Entre o amor e o ódio

4 Capítulo 3: Dias de outono


Notas iniciais
Leitores de plantão, esse é um dos capítulos/ lembranças da Christine, a protagonista. Será a partir destes capítulos que vocês saberão como toda a história se desenrolou e irá se desenrolar daqui em diante. Vou intercalando um capítulo passado da história no presente e outro no passado. Espero que gostem, do fundo do meu coração. Um abraço.

Oito anos atrás...

Outubro. Era uma manhã comum em Nova Iorque, Estados Unidos. Fracos raios solares cruzavam os céus americanos, mas não se importava em olhar ao redor naquele momento. Focava-se em apenas uma coisa: seu pai. “Como ele pudera lhe dizer aquelas coisas?”, pensou enfurecida. Ontem fora, praticamente, o melhor dia da sua vida! Seu carro estava terminado. Todas as peças estavam colocadas nos devidos lugares, o motor funcionava corretamente, e ele era simplesmente incrível. Não era um Audi R8, o carro dos seus sonhos, mas era seu. Ela havia o montado, ou melhor, terminado. Sorriu triste em resposta.

Balançou a cabeça, afastando as lembranças e concentrou na conversa que tivera com o pai no dia anterior. Ele dissera (“Ordenara, você quis dizer”) que ela já estava na ‘fase’ de tomar a frente da empresa. Já imaginou ‘Chris Harper, a mecânica’ sentada atrás de uma mesa, vestindo um terno? “Impossível”, gritou mentalmente. Pois então, tentara dizer isso ao pai, mas ele negava-se receber um ‘não’ como resposta.

Suspirou, ainda frustrada. Resultado: discutira mais uma vez com o seu pai. Duvidava que existisse um relacionamento entre pai e filha como o deles. Sua mãe sempre dizia que eles eram parecidos. “Ora, eu me parecer com aquele velho?! Nunca!”. Concordou consigo, balançando a cabeça afirmativamente.

Estava andando (lê-se: correndo) pelas ruas da cidade, em direção a tranquilidade. Sua tranquilidade. Central Park. Campos, histórias e paz. Tomou fôlego quando se aproximou da entrada. Sorriu cumprimentando a fachada e, aos poucos, desacelerando os passos apressados.

Reparando o ambiente, notou a coloração exótica das árvores. Um amarelo/ laranja amarronzado. Não sabia definir aquela cor. Estava encantada com aquela visão. As árvores enfileiradas formavam-se uma espécie de corredor amarelo ao seu redor. O caminho feito de cascalho estava sob uma camada de folhas que transformavam ainda mais aquele lugar. Estava no paraíso. Um paraíso âmbar. “Âmbar!, gritou em pensamento, sorridente. “Como adorava aquela cor!”

Seus pensamentos foram interrompidos por um toque insistente que veio de dentro do bolso direito da grande jaqueta azulada dos Yankees (New York Yankees, time de baseball). “Por que não desligara o celular?”, pensou irritada. Tentava ignorá-lo, mas este quebrava sua paz. Pegou-o e atendeu, sabendo quem era, mesmo àquela hora.

— Christine! – seu pai exclamou. “O velho parecia irritado.” – Precisamos conversar. Você precisa entender que esta é a sua obrigação. Tenha um pouco mais de responsabilidade...!

— Pai! – interrompeu-o. Estava tão cedo! Não queria brigar, mas, seu pai estava passando dos limites. Onde já se vira? Ela?! Não tendo responsabilidade?! – Sabe, por um acaso, que horas são?! Está muito cedo, eu estou cansada, então, por favor, eu não quero falar sobre responsabilidades agora.

— Você nunca quer falar sobre nada! Está sempre cansada! Sempre a mesma desculpa! Eu sei que você não faz nada, a não ser ficar naquela garagem imunda cuidando daquele carro caindo aos pedaços...

— Chega! Não fale mal daquela garagem, muito menos daquele carro! Do meu carro! – aumentei o volume da voz por alguns instantes, até que notei algumas pessoas me olhando, espantadas. Pigarreei, constrangida, tampando os meus olhos com o boné vermelho-vinho que estava usando. – Olhe, papai, você sabe como eu gosto de ‘por as mãos na massa’, certo? Então, não tente me transformar em alguém que eu não sou...

— Se está se referindo a ele, Christine, trate de calar-se então. – disse o pai, rancoroso. – Não toquei no nome dele, por isso, não o coloque no meio desta conversa.

— Pai? Você não está vendo?! Ele sempre está em todas as nossas conversas! Todas! Indiretamente ou não. Você sempre consegue me comparar a ele, seja sobre responsabilidade, habilidade, inteligência. Em todos os assuntos. – suspirei, contendo, à esforços, a raiva que vibrava dentro de mim. – Eu não sou ele, pai.

— Você está se equivocando, Christine. – a voz soou raivosa do outro lado da linha.

— Me equivocando?! – “Ora, vá se ferrar, papai!” – Olhe ao seu redor, pai! Até na mesma sala, você quer me colocar! Talvez, até os ternos que ele usou, eu devesse usar, não é mesmo? Talvez, eu deva me casar com uma mulher também. Porém, sinto-lhe em informar, mas não haverão netos caso isso aconteça.

— Pare de dizer bobagens, Christine! Você é a minha filha! Eu me responsabilizo por suas ações inconsequentes. Eu pago sua dívidas, seus jogos de baseball e sua farreadas à noite.

— Eu nunca lhe pedi que os fizesse! – gritei não contendo a raiva. Danem-se aqueles que estivessem olhando. Que cuidassem das próprias vidas.

— Eu sou seu pai! – ele gritou do outro lado da linha, em resposta.

— Uma pena! – desliguei o celular, em revolta. “Eu não sou como ele!”, gritei mentalmente. “Eu nunca serei.” Esta cansada da cegueira de seu pai. Não apenas do pai, mas da família toda. “Idiotas.” Olhou para as próprias mãos, machucadas pelo duro trabalho. Ela gostava de se divertir e não se importava com as consequências. Porém, tinha responsabilidade. Apenas, tinha receio de não conseguir dirigir a empresa. Papéis e reuniões não davam prazer a sua vida. Estar embaixo de um carro, ouvir o motor roncar... Correr. Isso sim dava prazer a sua vida, mas o pai não aceitava isso. Para ele, ela deveria ser a herdeira perfeita.

Bufou frustrada. Havia caminhado em direção a Bow Bridge, uma ponte de ferro fundido que cruzava todo o lago, chamado The Lake, que se extendia pelo parque; sem notar o trajeto. A raiva a consumia, assim como a tristeza e a sensação de fracasso. Tirou o boné vermelho-vinho dos cabelos, e passou os longos dedos entre os fios aloirados. Várias vezes, como se desmanchasse a nuvem que formara em seus pensamentos. Não funcionou.

Apoiou os braços nas paredes altas da ponte e debruçou mais um pouco para ver a calma correnteza passar. Não havia peixes. Uma pena... “Gostava de peixes”. Seguiu o caminho da água com o olhar. Ela, calmamente, mantinha o seu fluxo homogêneo por todo o gigantesco lago. Não parecia ser muito fundo, mas não queria checar. Não gostava de água, na realidade. Mantinha um pequeno trauma de infância ao cair em uma lagoa, localizada na antiga fazenda do avô.

“Ele não tinha medo de água.”, afirmou mentalmente. Bufou mais uma vez com a constatação. “Eu também não tinha.”, retrucou. “Mas, agora, você tem.” Chocou-se. Estava discutindo consigo mesma agora?! Revirou os olhos. Seu pai estava lhe deixando tão maluca que agora estava tendo discussões mentais. Seu pai...

— Aquele velho... – murmurou.

Olhou para o lago abaixo de si, mais uma vez. “Quem sabe, ele não queira que eu aprenda a nadar também, não?”, questionou-se. Sorriu com a ideia ridícula. “Até que não era uma má ideia...” Pegou o boné, que estava sobre o muro, e colocou-o firme sobre os cabelos. O que seu pai diria ao descobrir que ela estava pensando em se afogar propositalmente? “Afogar, não. É um termo muito pavoroso. Quem sabe, ‘tendo aulas de natação em um lago, na rua Bow Bridge, no Central Park?” Seria divertido. Arruinaria a paciência de seu pai mais uma vez... “Prepare-se, velhote.”

Apoiou os braços no muro e forçou-se a subir. De pé, sobre o muro de ferro, suas pernas bambearam um pouco. “Não seja covarde!”, repreendeu a si mesma. “Mas, eu estou encarando a minha morte, sua maluca!”, desesperou-se, repensando sobre a ideia. “Ninguém vai deixá-la pular! Com certeza, algum bonitão vai passar e convencer você a não pular. E então, você terá resolvido dois problemas de uma vez só. Adeus, carência pós-adolescência!”. A histeria começava a tomá-la. “Está baseando-se em contos de fadas?!” Olhou pro horizonte. Os raios solares estavam se aquecendo e manhã corria. O número de pessoas caminhando pelo parque havia aumentado bastante, e, provavelmente, estariam se perguntando o motivo de uma louca estar sobre o muro àquela hora da manhã. “Nós estamos baseando em contos de fadas. Nós.”, a voz irritante finalizou a discussão.

Como imaginara, pessoas a rodeavam, buscando uma explicação. Olhou novamente paraas águas, imaginando até quando conseguia segurar a respiração, e desejando o fundo lodoso do lago fosse mais perto do que aparentava ser. “Nenhum príncipe vai vir me salvar. – eles não existem. -. Eu já tenho dezenove anos, e a fase de aprender a nadar, já se fora a muitos anos. Mas, nunca é tarde demais, não?”

Buscando forças, Chris preparou-se para se jogar no lago, quando seus pensamentos e sua concentração foram interrompidos por uma voz rouca, impaciente:

— Ei, garota! Você vai mesmo se jogar daqui?

Desnorteada, Chris seguiu a direção da voz. A sua esquerda, um homem, com roupas de corrida, caminhava aproximando-se. “O que você disse mesmo sobre príncipes?”, sua mente perguntou sarcástica. De estatura alta (talvez, um e noventa de altura), ele era maravilhoso. Porte físico de um atleta, ombros largos, cabelos negros, lisos e compridos, amarrados, e os olhos... Espantou-se com a cor. “Não é possível”, sussurrou. Olhos âmbar. “Âmbar!” Uma mistura exótica de amarelo com castanho, assim como as folhas das árvores que tomavam a maior parte do parque. “Eu não estou acreditando...”

Encostando-se no mesmo muro em que estava, ele a encarou com a mesma profundidade. O ar encheu-se com um determinado brilho, e sentiu-se tão aérea que não ouviu o que ele estava falando consigo. Balançou a cabeça, constrangida, tentando espantar os pensamentos adolescentes da mente e, enfim, desviou o olhar. Pigarreou.

— O que disse...? – sussurrou, olhando para os próprios pés.

— Eu disse: “Vai pular?” – repetiu a contragosto. – Senão, fale-me já. Eu estou um pouco atrasado para um compromisso, e, apesar de desejar muito presenciar uma “adolescente” histérica tentar se matar, eu não quero perdê-lo.

Olhou, horrorizada, para o homem ao seu lado. As pessoas se dispersavam aos poucos, o que a deixava duplamente horrorizada. “Que pessoas cruéis! Eu estou prestes a pular em direção a morte e o que recebo? Nada.”, reclamou. “E o que este homem – maravilhoso – está dizendo?!”

— O que disse? – enfim, encontrara a sua voz. – Primeiro: Você é um idiota. E outra: quem é a adolescente aqui? – indicou o corpo em demonstração. “O que eu estou fazendo?”, perguntou-se abaixando as mãos.

— Não vejo nada de interessante. – sorriu arrogante.

— Ora, seu... – engoliu o xingamento, ignorando-o e voltando-se para a questão original: suas aulas de sobrevivência.

— Vai me ignorar, garota? – cruzou os braços definidos sobre o peitoral, sendo seguidos pelos olhos verdes da moça que demonstravam seu conflito interno em relação ao homem. – Ou garoto...? – sussurrou sorridente.

Em dias normais, teria cometido um terrível crime naquele parque, por ter sido chamada de garoto. Porém, estava muito ocupada sendo atingida pelo efeito daquele sorriso masculino. Balançou a cabeça, mais uma vez. “Saiam pensamentos ridículos!”

— Olha, sr. ‘Cabelos de princesa’, eu não pedi sua opinião sobre a minha vida, muito menos sobre as minha ações. Acredito que você deva seguir a sua caminhada em direção ao seu compromisso tão importante e me deixe com as minhas aulas de sobrevivência. – Foi ousada, mas o olhar âmbar sobre si estava deixando-a desconcertada. “Não só o olhar dele a deixava desconcertada, não é mesmo?”

Ele gargalhou em resposta. “Se concentre, Chris! Não deixe-se levar pela risada rouca e sedutora, nem pelos olhos âmbar tão exóticos e maravilhosos. Nem pelo corpo ‘caliente’ ou pelo jeito arrogante de falar...” Chris desejou entregar-se as lágrimas naquele instante. “Vá embora logo!”

— Preciso lhe dizer, eu não costumo rir muito. Sinceramente, há tempos eu não me sinto tão bem. – concentrou-se na garota. – Obrigado. – murmurou.

— Por nada. – retribuiu o sorriso. – Fico feliz que você esteja se divertindo em favor dos meus problemas. Mas, eu preciso resolver-me de uma vez. Minhas pernas estão cansadas e eu adoraria comer alguma coisa bem gordurosa agora. Então, até mais. – acenou dizendo-lhe ‘Adeus!’.

O sorriso ainda permanecia firme no rosto masculino. Ele apoiou-se sobre o muro, como havia feito há alguns minutos, e voltou a olhá-la. Aqueles olhos exóticos e ilegíveis, encarando-a.

— Então, desça deste muro, antes que você caia neste rio. – explicou calmamente. – Acredite em mim, o máximo que aconteceria seria você se machucar. Este rio é ridiculamente ‘profundo’... – ironizou.

— Como sabe? – perguntou confusa.

— Instinto masculino. – Gargalhei em resposta. Pensei mais uma vez sobre o que estava fazendo... “Uma grande besteira.”, conclui. Não conseguiria resolver nada com o seu pai dessa forma. Seus erros ainda estariam presentes na alma, mesmo que tentasse mudar seu exterior. E, sentir ciúmes dele? Ela não tinha aquele direito. Nunca teria.

Suspirou pesarosamente, chamando a atenção da companhia que está concentrando em algo no horizonte. Abaixou-se e saltou de cima do muro, em derrota. Ao endireitar-se, notou a grande diferença de alturas entre os dois, e sentiu-se ainda mais nova. Sorriu, espantando os pensamentos paralelos.

— Então, sr. ‘Cabelos de princesa’, cá estou, livre de qualquer loucura e perigo. Agora, pode ir embora. – disse afastando-se da ponte — Adeus!

Enquanto caminhava apressada, em direção ao fim do parque, Chris não notou que o homem vinha atrás de si, até que sentiu seus braços serem agarrados e puxados por mãos grandes bem desenhadas. Chocou-se contra o peitoral masculino, e seguiu o trajeto corporal até os magníficos olhos que a encaravam.

— Você vai me deixar assim? – perguntou, fingindo indignação. – Me diga o seu nome, garota.

— Isso foi uma ordem, sr. ‘Cabelos de princesa’? – “Como eu gostei desse apelido!”, riu internamente.

— Primeiro: Não me chame mais assim. Segundo: se você interpretou o pedido desta forma, quem sou eu para mudá-lo? – “Arrogante!”

— Já lhe disseram que você é muito arrogante? – perguntou debochada. Sentiu, enfim, as mãos ainda lhe segurando firme, e o peitoral lhe confortando. “Beije-o logo!”. Pigarreou com o pensamento estúpido. – Poderia me soltar, por favor? – Ele acatou seu pedido, constrangido. “Constrangido?! Onde já se viu um mulherengo destes ‘constrangido’?!” – E, como você interrompeu meus planos mais cedo, diga-me seu nome primeiro. Eu aceitarei isso como um pedido de desculpas.

— Obrigado pela bondade! – disse falsamente (outra vez). Não conteve o sorriso ao se apresentar. Estendeu a mão direita, formalmente, e disse: — Soren. Soren Craig.

“Craig.”, pensou curiosa. “Já ouvira esse nome?”. Não se lembrava, “talvez lembrasse mais tarde”.

Os pensamentos imediatamente esqueceram o tal nome ao sentir o celular vibrar no bolso direito, novamente. “Não havia desligado o celular?”, perguntou surpresa. Agarrou-o e leu o nome na tela: “Velhote”. Suspirou, ignorando a companhia. A raiva tornava a aquecê-la internamente, mas, dessa vez, tentaria conversar. “Calmamente!”, disse.

Virando-se contra o homem, que a observava atentamente, atendeu o celular. A voz de seu pai estava mais calma e ele parecia infeliz, cansado. Também estava, principalmente, de todas aquelas discussões. Mas, não havia outra forma de conversar com o seu pai. “Cabeça-dura...” Falando ao telefone, Chris deixou Soren para trás, esquecendo completamente do belíssimo homem.

Já na entrada do Central Park, Chris virou-se, afastando o telefone de si, e vendo que Soren ainda continuava parado no mesmo local em que o deixara. Não conseguira conter o sorriso que brotou em seus lábios. Tão abertamente e verdadeiramente, que a felicidade mal cabia em seu rosto. Soren, deslumbrado, teria sorrido em resposta, se não fosse pela última frase:

— A propósito, Soren, meu nome é Christine. – gritou, acenando. E completou: — Christine Harper.

E então, a garota partiu, deixando o belo rapaz para trás, paralisado no Central Park. Seus olhos âmbar estavam arregalados e seus lábios entreabertos, em choque pela descoberta.

— Harper...? – sussurrou, confuso. A raiva começava a lhe consumir. Caminhando firme até o fim do trajeto, Soren pegou seu celular de dentro do bolso da calça de ginástica, e discou o primeiro número de seus contatos. Seus olhos, frios e calculistas, totalmente diferentes de antes, começaram a analisar a situação em que se envolvera, até serem interrompidos por uma voz suave do outro lado da linha.

— Paige? – chamou pela secretária do avô. – Diga a Collin que eu estarei na sua sala em vinte minutos. Eu estou em Springfield e tenho ideia de como conseguir o que ele tanto desejou durante a vida. – a secretária não o compreendeu, então repetiu, objetivamente: – Apenas diga que Christine Harper é uma mulher maravilhosa, assim como ele tanto afirmou. Ele saberá do que se trata. – e desligou a chamada, adentrando no carro, estacionado a poucos metros do parque. “Em que confusão eu fui me envolver...”, pensou irritado, colocando os óculos escuros e dando partida no carro conversível. ”Malditos nomes!” E acelerou.

Notas finais
Comentem, por favor! ♥