Notas iniciais
200 palavras ♥ A palavra de hoje é plúmbeo: cor de chumbo, cinzento, tristonho.

Enquanto o café esfria na xícara sobre a mesa, Teo observa o céu plúmbeo e encoberto desta manhã. Mas não há nada mais cinzento do que o seu próprio olhar.

Ele não disse uma palavra sequer desde que me encontrou na ponte e viemos para a padaria onde fazemos a primeira refeição do dia de vez em quando.

Em dado momento, canso-me do silêncio sepulcral.

— Qual o problema?

De imediato, ele olha para mim.

— Me diga você. Desde que o novo delegado brotou aqui, você ficou diferente. E quer saber? Me incomodou ver vocês juntos há pouco.

Demoro alguns instantes para absorver suas palavras.

— Ei. — Toco sua mão. — Foi um encontro por acaso. Mas eu não vou negar, ele me intrigou sim.

Meu noivo pisca, surpreso com a sinceridade.

— Acho que... me lembrou alguém que eu conhecia, só isso.

— Alguma chance dele ser essa pessoa?

— Nenhuma — afirmo, dando-me conta de que não há motivos para cogitar o contrário. Sorrio para Teo e brinco: — Mas você fica bonitinho com ciúme.

Ele franze o cenho, meio ofendido.

— Eu não estou com...

Incapaz de negar, leva a xícara à boca. Faz uma careta ao perceber que o café esfriou.

Tento não rir.