Entre o bem e o mal - Klaroline/Hope

28 Epílogo - Narração Especial de Hope Mikaelson


Notas iniciais
Heeeey, gente! Voltamos aqui #UmaÚltimaVez Ok, vamos lá. Esse cap é especial e por isso não tem música... Bom, como vocês já sabem quem vai narrar é a Hope e algum tempo já vai ter se passado do cap anterior. A Hope aqui já é vampira, mas ainda não completou sua transição para híbrida. Ela também vai arranjar um par, quem será??? Essa é a Hope adulta: http://iv1.lisimg.com/image/1064139/600full-brooklyn-decker.jpg

POV Hope

150 anos se passaram desde Mystic Falls. Bom, eu ganhei uma nova avó, Liz. A mãe da tia Caroline foi uma das melhores pessoas que eu já conheci. Uma vez por mês ela ia nos visitar em New Orleans. Me levava para passear, para tomar sorvete, cozinhava doces gostosos e o mais importante: ela aprendeu a me amar. O dia que ela morreu, já era esperado. Liz morreu com 102 anos. Seus últimos dias, deitada na cama, quase sem abrir os olhos, com todos a sua volta e tia Car chorando a todo momento, foram os mais tristes que eu já vivi. Optamos por queimar o seu corpo e jogar as cinzas no mar, assim, ela estaria em todo lugar o tempo todo. A ferida não se curou, mas com o tempo ela passou a doer menos.

Minha mãe, Hayley, finalmente encontrou o lugar dela. O Bayou está prosperando mais do que nunca. Mais e mais lobos continuam vindo de longe só para morar lá. As casas se expandiram mata a dentro, mas inda há um local reservado para as transformações, um local distante, onde os lobos não machucam ninguém. Acabei por transformar Jackson em híbrido, assim ele ainda seria um lobo e poderia ficar ao lado dela. Minha mãe e ele são grandes amigos, até moram na mesma casa, embora eu ache que com certeza já rolou mais alguma coisa ali.

Meu tio Elijah e minha “tia” Katherine também estão juntos. Ela me disse uma vez que não se pode esquecer um amor de 500 anos, que um amor assim nunca morre. Claro que a convivência com a Katherine é difícil, mas acho que todos nós acabamos por nos habituar. Ela é egocêntrica, mandona e acha que o mundo todo tem que obedecer as suas vontades. Nada muito diferente do meu pai. Eu acho que é por isso que ela e o tio Elijah se dão tão bem. Ele é completamente o oposto. Também acho que é por isso que ele ficou ao lado do meu pai durante tantos séculos.

Tia Bex finalmente “encontrou o amor mais lindamente humano do mundo”, o que não se pode dizer que é tão humano assim, já que o “tio” Matt escolheu virar vampiro. Isso foi um choque para todos, mas eu sinceramente não esperava que ele fosse abrir mão dela por conta de uma vida humana. Os meus “tios postiços” de Mystic Falls vieram para ajudar em algo, o que não foi preciso. A transição dele foi tranquila. Depois até fui passar um tempo em Mystic Falls para descobrir que o que o Kol falava era verdade. Aquela cidade é um tédio eterno.

Kol e Davina são os únicos que eu não consigo chamar de tios. Acho que é porque eles aparentam ter a minha idade. Parecem ser meus amigos, não meus tios. Era com eles que eu estava quando fiquei bêbada pela primeira vez e Enzo chegou para me resgatar. Meu pai ficou possesso, ele ameaçou Kol por semanas e tio Elijah não tirou a razão dele. Qual é gente, foi só um porre! Davina e Kol me prometeram que iam me levar para Las Vegas, um dos poucos lugares que eu nunca fui, mas isso já faz 46 anos e ainda não cumpriram a promessa.

Meu pai e tia Car são um caso estranho. Na verdade, meu pai é um caso estranho e ela é a pessoa normal da relação. Eu sei que eles se amam, mas é tão intenso, tão quente e tão puro que eu tenho medo de nunca encontrar alguém que sinta o mesmo por mim. Eles vão ficar juntos para sempre, eu sei disso, todo mundo sabe disso. Finalmente o meu pai tem tudo o que ele sempre quis, tudo o que sempre sonhou, tudo o que sempre mereceu. Uma família.

Há 85 anos, Marcel saiu da cidade e disse que tinha que visitar uma amiga que morava no Canadá e que estava à beira da morte. Ele nunca disse quem era, pelo menos não para mim. Ele voltou alguns dias depois e trouxe um envelope para o meu pai. Aquele assunto não é mencionado, mas toda vez que eles ficam bêbados, eles brindam em homenagem “à ela, à nossa amiga”.

Bonnie e Jeremy, de Mystic Falls, escolheram uma vida humana. Eles se casaram, tiveram filhos, netos, bisnetos, até que como todos os humanos, envelheceram e morreram. Bonnie sabia alguns feitiços que ela aprendeu no grimório da minha avó biológica, Esther, para prolongar a vida. Ela conseguiu isso com Jeremy, mas eles já se foram há algum tempo. Hoje em dia sou amiga dos bisnetos deles, Valerie, Benjamin, Lucy, Kyle e Sarah. Kyle e Valerie são bruxos, os outros são apenas humanos.

Quanto a mim? Bem, eu sou como qualquer adulta comum. Claro que com um bônus de: sou uma imortal, sou quase uma Original, toda hora alguém quer me matar porque acha que eu vou trazer a desgraça para o mundo, sou vigiada o tempo todo... Enfim, são tantas coisas que nem consigo me lembrar de todas. Imagine como é ser uma aberração. É isso que pensam que eu sou. Eu sou uma híbrida, não uma aberração. Mas não sei o que acontece de errado comigo. Sou imortal, mas não tenho presas, tenho visão e audição aguçadas, mas não bebo sangue, sou veloz, mas não sou vampira. Eu sou o que chamam de “imortal”. Davina me disse que pesquisou e talvez as minhas presas e o meu apetite por sangue humano só se libertem depois que eu me transformar em loba. O problema é que ninguém sabe se eu vou me transformar só depois que eu matar alguém ou se isso vai acontecer de outra forma. E eu também não sei. Não posso deixar de notar que todos, especialmente o meu pai, ficam incomodados com toda essa falta de informação. O único que não se importa com isso é Enzo, que sempre me faz sentir normal, quando estou com ele.

Quando eu era adolescente, meu primeiro beijo foi com um amigo da escola. Eu cheguei em casa muito feliz naquele dia, achando que o mundo era cor de rosa. Na verdade, eu acho que já estava até apaixonada por ele. No outro dia, na escola, ele disse para todo mundo que tinha me beijado e que eu tinha ido pra cama com ele. Aquilo não era verdade. Eu me tranquei no banheiro, comecei a chorar e o primeiro número que eu liguei foi o do Enzo. Ele foi correndo me buscar na escola e hipnotizou o garoto para que ele contasse para todo mundo que ele nem sequer havia me beijado. Eu acho que foi naquele instante que eu percebi que Enzo realmente se importava comigo.

Há muitos anos nós estamos juntos. Obviamente meu pai surtou no começo. Disse que Enzo já era um vampiro com centenas de anos e eu era só uma criança. Onde já se viu, eu ser criança? Já sou adulta há muito tempo. Acho que depois de algumas décadas e com ajuda da tia Caroline, da tia Katherine e da tia Rebekah, ele finalmente cansou de brigar por causa disso, mas continua dizendo que está de olho no Enzo. Nós viajamos muito juntos, Enzo e eu. Fomos à países fantásticos, mas nenhum lugar se compara ao meu lar, New Orleans. Agora mesmo, estou me arrumando para jantar no novo restaurante da cidade, com Enzo. Assim que desço as escadas, encontro todas as minhas “tias” na sala, bebendo whisky e rindo. Provavelmente bêbadas.

–- Uau! Onde a nossa sweet child está indo? – tia Rebekah pergunta.

–- Vou sair. Vou jantar com o Enzo, não me esperem.

–- Essa garota está cada vez mais abusada. Muito parecida com você, Rebekah. – Katherine ri e dá um gole em seu whisky.

–- Divirta-se, querida! – tia Car grita.

Quando chego ao pátio, Enzo já está me esperando. Ao contrário do visual de sempre, hoje ele está de terno.

–- Quem é você e o que fez com o Lorenzo? – pergunto.

–- É um restaurante chique. Tenho que estar com a minha melhor aparência, embora isso não seja muito difícil. – ele sorri.

–- O ego está se expandindo muito depressa. O Lorenzo que conheço ainda está aí dentro.

Ele sorri e me beija suavemente, depois abre a porta do carro para mim. Após alguns minutos conversando sobre banalidades do mundo sobrenatural, chegamos ao restaurante. É um lugar muito chique mesmo e como conhecem o meu pai, nos foi reservada uma das melhores mesas, num lugar mais reservado, com velas, flores e um teto aberto para vermos o luar. Hoje em especial a lua está linda, é noite de lua cheia e eu sei muito bem o que isso significa para os lobos da minha mãe, no Bayou.

–- O que nós vamos pedir? – pergunto para Enzo, analisando as opções do cardápio.

–- Que tal algumas bolsas de O negativo? Ou então podemos pegar direto da fonte.

Olho feio para ele e continuamos a ver o cardápio. Logo o garçom traz uma taça de champanhe e sugere um dos pratos.

–- Isso sim é comida de verdade. Temos que vir aqui outras vezes. – Enzo fala, assim que prova o camarão.

–- Do jeito que eles estão puxando o meu saco, vamos sim.

–- O que mais você esperava? Hope, você a filha de Klaus Mikaelson. Sabe, aquele híbrido Original que tem uma cidade só para ele e um exército, tanto de lobos como de vampiros. A sua mãe é uma Alfa dos Labonair, a sua madrasta, sua tia Rebekah e seus tios são lendas. Você é uma lenda. Você é a herdeira de tudo isso, você é a realeza.

–- Já cansei de ouvir isso. Você está com a mesma síndrome de grandeza do meu pai. Vamos logo embora, eu preciso tomar um ar, sei lá.

Quando saímos do restaurante, o Sr. Smith, o gerente, pede um milhão de vezes para voltarmos mais e trazermos o resto da família. “Até parece que Caroline, Katherine e Rebekah Mikaelson desperdiçariam a chance de se arrumarem, se eu convidar, é claro que elas vêm”. Chegando ao carro, eu percebo que Enzo já está mais para lá do para cá.

–- Deixa que eu dirijo – começo – você está bêbado.

–- Você sabe que não há perigo nenhum. Sou um vampiro e você é ainda mais imortal do que eu.

–- Não foi um pedido. Eu só estou comunicando que vou dirigir.

Pego as chaves da mão dele e entramos no carro. Tudo como sempre em New Orleans. Música, comida, arte, dança, teatro, tudo nas ruas e nas praças. Desacelero um pouco o carro para olhar uma mulher dançando ballet. Impressionantes os movimentos que ela consegue fazer, com uma leveza e beleza surpreendentes. Ela é linda, a sapatilha de ponta dela é fabulosa e a sua roupa...

–- HOPE! – Enzo grita e sinto uma pancada no carro.

–- O que houve?

–- Você atropelou uma mulher! Onde estava com a cabeça? Era melhor que eu estivesse dirigindo.

Saio correndo do carro para ver a mulher no chão. Ela está toda ralada, tem sangue escorrendo da cabeça dela, mas consigo ouvir os batimentos. Uma pequena multidão se instala ao nosso redor para ver o que aconteceu.

–- Moça. Moça, está me escutando? Qual é o seu nome?

–- Corinne. Corinne Amberaux.

–- Eu sou Hope Mikaelson. Me perdoe por isso. Eu vou levar ao hospital, vai ter todas as despesas pagas, não se preocupe. Vou salvar a sua vida. Enzo! Me ajude a coloca-la no carro.

A caminho do hospital, eu peço que Enzo fique conversando com ela para não deixar que Corinne caia na inconsciência, isso pode ser perigoso para que ela sobreviva. Após alguns minutos, chegamos. Falo diretamente com a enfermeira da emergência e ela encaminha Corinne para dentro. Deixo com eles o número do meu celular e da minha casa. Depois de quase duas horas, o Dr. Fields vem falar conosco na sala de espera.

–- A senhorita é responsável por Corinne Amberaux?

–- Sou sim. Eu não a conheço, mas fui eu quem a atropelou.

–- Bom, ela nos disse que não tem família aqui, que se mudou a pouco tempo depois que os parentes dela morreram num incêndio na antiga casa na França. Agora ela já está fora de perigo, estamos medicando e logo vai ficar bem. Vocês dois podem ir para casa, se algo acontecer eu vou ligar.

–- Obrigada, doutor.

Nunca me senti tão aliviada. Eu nunca tinha atropelado ninguém, nunca tinha sequer machucado alguém. Um tipo de alarme soou no hospital e vemos uma equipe correndo em direção a um dos quartos.

–- Eu tenho que ir. – diz o doutor.

Saímos do hospital e já no estacionamento, sinto minhas pernas fraquejarem e uma súbita dor nos meus joelhos. Caio no chão e Enzo vem me amparar.

–- Ei, o que foi? Bebeu demais?

–- Não. Ai! – sinto uma dor nos meus braços – Está doendo, parece que os meus ossos estão quebrando. Será que é macumba de alguma bruxa?

–- Eu não sei. Espera, vou atender o celular, é do hospital. Alô?

O médico está falando com Enzo, eu consigo escutar só algumas partes da ligação, pois estou com dores e muito afetada.

–- Hope! A Corinne! Ela morreu.

–- O que?!

–- Os médicos disseram que ela teve uma parada cardíaca.

–- Mas que... Ai! Está doendo, Enzo. Ligue para o meu pai. Agora!

Apenas vejo Enzo ao telefone e começo a ficar tonta. Não sei quanto tempo se passou, se foram minutos ou horas, sei que sinto os braços do meu pai me ampararem e ouço-o mandar Enzo para casa. Continuo sentindo as dores e começo a suar, mas nem tenho mais forças para gritar.

–- Hope, love, olhe para mim. Você matou uma pessoa. Não intencionalmente, mas matou. Aquela garota do hospital. Agora você está se transformando. Hoje será a primeira vez que irá virar uma loba. Eu sei que é difícil e sei que é doloroso, mas você precisa aguentar até o fim. Depois dessa noite, você só vai se transformar quando quiser, porque você é híbrida. Só precisa aguentar mais um pouco. Mas venha comigo, temos que ir para o Bayou. Hayley está nos esperando.

***

Acordo com tudo balançando um pouco. Percebo que estou acima do chão. Olho para cima e vejo que é o meu pai quem está me carregando. Há um cobertor me enrolando e meus braços estão sujos de terra. Começo a voltar ao normal aos poucos.

–- Pai...

–- Já acordou?

–- O que... O que houve?

–- Bom, vou te contar uma historinha, love. Quando você se transforma em loba, todos os ossos do seu corpo quebram e você já sabe o resto. Aí um belo dia você acorda pelada no meio da mata e se não fosse o seu pai pra te tirar de lá, sabe Deus para onde você iria. Agora a boa notícia é que você não vai mais se transformar se não quiser e agora você é uma híbrida, como eu. Foi por isso que eu não deixei que nenhum vampiro viesse junto, vai que você resolve matar todos eles.

–- Pra onde estamos indo?

–- Estamos no Bayou. Estamos indo para a casa da Hayley. Ela estava ajudando com as transformações dos lobos menores e só consegui avisa-la agora de manhã. Não se preocupe, fiquei com você o tempo todo. Você tentou me matar uma ou duas vezes... – ele ri.

***

–- Eu estou bem, mãe. – pronuncio pela milésima vez – Todos vocês, me escutem! Eu estou bem, porra! Será que dar pra pararem de agir como se eu tivesse morrido e voltado? Ai que saco!

–- Eu não disse – meu pai fala – o temperamento de uma Mikaelson. Essa garota puxou a mim.

–- Sim, está ficando mal educada igual a você. – tia Caroline retruca.

Assim que todos me deixam em paz no quarto, Enzo fica comigo.

–- Podemos sair mais tarde. – ele diz – Vamos tomar um porre com Kol e Davina.

–- Da última vez que eu saí com você, acabei matando uma pessoa e virando uma loba, qual vai ser a próxima? – nós dois rimos – Eu achei que ontem fosse o fim, sabe, com todas aquelas dores, ossos quebrando...

–- Nós vamos viver para sempre. Isso não é o fim. É apenas o começo.

Notas finais
Gente, ficamos muito felizes e muito tristes por concluir essa fanfic, mas tudo tem que ter um fim. Como algumas de vocês já sabem não vai haver uma segunda temporada, porque eles são eternos, vão viver para sempre, segunda temporada para contar o que? Não tem mais nada para ser dito, daqui para frente eles vão seguir o destino que cada uma imaginar para eles. Sabem, tem uma coisa que Fernando Pessoa sempre dizia que eu acho que se encaixa muito bem aqui: "O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem coisas inexplicáveis, momentos inesquecíveis e pessoas incomparáveis." Esperamos que vocês tenham gostado assim como nós amamos fazer a fic. Novamente, obrigada pelos comentários, pelas recomendações e por favoritar, isso fez de nós autoras muito felizes. Cada uma de vocês tem um lugar especial nos nossos corações. Por favor, não me abandonem, leiam minhas outras fics, "Sleeping Hearts - Klaroline" e "A Casa das Coelhinhas - Klaroline". Beijinhos, Vampira Original e Dudaa. #UmaÚltimaVez
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!