Entre o amor e a guerra - Season II

50 Capítulo 50 - Lutas internas...


Notas iniciais
Boa noite my lovers!! Esse capítulo é para falar um pouco de dois extremos do que a violência pode produzir...algumas pessoas mesmo criadas em um meio violento podem ser diferentes, lutar por isso se tiverem apoio e chance de ser diferente...outras nem tanto, acabam virando um produto perverso dela!!

Emily e Quinn tem histórias bem parecidas em relação a infância de violência, mas acabam por, na encruzilhada da vida, escolher caminhos bem diferentes...

PS: Essa coisa de cortar cabeça é meio México...adorooo!!!kkkkk

Boa leitura!! :)

O barraco estava armado, restava saber se Quinn conseguiria conter o ímpeto de estourar, se conseguiria se controlar e não deixar que mais uma vez seu lado mais agressivo e intolerante falasse mais alto. Quinn de repente explodiu...não em agressividade e intolerância, mas em um choro quase desesperador; Rachel não entendeu exatamente nada, afinal esperava outra reação da esposa, que saiu pela porta da casa sem dizer nada. Caminhava sem rumo, chorando como uma criança perdida...a morena ainda tentou ir atrás, mas como só estava de camisola, quando mudou a roupa e a procurou pelas imediações a menina já havia sumido. Ligou várias vezes para o celular da loira, porém sem sucesso, o que deixou Rachel mal, sentindo-se culpada por toda aquela situação e pelo surto da namorada...a única idéia que lhe veio a cabeça foi pedir ajuda à Britt e Santana, que imediatamente saíram a procura da loira.


Passavam de duas horas do sumiço de Quinn quando Santana teve a idéia de procurá-la em um lugar que ela mesma sempre ia quando precisava pensar...foi quando avistou a menina na beira da praia sentada sozinha, absorvida pelo vai e vem forte das ondas. Como conhecia muito bem aquela surtada, Santana deixou Britt no calçadão com a segurança noturna e se aproximou da amiga, precisavam ter uma conversa séria depois do que Rachel havia relatado...

– Será que tem espaço para mim ai nesses pensamentos?! Perguntou Santana, aproximando-se da amiga e sentando ao seu lado.

– Sempre tem minha amiga de todas as horas. Disse Quinn colocando a cabeça no ombro da morena, que a abraçou e deixou que a menina chorasse tudo que precisava, afinal não conseguia fazer isso quase nunca, pois tinha medo de perder a fama de líder, de forte, de durona.

– Não sei o que estou fazendo da minha vida Santana. Quando penso que tomei jeito vem essa coisa de dentro de mim e quer arrastar tudo, quer destruir o que vê pela frente, principalmente as pessoas...é como se eu ficasse cega, possuída...e pudesse machucar qualquer pessoa, até mesmo aquela que eu mais amo...a Rachel. Disse a loira, envergonhada com as próprias palavras.

– Ela me contou o que aconteceu, tanto sobre o tapa quanto sobre hoje, sobre seu descontrole e agressividade. Acha mesmo que faria mal a ela Quinn?! Perguntou Santana, um pouco assustada.

– Tenho certeza San...fiquei cega!! Só não parti para cima dela porque meu corpo não respondeu as ordens da minha cabeça, senão tinha machucado ela hoje de novo. Disse Quinn, voltando a chorar.

– Sinto muito pelo que vou te dizer Quinn, mas quem ama de verdade não machuca, não maltrata...muito pelo contrário, quem ama de verdade cuida. Não acha que passou da hora de procurar ajuda especializada para esses seus surtos de agressividade?! Quanto tempo acha que Rachel vai agüentar ao seu lado se continuar assim?!

– Eu se tivesse no lugar dela estaria arrumando minhas coisas para ir embora, afinal ela não precisa passar por isso...ela pode ter quem ela quiser, e não ficar presa a uma troglodita como está hoje.

– Sinto que se ela não te amasse de verdade talvez até você tenha razão, mas como ela te ama aposto que está em casa ansiosa por um telefonema meu dizendo que te encontrei e que você está bem. Disse a latina, fazendo carinho nos cabelos da amiga. Logo Britt chegou de mansinho e se juntou as duas, estava ficando tarde e perigoso para permanecerem ali.

– Será que podemos levar essa fujona pra casa amor?! Perguntou a loira, abaixando e abraçando Quinn por trás, cheia de carinho e compreensão.

– Não só podemos como vamos levá-la...para casa hoje e amanhã vamos ver com seu pai uma boa psicóloga...tem alguém que está precisando de mais do que amigas para desabafar, mas de acompanhamento especializado para não seguir pelo mesmo caminho que tantos agressores seguem. Você vai não vai anta loira?! Perguntou a morena, mais intimando do que convidando.

– Vou sim...disse Quinn de forma fraca e pouco convincente.

– Vou sim o cacete!! Não tenta me enganar...se não for eu mesma ajudo Rachel a fazer as malas, ir embora e nunca mais olhar na sua cara!! Deu o ultimato Britt, que sabia que a menina precisava de ajuda...não podiam deixar que ela seguisse os passos do pai violento e abusador, muito menos reproduzir tudo aquilo que sofreu durante toda a sua vida...precisava lutar para ser diferente. Saíram dali abraçadas e em poucos minutos já estavam na casa de Rachel, que já as esperava no portão...queria sua loira de volta, afinal sabia que tinha uma parcela de culpa naquela discussão. Rapidamente Santana conversou com a morena sobre levar Quinn a um especialista, a menina concordou e só nessa conversa teve a real dimensão da história de vida da amada, da violência doméstica sofrida pela mãe e por ela, da violência sexual, de todas as mazelas que a vida lhe reservara...Quinn tentava resistir, ser diferente, mas volta e meia acabava fraquejando em seus propósitos, ser diferente era quase impossível quando os exemplos da infância e da adolescência acabam sendo focados na perda, na ausência e no fracasso...só Rachel poderia dar sentido aquela tentativa de ter uma vida diferente.

Enquanto as meninas conversavam na casa de Rachel e Quinn, no alto do São Jorge Broddy era contatado pela menina-menino, afim de aliarem forças contra uma inimiga comum...Quinn Fabray!! Emily sabia que só atingiria Santana em seu ponto mais fraco se atingisse sua família, seus amigos e sua comunidade, para isso precisava de aliados dentro do São Jorge, afinal ela e seu grupo eram de outra favela...nada melhor que Brody!! O menino ainda não tinha esquecido a briga com Quinn Fabray no Favela Funk Folia, muito menos a forma como havia sido preterido pela loira em relação a Rachel Berry...queria vingança. A proposta de Emily era simples e agradou ao menino em cheio...ele teria seu bonde reforçado por todos os soldados de Emily, em troca os comandaria em uma guerra contra os aliados de Quinn e Puck. Embora não estivessem mais envolvidos diretamente no tráfico, ambos tinham muitos parceiros na comunidade, um grupo que controlava o movimento desde que Quinn largara aquela vida de crimes...antes comandados por Finn, agora eram comandados por Ryder, um grande amigo de infância dos irmãos Fabray.

Brody concordou na hora com a proposta da latina-asiática, que mesmo da cadeia controlava todo o tráfico, assim como os crimes cometidos em seu território. Por skipe a menina foi direta com o garoto de cabeça amarela...sua primeira obrigação era deixar que o bando dela entrasse no morro e invadisse a casa da mãe de Santana... ela seria seqüestrada, levada com o sobrinho da morena até o ponto mais alto do São Jorge e depois ambos seriam executados...logo depois suas cabeças seriam mandadas para a latina...seria um presente de “casa nova”, já que decidira voltar a morar com a loirinha patricinha. Brody no início achou aquilo sem noção, cruel e desumano, mas viu que se lutasse poderia comprar uma briga que sabia que não daria conta de vencer, poderia até perder seu ponto de tráfico no São Jorge para o bando de Emily se resistisse, assim resolveu lavar suas mãos...não faria mal a família da antiga amiga de infância, mas também não impediria o grupo de Emily de fazer...esse era o trato.

A idéia era executar todo o plano no dia seguinte, durante o dia os soldados de Emily ocupariam o lado de Brody no São Jorge, a tarde levariam os familiares de Santana para o Mirante, parte mais alta da favela, e a noite os executariam; a família teria um julgamento e uma condenação...seriam condenados pelo crime mais hediondo de uma favela, a traição...não importava se não fossem responsáveis pelos atos da latina, deviam pagar por ela.