Phil havia pedido a Jemma que realizasse alguns testes médicos, quando Jemma perguntou:

—O senhor tem se sentido bem?

Phil obviamente disse que foi o seu fisioterapeuta, tranquilizando Jemma, que diz sem pensar:

—Então pode dizer ao seu fisioterapeuta que o senhor está ótimo, super em forma, especialmente para um homem na sua idade.

—”Um homem na sua idade”? Isso é o que se diz para um velho. –Phil diz ligeiramente ofendido.

—Ah é? –Jemma sorri sem graça, amaldiçoando o fato de as vezes parecer Daisy e não ter filtro na boca.

—Pousamos em quinze minutos, é melhor sentarem. –A voz desinteressada de Melinda ecoa pelo autofalante do avião.

—Para onde vamos? –Daisy pergunta se juntando a FitzSimmons.

—Pensilvânia. –Jemma diz simplesmente.

—Eu adoro a Pensilvânia. –Daisy diz, enquanto um pequeno sorriso surge em seu rosto ao lembrar-se dos avós, esquecendo-se por alguns segundos da ameaça de ser colocada sob a ditadura de Lian May.

—A Jemma também, os avós dela são daqui. –Fitz diz sem notar o olhar que as gêmeas Coulson trocam.

O caminho até a cena do crime é silencioso, uma vez que Daisy está no banco de trás, enquanto May e Ward estão no banco da frente e eles ainda estão lhe dando um tratamento do silêncio, desde o encontro com Miles.

Daisy pensa que deveria ter ido com o pai em Lola, mas ela também duvida que ele falaria com ela tão cedo.

Na cena do crime Melinda observa Daisy seguir Ward como um animal de estimação obediente, enquanto Jemma e Fitz conversam entre si.

—Eu adoro acampar, sempre encontrávamos insetos estranhos e mashimellows na fogueira são demais. –Jemma dizia para Fitz que falava dos aspectos negativos do acampamento.

—Estamos perto da casa dos seus pais. –Coulson disse discretamente.

—Estamos há uma hora de lá. –Melinda diz desinteressada.

—Se terminarmos mais cedo, podemos dar uma folga para equipe e... –Phil começou a dizer, quando estava prestes a sugerir que Melinda e as filhas poderiam visitar o senhor e a senhora May, ela rapidamente o silenciou com um olhar nada feliz. Afinal de contas, Melinda conhecia a mãe bem o suficiente para saber que se chegasse em casa com as filhas e lhe contasse que estavam em uma equipe, isso se ela já não soubesse, Lian May não deixaria de expressar sua opinião sobre isso.

—Por falar nisso, seus pais sabem sobre mim? –Coulson questionou a esposa.

—Eu não contei. –Melinda disse antes de ouvir Ward chama-los.

Melinda analisou em silêncio Jemma compartilhar suas teorias sobre o cadáver que encontraram, não deixando de se sentir um pouco assustada ao ver a caçula tão entusiasmada com um cadáver. Claro que a teoria de Daisy sobre ser um dos superdotados indexados pela SHIELD também não ajudou.

Poucas horas depois, Phil a encontrou na cabine do piloto.

—Jemma está fazendo a autopsia e Fitz está com medo. –Phil puxou assunto.

—Daisy ainda está seguindo Ward como um bichinho? –Melinda perguntou.

—No momento, ela está investigando sobre o falecido. –Coulson disse e antes que pudessem dizer qualquer outra coisa, Daisy os alerta que encontraram outro corpo.

Não demora muito mais tempo, para descobrirem que há um terceiro bombeiro prestes a morrer e eles não podem fazer nada, exceto por Phil que fica ali com ele até seus últimos momentos.

A equipe de limpeza não demora a chegar, logo Coulson, May e Ward são testados negativos para a contaminação e eles estão levando o maldito capacete alienígena para a caixa de areia.

Como de costume, após decolarem Phil vai até a cabine perguntar a esposa quanto tempo até chegarem, oportunidade em que ela aproveita para perguntar:

—Você está bem?

—Estou, eu só quero me livrar dessa coisa alienígena o mais rápido possível. –Phil tentou tranquilizar a esposa.

—Quer conversar sobre os exames? –Melina perguntou com certo receio.

—Nada de mais, meu fisioterapeuta pediu, ele quer atualizar as minhas fichas. –Disse com um sorriso convincente.

—Não esconderia nenhum problema de mim não é? –Melinda perguntou precisando de uma garantia.

—Claro que não. –Phil garantiu.

É quando a voz de Jemma ecoa de seu comunicador, informando que ela fez novas descobertas.

Quando ele está prestes a sair, Melinda se viu na necessidade de lembra-lo:

—O bombeiro Phil, você fez tudo o que pôde por ele.

Phil assente, embora não tenha certeza se Melinda está certa. Ele pensa que se ao menos eles tivessem descoberto o problema mais cedo.

Não demora muito para que uma Jemma muito empolgada compartilhe suas descobertas com o pai, quando Phil sente um aperto no coração ao ver uma chave de fenda levitar atrás de Jemma.

Phil sente a dificuldade em dar cada passo até o lado de fora do laboratório, como se seus pés pesassem como chumbo.

—Senhor, o que está acontecendo? –Jemma pergunta com um sorriso descontraído.

—Eu sinto muito Jemma. –Phil disse com pesar antes de isolar a filha no laboratório.

Minutos depois, Phil se viu tendo que juntar a equipe para dar a notícia ao restante da equipe.

Não muito tempo depois, Melinda faz questão de dizer tudo o que não disse enquanto ouvia atentamente Coulson detalhar a situação da filha.

—Como isso aconteceu? Você já tentou contatar outros laboratórios? Precisamos de uma vacina Phil. –Melinda disse quase que em desespero.

—Ela vai ficar bem Melinda. –Phil diz na tentativa falha de acalmar a esposa, enquanto se aproximava dela e a puxava para um abraço.

—Ela é uma criança Phil. –Melinda disse em praticamente um sussurro.

—Ela consegue. –Phil diz enquanto sente os braços de Melinda se envolverem fortemente em volta de seu torso.

Não demora para que ele receba um alerta que Felix Blake está tentando contata-lo. A contragosto, Coulson e May se afastaram e Melinda deu espaço para que ele comunicasse com Blake.

—Você deve se livrar de qualquer carga contaminada. –Blake disse e Phil pensou se havia como ele saber que Jemma estava contaminada.

—Phil... –Melinda disse seu nome quase em um alerta, enquanto ele encerrou a chamada fingindo ser uma falha no sistema.

—Não vai rolar May. –Coulson garantiu à esposa.

Quarenta minutos depois, toda a equipe se reunia na porta do laboratório, enquanto Fitz e Jemma acabavam de chegar a uma solução, entretanto, os olhares esperançosos de todos foram decepcionados quando viram o último rato morrer ao receber o que Jemma havia chamado de antissoro.

Olhando tristemente do rato para a equipe lá fora, Jemma engole em seco, sabendo que esse é o seu momento. Sendo assim, ela caminha com os olhos fitando o chão, até ficar em frente ao pai e finalmente o encarar, não tendo coragem para olhar para Daisy ou sua mãe, sabendo que é o seu fim.

—Senhor... eu conheço o protocolo nessas circunstâncias... Mas eu gostaria que o senhor informasse ao meu pai e dissesse a ele que eu o amo e senti saudades, diga a minha mãe para não se sentir culpada e a minha irmã que eu realmente sinto muito, diga a eles... diga a eles que eu os amo. –Jemma disse com os olhos castanhos marejados, enquanto encarava os olhos azuis do pai, que se esforçava para não deixar as lágrimas derramarem.

—Não é hora disso, ainda temos tempo. –Phil tentou em vão.

—Senhor, por favor... –Jemma o suplicou, antes de inalar profundamente.

Engolindo em seco, ela virou-se rapidamente para encarar o restante da equipe, mas sem fixar o olhar em ninguém especificamente, evitando assim ver as lágrimas que ela sabia que Daisy derramava e o olhar da mãe, quem ela havia há não muito tempo garantido que ficaria bem.

—Se importariam de me dar um momento a sós com o Fitz? –Jemma disse suavemente.

Ward foi o primeiro a se retirar, tendo Melinda e Daisy que receberem um empurrãozinho não tão sutil de Phil para que se movessem.

Já no andar superior há cerca de cinco minutos, os agentes de campo são alertados que o compartimento de carga foi aberto e não a tempo para ninguém impedir que Jemma salte do avião.

Ward é o primeiro a reagir e sai correndo, encontrando com Fitz lutando com um paraquedas e gritando que o soro funciona, sem pensar duas vezes, Ward pega o paraquedas e o bendito soro e salta do avião.

Horas depois de boiarem no oceano, eles finalmente são resgatados e Jemma e Ward se encontram em pé no escritório de Coulson, que não está nem um pouco feliz.

—Não me levem a mal, estou feliz por estarem vivos. Sério. –Coulson começa irritadiço, não tardando em fixar o olhar em Jemma e acrescentar bravamente –E entendo que você queria salvar a equipe, mas o que você fez hoje foi irresponsável.

O olhar que Phil lhe lançou em seguida com toda a certeza deixaria Melinda orgulhosa.

—Só para tirar vocês da água... –Phil resmungou, não tardando em acrescentar frustrado –Será que você faz ideia do quanto a sede marroquina é difícil?

Jemma permaneceu imóvel.

—Nunca mais faça uma coisa dessas na sua vida. –Phil disse em seu tom de voz autoritário paterno, certamente Melinda está orgulhosa dele hoje, embora ainda corra o risco dela mata-lo por colocar as filhas nessa louca aventura.

—Odiaríamos perde-la Jemma. –Phil diz mais calmo, com os olhos azuis brilhando em sinceridade.

—Obrigada senhor. –Jemma diz sinceramente e percebendo que a bronca acabou, ela acrescenta –Ah, então já estamos dispensados?

Em resposta Coulson apenas lhe dirige um olhar não muito feliz.

Ao sair do escritório sob o olhar ainda não muito amistoso do pai, Jemma agradece Ward, quando a presença de alguém no canto lhe chama a atenção.

—Oi Skye. –Jemma diz suavemente, enquanto a mais velha simplesmente caminha em sua direção e lhe puxa para um abraço apertado.

—Nunca mais faça uma loucura dessas. –Daisy sussurrou para a irmã em mandarim.

Não muito tempo depois, Melinda adentrou o escritório de Phil depois de lidar com algumas rotas de voo.

—Como está Jemma? –Ela pergunta chamando sua atenção.

—Incrivelmente recuperada, nem parece que quase morreu. –Phil diz ainda surpreso.

—Uma experiência dessas... Demora para cair na real. –Melinda aponta o óbvio, afinal de contas ela é uma agente com vasta experiência.

—É a ficha médica dela? –Melinda pergunta apontando para o arquivo que Phil colocou em sua mesa quando ela adentrou.

—É a minha na verdade. –Phil diz, não tardando em acrescentar –Está tudo bem, o índice de ferro está um pouco alto, mas não me chame de homem de ferro.

—Eu não ia. –Melinda disse sem humor, mas seu olhar dizia outra coisa.

Sendo assim, ele se sentiu confortável em admitir:

—Não foi o médico que pediu o exame, foi eu. Mas você sabe disso.

Melinda o encarou por breves segundos antes que ele confessasse:

—Esse pedaço de papel diz que está tudo bem, mas eu não me sinto bem, eu me sinto diferente.

Ela suspira e então caminha em sua direção, enquanto diz:

—Tira a camisa.

—Como é?

-Phil diz não tendo certeza se ouviu direito.

—Desabotoa. –Melinda repete o comando.

Phil franziu o cenho e seu viu divagando confuso:

—Melinda... tudo bem que voltamos as nossas atividades extras, mas você tem certeza que no meu escritório é uma boa ideia?

Melinda rola os olhos e murmura:

—Tire sua mente do quarto e desabotoa logo.

Phil faz o que ela pediu e Melinda se vê traçando o dedo indicador em volta da cicatriz.

—Durante quarenta segundos você morreu, é impossível alguém passar por esse tipo de trauma e não mudar... –Melinda diz suavemente e então acrescenta fracamente –Sabe quanto tempo eu levei...

—Eu sei... –Phil murmura enquanto coloca uma mecha de seu cabelo escuro atrás da orelha.

—Essas coisas servem para lembrarmos que não temos como voltar... –Melinda diz erguendo o olhar para encará-lo, não tardando em acrescentar –Só podemos ir em frente.

Phil encontra-se sem palavras, algo raro, por isso limita-se a assentir.

—Se sente diferente, porque está diferente. –Melinda conclui o que havia percebido já há algum tempo.

—E eu não te amo menos por isso. –Melinda diz enquanto lhe dirige um olhar terno, que é respondido com Phil selando seus lábios quase que em devoção.

Poucas horas depois, Melinda já colocou o avião no ar e se encontra pilotando sob a luz do luar, quando ouve a porta da cabine ser aberta. Como sempre ela não se dá ao trabalho de virar para checar quem é, o som que ela ouve não são dos sapatos polidos de Phil ou das botas de Daisy, seus dois visitantes mais frequentes, embora a última esteja um pouco receosa desde os eventos com Miles.

Sua visitante não se senta imediatamente, pelo contrário fica lhe encarando por trás, sendo assim Melinda não tem alternativa a não ser dizer:

—Sente-se Jemma.

Jemma faz o que a mãe lhe diz, enquanto confessa:

—Eu nunca soube como você sempre identifica quem é, sem nem olhar.

—Prática. –É o que Melinda responde.

—Poder de mãe ou de superespiã? –Jemma pergunta com seus olhos brilhando em curiosidade.

Melinda encara a filha que quase morreu há poucas horas, ainda não sabendo como lidar com todas as emoções do dia.

—Agora você está parecendo a sua irmã. –Melinda diz e ambas trocam um sorriso.

—Mas acho que é um pouco dos dois. –Melinda diz após poucos segundos em silêncio.

—Você já teve que fazer algo como... –Jemma começou a dizer, mas parou abruptamente.

Melinda agarrou firmemente o manche, pensando se seria sábio contar a filha sobre todas as vezes que ela quase ficou órfã. No entanto, ela também devia alguma verdade a caçula, por isso ela diz:

—Já.

—Essa sensação... quando fecho os olhos eu só vejo o oceano... Isso passa? –Jemma pergunta incerta.

—Com o tempo... Como eu disse ao seu pai mais cedo, às vezes tudo o que se pode fazer é seguir em frente Jemma baby. –Melinda tenta tranquilizar a filha da melhor forma que pode.

Jemma limita-se a assentir e percebendo o silêncio anormal da filha, Melinda se vê perguntando:

—Ao menos seu dia valeu a pena cientificamente?

E assim, Melinda vê os olhos de Jemma brilharem e um pequeno sorriso de canto surgiu em seu rosto, enquanto ela começa a divagar sobre suas descobertas.

Sinceramente Melinda não tem a mínima noção do que Jemma está falando, mas o tom de voz suave e ao mesmo tempo a empolgação de suas palavras é reconfortante para seus ouvidos. Ademais, ela sabe que Jemma precisa mudar o foco de seus pensamentos e nada atrai mais a curiosidade ou a empolgação de Jemma que a ciência, as vezes é estranho os fatos aleatórios nos momentos importunos como o jantar, mas Melinda não liga, ela se apaixonou por um nerd há muito tempo, mais um, ou nesse caso uma, em sua vida só tornou as coisas mais divertidas.

Melinda não sabe por quanto tempo ouviu a voz de Jemma ecoar pela cabine, mas ao silenciar-se ela virou-se para ver a filha dormindo pacificamente. Não tendo escolha a não ser colocar o avião no piloto automático e pegar o cobertor escondido no armário, ela acabou por colocar o cobertor da SHIELD sobre a filha e acabou por dormir ali essa noite, ela sabe que Phil entenderia.

Na manhã seguinte, Jemma acorda com a forte luz solar que invade a cabine do piloto e nota que acabou por adormecer na poltrona do copiloto, ela sente a ausência da mãe e ao verificar ser cinco e meia da manhã, ela tem uma noção de onde ela possa estar.

Respirando fundo, antes de se levantar e alongar, Jemma dobra com cuidado o cobertor misterioso que a cobria, até finalmente sair da cabine e ver a mãe silenciosamente executar os movimentos do Tai Chi.

—Bom dia agente May. –Jemma diz suavemente, recebendo em resposta apenas um olhar silencioso da mãe, já que Melinda não gosta muito de falar durante o Tai Chi, entretanto, o olhar que ela lhe dirige não é repreendedor ou sem emoção, pelo contrário, é um olhar terno, que estranhamente faz Jemma se sentir mais segura.

—Bom dia Jemma. –Melinda enfim diz, um pouco mais baixo que o habitual, mas não tão baixo que Jemma não possa ouvir, antes de se retirar para seu quarto e ter mais uma hora de sono.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.