1

–Não acredito nisso... Jade! -Eu, Albert e Luke começamos a procurar. Mas ela não estava lá.

–Quem pode ter levado ela!? Demônios não precisam de carros. -Disse Albert, inocente.

Eu coloquei as mãos na cabeça. Não havia sido um demônio, e enquanto os dois discutiam quem havia sido, eu tinha a resposta, mas não era capaz de falar.

Minha irmã estava sendo atraída a um demônio, que com certeza a levaria a Lúcifer, eu só conseguia pensar que poderia ter inpedido. A conversa dos dois estava me irritando.

–Não foi um demônio... -Eu disse.

–O que quer dizer!? -Luke perguntou.

–Ela me disse mais cedo que recebeu um telefonema, e que era nossa mãe... Ela me chamou pra ir mas eu... Eu... -Lágrimas saíam de mim, a culpa era minha! Eu sabia, e não impedi...

–Matt... -Albert veio, pondo a mão em meu ombro. -Não se culpe. Vamos encontrá-la.

Antes que eu pudesse responder a porta se abriu bruscamente. Por ela Annelise entrou, praticamente carregando Gabriel, que ainda estava com suas asas abertas, muito fraco para guarda-las.

–O que houve!? -Nós perguntamos preocupados.

–Jade estava certa. Haviam muitos demônios lá, quando eu e Andrew chegamos eles já haviam quase trucidado Gabriel.

–E onde está Andrew? -Albert perguntou preocupado.

–Ele...

–Nós o perdemos -Disse Gabriel interrompendo- a... Pelo visto anjos se recuperam rapidamente -Os demônios nos cercaram. E seu extinto protetor nos deixou fugir.

Annelise olhou ao redor.

–Onde está sua irmã!?

Uma esperança se acendeu em mim talvez eles pudessem encontra-la.

2

–Droga de carro velho! -Eu disse o chutando -E agora você fala sozinha Jade... Que ótimo.

Tirei minha mochila do carro. E continuei andando estrada afora. Pensar que meus pais nao estavam mortos me mantinha firme em meu caminho, eu precisava chegar logo a ponte onde combinamos de nos encontrar.

Eu não era tão ingênua, sabia que podiam ser demônios... Mas a esperança era tudo o que me restava. E eu não era egoísta... Quando tivesse certeza que realmente eram os dois, eu voltaria para buscar Matt.

Um pouco mais a frente ouvi uivos na estrada. Droga! Haviam lobos naquela região. Comecei a correr o mais rápido que pude, mas logo ouvi quatro batas batendo no chão próximas a mim. Me virei para olhar, então em um desequilíbrio caí no chão.

Havia um lobo marrom escuro em minha frente, que uivou alto, chamando o resto do bando que logo apareceu, eu estava cercada. Fechei meus olhos, e no momento seguinte ouvi todos eles correrem.

Abri meus olhos e vi Volare caminhando em minha direção, com toda sua classe ele me ofereceu a mão eu recusei, e rapidamente me levantei do chão, sozinha. Corri... Mas como é de imaginar ele já estava parado em minha frente.

–Não vou machucar você, Jade.

–Já me feriu uma vez. Porque devo acreditar que não faria de novo?

–Hum... Esperta.

–Me deixe ir.

–Deixarei. Mas acho que a informação que possuo é de seu interesse... Em todo caso, se não quer saber, vá -Ele disse abrindo caminho. Passei por ele e ele voltou a falar -É importante mencionar... Que tem haver com seu amado anjinho.

–Andrew!? -Me virei bruscamente -O que tem a dizer!?

Ele se aproximou e segurou minha mão, meu corpo se arrepiou. Senti um imenso frio e uma horrível sensação.

–Você tem um grande propósito, Jade. Tem um grande dom... Mas eu nunca deixei de acreditar em destino, e eu estou certo... Afinal, suas visões são o destino... O destino do mundo. -Ele me entregou um livro -Isto pode ser real... Talvez não seja apenas uma lenda... Jade, você corre perigo... E sem você, tudo estaria acabado... -Ele ficou distante na última frase.

–Só quer que eu leia?

–Sim.

–Não confio em você.

–Apenas leia... Nós nos veremos em breve...

Ele desapareceu em seguida. Coloquei o livro na bolsa e continuei caminhando pela estrada. Não demorou mais de uma hora para que eu encontrasse a ponte. Nela estava parada uma caminhonete, e mesmo de longe eu podia ver algum movimento... Meus pais!?

Cheguei na caminhonete...

–Ah meu Deus! Jade! -Disse minha mãe, com um sorriso enorme e veio correndo em minha direção.

–Mãe! -Nos abraçamos. Lágrimas não paravam de sair dos meus olhos... Era verdade, ela estava ali!

Ela me abraça, mexia em meu cabelo, beijava... Era real... Ela realmente estava ali! Só conseguia pensar nisso.

–Onde está meu pai?

E não demorou para que ele aparecesse, repetindo todo o carinho de minha mãe. Eu não podia estar mais feliz.

–Precisamos sair daqui... -Meu pai disse.

Eu e minha mãe concordamos. Eu não me importava... Iria pra qualquer lugar desde que fosse com eles.

3

Eu não sabia o que fazer. Eu e Gabriel nos separamos na esperança de encontra-la mais rápido... Porém seria em vão, só Andrew poderia rastrea-la.

–Annelise! -Matt disse quando me viu chegar, e seus olhos se encheram de esperança...

–Eu sinto muito Matt...

Ele se sentou, colocou as mãos sobre a cabeça e permaneceu em lamentação. Luke me encarava, me analisava. Aquilo estava me deixando inquieta.

–Luke... O que foi?

–Vocês mentiram. -Ele afirmou com a maior certeza.

–Do que está falando? -Albert deixou escapar... Curioso.

–Andrew não está morto. Está?

Droga... Como ele podia saber? Eu não devia contar, aquilo era difícil de acreditar até mesmo pra mim. Porém eu sabia que não conseguiria esconder.

–Ouçam... -Comecei a falar, escolhendo as palavras -Foi tudo muito rápido, ainda não consegui entender.

–Vamos Annelise, diga.

–Quando eu e Andrew chegamos até Gabriel, ele já estava quase sendo morto. Os demônios tinham um plano... Atacar de surpresa, matariam todos e levariam Jade.

–Ta... Isso já é um clichê. -Disse Matt -Onde entra Andrew nisso tudo?

–Eu apenas cheguei até Gabriel. Matei uns três demônios... Havia pelo menos uns setenta... E Andrew matou todos os outros... Sozinho! Entendem!? Nenhum anjo teria conseguido...

–E o que isso significa?

–Eu não sei...

–E pra onde Andrew foi!? -Albert perguntou.

–Gabriel me fez sair às pressas... Quando voltei ele havia sumido.

–E como vamos encontrar minha irmã agora!?

–Acho que só vamos encontra-la se ela quiser ser encontrada...

4

–Mãe, eu não aguento mais comer... -Eu disse rindo, ela estava me achando muito magra.

–Então porque não descansa?

–Ah não. Eu não vou me separar de vocês...

–Sempre companheira. -Ele beijou minha testa.

–Ainda não entendi... Como me telefonaram?

Eles sorriram, e se encararam. Um atropelou o outro nas palavras. Até que enfim meu pai disse.

–Um anjo nos ajudou... Mas ele teve que ir, não pode te esperar.

–An... Que anjo era este?

–Estamos juntos. -Minha mãe disse me abraçando -O resto não importa.

Ela estava certa. Eu não precisava saber... Ou precisava? Ainda haviam várias perguntas sem respostas... E eu precisava de respostas... E quanto a Matt? Eles sequer perguntaram dele.

–É... Vocês vão voltar comigo ou eu busco Matt e o trago até aqui?

–Matt... -Meu pai disse e ficou me encarando... Era como se não se lembrasse...

–Nosso filho. -Minha mãe disse olhando rapidamente pra ele -Vamos esperar. Ele ficará bem com Albert e os outros. -Ela deu um largo sorriso.

–Eu... Me levantei -Eu nunca disse que ele estava com Albert...

Eles se encararam... Droga! Como fui tão burra!? Não eram meus pais.

–QUEM SÃO VOCÊS!?

Nenhum me respondeu. Ela me atacou. Eu a chutei, em seguida dei uma sequência de socos, a empurrei na mesa e me virei, pronta pra correr. Mas ele me segurou e me jogou longe, para o lado de fora.

O vidro da janela que atravessei cortou o meu braço profundamente, mas eu precisava lutar! Me levantei e o ataquei, com chutes. Porém ele se defendia de todos, em seguida me bateu, me derrubou no chão e chutou meu estômago.

Não tinha forças para me levantar, meu nariz já estava sangrando. Ele me ergueu e me acertou forte na cabeça... Tudo girou... E então apaguei.

*

–Olá Jade... -Abri meus olhos. Estava amarrada em uma cadeira, Lúcifer estava a menos de um metro de distância, com seu genuíno sorriso.

–Não! -Disse aos prantos -Você os matou! Não! Onde eles estão!? Por favor diga que não os matou!

Eu estava desesperada... Não ia suportar, primeiro Andrew e agora isso... Eu apenas chorava, não conseguia mais falar.

–Hm... É comovente. -Ele disse puxando uma cadeira e se sentando bem a minha frente.

–Por favor, não me machuque...

–Oh Jade... -Lúcifer passou dois dedos em minha face -Não quero seu mal. Somos um time agora.

–Eu nunca vou ajudar você!

Ele me olhou dos pés a cabeça.

–Acho que você não tem muita opção... -Ele se levantou. -Volare! -Chamou -De olho nela... Ninguém vai encontra-la aqui, tenho que matar Andrew rápido. Assim acabamos com isso de uma vez.

–Claro. Conte comigo.

Traidor! Ele ajudou Lúcifer me trazer até aqui... Como eu pude ser tão burra!? Devia ter ficado com Matt... Nunca mais o verei de novo.

–Rápido, não temos muito tempo! -Disse Volare, assim que Lúcifer desapareceu.

–Não fale comigo, seu monte de lixo!

Enquanto me ignorava ele ia tirando as amarras. Afinal de que lado ele estava!?

–Eu não estou junto com Lúcifer nisso. Mas se demorarmos alguém pode chegar, essa é sua única chance de sair... -Ele estendeu a mão -Vamos!

Assenti e segurei, ele começou a correr para fora dali... Eu não queria confiar nele... Mas não me restava escolha. Ele me levou para longe dali, corremos por cinco minutos... E então como mágica. Entramos em uma livraria. Ele me teleportou... Droga! Onde estamos!?

–Que lugar é este?

–Seu irmão e os outros estão perto... Encontrarão você. -Em seguida ia saindo as pressas.

–Espere! -Ele se virou -Obrigado.

–Não precisa agradecer.

–Preciso sim. Você não precisava fazer isso... E fez.

–Entenda. Estou do seu lado.

–Eu... Eu acho que ainda vai demorar pra eu confiar em você.

–Esperarei...

–E sobre Andrew? Lúcifer disse que precisava matá-lo. Ele não sabe que Andrew morreu? -Me doía dizer aquilo.

–Ele está vivo, Jade.

–Vivo!? -A alegria voltou a correr em minhas veias.

–Não há tempo para explicar... Leia o livro... E... Espero ver você em breve.

Ele desapareceu. Eu não sabia ao certo o que fazer, só queria encontrar os outros. Sai da livraria e olhei ao redor... Tomada pela alegria, corri pelas ruas. Até que em uma delas vi Annelise e os outros. Todos sorriram ao mesmo tempo.

Estávamos consideravelmente distantes, eu andava rápido na direção deles, que estavam parados... Estranhando minha presença ali. Eu parei. Quando vi Andrew.

Ele aterrizou na frente de todos, e caminhou um pouco em minha direção. Eu sorri. Eu me alegrei ainda mais, estava prestes a explodir de emoção.

Corri o mais rápido que pude e me joguei em seus braços. Ele me segurou forte. Me balançou de um lado para o outro. Era inexplicável o que eu estava sentindo.

–Eu amo você! -Disse em lágrimas.

–Também amo você. -Ele me respondeu.

De relance olhei para os outros... Pareciam perplexos.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.