Notas iniciais
Minha segunda fic, espero que gostem.

Eu queria ter me explicado, ou melhor, ter me justificado, mas no fundo eu sei que de nada teria adiantado. Afinal não tem explicação para isso, sim, eu mesmo sei disso.
Desde de o principio eu sempre soube, eles não são nossos amigos, nem nossos inimigos. São apenas quem devemos proteger... Mas quando a vi. Algo em mim mudou, eu tive um sentimento que eu nunca havia tido antes.. Eu a amei desde o momento que fui destinado a protege-la... Foi assim que eu comecei caminhar em direção a queda, e embora eu saiba que de certo modo eu mereci, mesmo assim o rancor ainda tem um espaço enorme em meu coração.

Talvez o que os outros anjos dizem seja verdade... Talvez eu tenha sido teimoso, alguns me chamam até de segundo Lúcifer. Mas mesmo sabendo que eu devia, eu não me importo com isso, não me importo com o que eles dizem.

Não apenas pelo fato de ama-la mas também porque se eu desistir agora minha queda terá sido em vão... Ainda tenho pesadelos com aquele dia, primeiro foi Miguel, ele disse toda aquela história sobre desobediência, e por fim disse que eu havia desperdiçado a minha última chance de redenção.

Eu tentei argumentar, porém antes que pudesse veio aquela sensação, uma náusea insuportável, depois foi frio, e no instante seguinte eu comecei a sentir minha pele queimando, por fim foi rápido, tudo ao meu redor girava, e eu ficava cada vez mais tonto. Então foi um grande impacto, eu senti o chão abrir e instantes depois uma aglomeração de pessoas em volta. Fui rápido e gastei minha ultima força colocando minhas asas para fora e saindo de lá o mais depressa possível... Foi o suficiente, ninguém me notou, nem era possível, são apenas humanos... Eles disseram nos jornais que foi apenas outro meteóro.

Aquela foi a pior semana de toda a minha existência, eu estava em um planeta completamente desconhecido, afinal nunca fui um dos anjos da linha de frente... Sou apenas um protetor, nossa missão é apenas olhar por eles e interferir em algo se realmente vermos que eles não conseguem resolver sozinhos, aquela era minha primeira vez na terra, eu estava confuso, assustado, e sem rumo.

A noite já havia caído, eu entrei na primeira floresta que encontrei. Caminhei por um longo período até sentir a dor terrível em todo o meu corpo, eu parei e me encostei em uma árvore, mas aquela dor só aumentava, então involuntariamente deslizei pela árvore e caí no chão, senti a chuva em minha pele. Tudo aquilo era tão novo pra mim, e ao mesmo tempo tão medonho, eu tentei me levantar, porém senti uma dor tão forte na cabeça que o meu corpo parou, adormeci ali mesmo em meio a chuva.

Acordei cerca de duas horas depois com uma mão sobre o meu ombro, tirei ela de lá com um tapa. Com esforço olhei pra cima e vi a face de uma garota, não era uma garota qualquer, mesmo estando fraco eu pude ver que era um anjo. Ela tinha cabelos castanho escuros devidamente longos, seus olhos eram violeta, ela vestia um vestido branco até o joelho e estava descalça. Por um certo tempo ela ficou apenas parada ali, me encarando. Confesso que eu estava assustado com tudo aquilo. No momento seguinte outros dois anjos apareceram, ambos guardaram as asas e olharam para mim com um ar de superioridade e ao mesmo tempo de pena.

-Está frio aqui fora. -Disse a garota colocando gentilmente uma capa sobre mim. -Venha, vou te levar para um lugar seguro.

Antes que eu pudesse raciocinar os outros dois anjos me seguraram pelo braço e começaram a me levar pela floresta. Uns dez minutos depois chegamos a um velho chalé, ele era todo de madeira. E estava praticamente caindo aos pedaços, os anjos entraram e me deixaram sentado em um sofá na frente da lareira então sairão e pararam na varanda em sentinela. No momento seguinte a garota acendeu a lareira... Foi em uma boa hora pois eu estava tremendo de tanto frio, ela havia ido para outro cômodo do chalé, então voltou com uma xícara de café nas mãos.

-Beba antes que fique doente. -Ela disse dando a xícara em minhas mãos -Meu nome é Annelise. Você assim como os outros anjos nunca ouviram falar de mim, mas sou a responsável por guiar os que caíram, e assim um dia talvez eles possam retornar ao céu. Estou disposta a ajudar você Andrew, mas cabe a você aceitar minha ajuda.

Eu não sabia se podia confiar nela, por mais que ela parecesse inocente, uma parte de mim dizia pra me levantar e ir embora, ir fazer o que eu realmente estava interessado em fazer. Porém ela parecia de alguma forma se importar comigo, me olhava com compaixão. Quando me dei conta percebi que não havia respondido a pergunta que ela tinha feito. Então no momento seguinte eu disse olhando em seus olhos.

-Quem garante que posso confiar em você?

-Eu garanto. -Ela falava tudo firmemente. -Mas agora eu quero saber qual foi o motivo da sua queda.

-Primeiro você. -Eu disse rapidamente.

-Eu não caí, fui destinada a vagar pela terra para guiar os que caíram de volta ao céu. Desde o principio sempre foi assim.

-Então porque Lúcifer não está no céu? -Questionei.

-Eu ofereço ajuda, isso não significa que todos querem a minha ajuda... Mas vou direto ao ponto, pelo que eu soube o céu não é o mesmo depois da sua queda...

-O que quer dizer?

-Os anjos, a maioria deles se rebelaram, alguns ainda acreditam no céu, mas quanto aos outros... Alguns querem destruí-lo para descer para a terra como você, e outros querem domina-lo... E... Exterminar todos os humanos... -Eu não deixei que ela terminasse, aquilo tudo era absurdo.

-Mas e o nosso pai? Pra onde ele foi?

-Dizem que ele se trancou na terceira dimensão do céu... É Andrew, parece que você foi a ultima gota pra ele... A pergunta é, porque um anjo como você, que era um exemplo no céu caíria?

-Não importa. -Coloquei a xícara sobre um criado mudo empoeirado ao lado do sofá. -Eu não posso voltar ao céu, então acho que não preciso perder tempo com você.

Me levantei com esforço do sofá, a dor voltou. Ela segurou meu braço com força e me encarou.

-Eu precinto que o céu vai acabar Andrew, e quem vai destruí-lo são nossos próprios irmãos. Os arcanjos o dominarão, todos eles estão te culpando pelo sumiço do nosso pai, então se quiser sair por aquela porta vá, mas saiba que assim que eles acharem você te destruirão sem o menor recentimento.

-Eles não podem me encontrar. -Eu disse mostrando meu colar com minha cruz. -Isso impede que eles me rastreem.

-Impede que te rastreem usando poderes, mas existem outras formar de te encontrar... Então suponho que sente nesse maldito sofá e aceite a minha ajuda.

Eu me sentei novamente, ela parecia confiável de certo modo, desta vez ela ficou em pé ao lado da lareira, eu não sabia se devia dizer porque eu havia caído, provavelmente ela não entenderia, mas não demorou até que ela voltasse a insistir.

-Então, porque você caiu?

-Se eu dissesse você não entenderia.

-Porque não tenta?

Me encostei no sofá, e disse firmemente.

-Eu me apaixonei.

-Não acredito. Você caiu por uma humana?

-Eu disse que você não entenderia.

-Espere... Você não está pensando em ir atrás dela, está?

-Eu já caí, não pode haver algo pior que isso.

Annelise revira os olhos.

-Ao menos sabe onde encontra-la?

-Lockerwood. A cidade vizinha.

-Como sabe?

-Eu sou... Sou o anjo da guarda dela.

-E sua história só piora... Vai chegar lá e dizer o que? Eu caí do céu. Vamos ficar juntos?

-Ela nunca vai saber que sou um anjo.

-Bom. Confesso que isso me deu uma ideia...

-Que ideia?

-Já que agora nosso pai não está mais me protegendo, tenho que me esconder ou serei morta pelos arcanjos... A escola, seria um bom lugar para eu me esconder, então podíamos nos matricular... E você terá uma chance com ela...

Se houvesse uma chance de ficar com ela com certeza seria estando perto dela, e nada melhor do que me matricular em uma escola... Confesso que nunca me imaginei fazendo isso, porém por ela eu faria o que fosse preciso fazer. Sinalisei positivamente para Annelise, então ela continuou falando.

-Eu acho que você precisa saber de algumas coisas... Como... Se os humanos são complicados, os adolescentes são a versão mais complicada ainda deles, você tem que falar abertamente para eles não desconfiarem da sua verdadeira identidade.

Eu não havia entendido muito bem o que ela queria dizer, então passei a balançar positivamente a cabeça a cada frase que ela dizia. Mas ela não falou por muito tempo, apenas disse algo sobre gírias, palavrões, drogas, e várias coisas que eu achei um tanto exageradas...

-Acho que já sei o suficiente... Agora preciso ir. -Eu disse me virando.

-Ir pra onde? -Ela perguntou espantada.

-Tenho que resolver algumas coisas.

-E quanto a escola?

-Eu vou me matricular... As aulas começam daqui a dois dias não é? Antes de ir para a escola vou encontrar um abrigo seguro...

-Você pode ficar conosco. Estará seguro.

-Acho melhor não, prefiro ficar sozinho, agora tenho que ir...

Sai da casa, passei pelos dois anjos na varanda, eles tinham um aspecto assustado. Assim que comecei a andar pela floresta olhei para trás de relance e vi que os dois já haviam entrado. Percebi o quanto quieto o mundo podia ser, uma parte de mim não entendia porque os humanos devastavam tanto as florestas... Elas eram magnificas... Bem, isso não me importava... Tudo o que eu queria era chegar logo em Lockerwood e encontra-la, olhar seus olhos, ouvir sua voz, isso com certeza me faria sentir que ter caído valeu a pena.

Andei em linha reta por um bom tempo pela floresta, a dor do meu corpo já estava passando, uma brisa fria tomava conta da floresta, eu estava sem camisa... Pra falar a verdade não tinha nenhuma, enquanto andava ouvi um som estranho, eu não sabia ao certo do que era então apenas fui em sua direção.

*

Claro... Uma rodovia, o som era de um automóvel, só que infelizmente ele já havia passado. Fiquei parado no acostamento, o frio só aumentava, comecei a tremer, eu não esperava que iria causar tanto impacto em mim, meu queixo batia. Eu não sabia se aguentaria esperar tanto tempo.

No instante seguinte uma caminhonete apareceu ao longe, eu não sabia o que fazer para pedir uma carona, então entrei na frente. De imediato vi o espanto no olhar do motorista, ele veio freiando até que conseguiu parar, porém já estava bem perto de mim.

-Está ficando maluco!? -Ele disse estérico. -O que faz na estrada com esse frio? Você usa drogas?

Ele falava rapido demais. Eu achei que devia desistir de pegar carona com ele e tentar outra pessoa, porém eu não sabia quanto tempo ia demorar.

-Me desculpe -Eu disse com receio — Eu só quero chegar até Lockerwood e...

Antes que eu terminasse ele me interrompeu dizendo.

-Lockerwood? Acertou na pedida! Eu também estou indo pra lá... Vamos, entre. -Ele abriu a porta. Eu me sentei no banco do passageiro.

Ainda estava frio. Mais do que eu jamais imaginei sentir, mas no fundo eu sabia que ela valia todo meu esforço, continuei quieto no carro apenas com minha mente barulhenta me fazendo viajar.

-Puxa -O homem disse tentando ser gentil -Você tem que tomar mais cuidado... Mas afinal o que fazia na estrada com esse frio?

Eu não sabia o que dizer, fiquei em silêncio, até que tomei coragem e disse algo que achei que ele fosse acreditar.

-Eu estava caçando na floresta...

-Sem camisa?

-Eu... Eu a perdi.

Ele pareceu desconfiado. Então mudou o assunto.

-Então... De onde você é rapaz?

-Sou de... -Distraidamente apontei para cima, meu coração disparou. Será que ele havia desconfiado de alguma coisa!?

-De Hampsmore? Puxa vida! Minha bisavó morava lá, o nome dela era Miarah, você conhece?

-N-Não...

O homem ficou em silêncio, andamos aproximadamente quarenta e cinco mminutos. Então eu pude ver ao longe. "Você chegou a Lockerwood. População: 30.332 habitantes ".

Eu estava cada vez mais perto, isso me deixava ancioso, os vidros fechados do carro fizeram com que eu me esquentasse. Mantive o foco, a primeira coisa que eu devia fazer era achar um abrigo, mas eu já sabia como fazer isso. Albert era um humano com qual meu pai havia pedido para que eu falasse uma vez... Eu esperava que ele me recebesse.

*

Desci do carro, fui até a varanda e então bati na porta, foram apenas duas batidas até que Albert abrisse. Ele me olhou espantado, eu sabia que para ele naquele momento eu era apenas um desconhecido, afinal ele nunca havia visto minha face, eu o encarei, era estranho estar frente a frente com ele.

-O que você deseja? -Ele me perguntou parecendo querer que eu fosse embora.

Eu disse a ele quem eu era, no começo ele foi resistente, mas depois me mandou entrar. Passei pela porta, eu desejava apenas que ele entendesse tudo facilmente para que eu pudesse ir até a escola. Mas no fundo eu mesmo sabia que aquilo devia ser complicado para ele.

*

Por fim ele acreditou, mas isso foi quando abri minhas asas, ele ficou em estado de choque, mas não demorou para que me arrumasse roupas e dissesse que eu podia ficar o tempo que quisesse...