro de ler sobre esse infortúnio enquanto revirava o passado de Angela em busca de alguma conexão. Não cheguei a ver qualquer foto do pobre garoto, então não sei o que a fez enxergar qualquer semelhança entre nós.

Tudo o que sei é que isso pode até justificar a maneira que Angela se sente em relação a mim, porém não explica o que sinto por ela. Essa sensação forte de familiaridade e vínculo.

— Eu não sei como Daniel estaria hoje, claro, mas algo em você, nos seus olhos... me lembra ele, sim.

Suas palavras me deixam ainda mais perdido. Zonzo. A angústia do mistério é como uma trepanação na minha cabeça. Perfurando, escavando, cutucando meu subconsciente em busca de algo. Mas do quê?

Angela me comparando a alguém que foi muito importante para ela mexe comigo de um jeito sufocante.

De súbito, o gosto amargo da água barrenta invade minha boca.

Meu peito arde em busca de ar.

Notas finais
Faltam 5 capítulos ♥