Entre o bem e o mal - Klaroline/Hope
27 Always and Forever
Notas iniciais
POV Autoras
Bulgária
–- Tem certeza que é por aqui, Katerina? – Elijah pergunta, enquanto os dois caminham pela estrada.
–- Claro que tenho. Vivi nessa casa por anos, isso até o meu pai me expulsar. Ai merda! – ela olha para seu novíssimo par de botas de salto fino.
–- O que foi?
–- Afundei o meu pé nessa lama maldita! Que ideia, Elijah! Veja se eu gosto de estragar os meus sapatos andando a pé! – ela bufa.
–- Eu achei que seria melhor vir a pé porque assim... – o Original para de falar assim que vê a enorme casa. Katherine olha desconcertada para ele e depois para a casa. Ela não diz nada, apenas começa a caminhar – É aqui?
–- Sim. Está vendo isso? – ela passa a mão para tirar o pó da porta, já bem desgastada pelo tempo – É o brasão da família Petrova. – Um “P” e alguns outros detalhes meio apagados aparecem – Vem, vamos entrar.
Quando Katherine começa a caminhar pela mansão, ela revive todos os momentos que passou ali.
Flashback ON
POV Katherine
–- Duvido que você consiga me alcançar, Kat! – Ivan grita, correndo na minha frente pela sala.
Papai já nos disse ontem que dentro de casa não é lugar para correr e mamãe fica insistindo para que eu vire uma dama, como Greta. Ivan tem 12 anos, Greta tem 14 e eu tenho 11. Nunca quis ser uma dama. Sempre gostei de correr, brincar com as espadas, arco, subir em árvores, isso tudo na companhia do meu irmão. Não gosto muito de usar vestidos e a primeira vez que eu vesti uma calça, foi surreal. Mas mamãe não pode saber disso, ou ela vai me mandar para o convento e eu vou ter que virar freira. Quando estou quase alcançando Ivan, Greta surge no corredor.
–- Katerina! Olhe só pra você, está um lixo! Venha, vou te ajudar a tomar banho antes que a mamãe te veja assim. – ela puxa o meu braço e me leva para cima.
Nós dividimos o mesmo quarto. Isso é muito chato. Ela gosta de histórias de princesas, reis, rainhas e castelos, já eu gosto só dos guerreiros sobreviventes das batalhas. Todas as noites nossa criada vem aqui nos contar histórias e eu acabo dormindo bem rápido com as coisas chatas que ela conta para Greta. Minha irmã já foi arranjada com um lorde sei lá o que. Ela vai se casar em poucos anos. Ivan também já tem uma noiva e papai diz que logo será a minha vez, por isso tenho que me tornar uma dama. Eu não quero ser uma dama. Não quero me casar. Só quero ser livre.
Flashback OFF
–- Esse era o meu quarto, de quando eu era criança. – Katherine diz, quando ela e Elijah entram num cômodo com duas camas, paredes com flores e o que um dia já foram bonecas e uma penteadeira.
–- Essa cama... – ele aponta – era de Greta?
–- Como você...
–- Quando chegou ao meu castelo, trazida por Trevor, você me contou sobre a sua família. Contou a Niklaus também.
–- Talvez esse tenha sido o meu maior erro. – ela fica de costas para ele, para que Elijah não veja que há lágrimas em seus olhos.
–- Katerina... – ele pega uma das mãos dela.
–- Eu estou bem. Estou bem. Vamos continuar o “passeio”. Tem um lugar que eu quero te mostrar.
Eles caminham para outro cômodo. Outro quarto, na verdade.
–- Quando a minha irmã se casou, eu podia ficar naquele quarto ou escolher outro. Eu escolhi outro. Esse aqui sempre foi o melhor da casa. O meu pai adorava vir aqui e me contar histórias de batalha, antes de me deserdar, claro.
Flashback ON
POV Katherine
Eu acabei de fazer 16 anos. Minha irmã se casou faz um tempo e Ivan é o próximo. Ganhei um quarto novo, o melhor de todos. Papai me apresentou ontem ao meu noivo. Ele é jovem, feio e muito chato. Não sabe se portar perto de uma mulher, tem cabelos ruivos, é meio corcunda e ele cheira a uma coisa muito ruim. Minha mãe lutou tanto para me fazer uma dama para que eu um dia eu me casasse com um verme como esse? Sinceramente, acho que vou me matar se tiver que passar mais duas horas ao lado dele.
Hoje em dia uso vestidos, perfumes, faço tranças nos cabelos e sou uma das mais belas de toda a Bulgária. Minha mãe não conseguiu me fazer totalmente uma dama, já que eu ainda sei manusear a espada, andar a cavalo, correr e atirar com o arco. Uma coisa que faço diariamente com Ivan sem ela saber, é andar a cavalo com uma perna de cada lado. Todos sabem que moças só andam de carruagem e quando tem que cavalgar, com as duas pernas de um lado. Não ligo para isso.
–- Milady, o lorde Bronswer veio corteja-la.
–- Arya, diga ao peixe podre que já vou descer. – minha criada sai do quarto. Termino de ajeitar o meu vestido e vou até ele. Por favor, que isso não dure mais do que dez minutos.
Quando esse idiota vem me cortejar, tudo o que faz é ficar olhando para a minha cara e às vezes tenta pegar em minha mão. Eu rapidamente o afasto e dou a desculpa que estou indisposta. Logo depois, vou me encontrar com Gale, no celeiro. Gale é quem cuida dos cavalos da minha família. Ele tem 18 anos. Fico me perguntando... Como alguém tão lindo pode ser tão pobre e como alguém horroroso como lorde Bronswer pode ser tão rico? Se Gale fosse de uma família importante, meu pai certamente me deixaria casar com ele, mas tudo o que ele tem a me oferecer é uma vida bem abaixo da que eu tenho agora. Ladys se casam com Lordes. Sou Lady Katerina Petrova e ele é só Gale, o garoto lindo dos cavalos. Já a noite, papai entra em meu quarto.
–- O que há com você que não para de olhar para essa janela, Katerina?
–- Por que tenho que me casar com aquele nojento?
–- Fala do lorde Bronswer? Ele é perfeito para você! Jovem, rico e te acha a moça mais linda de toda a Bulgária.
–- Ele é um horror! Cheira a peixe podre, fica tentando pegar na minha mão, é corcunda e...
–- E o que?
–- E eu não o amo! Eu gosto de outro, papai.
–- Por acaso ele é um lorde? Esse rapaz que você gosta?
–- Não... – suspiro.
–- O que é que a sua mãe sempre te diz?
–- Que ladys se casam com lordes.
–- Bronswer é de uma família importante, estamos juntando nossos comércios, nossas famílias. Foi isso que fizemos com Greta e é isso que vai acontecer em breve com Ivan.
–- Mas por que tem que ser assim? Eu não quero essa vida para mim.
–- São as tradições. Meu casamento com a sua mãe também foi arranjado. Ela me odiava. Com o tempo, aprendemos a nos amar. Você vai aprender a amar o Bronswer. Agora... Quer ouvir sobre qual batalha?
–- Na verdade, acho que já vou me deitar. Boa noite, papai.
–- Você sabe que sempre foi a minha favorita, minha pequena Kat. – ele beija a minha testa – Boa noite.
Flashback OFF
–- E então você não se casou com ele... – Elijah resmunga.
–- Claro que não! Você acha que eu ia me casar com lorde Bronswer? Por favor, eu sou Lady Katerina. Embora eu quisesse honrar o meu pai, a minha mãe e a minha casa, eu já gostava do Gale.
–- Esse Gale... O garoto do celeiro... Ele era o pai da Nadia?
–- Sim. Era ele. Na verdade, foi naquela mesma noite que eu engravidei. Venha, vou te mostrar o celeiro.
–- Não! Katerina, eu não quero ir ao lugar que você... Bem, que você teve relações com outro homem.
–- Tem alguém com ciúmes aqui? – Katherine ri.
Flashback ON
POV Katherine
Eu sabia que era errado. Sabia que minha mãe me mataria se soubesse. Mas eu sempre gostei do errado, do risco e do proibido. Nessa mesma tarde Gale me disse que partiria para as montanhas do norte. Ele não me disse o motivo, mas desconfio que é porque meu casamento com o peixe podre está se aproximando. Então eu preciso vê-lo mais uma vez. E é por isso que saí de casa escondida, no meio da noite, para ir ao celeiro. Os relógios dizem que já passou da meia-noite, então todos já estão dormindo. Assim que chego ao celeiro, encontro-o deitado no monte de feno que ele sempre dorme. Ele parece não notar a minha presença e continua olhando para o teto. Os cavalos estão quietos e me debruço sobre ele.
–- Kat, o que faz aqui? Você precisa voltar.
–- E perder a chance de te ver pela última vez? Nunca.
–- Não podemos ficar juntos. Eu vou embora e você vai se casar.
–- Eu falei com o meu pai. Tentei evitar o casamento, mas ele não permitiu. Por favor, fique.
–- Não. Ficar para que? Para que aquele estúpido se case com você e me chame para cuidar dos cavalos da nova casa de vocês? Para cumprimenta-la como lady Bronswer?
–- Vamos fugir. Hoje. Agora. Juntos.
–- Não posso te levar comigo.
–- Por que não?
–- Olha só o que você tem aqui! Você é rica, bonita e tem uma vida toda pela frente. Eu sou apenas o garoto dos cavalos. As pessoas mal sabem o meu nome e você é famosa em toda a Bulgária. Você é uma lady.
–- Nada disso importa para mim.
–- Isso importa para mim. Se eu soubesse que você perdeu a chance de ter uma vida cheia de caprichos, como você já está acostumada, por minha causa, eu nunca me perdoaria.
–- Podemos ao menos ter essa noite então? – ele continua me olhando e eu tiro minha camisola.
–- Kat... Você está noiva, tinha que se casar virgem, já conversamos sobre isso.
–- Nós não conversamos. Nós fizemos outra coisa. Eu não sou mais virgem há tempos. Você sabe disso.
Gale me joga no feno macio do celeiro.
–- Você sabe que só se deve fazer isso para procriar. – ele diz, tirando as calças.
–- Já fizemos isso várias vezes e nunca procriamos. Ninguém vai saber. E além disso, amanhã você estará bem longe e eu estarei sendo cortejada pelo peixe podre, pensando em como ele nunca será um homem como você.
Flashback OFF
–- E o que aconteceu depois? – Elijah pergunta.
–- Bom, ao que parece, o meu noivo com cheiro de peixe ia espionar a janela do mau quarto a noite. Só que naquela noite ele ouviu barulhos vindos do celeiro e foi ver o que estava acontecendo. Tudo o que ele viu foi Gale e eu sem roupas, fazendo sexo. Aquele nojento ficou nos observando por horas, em todas as posições. No dia seguinte ele não foi me cortejar. Dei graças a Deus por isso e ficou sumido por alguns meses. Meu pai disse que ele tinha ido em uma viagem para cuidar dos negócios da família dele. Quando voltou, eu já tinha barriga. O casamento foi cancelado e passei a ser a vergonha da família. Meu pai não podia me jogar para fora de casa naquela situação, então ele nem falava mais comigo. Ivan logo se casou e saiu de casa. Minha mãe só se dirigia a mim às vezes. Fui proibida de comer na mesa com eles.
–- E quando a Nadia nasceu?
–- Quando ela nasceu eu nem pude ver o seu rosto. Meu pai a arrancou de mim, entregou-a para uma ama de leite e depois ela foi para a adoção. Então ele me jogou na rua. Por piedade minha mãe me deu uma sacola com comida e um cavalo. Foi quando eu comecei a viajar, até que cheguei a vocês.
–- E o pai da Nadia? O que houve com ele?
–- Nunca mais tive notícias de Gale. Acho que ele nem chegou a saber que teve uma filha.
Katherine faz uma pausa assim que passa pela porta do quarto dos pais no corredor do andar de cima.
–- Foi aqui que eu os encontrei. Ivan e Greta tinham vindo visitar os meus pais no dia que Klaus chegou. Todos pagaram o preço pelos erros da inconsequente Katerina.
–- A culpa não foi sua. Sabe disso.
–- Acho que não tem mais clima para esse passeio pelas minhas memórias. Vamos embora?
–- Pra casa?
–- Sim. Vamos pra casa.
***
–- Nik! Caroline! Elijah acabou de ligar. Ele e Katherine estão voltando. – Rebekah anuncia, assim que entra na sala.
–- Irmãzinha, será que você nunca sabe a hora de parar de ser inconveniente? – Klaus pergunta, com Caroline em seu colo.
–- Será que você não conhece um lugar chamado quarto? Logo a Hope estará aqui e nem consigo imaginar o que ela pensaria disso aí. – Rebekah aponta para os dois.
–- Hope está com a Hayley? – Caroline pergunta.
–- Não. Hayley está ocupada com Jackson e uma nova “remessa” de lobos jovens. Ela precisava deixar a Hope com alguém e ligou pro Enzo. Ele levou ela pra tomar sorvete.
–- Enzo? De novo? – Klaus bufa – Ela podia ter ligado para mim, eu sou o pai da Hope!
–- Para com isso, Nik. Enzo é ótimo para ela. Agora eu estou no tédio, nenhuma bruxa tentando nos matar, nenhum lobo, não estou no caixão, minha sobrinha está em segurança, então acho que vou fazer umas compras. Quer vir, Caroline?
–- Eu acho que vou passar essa, Bekah. – ela olha para Klaus – Vou aproveitar o dia de outro jeito.
–- Ai que nojo, vou sai daqui agora. Vou ver se a Davina quer ir, ou então vou chamar a Cami.
Caroline joga uma almofada em Rebekah, que fica rindo.
–- Traidora! Se você chamar aquele exu pra fazer compras com você, nunca mais fale comigo.
Enquanto caminha pelas ruas da ensolarada New Orleans, Rebekah se sente sozinha. Ela acabou encontrando com Josh, que estava passeando com seu novo namorado, Aiden. Davina estava com Kol e Marcel ajudando em alguma coisa que ela nem quis saber o que era, Caroline provavelmente ia gemer a tarde toda e até mesmo Katherine, com quem ela já fez compras duas ou três vezes, fazia falta. Ela resolve mandar uma mensagem para a vampira.
Você é uma vadia, mas é uma excelente parceira de compras. Estou sentindo a sua falta para acabarmos com as roupas de NOLA.
R.
–- Ela provavelmente vai estar no avião, nem vai saber que eu mandei. – ela resmunga.
–- Falando sozinha?
Rebekah se vira e a surpresa em seu rosto é óbvia.
–- Matt. O que está fazendo aqui?
–- Obrigado pelas boas vindas, Rebekah.
–- E a faculdade? E Mystic Falls? E tudo?
–- Tudo o que? O que eu tinha lá? Um emprego no Grill, a faculdade e o carro que você me deu? Isso não foi o bastante para mim.
–- E o que você vai fazer agora?
–- Se você quiser, posso ficar.
–- Por que está fazendo isso? – ela desconfia.
–- Porque quando se encontra o amor verdadeiro, você não simplesmente desiste. Eu te amo, Rebekah Mikaelson. – ela a puxa para um beijo.
No centro de New Orleans, as pessoas aplaudem o beijo apaixonado de Matt e Rebekah. Ela se sente humana novamente, participando da mais humana e banal das tradições: o amor. O que ela sempre quis encontrar, mas só conseguiu libertar isso com um quarterback do ensino médio. Sempre esteve lá, o amor, mas ela nunca soube. Achava que não era capaz e nem digna de amar, mas o que houve é que ela ainda não tinha encontrado alguém que a fizesse sentir tudo o que ele a faz sentir. Ele. Matt.
***
–- O que está fazendo? – Marcel pergunta, assim que entra no apartamento de Camille.
–- Que susto, Marcel! – ela leva as mãos ao coração – Devia aprender a bater.
–- Pra onde está indo? Por que todas essas malas?
–- Eu acho que não te contei. Consegui uma vaga para o meu mestrado na Universidade de Vancouver. Estou me mudando para lá.
–- Vai sair de New Orleans?
–- O que eu tenho para fazer aqui, Marcel? Meu tio e meu irmão estão mortos, eles eram a minha única família. Davina agora é uma vampira e sabe se virar, você está bem aqui com o Klaus e toda a família maluca dele.
–- Você tem certeza do que vai fazer?
–- Claro que sim.
–- Vou sentir a sua falta.
–- Vou sentir a sua também. Mas... Você sempre pode ir me visitar. Pode me dar uma ajuda com as malas? O táxi já está esperando.
Assim que colocam todas as malas no carro, Cami beija Marcel pela última vez. Ou quase isso.
–- Diga à Davina onde estou e que ela pode ir me ver sempre que quiser. E diga ao Klaus que eu disse adeus.
–- Você sempre será bem-vinda de volta, Cami.
–- Cuide do meu apartamento. Nada de levar vadias lá. Adeus, Marcel Gerard.
–- Adeus, Camille O’Connell.
***
–- Então ela foi embora? – Caroline pergunta, sentada na varanda do quarto, assim que Klaus entra para contar que Camille partiu de New Orleans.
–- Foi. Ao que parece ela não queria mais ficar aqui. Só fico preocupado porque ela não veio se despedir.
–- Pelo amor de Deus, eu não acredito que você está preocupado com aquela criatura.
–- Para de ser ciumenta, sweet. Não era isso que você queria? Que ela estivesse longe daqui? Agora ela está. Aproveite.
Então eles se beijam, como se aquele fosse o primeiro e o último beijo dos dois. Tudo o que passaram juntos ao longo do tempo, todas as declarações, todos os sonhos, as brigas e as mortes... Tudo valeu a pena para torna-los quem são hoje e agora, não o temido híbrido Original e a Barbie vampira que só pensa nela mesma, mas Klaus, um homem que foi capaz de mudar para melhor e Caroline, a mulher responsável por essas mudanças. Nunca serão completamente normais, isso é óbvio, mas mesmo assim podem viver como merecem e como querem, pois não existe destino que o prive de suas escolhas, quando você corre atrás delas. Assim como ele correu atrás dela, assim como ela correu atrás dele. E se amaram. Profundamente, do dia de hoje até o fim dos tempos.
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