Entre o céu e o inferno
11 Epidemia
1
A manhã havia sido longa, tive que contar tudo a Matt, desde a parte que sua namorada era um demônio e o meu namorado um anjo, até a parte onde devíamos faltar a escola, pois segundo Gabriel, as coisas só iriam piorar de agora em diante. Eu tentava não pensar muito no fato de que minha vida estava mudando, tentava não pensar que os demônios me queriam... E mais ainda, tentava não pensar no que Volare havia dito.
Tentei ligar para a minha mãe mais uma vez, porém foi em vão. Deixei o celular sob a cama e desci até a sala, onde Albert estava sentado com seu notebook.
–Onde está todo mundo? -Perguntei me sentando na poltrona.
–Saíram com Gabriel. -Disse Matt se jogando no sofá.
–Pra fazer o que?
–Bom... Pelo visto Gabriel também não sabe qual é o seu dom.
–Como isso é possível!?
–Não sei, ele disse que -Matt abriu aspas com os dedos — "O pai dele iria revelar na hora certa, porém com o céu em desordem isso nunca vai acontecer".
–Ta, então, Gabriel vai voltar ao céu e descobrir qual é o meu dom?
–Sim.
Me sentei ao lado de Albert e liguei a televisão. Estava passando jornal no canal local, com a notícia de uma epidemia na cidade, mas que ninguém ainda havia descobrido o que era, Albert e Matt olharam para a TV. Pelo visto os sintomas eram parecidos com uma gripe.
No instante seguinte veio algo ainda mais grave. O jornal dizia que o prefeito havia morrido, em seguida veio a causa. A forte epidemia o havia matado. E talvez todos os políticos da região tivessem pego. Portanto, dizia o jornalista, alguém de fora da cidade estava chegando para ser o novo prefeito.
–Sem votação? -Matt perguntou sem tirar os olhos da TV.
–Tem razão, isto está muito estranho... -Albert respondeu.
–Não existe epidemia. -Disse Gabriel entrando na casa -Os demônios estão tomando a cidade.
–Espera, -Disse eu -Está dizendo que todos os moradores estão possuídos?
–Não. Nem todos os demônios precisam de um receptáculo. Apenas os mais inferiores.
–Um receptáculo... Quer dizer um humano? -Matt perguntou.
–Sim, um humano. E mais deles estão chegando. Daqui pra frente vai ficar pior.
–E onde estão Andrew e Annelise? -Perguntei.
–Foram a biblioteca, vamos precisar descobrir qual é o seu dom sozinhos.
–Achei que você tivesse ido ao céu.
–Eu tentei, mas por algum motivo não posso mais entrar...
–E o que fazemos agora?
–Vamos sair da cidade o mais rápido possível.
–Sair pra onde!?
–Ainda não sei. Mas vou dar um jeito.
Gabriel saiu sem dizer nada, eu fui até o quarto e peguei o celular. Precisava avisar Susan, eu não podia dizer toda a verdade mas ao menos podia tentar convencê-la a sair da cidade.
Antes mesmo de discar seu número vi que estava sem sinal, novamente desci as escadas, abri a porta da frente.
–Onde vai!? -Albert perguntou aflito.
–Só vou até a calçada, preciso de sinal.
–Não vá longe.
Assenti e sai de casa. Quando cheguei na calçada meu celular ainda não tinha sinal. Provavelmente isso tinha haver com os demônios, o que não me deixava com outra escolha, a não ser ir até a casa de Susan. Ela já devia ter voltado da escola. Olhei para a janela, Matt não me veria.
Susan não morava tão longe, atravessei a rua e comecei a andar na direção da casa dela.
2
–Um monte de nada! -Disse Annelise folheando outro dos livros da biblioteca.
–Tem razão... Acho melhor voltarmos.
–Mas podemos levar estes aqui. -Ela segurou alguns livros sobre demônios.
Assenti e saímos da biblioteca. Eu e Annelise entramos no carro, não demorou para que entrassemos em Lockerwood, as ruas estavavam quase que completamente desertas. Dirigi um pouco mais rápido e cheguei em casa. Descemos do carro, eu carreguei os livros sobre demônios, abri a porta e lá estavam todos no que parecia uma discussão.
–Ela disse que ia ficar na calçada. -Dizia Albert.
–Eu fui claro quando pedi que você não a deixasse sair! -Retrucava Gabriel.
Matt assim como eu e Annelise estava parado observando. Deixei os livros sob a mesa.
–O que houve!? -Perguntei.
–O humano deixou que Jade saísse. -Gabriel respondeu.
–Eu tenho nome, sabia?
–Pessoal! -Todos olharam para a porta, e lá estava Jade entrando por ela -Eu estou bem. Fui avisar a Susan pra que não saísse de casa hoje. E antes que venha me alertar dos riscos -Ela olhou para Gabriel -Eu sei quais corri.-Gabriel apenas a encarou, em seguida deu de ombros e começou a falar.
–Temos que sair logo desta cidade. Vou sair e procurar um carro que caiba todos nós.
–Eu vou com você. -Disse Annelise o acompanhando.
Os dois saíram, eu não podia deixar de estar preocupado. Fariam de tudo para levar Jade, parte minha tinha medo de não poder impedir, o que me restaria se ela se fosse?
–Ta tudo bem? -Jade perguntou pondo as mãos no meu ombro.
–Sim.
–Vou ajudar Matt com os livros.
Assenti, e ela sentou-se na mesa com Matt, em seguida os dois começaram a folhear os livros, buscando conhecimento sobre demônios. Talvez fosse melhor ser um humano do que ser um anjo, quando você é um humano, pode ter uma família, amigos, alguém com sentimentos de verdade pra se abrir, mas quando se é um anjo, você tem o céu, e apenas o céu.
O que aconteceria de agora em diante? Quando caí, tudo o que eu não queria era que Jade descobrisse o que eu era de verdade, e agora que isto havia acontecido, eu estava confuso, e embora fosse o protetor dela, eu não sabia o que fazer, não sabia qual caminho seguir.
–Então, por onde vaga sua mente angelical neste momento? -Albert disse e parou ao meu lado.
–Estou preocupado Albert.
–Você sempre está. Talvez devesse ser mais positivo.
–Não posso ser positivo em relação a ela. Não vai ser fácil tirar todos nós da cidade. -Eu o encarei.
–O que quer dizer? -Perguntou ele, parecia um tanto aflito.
–Quero dizer, que se alguma coisa der errado... Eu preciso salvar a Jade. Mesmo que isso custe minha vida.
–Você não vai morrer. Pode parar com este papo, Andrew.
–Talvez eu não morra... Mas se algo me acontecer, eu preciso que você prometa que vai cuidar dela por mim... E se a coisa ficar muito feia quando tentarmos sair, você tem que leva-la a um lugar seguro, mesmo que eu fique para trás.
–Nada vai te acontecer!
–Prometa.
–Eu... Droga Andrew! Eu prometo!
–Ótimo. Vamos ajudar os dois com os livros.
Ele assentiu e caminhamos até a mesa.
–Então, o que tiraram daí até agora? -Albert perguntou. Eles olharam um para o outro, e Matt começou a falar.
–Bem... Sal serve como barreira, água benta os deixa mais fracos... -Ele fez uma expressão de dúvida.
–E eles ainda podem tomar o nosso corpo. -Disse Jade -O que faremos?
–Apenas demônios mais inferiores precisam de um receptáculo, porém não há tantas formas de evitar a possessão. -Eu disse -Vocês podem usar isso.
Eu entreguei um colar com um crucifixo pra Albert e Matt.
–Você já tem sua cruz. -Disse para Jade -Se vocês não tirarem os colares eles não podem possuir vocês. -Jade e Albert assentiram, porém Matt ainda me encarava com um pouco de medo.
–E se eles possuírem um de nós... O que fazemos? -Ele perguntou.
–Faça o receptáculo engolir sal... E rezar pode ajudar a fazer com que o demônio saia mais rápido.
Matt pareceu convencido. Humanos lutando contra demônios... Isto não devia acontecer.
–Ótimo, então agora peguem tudo de útil que puderem carregar. -Disse Albert.
Ele junto com Jade e Matt começaram a andar pela casa e encher as mochilas com tudo o que julgavam necessário.
*
Eu estava no sofá, Gabriel e Annelise já deviam ter chegado. A idéia de que eles haviam sido pegos começava a me assombrar. Eu era apenas preocupações e nada mais naquele momento.
–Sei que você é um anjo. Mas mesmo assim vai experimentar o meu cappuccino. -Disse Jade se sentando do meu lado e me entregando uma xícara.
Eu peguei a xícara de suas mãos, ela sorriu, aquele sorriso conseguia me tranquilizar, não importava o que acontecesse. Tomei um gole do cappuccino, não senti nada, eu não era como um humano. Talvez pra eles fosse diferente.
–Então o que achou? -O sorriso ainda estava em seu rosto.
–Esta... Ótimo.
Ela riu.
–Você não pode sentir o gosto, não é? -Respondi negativamente com a cabeça, ela riu um pouco mais -Sorte sua. Dizem que meu cappuccino é horrível.
Rimos juntos.
Fiquei encarando seus olhos, era como da primeira vez que os vi, a mesma sensação, toda a paixão que eu havia sentido. Nada mudava, nunca. Ela se levantou, parecia um tanto preocupada, parou em frente a janela. Talvez estivesse esperando Annelise e Gabriel… Ela estava certa em estar preocupada. Talvez eu devesse ir atrás dos dois.
Me levantei do sofá, mas não pude dar nem um passo, um som extridente ecoava em meus ouvidos, tão alto que caí no chão de joelhos, com as mãos nas orelhas, Jade veio até mim o mais rápido que pode.
–Andrew! –Ela disse e eu mal podia ouvir… Era como se todos os sons a minha volta fossem abafados por aquele outro som.
Albert e Matt também se aproximaram, eles me olhavam aflitos, mas de repente, o som foi se tornando algo como vozes… Demorou um tempo para eu reconhecer de quem eram. Gabriel. Ele foi muito breve, mas eu fui capaz de entender cada palavra. Então consegui me levanter.
–Você esta bem!? –Perguntaram os três quase ao mesmo tempo.
–Sim… Acho que Gabriel queria falar algo importante.
–Você ouviu Gabriel? –Albert perguntou.
–Sim.
–E o que ele disse!?
–Disse que ele e Annelise foram cercados… E que temos que ir sem eles.
–Mas não é isso que vamos fazer… Nós não podemos deixar os dois aqui. –Disse Jade, ela me encarava.
–Nós temos que ir Jade. –Disse Albert –Não sabemos o que vai acontecer se ficarmos.
–Mas… -Ela disse e eu a interrompi.
–Realmente temos que ir, Jade… Gabriel não teria dito para irmos se fosse seguro estarmos aqui.
–Eu… Vou ligar o carro. –Disse Albert saindo, Matt o acompanhou. Jade e eu ficamos ali, olhando os dois, mas logo em seguida o olhar dela se voltou a mim, com seus olhos azuis brilhantes e doces, ela me olhava séria.
Eu sabia que ela tinha razão, não podíamos ir e deixar os dois para trás, isso não era certo. Eu precisava salva-los, seja lá do que fosse. Porém não podia levar Jade comigo.
–Então, você vai mesmo deixar os dois? -Ela perguntou.
–Não.
–Então vamos procurá-los? -Sua expressão havia se adoçado um pouco.
–Vocês não. Eu vou.
–Como assim, você não pode ir sozinho. Andrew... Isso é...
–Jade, você não vai. Eu vou encontrar os dois, mas pra isso você tem que estar a salvo.
Ela passou os dedos pelo cabelo, colocando todo ele para trás, sua preocupação era aparente.
–Eu... Não vou ir sem você.
–Não precisa. Vocês... Se escondem, e saímos todos juntos quando eu encontrar os dois.
–E se... Se alguma coisa der errado... Andrew... Você...
Eu segurei suas mãos, e olhei em seus olhos.
–Eu prometo voltar pra você.
–Que seja o mais rápido possível. -Ela fechou os olhos por um momento, e quando os abriu, se aproximou de mim. Me beijando.
Em seguida saímos, Albert e Matt estavam encostados no carro. Eles olharam um para o outro, e depois para mim.
–Onde devemos ficar? -Jade perguntou.
–Vão pra sua casa, coloquem sal nas portas e janelas... E não percam os colares.
–Como assim? -Disse Albert -Você não vem com a gente?
–Vou encontrar Gabriel e Annelise. Depois saímos todos juntos daqui.
Albert assentiu hesitante, mas entrou no carro junto com Matt.
–Por favor. Tenha cuidado. -Disse Jade.
–Eu vou ter. -Respondi e a beijei em seguida. Ela entrou no carro, no banco de trás, então fechou a porta e Albert acelerou... Eu mal sabia por onde começar a procurar.
3
–Ele vai ficar bem, não é? -Perguntei olhando para Albert e Matt.
–Vai. Ele... É esperto. -Albert respondeu.
Eu não conseguia parar de pensar nele, o que eu faria se ele fosse morto? Agora que eu havia lido os livros, eu tinha ao menos uma noção, de como eram os demônios. Eu sabia me proteger, mas temia que não fosse o suficiente. Albert dirigiu até a minha casa.
–O sal... -Disse Matt.
–O que? -Albert respondeu.
–Não temos sal pra cobrir todas as janelas... Eu... Sei de um mercado aqui perto. Posso ir e voltar bem rápido.
–Não pode ir sozinho... Não vou tirar os olhos de vocês.
–Eu vou com ele Albert. Voltamos mais rápido possível. -Desci do carro, e Matt me acompanhou.
–Não. -Disse Albert saindo do carro também. -Se alguma coisa acontecer com você, Jade, Andrew... -Eu o interrompi.
–Nada vai acontecer. Nós vamos tomar cuidado... Enquanto isso use o sal que temos para proteger o que der. -Joguei a chave para Albert e então eu Matt começamos a andar.
As ruas estavam vazias, era difícil saber onde todos estavam... Talvez estivessem possuídos. Não se podia dizer. Mas eu nunca havia visto Lockerwood tão pacata.
–Podia ter zumbis, não é? -Disse Matt, muito empolgado, eu o olhei séria, talvez mais do que eu queria. -Imagine, -Ele continuou -As ruas cheias de mortos vivos. E é claro, eu atirando em todos eles.
–Só que no mundo real... Fora de todas as ficções, não haveriam sobreviventes, todos se tornariam mortos vivos, Matt.
–Nossa, como você é pessimista. Eu não seria um zumbi. Talvez fosse... O dono do mundo, o único sobrevivente.
–Vamos pegar logo o sal. -Eu disse e logo entramos no mercado.
Estava vazio, assim como a cidade aparentava. Eu Matt nos encaramos por um breve momento, como se ambos estivessem tomando coragem para andar pelo mercado. Matt deu um passo a frente, olhou em volta, e então começou a andar.
–Ache o sal, -Ele disse -Eu vou pegar uma sacola.
Assenti, e então andei pelos corredores do mercado, até encontrar sal. Eles vendiam em sacos plásticos, eram grandes, tirei alguns da prateleira e Matt logo apareceu, abrindo a sacola para que eu colocasse dentro. Em seguida saímos do mercado... Era estranho, nada havia acontecido, nós não vimos nada incomum. Afinal de que estávamos fugindo?
Andamos até em casa. Albert havia colocado sal em todas as janelas que pode. Eu e Matt cobrimos o restante delas e da porta da frente.
–E agora? -Matt me perguntou.
–Esperamos.
–Água benta.
–O que?
–Eu posso fazer água benta... Não é? É só rezar sobre a água.
–Mas você não é um sacerdote... Ou algo do tipo, quem garante que vai dar certo?
–Não seja tão descrente... Eu... Vou tentar.
Em seguida ele foi para a cozinha. Eu olhei para a janela esperando que Andrew já tivesse voltando. A cada segundo eu me preocupava mais. Não apenas com Andrew, mas também com meus pais... Era estranho... Mas eu sentia falta da minha mãe. Eu desejava que ela estivesse segura, junto com o meu pai de preferência.
–Vai ficar na janela até ele voltar? -Albert disse sentando-se no sofá.
Eu fui até o sofá e me sentei ao seu lado.
–Como você o conheceu? -Perguntei.
–Ele... Ele simplesmente apareceu.
–E porque ir até você? Quero dizer... Dentre toda a humanidade.
–Há um tempo atrás, havia um anjo que falava comigo... De alguma forma eu era necessário para uma obra divina. Então acho que porque eu já tive contato com um deles... Andrew soube que eu era de confiança.
–Esse anjo te dava ordens?
–Prefiro chamar de instruções.
–E o que queriam que você fizesse?
–Queriam... -Ele me encarou por um momento. Então olhou para baixo e ficou em silêncio.
–Albert o que eles queriam?
–Eles queriam que eu juntasse um casal.
–Quem?
–Seus pais. -Fiquei boquiaberta.
–Eles disseram porque?
–Não. Disseram apenas que essa era a vontade -Ele abriu aspas com os dedos -Do pai deles... Fecha aspas.
–Pelo visto o cupido é outra mentira...
–Talvez. Podemos perguntar a Andrew quando ele voltar.
–Espero que ele volte logo... -Me levantei e o encarei confusa -Você nunca se perguntou porque eles queriam juntar os meus pais?
–Bom... Eu acho que agora isso ficou óbvio... Seu nascimento era necessário.
–Algo me diz... Que no final disso tudo, eu não vou me dar bem.
–Andrew nunca deixaria alguma coisa de ruim te acontecer.
Respirei fundo e dei um sorriso forçado. Em seguida fui até o meu quarto. Troquei de roupa rapidamente, eu havia posto minha calça jeans azul escura, e minha blusa de frio cinza. Em seguida penteei o meu cabelo. Acho que eu sentiria falta do meu quarto se nunca mais voltasse.
4
Entrei no porão da prefeitura, onde Gabriel e Annelise estavam. Ambos com correntes nos tornozelos. Não havia tido nenhum problema para encontra-los, muito menos para entrar na prefeitura. O que me deixava com a certeza de que era uma emboscada. Mas mesmo assim continuei, fui até os dois. Quando relei na corrente que os prendia, foi como se minha pele queimasse, era impossível removê-las.
–Eu disse pra você sair da cidade! -Gabriel falou com raiva- Isso tudo é uma armadilha.
–Desconfiei quando entrei... É por isso que tenho que tirar vocês logo daqui.
–Não Andrew. Eles sabem que você mandou a Jade pra casa. Vão atrás dela, mas antes querem matar você.
Fiquei em silêncio por um tempo. Eu mal sabia o que pensar.
–Ainda temos uma chance. -Disse Annelise -Mas só se você conseguir nos livrar das correntes.
–Como!? -Perguntei aflito. Pois ouvi alguém entrar na prefeitura.
–Vamos puxar juntos! -Annelise disse e se levantou do chão, Gabriel fez o mesmo. -Um. -Disse ela olhando para nós -Dois. Três!
Quando puxamos ao mesmo tempo as correntes cederam. Mas talvez fosse tarde demais, a porta da sala onde estávamos foi arrancada. E por ela passaram três demônios, embora fossem demônios inferiores, que precisavam de um receptáculo, eles apresentavam certa ameaça. Mas Gabriel foi rápido, ele os jogou para o lado oposto a porta, deixando caminho livre para nós.
Então saímos da sala onde estávamos e passamos por todas as outras sem problema. Até chegarmos a sala principal, onde haviam mais de quarenta demônios, esses eram fortes, não precisavam de receptáculo. Eu me perguntei por um momento quem os liderava.
Gabriel deu um passo a frente. Mas era óbvio que ele não podia vencê-los, ao menos não todos eles.
–Acho que lhe devo meus agradecimentos, Andrew. -Ouvi alguém dizer atrás de todos os demônios... Eu conhecia aquela voz... Já a ouvi antes.
Os demônios se dividiram metade para cada lado. Dando espaço ao rosto sombrio de Jonathan... O maldito me enganou! Ele deu passos lentos, e cheios de classe. Até chegar na frente de todos os demônios, então parou.
–Muito obrigado por se dar a mim tão facilmente... E mais ainda por deixar Jade sem nenhuma proteção. -Ele sorriu, e seu sorriso se dissolveu em seu rosto, dando lugar a uma expressão sombria, então ele se virou para os demônios -O primeiro que me trouxer as asas de Andrew, vai ganhar uma promoção! Um cargo bem alto no inferno!
Ele mal ficou em silêncio e todos os demônios começaram a correr em minha direção, mais deles entravam pelas janelas. Eu usava toda a minha força para jogá-los longe. E tinha a ajuda de Gabriel e Annelise. Porém eles eram muitos... Eu sabia que não conseguiríamos derrotar todos.
Joguei um deles para fora, por uma das janelas. Quando olhei de relance para o lado Gabriel tirou as suas asas, seus olhos brilharam incandescentes, e ele abriu caminho dentre os demônios. Eu e Annelise o seguimos e então estávamos fora da prefeitura.
Porém quando saímos mais demônios vieram. Desta vez estávamos cercados, eles vinham por todos os lados. Nós nos defendiamos como podíamos, mas não era suficiente. Gabriel foi arremessado em uma parede, ele se levantou, mas estava mais fraco que antes. Annelise e eu ficamos de costas um para o outro, tentando nos salvar. Porém conseguiram nos derrubar.
Um deles estava prestes a me matar, quando uma luz incandescente veio do céu, direto para o final da rua. A luz atraiu a atenção dos demônios, eles ficaram imóveis por alguns segundos. Então enquanto a luz se apagava lentamente, uma flecha acertou um deles.
No momento seguinte várias flechas foram arremessadas, resultando em quase todos os demônios mortos. A luz se apagou. Então pude ver mais de uma dezena de arcanjos caminhando para nossa direção, eles ainda lançavam a flecha, sendo assim não demorou para que matassem todos os demônios.
–Andrew, você foi difícil de encontrar! -Disse um dos arcanjos, ele tinha um pergaminho em mãos, ele o abriu -Você foi acusado pelo crime de rebeldia e traição... Sendo o líder dos arcanjos que estão comigo, eu te sentencio a morte!
Em seguida ele mirou com seu arco em mim. Assim como todos os arcanjos que estavam com ele.
–Corram! -Disse Gabriel.
Ficando na minha frente e de Annelise, ele fez apenas um movimento com as mãos e todas as flechas pararam no ar. Os arcanjos olhavam uns para os outros incrédulos. Eles se alvoroçaram quando Gabriel fez um outro movimento, dessa vez ele jogou todas as flechas de volta nos arcanjos.
Eu e Annelise já estávamos um tanto longe. Entramos em um beco, então íamos tirar nossas asas, mas Gabriel apareceu.
–Não! -Disse ele, parando em nossa frente -Voando vocês serão alvos fáceis!
Em seguida ele voltou a correr pelo beco, eu e Annelise o seguimos. Hora ou outra eu olhava para trás, vendo os arcanjos quase nos alcançando. Precisávamos despistá-los, mas naquele momento o que mais me preocupava era Jade. Jonathan não havia morrido, disso eu tinha certeza. E isso significava que ele iria atrás de Jade.
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